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CONSIDERATIONS FOR THE USE OF SEVERE ACCIDENT CODES

2. DESCRIPTION OF SEVERE ACCIDENT CODES AND MODELS

2.3. CONSIDERATIONS FOR THE USE OF SEVERE ACCIDENT CODES

separação implica necessariamente em reconhecer que tudo que se distancia, em algum momento outro se fez presente/próximo, "a distância evoca a presença" (p. 154).

Assim, a escola quando recebe comprometidamente o estágio supervisionado como um elemento a mais que irá compor-se enquanto realidade sua, (além de comprometer-se também institucionalemente na formação profissional daqueles "educadores em construção"), identifica através desta experiência possibilidades de aproximação real e possíveis parcerias com a universidade. O encontro de olhares parece anunciar o início do entrosamento. Ainda que o entendimento expresso e objetivado por nós, acerca da efetiva participação do aluno estagiário na escola, não se resuma as participações extra-classe, ainda assim, a escola parece perceber nestas participações um envolvimento maior conforme é possível observar nas falas da Coordenadora:

Se a Prática de Ensino fa z um bom trabalho, se ela contribui com a escola, se ela se aproxima, eu acho que é um trabalho desejado para os próximos semestres. As pessoas querem o retorno daquele tipo de presença do estagiário, que estão nas reuniões de conselhos de classe, que tem com que contribuir (grifos nossos).

Reconhecer a possibilidade de fundamentar as aproximações entre a universidade e escola, pela via da Prática de Ensino/Estágio Supervisionado, implica em desvelar a tão conclamada reconstrução das relações, identificando marcas deixadas em outros tempos. Até porque, estas posturas quando recarregadas pelo desânimo e comodismo sustentam e confirmam - tanto nos professores universitários como nos professores da escola - um vazio que consegue apenas preencher o essencial, o que sustenta o dia a dia. Surge assim, o medo causado pela exposição, pelo mostrar-se ao outro, pelo rever-se através do outro. Esta parece ser uma característica nos contatos pela via da Prática de Ensino; o professor/educador da escola parece sentir-se amedrontado pelos agentes da universidade (interpretados pelo professor-supervisores e/ou orientadores e pelo aluno-estagiário).

Corre-se o risco de estabelecer-se assim, uma relação sustentada apenas pela auto-conferida autoridade da universidade (reforçada pela própria escola e pelo professor), onde os contatos conseguem apenas estabelecer-se pela via burocrática, na devolução das "fichas de avaliação de cada aula", no controle da frequência, dentre outros. Assim, para Adorno (1995): "na incapacidade do pensamento em se impor, já se encontra à espreita o potencial de enquadramento e subordinação a uma autoridade qualquer" (p.71).

Prática de Ensino de Educação Física da UFSC: em movimento de reconstrução

As disciplinas Prática de Ensino de Educação Física, em 10 e 2o Graus, tem como pressupostos elementos balizadores/reguladores _ na construção de uma prática efetiva/participativa/integradora. Legalmente, a disciplina ainda está instituída na UFSC com uma carga horária de 72 horas-aula cada uma, com 04 créditos semanais, compondo respectivamente o 6o e o T semestre da dinâmica curricular sugerida.

A atual proposta desenvolvida pela disciplina Prática de Ensino de Educação Física teve - a partir das mudanças instituídas pela proposta de restruturação dos currículos dos cursos de Licenciatura sugeridas em âmbito nacional - reformulações que disseminaram mudanças no projeto político pedagógico da disciplina, consolidando novos pressupostos teóricos-metodológicos balizadores de uma nova prática para a disciplina. Assim, a disciplina passa a ser concebida, anunciando-se "enquanto um espaço privilegiado de/ articulação do conjunto do currículo; de crítica e de produção de propostas metodológicas, para o ensino da Educação Física" (Wiggers, 1996~a, p.25). Para tanto, a disciplina assume como dinâmica de trabalho uma nova postura "de maior autonomia e participação do estagiário em todas os momentos do seu estágio, responsabilizando-o em conjunto com os professores pelo planejamento, desenvolvimento e avaliação de sua experiência" (op.cit, p.25)). A disciplina apresenta como ementa o estágio prático de Educação Física na pré- escola e em escolas de Io grau (disciplina Prática de Ensino de Io grau) e em escolas de 2o e 3o graus (disciplina Prática de Ensino de 2o grau), planejamento, observação, execução e relatórios de atividades. Tem-se assim o ensino da Educação Física como o objeto central de estudo, e destaca-se como objetivo geral da disciplina:

