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Preservation and transfer of mission-critical tacit knowledge in an

4. IDENTIFICATION, CAPTURE, AND USE OF TACIT KNOWLEDGE IN NPP

4.2. Preservation and transfer of mission-critical tacit knowledge in an

O uso de novas tecnologias vem modificando a maneira de obter informações, de adquirir e desenvolver competências, alterando, assim, o perfil do professor, do aluno e escopo dos cursos oferecidos. Para entendermos melhor as mudanças atuais providas da tecnologia, lembraremos da prensa tipográfica de Gutenberg, que marcou a passagem da oralidade para a escrita; da tecnologia de transporte, que possibilitou o aparecimento de serviços como o correio; do fonógrafo de Thomas Edson, que tornou conhecidas músicas de outros contextos; de como os meios de comunicação em massa (rádio, televisão, vídeos e CDs) abriram frentes de trabalho para interpretes e compositores; e finalmente, de como o estabelecimento da linguagem MIDI (Musical Instrument Digital Interface), que permitiu conectar instrumento eletrônico entre si e em computadores, facilitou a comunicação em variados contextos, inclusive na sala de aula.

Entretanto, mesmo com os avanços tecnológicos, o material impresso texto escrito e partitura31 continua sendo o mais usado, tanto nos cursos presenciais quanto nos curso a distância. Nos cursos de educação a distância via web, os textos são enviados pela Internet, o aluno os imprime e os usa da mesma

31 A primeira partitura foi editada por volta de 1500. Para o ensino de teclado e violão, foram criadas

partituras com registro de posição e cifras, que diferem das tradicionais, que associam melodia e ritmo escritas no pentagrama.

forma que nos cursos presenciais. A grande diferença é a dimensão que tomou o hipertexto, que pode ser conectado de outros links a outros textos, exemplos musicais, criando associações complexas que possibilitam ao estudante navegador interagir, escolhendo, ele mesmo, os caminhos a serem percorridos e aprofundados.

Os recursos de hipertexto oferecem uma ótima oportunidade para o ensino da história da música e de seus instrumentos. Links com exemplos ilustrativos de imagens e áudio podem ajudar na explicação da evolução histórica de estilos, assim como diferençar o som de cada instrumento. A grade da partitura de uma peça pode ser colocada na tela enquanto ela é interpretada, e o ouvinte tem a opção de escolher quais instrumentos irão participar, adicionando um a um até chegar a orquestra completa. Este uso sincronizado de áudio com o acompanhamento da partitura resulta em novas formas de estudo, além de desenvolver a leitura musical em um contexto não tradicional (GOHN, 2001, p.6).

Os programas de editoração de partitura permitem, de forma síncrona, alterações e respectivas audições em tempo real.

A combinação do material impresso com o som possibilitou a criação do primeiro curso de música a distância. Traduzido da Open University, da Inglaterra, o curso foi oferecido na década de 70 pela Universidade de Brasília. Ainda, a partir desta combinação, sugiram métodos de improvisação. Usando playback de canções, o instrumentista ou cantor pode analisar acordes e experimentar modelos de improvisação como se estivesse sendo acompanhado por uma banda.

Para a educação a distância, o material didático, ou seja, as ferramentas, têm tripla função: comunicar, informar e interagir. A partir dos avanços tecnológicos que permitiram o uso dessas funções, a educação a distância

superou o estigma de curso de segunda categoria. “É provável que, nos próximos anos, [os projetos] se definam mais pelo nível de ensino ou pelo suporte tecnológico do que pelas características clássicas da modalidade que se foram cunhando em torno deles” (LITWIN, 2001, p. 19).

Um recurso importante para o ensino da música é o vídeo que tornou-se familiar à sociedade contemporânea. A semelhança com a televisão, assistida pela maioria da população, permite comparações, embora deva diferenciar-se o vídeo educativo, que está ligado a um programa de ensino, da televisão, que tem intenções de entretenimento e lazer. O vídeo, na educação, traz a possibilidade de mostrar o que a “olho nu” passaria despercebido. Permite parar em determinada imagem, ir para frente ou para trás, movimentos que, aliados ao replay e à possibilidade de modificar a velocidade, permitem o estudo detalhado de imagens que, na realidade, só acontecem uma vez. Além de tornar possível o registro, o videocassete permite a manipulação de imagens, que podem ser montadas de diversas maneiras32.

A chegada do videocassete trouxe um grande número de vídeo-aula, usado no auto-aprendizado ou em cursos presencial e a distância. Com a possibilidade de ver e ouvir, de parar para continuar depois, de repetir quantas vezes forem necessárias, o vídeo tornou-se uma ferramenta eficaz. Muitos instrumentistas produzem vídeo autônomo para o ensino de técnica, sonoridade, harmonia e improvisação33.

32 A montagem permite dar uma ordem diferente daquela da filmagem. Ex.: montagem narrativa, linear,

invertida, alternada, paralela, ideológica e rítmica.

