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Enhancing educational programs to prepare students for

3. STRATEGIES FOR MANAGING AN AGEING WORKFORCE

3.3. Enhancing educational programs to prepare students for

Mesmo que a banda de hoje mantenha a mesma aparência de outrora, podemos verificar que houve algumas inovações. “A cultura é dinâmica”, afirma Merriam (1964, p. 303), baseado em teorias antropológicas que dão suporte a estudos etnomusicólogos.

“As inovações que, antigamente, exigiam o trabalho de várias gerações têm lugar atualmente em uma só geração”, diz Lengrand (apud FORQUIM, 1993, p. 18). O que mudou foi a aceleração do ritmo das transformações, continua Legran. As inovações eram escassas e passadas de geração a geração. Hoje, uma mesma geração pode passar por diversas mudanças culturais. Torna-se até sinônimo de moderno, viver em constante mudança.

Que o mundo muda sem cessar eis aí, certamente, uma velha banalidade. Mas para aqueles que analisam o mundo atual, alguma coisa de radicalmente nova surgiu, alguma coisa mudou na própria mudança: é a rapidez e a aceleração perpétua de seu ritmo, e é também o fato de que ela se tenha tornado um valor enquanto tal, e talvez o valor supremo, o próprio princípio da avaliação de todas as coisas (FORQUIM, 1993, p. 18).

A banda de música das filarmônicas é formada com o objetivo de manter a tradição. Por isso, não se pode atribuir o conceito de moderno para essa banda. O conceito de moderno (CAJAZEIRA, 1998) está entendido como o rompimento com o passado, com a tradição. Na filarmônica uma banda moderna é outra banda, diferente da tradicional. Por isso, as bandas Frevos e Dobrados, da Bahia e

Amizade, de Portugal formaram outra banda com os mesmos músicos, na qual tira-se a

farda, muda-se o repertório e algumas vezes são incluídos cantor, teclado e baixo elétrico. Essa banda terá outros usos e funções. A diferença está, basicamente, nos usos e funções da banda, no objetivo para o qual a banda foi formada.

Em relação à estabilidade, a banda de música apresenta algumas características que parecem cristalizadas. A banda de música tem uma imagem presente na sociedade como parte do ritual. Na Bahia, os desfiles de 2 de Julho, festa da Independência da Bahia, são marcados pela presença de bandas centenárias. A banda de música, de acordo com a sua história, faz parte da memória nacional desde quando as bandas da fazenda ocupavam um papel na sociedade, sempre presentes nas atividades cívicas, religiosas e profanas. Já as bandas militares fazem parte da memória nacional desde 1810, quando D. João VI decretou que cada regimento deveria ter uma banda de música para as comemorações cívicas e militares.

Visando a conservação de uma banda de música, foram formadas as sociedades filarmônicas. Seus membros compartilham de interesses comuns e têm como ponto forte manter a tradição. De acordo com Halbwachs, que define o conceito de memória coletiva a partir de uma unidade de referência sociológica, um grupo – seja pequeno ou grande, temporário ou permanente – que possua uma característica comum, mantém a tradição a partir das lembranças.

Mas a memória coletiva possui um inimigo, o esquecimento. Ele espreita a evocação do passado, trabalhando no sentido de sua

desagregação. Todo o empenho da memória coletiva é lutar contra o esquecimento, vivificando as lembranças no momento de sua rememorização. Esquecer fragiliza a solidariedade sedimentada entre as pessoas, contribuindo para o desaparecimento de grupo. Comunidade e memória se entrelaçam (ORTIZ, 1964, p. 137).

Notam-se, nas filarmônicas, traços de uma memória coletiva a partir da

hereditariedade que existe entre os músicos e também na composição da diretoria. Por ser um grupo que pertence a uma comunidade, prevalecem os vínculos pessoais e reforça as relações interpessoais. A repetição nos discursos do orador da banda ajuda a manter a memória e a coletividade. As bandas, mesmo no presente, remontam ao passado. Presentes em comemorações que se repetem todos os anos, são

responsáveis também pela memória nacional.

A situação é outra quando falamos de memória nacional. Neste caso, o grupo já não pode ser restrito, pois a nação se define pela sua capacidade em transcender a diversidade da população que a constitui. Ela é uma totalidade que nos faz passar da “comunidade” à “sociedade”. “Sociedade” enquanto conjunto de interações impessoais, distante, portanto dos laços solidários imanentes à vida comunal. Na comunidade os laços pessoais prevalecem e o ato de rememorização reforça a vivência compartilhada por todos. A sociedade-nação quebra esta relação de proximidade entre as pessoas (ORTIZ, 1964, p. 137).

Nas filarmônicas, convivem as duas memórias: coletiva e nacional. As duas, unidas ao passado, em busca da rememorização e da continuidade, em princípio, contrárias às mudanças.

O fato de o repertório da banda estar em partituras, dificulta variações nas melodias e acompanhamentos, comuns em repertórios de conjuntos orais. Nettl (1964) aborda esse assunto.

[...] portanto, mudança em tradições artísticas tendem ser acumulativas, ou seja, material novo simplesmente é acrescentado ao velho, o antigo, permanecendo, pelo menos em parte, como herança. Numa tradição oral, pode haver uma mudança num sentido mais profundo, eliminando o material antigo na medida em que o novo seja acrescentado (NETTL,1964, p. 231)28.

A filarmônica, com o seu propósito de manter as tradições, não é favorável a qualquer tipo de mudança. Para Murdok (1982), a inovação é realizada por um

indivíduo e depois apreendida e aceita pelos outros membros do grupo. Distinguem-se inovações internas, provindas de um indivíduo do grupo, ou externas, por meio de empréstimo de outras culturas, por assimilação ou aculturação. Na Minerva, enquanto os hinos, marchas e dobrados são mantidos, novos gêneros vêm sendo acrescentados. Entretanto, o repertório tradicional é mantido. Não é permitida a substituição do

repertório tradicional. Caso isso aconteça, a banda poderá perder muitas das suas funções, que estão entrelaçadas ao repertório que executa.

No entanto, algumas diferenças podem ser verificadas. Na relação ensino/ aprendizagem e mestre/aluno, verificamos que, nos tempos da banda da fazenda, o instrutor não fazia parte da banda29, era contratado pelo senhor proprietário. Com as bandas filarmônicas, de caráter cooperativo, o instrutor passou a ser um músico da própria banda. Na Minerva, além do instrutor, outros músicos da filarmônica também trabalham na escola. A escola da Minerva hoje tem

28 […] thus, change in a fine art tradition tends to be cumulative, new material simply being added to the old,

while the old remains at least to a degree part of the heritage. In an oral tradition it may be change in a more profound sense, old material being eliminated as new material is introduced.. (Nettl,1964, p. 231), [tradução nossa].

um instrutor e auxiliares. O ensino não está centralizado apenas no instrutor, como antigamente. Em seu lugar está aparecendo o trabalho em equipe, geralmente com pessoas da própria sociedade.