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A educação a distância inicia sua história com um curso de taquigrafia, oferecido em anúncio publicado na Gazeta de Boston, Estados Unidos, em 1728. O anúncio dizia: “Toda pessoa da região desejosa de aprender esta arte, pode

receber em sua casa várias lições semanalmente e ser perfeitamente instruída, como as pessoas que vivem em Boston” (LOBO NETO,1995, p.3). Em 1856, surgiu a primeira

Escola de Língua por Correspondência, em Berlim. Mas só em 1891, foi criado o International Correspondence Institute, na Pennsylvania, nos Estados Unidos. No ano

seguinte, a Universidade de Chicago, que já tinha experimentado o ensino por correspondência para formação de professores de 1º grau, implantou a Divisão de Ensino por Correspondência do Departamento de Extensão. Alguns anos depois, a Suécia criou o Instituto Hermond, voltado, exclusivamente, para o ensino a distância.

O conceito sobre educação a distância vem modificando-se nos últimos anos devido ao público-alvo, à política educacional, ao desenvolvimento pedagógico e aos novos modelos de gestão, promovidos, principalmente, pelo uso das novas tecnologias que permitem interação. Os primeiros conceitos sobre educação a distância estavam atrelados à comparação com o ensino presencial. Não se contava com a educação a distância como modalidade de ensino onde pudesse ser realizado o ensino presencial.

A educação a distância, inicialmente, tinha como característica o auto-estudo e confiava no sucesso do material didático. Em 1967, Dophmem (apud NUNES, 1993/94, p. 15) definia a educação a distância como uma “forma sistemática organizada de auto- estudo onde o aluno se instrui a partir do material de estudo que lhe é apresentado, onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso do estudante são levados a cabo por um grupo de professores”. Os

cursos eram voltados para atividades instrucionais. O aluno mantinha-se passivo durante o curso, e a distância deixava-o ainda mais isolado. Em 1973, Peters

(apud NUNES,1993/94, loc.cit) conceituou a educação a distância como uma forma industrializada de aprender. A ênfase estava na reprodução de materiais técnicos de alta qualidade, que tornavam possível instruir um grande número de estudantes ao mesmo tempo.

Quando a educação a distância tinha esta conotação, era tido como curso de 2ª categoria e usado como solução para programas emergenciais, voltado para adultos defasados ou cursos tidos como escassos em escolas presenciais. Seu público eram pessoas de baixa renda, que viam na educação a distância a única solução para continuar seus estudos ou obterem instrução. Sem a possibilidade de interação, eram voltados, principalmente, para a aquisição de habilidades.

A partir de 1987, Perry e Rumble (apud NUNES, 1993/94) afirmavam que a educação a distância era, basicamente, o estabelecimento de uma comunicação de dupla via, na medida em que professor e aluno não se encontram juntos na mesma sala, requisitando, assim, meios que possibilitem a comunicação entre ambos, como correspondência postal, eletrônica, telefone ou telex, rádio, ‘modem’, vídeo-disco controlado por computador, televisão apoiada em meios abertos de dupla comunicação etc.

Este conceito tirava o aluno do isolamento, comum nos antigos cursos a distância, colocando-o em contato com o professor por intermédio dos meios de comunicação assíncrona. Durante este período, surgiram vários cursos a distância denominados de estudo aberto, educação não-tradicional, estudo externo, extensão, estudo por contrato ou estudo experimental, caracterizando uma nova fase da educação a distância.

Para Desmond Keegan, 1991 (apud NUNES, 1993), a educação a distância incluía um conjunto de estratégicas educativas conhecidas como educação por

correspondência, no Reino Unido, estudo em casa, nos Estados Unidos, estudos externos, na Austrália e ensino a distância, na Open University, do Reino Unido. Com o

avanço e a expansão, a EAD passou a ser vista, ainda segundo Keegan como “família de métodos instrucionais, onde as ações dos professores são executadas à parte das ações dos alunos, incluindo aquelas situações continuadas que podem ser feitas na presença de estudantes ” (NUNES, 1993, p. 16).

Embora esse conceito traga uma novidade a possibilidade de encontros presenciais em cursos a distância ainda conta com falta de interação aluno/professor quando afirma que ‘as ações dos professores são executadas à parte das ações dos alunos’. Com o desenvolvimento da Internet, a ação do professor pode ser executada na mesma hora e local do aluno, desde que este ambiente seja virtual. Com o uso de ferramentas que permitem a interatividade, surge um novo conceito de aprendizagem, baseado na discussão, na troca de idéias, onde cada pessoa tem a sua parcela de contribuição individual dentro do coletivo.

Com os avanços tecnológicos na década de 60, foram criadas universidades a distância que passaram a competir com cursos presenciais. Universidades como a Wisconsin, Estados Unidos; Universidade Aberta da Grã-Bretanha, conhecida como Open University; Fen Universitat, na Alemanha; Universidade Nacional de Educação a Distância – Uned, na Espanha, contribuíram para o desenvolvimento da modalidade e para sua expansão no

mundo, principalmente na América Latina. Surgem a Universidade Autônoma do México, o Sistema de Educação a Distância, da Universidade de Brasília, o sistema de Educação a Distância, de Honduras, e os Programas de Educação a Distância, de Buenos Aires.

