3. OVERVIEW OF TECHNICAL MEETING ON THE STATUS AND
3.1. SUMMARY OF TECHNICAL SESSION 1: COMPUTER CODES AND
professores substitutos que atuam na disciplina tem sido normalmente de três. Destaque ainda para o fato de que a grande maioria destes professores substituos desenvolvem seus trabalhos na instituição regidos por legislação que os admitem por apenas um ano. Tem-se assim, uma alternância de diferentes professores, por vezes com diferentes concepções de Prática de Ensino, sem haver espaço-tempo efetivo de exposição e como consequência de reconstrução rumo a um projeto com eixos comuns.
n Destaca-se o fato dos professores substitutos, pela legislação, só poderem se envolver com atividades de ensino. Logo, não podem assumir nenhum projeto de pesquisa e qualquer intenção neste sentido (principalmente pesquisas que reivindicam financiamento) deve estar tutelada por algum professor efetivo. Tem-se assim, uma espécie de desvalorização e falta de incentivo ao próprio professbr substituto, bem como
como objetivo explícito organizar/registrar as diferentes intervenções e suas marcas ñas instituições (universidade e escola), como também, por outro lado exercer uma espécie de controle/regulação. Encontra-se esta dualidade no próprio depoimento da professora- supervisora efetiva:
Eu penso que este é o desafio que eu me coloquei, depois dos primeiros anos, de organizar o trabalho de modo que quem chegasse aqui tinha de dar conta de continuar, e deixar muito claro o que fez, para que quem viesse pudesse avançar naquele Irabalho e não ficar circulando em várias situações. Percebi pessoas se sentindo donas mesmo.
Esta característica de instabilidade intrínseca ao trabalho de um professor substituto parece repercutir em diferentes direções, podendo por vezes inclusive criar certas confusões. No entanto, percebe-se que principalmente nestas intervenções, existe uma tendência ainda mais forte de instituir um trabalho coletivo sedimentado apenas pelo compromisso pessoal, já que a própria instituição insiste em desvinculá-lo de seu quadro pessoal, mesmo que durante um ano ele efetivamente o componha. Parece ser possível revelar ainda, que o próprio professor designado e percebido como substituto pode assumir para si, bem como pode desenvolver em sua atuação a definição que mais o revela - o caráter de temporário -, conduzindo-o por vezes a limitar-se a atuar pedagogicamente na disciplina apenas pela via de acompanhamento/supervisão de estágio. Tal situação parece ter raízes na insegurança e desestímulo que pode ser sustentada pelo próprio professor substituto que além de se saber temporário e de curto prazo, sente-se um agente estranho à instituição, não se reconhecendo como membro legítimo e por vezes identificando esta característica de desvinculação em seus pares. Desta forma, o professor-substituto percebe- se pouco relevante para a instituição/área/departamento, havendo assim a tendência de cumprir apenas o mínimo necessário, isto é, assistir/acompanhar as atividades de estágios (aulas ministradas pelos estagiários). No entanto, pode-se observar também que, apesar desta tendência apresentada e reconhecida quase como "normal", especificamente a Prática de Ensino de Educação Física da UFSC teve, ao longo deste tempo, uma série de professores substitutos que, embora não pudessem assumir horas de pesquisa, ampliaram este estreito entendimento e assumiram o compromisso de instituir a pesquisa como um
princípio educativo e a Prática de Ensino/Estágio Supervisionado como objeto de pesquisa participante, embora esta atitude tenha sido quase sempre determinada por projetos pessoais ou mesmo coletivos, mas com reduzido apoio institucional.
Assim, se por um lado há entraves como os citados anteriormente, por outro, há alguns avanços bancados (de forma muito pessoal) pelos professores que vem desenvolvendo a disciplina, que de uma forma ou de outra, parecem ser reconhecidos. O depoimento da Coordenadora é elucidativo desta afirmação:
eu acho que é muito em cima do pessoal, e acho que o papel deveria facilitar, mas eu volto a dizer, é condição necessária, porém, não garante. Eu acho que a Educação Física se destaca em termos de trabalho em conjunto, em termos de linha metodológica, essa coisa assim de vocês trabalharem todos na mesma linha.