33 Uma das produtoras reconhecidas como pioneira é a empresa americana DCI Music Vídeo. A companhia

surgiu da escola Drummers Colletive, Nova York. Os vídeos são classificados para Iniciantes, Artistas, por Assunto, voltados para História da Música e para Performance, com registro de apresentações ao vivo (GOHN, 2001, p. 5). No Brasil, a MPO-VÍDEO, São Paulo, realizou vídeos com instrumentistas voltados para performance. Na videoteca do Irdeb (Instituto de Rádio Difusão Educativa da Bahia), são encontrados vídeos para a área de música classificados em: didático, educativo, espetáculo-artístico, documentário e reportagem. Projetos como Bahia Singular e Plural (documentário), Pelourinho Dia e Noite (Espetáculo), Educar é Preciso, Frente a Frente, Menino quem foi seu mestre e O som

Na escola, o vídeo como recurso pedagógico pode ser levado em conta pela semelhança com o material impresso. “O áudio visual representa para a língua falada o que o livro representa para a língua escrita” (COUTINHO, 1997, p.31). Os dois podem ser lido/visto a qualquer hora, podem parar e continuar mais tarde e podem ser repetidas quantas vezes for necessário.

Embora as salas de educação musical ainda mantenham a aparência tradicional, tanto os professores quanto os alunos têm usado cada vez mais o computador. Com a difusão do computador pessoal, na década de 90, opções apareceram para o auto- estudo da música. Alguns programas foram criados para serem utilizados na educação musical: CD-Roms para treino de percepção rítmica, melódica e harmônica, com exercícios baseados na repetição; programas como o Frelmos, para análise das melodias, Programa de Treinamento para Percepção de Graves e Agudos, ambos desenvolvidos por Jamary Oliveira; o projeto Educom - Educação por Computadores, da Universidade Federal de Pernambuco, que sob a orientação de Nelson de Almeida desenvolveu programas em Logo e Basic para computadores MSX, com o objetivo de trabalhar conteúdos da disciplina Educação Musical da Escola de Aplicação de Pernambuco.

dos instrumentos, encontram-se à disposição para locação. Levantamento realizado em 2001. Na Internet, as ferramentas de vídeo incluem imagens imóveis (corrediças), imagens móveis pré-produzidas (videocassete) e imagens em tempo real, combinadas com tele-conferência.

Kruger (2003, p. 114), que desenvolveu modelos para avaliação de software em educação musical, chama atenção que os softwares, de maneira geral, enfatizam mais o conteúdo musical do que o processo de ensino e aprendizagem. Para a autora, é importante, por exemplo, verificar como o conteúdo ensinado será transferido para a prática musical “não tecnológica”, para o uso no instrumento musical.

Os softwares didáticos-pedagógicos proporcionam um envolvimento direto com a música, permitindo criar, executar e apreciar. Ao escolher o software o professor deve verificar qual a relação com o conteúdo do curso, que tipo de aprendizagem proporciona, qual a concepção musical presente, quais conhecimentos musicais exige como pré-requisito – se permite interatividade ou é do tipo tutorial – se as atividades que oferece devem ser realizadas de forma individual ou em equipe, qual vocabulário e terminologia utilizado e, por fim, qual será o papel do professor ao utilizá-lo. Os

softwares para acompanhamento automático possibilitam a realização e gravação de

trilhas sonoras com o uso de instrumentos diversificados, permitem a mudança de andamento, acompanhamento, mudança de tonalidade e timbres. A interação estimula a simulação, como se fosse uma apresentação ao vivo. Os softwares para biblioteca e edição de timbres realizam a edição de parâmetros, responsáveis pela geração de sons de um instrumento musical e seu armazenamento.

O uso das novas tecnologias pode estabelecer um novo padrão no ensino musical, tanto no formal quanto no não formal. A tecnologia pode agir como elemento de conexão entre assuntos diversos, juntando a prática e a teoria e consolidando a educação musical de maneira a agradar professores e alunos. A acesso à informação fica facilitado e há possibilidade de criar

uma nova consciência musical, onde não exista radicalismo ou aversão contra nenhuma área de conhecimento (GOHN, 2001, p. 2).

Podemos encontrar, na Internet, alguns cursos de música e uma grande quantidade de sites e home pages que oferecem ferramentas para serem incluídas em cursos de música presencial ou a distância. De acordo com Alves,

[...] atualmente, existe na Internet uma infinidade de ferramentas que podem possibilitar a construção de comunidades de aprendizagem. Estes suportes devem ser escolhidos considerando o objetivo do projeto, que deve buscar estabelecer interface com mais de uma ferramenta ao mesmo tempo, já que cada uma pode oferecer possibilidades diferentes (ALVES, 2003, p. 128).

Na Internet, muitas escolas, grupos e associações criaram home-page e portais, onde disponibilizam informações, partituras, gravações, links para – orquestras, conservatórios, escolas, músicos, bibliotecas virtuais – e prestam serviços na compra de instrumentos e partituras 34.