Para Holmberg, (1977), o conceito sobre educação a distância pode ser resumido em: separação física entre professor e aluno – que a diferencia da educação presencial; influência da organização educacional dirigida – que a diferencia da educação individual; utilização de tecnologias para comunicação professor/aluno; previsão da comunicação de dupla via; possibilidades de encontros presenciais e uso da educação de forma industrializada, possibilitando maior expansão. Para Argenol, (1987) outra característica a ser considerada é a população estudantil em locais dispersos, ser, predominantemente de adultos, com cursos voltados para atividades de auto-instrução e a utilização de material pré-produzido (HOMBERG; ARGENOL apud NUNES, 1983, p. 17).

Aqui no Brasil, o Instituto Monitor35, fundado em 1939, e o Instituto Universal Brasileiro, fundado em 1941, oferecem cursos para “pessoas que trabalham o dia todo, dispõem de pouco tempo livre ou, ainda, não querem se submeter a horários e rotinas determinados” ou ainda, “pessoas que não tiveram oportunidade de estudar” 36.

No Século XX, a educação a distância consolidou-se e expandiu-se, transformando o antigo ensino por correspondência numa simples estratégia da

35 Disponível em: http:www.institutomonitor.com.br. Acesso em: jan.2001.

nova Educação a Distância (LOBO NETO, 1995, p. 5). Uma série de programas deu nova partida na educação brasileira. Uma experiência que merece destaque, diz Nunes (idem, 1999, p. 13), foi a criação do Movimento de Educação de Base – MEB, que por meio das “escolas radiofônicas”, criou programas para alfabetização e apoio a jovens e adultos, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. E na década de 70, criou-se o Programa Nacional de Teleducação (Prontel), que por meio do Planate – Plano Nacional de Tecnologias Educacionais levou o Projeto Minerva, antigo curso ginasial, a 1.200 emissoras de rádio. Dentre as características do Projeto Minerva, Niskier (1999) cita a “contribuição, do projeto, para a renovação e o desenvolvimento do sistema educacional e para difusão cultural, conjugando rádio e outros meios” (NISKIER, op.cit. p. 217).

Outro destaque pode ser dado ao Instituto de Rádio Difusão Educativa da Bahia – Irdeb, criado em 1969. O trabalho do Irdeb envolvia programas com a Secretaria Estadual de Educação e Cultura, o Movimento de Educação de Base – MEB – e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB (NISKIE, 1999. p. 222).

Com o apoio da Embrafilme, foram produzidas películas educativas para uso nas escolas. E a partir da década de 70, surgem cursos em que aparece a linguagem de vídeo. A TVE cria o curso João da Silva, voltado para o supletivo do 1º grau. Um curso em que eram valorizadas as culturas nacionais, utilizando técnicas originais de expressão, no formato de telenovela, num total de 100 capítulos37. (NISKIE, 1999, p. 300).

37 O curso João da Silva recebeu o Prêmio Japão de melhor programa didático, em 1973. (NISKIE, 1999, p.

A idéia do estímulo ao auto-estudo, ao auto-aprendizado, parece ser o ponto mais polêmico atualmente na educação a distância. Para Nunes (1993, p. 16), o ensino a distância é “um processo educativo sistemático e organizado que exige, não somente, a mão dupla de comunicação, como também a instauração de um processo continuado, onde os meios ou multimeios devem estar presentes na estratégia da comunicação. A dupla via de comunicação hoje é vista como uma via que pode ser acessada um para um, um para todos e todos para todos. A dupla via transformou-se em infovias, que formam redes de comunicação síncronas e assíncronas. Neste sentido, a educação a distância, hoje, pode ser entendida “como um novo espaço de ensino-aprendizagem, possibilitado pela mediação dos suportes digitais e de rede, esteja esta inserida em sistemas de ensino presenciais, mistos ou completamente a distância”, diz Alves (2002a, p. 16). Nesta definição, educação a distância é mediada por suportes digitais, mesmo que estejam na mesma sala, presencialmente. Talvez seja a hora de voltar a definir a educação a distância, diz Litwin em 2001. Na sua opinião, a educação a distância caracteriza-se por sua flexibilidade em torno da proposta de ensino, favorecida, hoje, pelo desenvolvimento das tecnologias da comunicação, que permite interações entre docentes e alunos e entre alunos e alunos. Contudo, confirma a autora que, as suas propostas estão na qualidade dos conteúdos, como em qualquer projeto educacional, e não na tecnologia usada.

Nos últimos anos, o desenvolvimento da educação a distância serviu para implementar projetos educacionais dos mais diversos e para as mais complexas situações (LITWIN, 2001). Cada dia aumenta o número de escolas e empresas presenciais que estão adotando atividades a distância para seus alunos e

funcionários. Empresas, usando o termo educação corporativa,38 oferecem cursos aos funcionários que vão desde o adestramento à mudança de atitudes. Para atender a esta diversidade e adaptar-se às realidades, culturas e interesses, vários sistemas de gestão foram criados na modalidade da educação a distância. O fato de a educação a distância enfatizar os aspectos organizacionais e administrativos e planejar [quase] tudo com antecedência, facilita sua adaptação em ambientes tradicionalmente presenciais. Pelo fato de não ocupar um determinado espaço físico, sua interferência na instituição é minimizada. “Embora, existam nesta modalidade, lugares físicos estabelecidos para o desenvolvimento de determinadas atividades, o espaço não cumpre a mesma função simbólica que na educação presencial” (LITWIN, 2001, p. 59). Não cumprindo as mesmas funções, não estando tão presente, a sua introdução em ambientes presenciais tradicionais é facilitada.

38 De acordo com Maia, “trabalhar com o conceito de educação corporativa é a opção mais moderna que as