a) produzir as condições necessárias para que se efetive o processo de reconhecimento do estagiário na posição de professor de Educação Física - mediador entre conhecimento da cultura corporal e os alunos -, através de uma inserção teórico-prática na totalidade do trabalho escolar e considerando a formação técnica, científica e cultural desenvolvida ao longo do curso de Licenciatura;

b) fazer uma leitura crítica da realidade escolar brasileira, enquanto critério geral para elaboração do planejamento de estágio, selecionando elementos

da concepção de ensino de Educação Física a ser trabalhada;

c) compreender a escola como campo de estudo a ser constantemente problematizado, na perspectiva de superação da fragmentação do

conhecimento no âmbito da prática pedagógica;

d) introduzir a produção de conhecimento relacionados ao ensino da Educação Física, socializando as experiências desenvolvidas, como contribuição na relação de intercâmbio entre universidade e escola (Wiggers, 1996-a) .

Apesar de não existir um projeto comum que tenha alguns eixos norteadores a serem desenvolvidos pelas diferentes áreas de conhecimento, como já foi exposto e reconhecido anteriormente, a Educação Física parece se destacar por apontar alguns eixos básicos acerca do compromisso da disciplina Prática de Ensino em Educação Física, destacando sua relevância social para com a escola, bem como para com a universidade. Parece ser possível reconhecer e confirmar esta iniciativa através do depoimento dado pela Coordenadora de Estágios do Departamento de Metodologia de Ensino:

... eu acho que a área é articulada e isto a gente vê no resultado concreto, porque tem coisas produzidas, escritas que as outras áreas não tem. Eu acho que isso é o reflexo de uma área articulada, quando se fa la a área é uma área,.por que aqui a gente tem outras áreas com professores trabalhando na mesma disciplina com orientações diferentes. Nada obriga que isto seja feito por área.

Apesar de haver o reconhecimento acerca das articulações existentes no desenvolvimento da Prática de Ensino de Educação Física por parte da Coordenação de Estágios do MEN/CED, existem alguns elementos que descaracterizam, ou melhor, limitam o potencial articulador construído pelo conjunto de professores supervisores- orientadores da Prática de Ensino de Educação Física. Um dos elementos mais significativos é apontado e revelado através do depoimento expresso pela única Professora que atualmente compõe o quadro e se encontra em efetivo exercício na área15. Nele, ela identifica esta situação como um fator limitante quando se pensa em construir um projeto contínuo para o encaminhamento da disciplina, bem como no estabelecimento das relações entre universidade-escola:

Falando das relações entre universidade-escola pela via da Prática de Ensino, eu vejo isto como um trabalho de construção, que tem sido o grande desafio. E aqui eu gostaria de registrar que a circulação de professores aqui da área, de professores substitutos16; este fato criou algumas dificuldades impeditivas da gente avançar numa perspectiva de crítica mais aprofundada da prática de Educação Física Escolar.

Marca-se assim, que a disciplina Prática de Ensino em Educação Física preocupa-se em assegurar não só re-elaborações constantes que promovam um trabalho consonante com o processo de reconstrução pedagógica inspirada pelos novos propósitos do currículo, bem como preocupa-se em articular um trabalho conjunto sustentado pelos professores/supervisores auxiliares que atuam com a disciplina nas escolas de Io e 2o graus. Destaca-se no entanto, que estas intenções existem e são bancadas pelo compromisso pessoal, já que a própria situação de instabilidade encontra na dinâmica institucional prerrogativas que contribuem para emperrar novas e diferentes experiências17. Nas falas da professora-supervisora/orientadora, quando avalia e tenta destacar algumas fragilidades nas experiências vividas pela Prática de Ensino de Educação Física, encontra-se ainda na circulação de professores substitutos um dos principais entraves: "...comecei a circular e quero avançar...não é produtivo esta situação dentro de uma instituição acadêmica, é preciso estar avançando, ter troca, ter interlocuções". Nestas falas pode-se caracterizar a distinção feita ao trabalho desenvolvido por professores substitutos que, mesmo comprometendo-se e realizando um bom trabalho, são rapidamente esquecidos, ou melhor, tendem a não deixar marcas, em comparação ao trabalho encaminhado pelo professor efetivo que parece chamar para si - ou lhe é atribuído, ou ainda os dois fatores - a responsabilidade pela coordenação dos trabalhos, numa tendência de gerenciar as ações da área. Esta situação abre-se para duas possibilidades de enfoque, podendo por vezes ter

16 O quadro de pessoal na área Prática de Ensino em Educação Física na UFSC é composto de quatro vagas