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Summary and Conclusions

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6. Summary and Conclusions

Para participar do debate a professora convidou seis alunos da turma que se destacaram por expressar argumentos fundamentados nos textos produzidos ou participarem durante as interações comunicativas no decorrer das três unidades de ensino. A professora participa como mediadora do debate com a função de esclarecer argumentos não compreendidos entre os oponentes ou solicitando um complemento na resposta por meio de questionamentos, quando necessário.

A seguir, apresenta-se transcrição de debate realizado entre o aluno A10 e a aluna A17 com duração de 5’22”.

T1. Professora: A17 pode fazer teus argumentos porque você é contra Belo Monte.

T2. A17: Eu sou contra, primeiro, porque vai tirar eles de lá, é um tipo de vida que já estão acostumado a levar. Então, é um tipo de viver deles diferente. Segundo, vão ter que ir para a cidade, bem dizer sem dinheiro. Casa e moradia eles têm, quero ver como eles vão viver sem dinheiro. E emprego? O mercado vai estar um pouco fechado, pois são muitas famílias que vão sair de lá. Eles vão sofrer um pouco neste caso. Também vai alagar, vai acabar com o sustento, eles não são formados em outras áreas, muitos vivem somente da pesca, vai tirar a renda deles, vai tirar o sustento deles e da família deles. Eles vão passar por um processo de carência.

T3. Professora: A10 comente a resposta dela.

T4. A10: Eu sou a favor porque vai melhorar a energia para cá, vai ficar mais barato. T5. Professora: E quanto aos argumentos dela, sobre as pessoas atingidas?

T6. A10: Tem que tirar eles de lá e arrumar um lugar. T7. Professora: Em relação ao emprego?

T8. A10: Emprego para eles vai ser ruim, depois que termina a usina eles vão fazer o quê?

T9. A17: Eu tenho uma pergunta: como o governo vai fazer para trabalha nesta área? Oferece um emprego para cada um? Uma renda mensal para eles se sustentarem?

T10. A10: Eles só estão comprando eles agora para terminar a usina, mas depois que terminar eles não vão fazer mais nada.

T11. Professora: Você defendendo a construção. Como você faria para resolver o problema destas pessoas? Se você fosse o governo?

T12. A10: Eu ia tirar eles de lá para não sofrer e ajudar, tirar para ajudar. T13. Professora: Ajudar de que forma?

T14. A10: Como eles estão construindo uma casa lá, achar um lugar que não alague, que tenha serviço, que as pessoas possam trabalhar.

T15. Professora: Como estas pessoas poderão trabalhar se elas estão sem instrução? T16. A10: Não sei, pelo menos ajudando com algum dinheiro.

T17. Professora: O governo ajudar? T18. A10: Isto

T19. Professora: Por que você é a favor? O que isto vai trazer de bom?

T20. A10: Eu sou a favor porque a energia é muito cara, vindo aquela energia de lá vai diminuir o preço, vai ser melhor para todos.

T21. Professora: Então A17, ele está pensando assim: que nós vamos pagar uma energia mais barata vindo de uma usina hidrelétrica, outras formas vai sair mais caro pra nós. O que você pensa desta ideia dele?

T22. A17: Este modo de investir deles não tem como impedir e bem dizer a obra está mais da metade, todo dia que passa está mais concluindo e vai ficar pronta. Não adianta eles lá fazer protestos, não adianta, eles não têm força. Entendeu? Não adianta trazer mídia internacional, jornalista, repórter, não interessa, entendeu? Eles não conseguem ter tanta força assim para parar a construção.

T23. Professora: Sobre esta ideia de parar Belo Monte, nós vamos ter uma energia mais cara? A energia hoje não está cara?

T24. A17: Acho que está na média, um pouco depende do consumo de cada um. Mas têm outros tipos de fonte, eles deviam pensar um pouco mais. É certo investir um pouco mais, mas isto deve ser pensado. Lá naquele papel não estava dizendo que a Alemanha é campeã em outros tipos de fonte, então, nós devíamos investir mais nisto também.

T25. Professora: A10 argumente o que mais tem de bom na construção de Belo Monte.

T26. A10: Ah! Sei lá! O trabalho que eles estão dando para eles agora. Éh! Mas depois que eles terminar o que eles vão fazer? Ou eles vão ficar trabalhando para sempre? Acho que não, neh!

A aluna A17, no turno T2, ao expressar uma posição contrária à construção da usina traz elementos sociais e ambientais que irão sofrer impactos desta obra, faz destaque às condições de sobrevivência da população ribeirinha que está sendo afetada pelo alagamento. O aluno A10 ao contra argumentar coloca sua defesa à construção da usina observando que a energia poderá ficar com um custo mais acessível.

