2. DESCRIPTION OF SEVERE ACCIDENT CODES AND MODELS
2.2. COMMONLY USED SEVERE ACCIDENT CODES
2.2.4. MACCS code
Uma universidade pública preocupada e comprometida com a indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão, tendo este pressuposto como atividade fim, passa necessariamente pela busca de uma nova relação transformadora com a sociedade- universidade. Nesta perspectiva, a universidade não se esgota em si mesma, apresenta como propósito concreto ser um "centro gerador" de conhecimentos para a sociedade, tendo como responsabilidade, produzir conhecimentos novos, saberes novos, buscados 'a partir de um contato direto com a sociedade que a subsidia. Esta característica da inovação ousada e comprometida pode se encontrada nos escritos de Coelho (1994) quando destaca o caráter inédito de suas produções/ações:
... instituição que emerge da vida social concreta e expressa seus conflitos e contradições, a universidade recusa a repetição monótona do já dito e do já feito e se constitui no exercício da reflexão, do debate, da crítica e da
expressão, da sociedade mesma que a institui e conserva (p. 18).
A todo momento, a sociedade parece gritar por soluções, parece apontar suas necessidades, tentando destacar alguns sintomas, que quando trazidos para dentro das instituições podem ser detectados em conjunto com os que vivem tais problemas no cotidiano, viabilizando possibilidades de superação.
Nesta perspectiva (que tentamos fundamentar e apontar), as soluções não vem prontas, muito menos assumem caráter assistencialista, pois buscam a construção no coletivo, refletindo um compromisso inspirado no contato com o real. A universidade, então, foge da concepção de ser a detentora do saber (até mesmo porque nenhum saber é dogmático) e passa a articular-se com uma pluralidade de entendimentos advindos de diferentes leituras. Tal percepção ressalta o entendimento do conhecimento como algo provisório, fruto da dúvida, da crítica, caracterizando-o como um processo dinâmico.
Ao reconhecer a missão institucional assumida, delegada e instituída à universidade, enquanto instituição promotora da produção do saber, percebe-se que por vezes seu fazer pauta-se em ações advindas (quase que exclusivamante ) do universo da pesquisa, anunciando ainda nos tempos atuais, o ensino como uma função subjugada as
atividades de pesquisa. Conforme Coelho (1994):
a partir da reforma de 1968, a universidade se estruturou em função dos ramos do saber e não mais em função do ensino. A subdivisão obrigatória dos centros, faculdades ou escolas em departamentos consagrou o modelo de Humboldt que concebe a universidade a partir das áreas de conhecimento nos campos de investigação (p. 10).
Desta forma, a ênfase dada à pesquisa em relação ao ensino, parece retirar da função institucional da universidade, bem como da comunidade acadêmica que a compõe, o compromisso originário com o ensino. Coelho (1994) faz uma análise das mudanças estruturais impostas a universidade e relaciona-as as prioridades que como consequência parece ter sido reestruturadas: "estruturando-se em departamentos, a universidade acabou privilegiando a pesquisa" (p. 10). Existe assim, no universo acadêmico, um destaque que também evidencia o pesquisador, demonstrando assim, uma certa tendência que revela a consolidação do atendimento das exigências sociais respaldando-se quase que exclusivamente pela via técnica, fortemente influenciada pela lógica do mercado. Tem-se como exemplo rotineiro no espaço acadêmico a super valorização dos acadêmicos- pesquisadores, que encontram dentro da própria hierarquia universitária o respaldo para sua opção (as vezes exclusiva) às atividades de pesquisa. Os acadêmicos pesquisadores são estimulados e respaldados pela própria hierarquia acadêmica, que reconhece e promove suas produções como símbolo de desempenhos científicos, tem-se assim, em muitos casos, a produção pela produção. Esta característica parece assemelhar-se com as encontradas no cenário empresarial, que tem como pressuposto básico a promoção financiada pelo controle. Para Coelho (1994) existe um sério risco quando a universidade assume a "ótica empresarial", tanto no que se refere as suas estruturas e a ênfase exclusiva na administração, bem como do que a partir dela é construído/produzido. Percebe-se assim, no próprio meio acadêmico uma lógica análoga a da indústria, que produz para atender as necessidades do mercado de forma um tanto quanto mecânica, talvez sob a falsa ilusão de estar-se legitimando socialmente como espaço de "produção mecânica do saber". Neste sentido Coelho (1994) faz um alerta:
Longe, porém de ser uma empresa, uma instituição burocrática, a universidade é por excelência uma instituição acadêmica. Pensá-la de forma empresarial e agir como se não passasse de uma empresa - muitas vezes mal administrada - é negá-la em sua própria natureza, em sua especificidade, é afastar a possibilidade de construir-se como academia (p. 17)
A carreira acadêmica institui assim a pesquisa como fonte vital tanto da função universitária como da promoção da carreira, estabelecendo tais produções como status profissional. A opção dos acadêmicos pelas atuações voltadas a pesquisa promovem inclusive um certo afastamento destes profissionais aos cursos de graduação, como se suas atuações nestes campos fossem menos valiosas.
