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2.7 Other sterile neutrino experiments

3.1.3 Detector acceptance

Considerámos pertinente a referência exaustiva a todos os factos referentes à instalação da Rádio Comunitária de Homoíne de forma a tornar-se mais explícita a planificação do projecto.

O Projecto de Desenvolvimento dos Media em Moçambique acordou apoiar a instalação e manutenção de dez rádios comunitárias em Moçambique. Em Setembro de 1998, foram identificadas as três áreas piloto da fase denominada de "Onda Um" - nos distritos de Cuamba (Niassa), Chimoio (Manica) e Homoíne (Inhambane).

De Dezembro de 1998 a Janeiro de 1999, o consultor da UNESCO Eduardo Namburete deslocou-se à Vila de Homoíne para avaliar as condições económico-sociais da comunidade e as infra-estruturas existentes. Após a realização de entrevistas e de inquéritos aos vários segmentos sociais locais, considerou Homoíne detentora das condições essenciais para a implantação de uma rádio comunitária.

Em Julho de 1999, realizou-se o primeiro encontro entre o delegado do Projecto Media da UNESCO e quinze representantes da comunidade de Homoíne. Desta reunião surgiu um grupo de membros fundadores da comissão instaladora, a génese da associação da rádio comunitária. Esta comissão, em

De destacar que os quadro superiores do distrito são na maioria naturais do distrito e que existe um número considerável de naturais de Homoíne colocados em cargos públicos nacionais, nomeadamente o Coordenador Nacional do Projecto de Desenvolvimento dos Media da UNESCO.

colaboração com os técnicos da UNESCO, continuou o trabalho de sensibilização da comunidade, explicando o intuito do projecto e mobilizando mais membros. No início, muitos revelaram algum cepticismo em relação à concretização do projecto. A situação começou a modificar-se quando, em Outubro de 1999, alguns indivíduos da comunidade se deslocaram a Maputo para participarem num workshop sobre a legalização de uma rádio comunitária. Nessa altura, iniciou-se a angariação de fundos para a cobertura das primeiras despesas, através do pagamento de uma jóia de 50 mil meticais e uma cota mensal de 5 mil meticais92 por todos os que aderiam à iniciativa93. Em

simultâneo, procedia-se à elaboração dos estatutos e à realização das diligências necessárias para a constituição legal da associação da rádio comunitária. Este processo decorreu com algumas incertezas e dificuldades, visto não se saber qual a estruturação mais adequada para uma associação que gere uma rádio comunitária. Nessa época foi constituído o comité de gestão da associação, formado por quinze membros.

O edifício da Associação da Rádio Comunitária de Homoíne (ARCO) foi cedido pelo governo distrital em estado devoluto. Com os donativos da UNESCO, decorreram obras profundas de reabilitação e a aquisição do mobiliário de escritório.

Em Janeiro de 2000, um jornalista qualificado pelo Projecto Media na

área de radiodifusão iniciou a formação dos elementos da rádio.

Em Fevereiro, representantes da rádio ARCO participaram numa formação em Maputo sobre como criar e gerir uma rádio comunitária, procedendo-se à definição do perfil e configuração técnica da rádio.

Em Maio de 2000, cinco voluntários da ARCO participaram num curso sobre produção e programação radiofónica na cidade da Beira. Foram essencialmente estes que realizaram as acções de mobilização na comunidade

50 mil meticais corresponde a 1 euro e 79 cêntimos e 5 mil meticais a 18 cêntimos.

93 O grupo dos primeiros membros era essencialmente constituído por jovens desempregados.

Com o decorrer do projecto, o universo de associados passou a abranger todos os grupos socioprofissionais. (Sadique, 2001:23)

e, mais tarde, as pesquisas de audiências que serviram de base para a elaboração da primeira grelha de programação. Nesse mesmo mês, o governador da província de Inhambane reconheceu a existência legal da Associação da Rádio Comunitária de Homoíne e procedeu-se à elaboração do plano de radiação.

Após a conclusão da versão final dos estatutos da associação e recorrendo ao montante de 250 mil meticais94 - adquiridos junto dos aderentes

ao projecto e dos comerciantes locais - , em Julho, procedeu-se ao registo notarial da associação ARCO, que exigiu a deslocação a Inhambane de dez membros para assinarem a acta constitutiva.

No mês de Agosto, os representantes da rádio ARCO assinaram um contrato de financiamento de actividades com o Projecto Media da UNESCO.

A necessária atribuição de frequência de acordo com a lei n° 22/92 de 31 de Dezembro foi requerida ao Gabinete de Informação em Setembro de 2000.

No mês de Outubro, sete representantes da rádio participaram num curso de aprendizagem de técnicas de condução de pesquisa de audiência, ministrado em Machava, nos arredores de Maputo. A formação prosseguiu em Janeiro do ano seguinte em Chimoio com um workshop sobre Gestão da rádio e um curso de manutenção preventiva.

Em Fevereiro de 2001, a empresa fornecedora dos equipamentos efectuou uma visita de avaliação técnica.

Em Março, um técnico da ARCO participou num curso na Cidade do Cabo, na África do Sul, com o intuito de aprender a manipular o equipamento a instalar nos estúdios da rádio, na central técnica e no emissor. Nessa altura, representantes do sector feminino participaram num seminário para o estabelecimento da rede de mulheres nas rádios comunitárias.

Em 15 de Maio de 2001, foi concedido o alvará Rádio ARCO.

Em Dezembro de 2001, iniciaram-se as primeiras emissões experimentais.

A rádio já sofreu três avarias. Contudo, como a associação tem dois emissores, apenas uma vez se verificou o encerramento da rádio por três meses, em 2003, devido às constantes oscilações da potência da electricidade, que provocaram a avaria quase em simultâneo dos dois emissores.