Percebe-se nesta fala a tendência de atribuir-se à iniciativas pessoais os méritos de um trabalho mais articulado coletivamente, no entanto destaca-se também que no plano institucional muitas vezes estas ações ficam presas as linhas do papel. Neste sentido, Adorno nos fala que construções coletivas não podem sustentar-se por vínculos ilusórios:
Ainda considero ser uma ilusão imaginar alguma utilidade no apelo a vínculos de compromisso ou até mesmo na exigência de que se restabeleçam vinculações de compromisso para que o mundo e as pessoas sejam melhores (p. 124).
Esta fala desperta para um necessário e urgente desafio institucional, desafio este capaz de instituir e garantir aos agentes sociais que o compõe a perspectiva de reconhecerem em suas ações compromissos que lhes sejam significativos, que os estimulem a fazer mais e melhor, de forma que possam desenvolver práticas pedagógicas consonantes com um projeto maior de sociedade. Assim, destaca-se a difícil tarefa de articulação das diferentes áreas de conhecimento, quando se pensa num trabalho desenvolvido pelas Práticas de Ensino em conjunto na escola. Admitindo e respeitando as especificidades de cada área, explicita-se, no entanto, a necessidade de reconhecer e estabelecer alguns compromissos em comum, quando se pensa na intervenção desta disciplina dentro do universo escolar, bem como seu retorno para o âmbito universitário. Ressalta-se a necessidade de construção de projetos institucionais bancados e comprometidos pelos agentes sociais, que lhe dão legitimidade e confiabilidade através de
intervenções que anunciam o vínculo institucional, mas que, via de regra, não conseguem mantê-lo. Evidencia-se assim, uma urgente e necessária aproximação dos próprios professores que assumem a disciplina Prática de Ensino, bem como o reconhecimento a relevância da participação da instituição na construção de projetos elaborados/desenvolvidos em parceria, envolvidos e comprometidos através do vínculo institucional. A reaproximação surge como um elemento vital quando se pensa em instituir projetos coletivos; assim, encontra-se no depoimento da Coordenadora de estágios falas que reafirmam a necessidade de articulação:
... uma aproximação...que este diálogo fosse não pessoa à pessoa, a gente tem um bom relacionamento aqui. A questão é área à área do conhecimento; trabalhos em conjunto, projetos. Isto não acontece, pelo menos não aconteceu até agora, tomara que mude..
Como pode-se perceber, a disciplina Prática de Ensino em Educação Física tem como pressuposto básico a responsabilidade, ainda que não exclusiva, de materializar a unidade entre teoria e prática através da inserção do licenciando/educador no contexto escolar, uma vez que sua entrada na escola permite desvelar-lhe a realidade do cotidiano escolar. A partir desta aproximação, referencia-se a possibilidade - pela via da participação de experiências concretas de ensino - de refletir e analisar o processo de produção do
saber/agir realizado no interior da escola, betn como identificar seus determinantes históricos-sociais para, a partir daí, relacionar-se pedagogicamente com tal realidade e construir novas propostas interventoras. Neste sentido, percebe-se que a disciplina passa a se apresentar para o educador em formação como um momento importante de transição, uma vez que o universo universitário (re)-liga-se efetivamente com o universo escolar concreto destacando-se, ainda, que o educador em formação vê-se ocupando pela primeira
vez a condição de professor. '
Toda esta metamorfose exige da disciplina Prática de Ensino de Educação Física a responsabilidade de aproximar o educador em formação à realidade escolar concreta, de forma a possibilitar a convivência com a totalidade do ensino de Educação Física, construindo, a partir do que é identificado e interpretado, uma proposta pedagógica fundamentada para o desenvolvimento do processo de Estágio Supervisionado. Tem-se assim a possibilidade de instituir uma intervenção consonante com a realidade
observada/vivida, onde também o estagiário assume o papel de pesquisador comprometido em investigar seu campo de estágio na perspectiva de apontar propostas pedagógicas relevantes. Destaca-se ainda a possibilidade de desmistificar "falsas dicotomias" como as que se apresentam, por exemplo, entre as instituições Escola e Universidade e entre professores, estagiários e supervisores, revelando assim a possibilidade concreta de superação, de ultrapassar barreiras institucionais e pessoais na instituição de trabalhos/projetos construídos e vivenciados coletivamente. A escola, para tanto, passa a ser interpretada como um campo a ser desvelado/revelado, caracterizando-se em algo mais do que um "campo de provas". Ela assume para si a responsabilidade de deixar-se invadir e contaminar, abrindo espaço para que também seus docentes possam comprometer-se com o momento de estágio, cedendo muito mais do que uma turma para sua efetivação, mas ancorando momentos de discussão e atualização teórica apontadas a partir da realidade vivida pelo grupo.