Observa-se em Buarque (1994) posicionamentos que salientam a necessidade de redescobrir a importância do ensino, sem contudo, retomar ao tempo onde a universidade era "simples elemento de formação" (p. 135). Esta posição do autor expressa-se como uma espécie de crítica a super valorização das atividades de pesquisa em detrimento do ensino: "o ensino foi marginalizado em benefício da crescente nobreza das atividades de pesquisa que dispõem de mais recursos, promovem os professores, elevam suas remunerações" (p. 135). Ainda que o autor reconheça que a simples igualdade entre as funções de ensino e pesquisa não substanciem por si só uma retomada de posição frente ao trabalho acadêmico, fica bastante claro que tal re-orientação passa necessariamente por esta tentativa de equilíbrio e valorização. Buarque registra ainda, que "para o ensino cumprir seu papel é preciso criar nova forma de transmitir conhecimento" (p. 135). Esta tarefa quando delegada aos acadêmicos parece ser provocativa, uma vez que implica em revigorar a atividade mais elementar do embrião universitário, não no sentido de subdimensioná-lo, mas na perspectiva de retomar seu lugar devido no contexto acadêmico.
Pensando na universidade e sua intervenção no social parece necessário recolocar esta instituição social como um elemento articulador capaz de incumbir-se da tarefa de ir a comunidade resgatando suas formulações acerca da inúmeras perguntas que a cerca, na tentativa de subsidiar coletivamente respostas alternativas.
Parece ser possível predizer que deste contato direto com a realidade, a universidade garantiria sua função de ser produtora e divulgadora do saber, redefinindo alguns conceitos na busca de uma participação mais eficiente e coerente de intervenção (na) e (com) a sociedade. Nesta perspectiva, a indagação: "ensinar para que e para quem" faz sentido o tempo todo, durante todo o tempo.
A partir destes questionamentos, parece ser possível perceber encaminhamentos que caracterizariam uma nova prática do ensino, onde a pesquisa e a extensão seriam
elementos articuladores dentro das instituições universitarias, garantindo na relação da universidade com a sociedade o princípio da indissociabilidade entre ensino-pesquisa- extensão, destacando a extensão como o principal veículo viabilizador do compromisso social da Universidade.
A prática do ensino com pesquisa implica em caracterizar a extensão como articuladora neste contato de mão-dupla, neste ir e vir, com a comunidade, destacando-a como instigadora no levantamento de problemas que alimentariam o ensino e a pesquisa envolvendo alunos, professores e comunidade. Centrando o foco no ensino da graduação, esta proposta de ensino com pesquisa parece legitimar o significado da universidade, enquanto mola propulsora da produção do saber. Assumindo esta missão, o estudante poderia ser preparado para produzir conhecimentos por si mesmo estabelecendo uma relação íntima com a realidade, fazendo uma leitura própria balizada por este contato. Os professores e alunos ocupariam seus espaços dentro da instituição universitária, incentivando e reafirmando o espírito da atitude científica, comprometendo-se em retornar a comunidade com alguns encaminhamentos e com o propósito de investigar novas problemáticas. Este parece ser um compromisso institucional que sustenta uma intervenção capaz de articular a indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão a partir do interior das salas de aula. Nos cursos de Licenciaturas, esta parece ser uma premissa básica; a universidade precisa estar interligada organicamente à escola, já que tem como um de seus objetivos a formação de futuros educadores. Nesta relação com a escola, o movimento de ir a ela e dela retornar, parece apontar a possibilidade da extensão balizar, entre outras, propostas de formação permanente, surgidas a partir de relações concretas entre universidade e escola.