No turno T5, a professora solicita que A10 contraponha os argumentos de A17 em relação às pessoas atingidas. O aluno A10 é a favor da remoção, mas quanto à ocupação destas pessoas, no turno T8, não consegue propor uma solução para o problema. O aluno A10 percebe que durante a construção da usina talvez estas pessoas possam ter emprego, mas

depois da usina pronta não mais. Esta sua constatação seria exatamente o questionamento preparado com antecedência pela aluna A17 para ser feita para seu oponente. No turno T10, o aluno A10, mesmo defendendo a construção da usina percebe que se faz uma política de compra das pessoas atingidas, que inicialmente estas pessoas terão assistência, mas depois da usina pronta isto não irá mais acontecer. No turno T11, a professora oferece a oportunidade para que ele se posicione enquanto governo para resolver a problemática e de acordo com A10 levaria as pessoas para outros locais, mas ofereceria ajuda a estas pessoas por meio de uma casa e trabalho.

No turno T19, a professora solicita que A10 defenda a construção da usina, pois os argumentos até o momento foram em função de contra argumentar a posição da aluna A17. O aluno A10 volta destacar o preço da energia elétrica, A10 percebe que a energia está cara devido à escassez.

No turno T22, a aluna A17, na posição contrária à construção se percebe sem chances de fazer alguma ação para mudar a situação, mais do que isso, percebe que não há possibilidade de se opor contra os sistemas político e econômico posto. Em perspectiva habermasiana, a aluna A17 está percebendo o processo de colonização do mundo da vida. O capitalismo neutraliza uma efetiva participação dos cidadãos nas decisões da esfera pública (MÜHL, 2003).

No turno T23, a professora solicita que A17 contra argumente a defesa de A10 em relação à escassez de energia e à possibilidade de uma conta de energia elétrica mais barata para todos. A17 contra argumentando, no turno T24, defende investimentos em outros tipos de fontes. No ponto em que aluna A17 se refere “naquele papel não estava dizendo” ela está se referindo à cópia de textos para leituras complementares que a professora entregou para alunos que assim desejaram. A aluna A17 cita exemplo da Alemanha que vem investindo em fontes diversas e obtendo bons resultados e propõe refletir com mais profundidade sobre a questão de investir na diversificação da matriz energética.

Pelo fato do aluno A10 citar somente a possibilidade da redução da conta de energia elétrica como o argumento mais importante para justificar a construção, no turno T25, a professora solicita outros argumentos para justificar a construção da usina. Porém no turno T26, o aluno demonstra não ter outros argumentos, além disso, tal como a aluna A17, em perspectiva habermasiana, percebe a invasão do sistema sobre o mundo da vida, constatando mais uma vez que a ajuda e o trabalho que a população atingida está recebendo é apenas para acalmar os ânimos das pessoas, é passageira, que após a obra concluída a população será esquecida.

Neste debate os dois oponentes chegam a um entendimento de que muitas situações precisam ser solucionadas e propõem ações para isto, mas que outras são impostas por um sistema e na posição de cidadãos não se acham em condições de combater este processo. Mesmo no instante em que os alunos e professora chegaram a um entendimento que muitas ações seriam inviáveis para solucionar controvérsias em discussão, mesmo não podendo agir sobre a realidade naquele momento, o significativo foi a reflexão. Não se pode negar a ação nos que fazem a reflexão (FREIRE, 1987).

Apresenta-se, a seguir, transcrição e análise do debate entre a aluna A7 e a aluna A16 com duração de 4’39’’.

Transcrição debate entre a aluna A7 e aluna A16

T1. Professora: Pode falar A7 porque você é a favor.

T2. A7: Eu sou a favor porque vai ter energia barata, o governo vai desenvolver vários empregos diretos e indiretos, investimento do governo em saúde e educação.

T3. Professora: O governo vai estar investindo, por isso que você é a favor. A16, o que você acha dos argumentos dela?

T4. A16: Aah! (pausa)

T5. Professora: Você é contra, então explique porque você é contra.

T6. A16: Por causa da floresta, vai desmatar bastante, vai desabrigar bastante pessoas. (pausa) T7. Professora: A7 comente a resposta dela.

T8. A7: O governo disse que vai dar casas para as pessoas, que vai dar emprego e com isso eles ganham. T9. Professora: A16?

T10. A16: Mas o modo de viver deles é totalmente diferente, vai ter que conviver de uma outra maneira? De um jeito que eles não estão acostumados.

T11. Professora: As pessoas têm o modo de vida delas. A7 o que você pensa?

T12. A7: Eu penso que o governo poderia, eu sei que algumas pessoas são analfabetas, mas o governo poderia arrumar um trabalho na agricultura para eles na cidade.

T13. Professora: Então tem como resolver este problema, você acha? T14. A7: Sim

T15. Professora: A7, faça tua pergunta para ela.

T16. A7: O Brasil precisa de energia, será que todos não podem dar sua parcela de contribuição colaborando? T17. Professora: Por exemplo, estas pessoas que você falou, será que elas não poderiam entrar no sacrífico? T18. A16: Na verdade já entraram.