Esta perspectiva de intervenção da disciplina Prática de Ensino pela via do estágio abre espaço para ações em que se apreendem saberes específicos que são produzidos na escola e que retornam a universidade, bem como para aquelas (ações) que partem da universidade para constituírem-se em experiências a serem vividas/refletidas na escola. Fruto disso, o estágio supervisionado aparece no atual quadro de desenvolvimento da disciplina Prática de Ensino de Educação Física como elemento capaz de gerar reflexões/ações/reflexões impulsionadas pelo processo dinâmico presente 110 cotidiano
escolar. Este processo dialético provoca constantes inquietações e reelaborações, que, quando registradas, evidenciam o compromisso de construir mais e melhor, como a responsabilidade de socializar a produção de conhecimento intrínseca nas práticas pedagógicas fundamentadas. Neste sentido, a produção teórica encontra sentido, enquanto um elemento viabilizador de novas ações e por conseguinte novas reflexões; assim, quando o estagiário-educador em formação compromete-se a produzir conhecimento a partir de seus registros memoriais sobre as experiências de estágio vividas na escola, necessário se faz apreendê-la na totalidade. Destaca-se, portanto, este compromisso como constituinte no desenvolvimento da disciplina Prática de Ensino da UFSC, que ganha vida institucional quando inclui e viabiliza efetivamente a pesquisa, ensino e extensão como elementos indissociáveis, articuladores das ações pedagógicas desenvolvidas pela disciplina e assumida pelos agentes sociais que a institui. Destaca-se, como comprovação da
preocupação com a produção e socialização do conhecimento produzido a partir das experiências da prática pedagógica dos educadores em formação, algumas publicações geradas nas experiências de ensino desenvolvidas no Estágio Supervisionado.
Revisitando a Prática de Ensino de Educação Física/UFSC a partir de suas produções
Vários aspectos até aqui referenciados apresentam a disciplina Prática de Ensino/Estágio Supervisionado de Educação Física da UFSC preocupada em estabelecer íntima ligação com os demais componentes curriculares dos cursos que visam a formação de educadores, revelando a necessidade de interligar-se em um projeto de parceria que reconheça a escola (principal campo onde acontece os estágios) como parceira na construção de um projeto coletivo capaz de contribuir para a transformação social.
A disciplina vem buscando construir novas possibilidades de entendimentos e intervenções no curso de Licenciatura18, pautando-se e inspirando-se em projetos críticos- transformadores, em que é possível perceber intenção referente ao processo de reconstrução desta disciplina frente às exigências advindas também das alterações curriculares do referido curso. Conforme destaca Wiggers (1994), a disciplina Prática de Ensino "encontra-se em processo de reconstrução pedagógica e busca sintonia com os propósitos do novo Curso. O ensino de Educação Física se coloca como objeto central de estudo da disciplina, que se realiza através do estágio supervisionado" (p. 105).
18 O curso de Licenciatura em educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina passou por