T19. Professora: Já, neh! Foram obrigadas. Agora faça uma pergunta para ela. T20. A16: Os ribeirinhos que são analfabetos como eles vão trabalhar? E onde? T21. A7: O governo disse que vai dar …

T22. Professora: dinheiro, indenização?

T23. A7: Isto. Dinheiro, indenização e eles podem trabalhar na agricultura, como eles são analfabetos, isto é bom.

T24. A16: Como fica o desmatamento? Os índios ameaçados a ficarem sem a pesca? É uma cultura. (pausa, a aluna A7 mexe a cabeça sinalizando que não tem resposta).

T25. Professora: Os índios que estão sendo ameaçados pela falta de alimento. Esta é uma questão que as pessoas não encontram solução. Mais alguma coisa? A7, sobre a última pergunta da A16, você consegue apontar uma solução?

(A aluna A7, faz um gesto com a cabeça de que não).

Logo no início do debate, no turno T2, a aluna A17, em defesa da construção de Belo Monte, também percebe que aumento da oferta de energia elétrica irá baixar a conta de energia. A aluna A17 percebe o lado vantajoso da construção da usina, a geração de empregos

e as obras de infraestrutura em educação e saúde que a população receberá em compensação aos prejuízos causados pela construção da usina.

A aluna A16 não conseguiu naquele momento contra argumentar. Então a professora, no turno T5, solicita que ela apresente suas alegações contra a construção de Belo Monte e a preocupação da aluna A16, no turno T6, se refere ao meio ambiente natural que será atingido e as pessoas que fazem parte deste espaço que ficarão desabrigadas.

No turno T8, a aluna A7 contrapõe os argumentos de A16, dizendo que as famílias desabrigadas irão receber casas e emprego como compensação. Porém é necessário destacar aqui que nos materiais estudados durante a utilização da sequência didática, nas informações discutidas, os alunos tiveram acesso à informação de que estas famílias desabrigadas receberiam casas; a informação referente a encaminhamento para trabalho não havia nos recursos didáticos utilizados. O material utilizado faz destaque a oportunidades de trabalho que irão surgir a partir da instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte.

No entanto A16 considera que casas e empregos são benefícios que podem não ser adequados, pois o modo de vida das pessoas atingidas é muito diferente do qual estas pessoas estão sendo obrigadas a assimilar. A aluna A7 contra argumenta dizendo que as pessoas analfabetas poderiam ser encaminhadas para um trabalho na agricultura mesmo residindo na zona urbana. A aluna A7 consegue apontar soluções que até então não haviam sido discutidas ou expressadas em classe, isto demonstra que a aluna fez reflexões mais aprofundadas em relação ao tema estudado.

Na pergunta preparada por A7, expressada no turno T16, a aluna percebe a necessidade do Brasil em relação à energia elétrica, por isso, entende que todos precisam dar sua parcela de contribuição. No turno T17, a professora complementa o questionamento de A7, esclarecendo que estas pessoas atingidas poderiam fazer um esforço para se adequar à nova vida, visto que muitas outras serão beneficiadas. Ao responder A16, no turno T18, entende que estas pessoas já entraram no sacrifício, já estão oferecendo sua parcela de colaboração, inferindo-se que não há muito mais o que fazer, em que se constata, em visão habermasiana, que a aluna A16 também percebe o processo de colonização do mundo da vida. No turno T20, a aluna A16 faz um questionamento relacionado ao trabalho para os ribeirinhos que não poderão mais viver da pesca. A aluna A7 defende a ideia de que estas pessoas poderão trabalhar na agricultura, visto que a maioria não tem estudo para colocação no mercado de trabalho. Mas A16 não tem apenas a preocupação social com os ribeirinhos, também, preocupa-se com o impacto ao ambiente natural, com a questão da cultura indígena e sobrevivência destes. A aluna A7 apesar de ter bons argumentos para solucionar os problemas envolvendo os ribeirinhos não consegue apontar soluções para amenizar o impacto ambiental

e aos indígenas. A professora também concorda que este é um problema difícil de encontrar solução.

Neste debate houve o confronto de ideias, mas demonstra-se uma propensão para uma continuidade do agir comunicativo, pois há um entendimento de que alguns problemas naquele momento não são passíveis de solucionar, precisariam de um estudo mais aprofundado e outros no consenso dos debatedores podem ser solucionados.

Apresenta-se, a seguir, transcrição e análise do debate entre o aluno A3 e o aluno A19 com duração de 3’43’’.

Transcrição debate entre os alunos os alunos A3 e A19

T1. A3: Por que eu sou a favor? Mês passado foi R$ 150,00 de luz. Se tem poucas usinas vamos construir mais uma, a conta de luz pode ficar mais barata. Vai ter mais economia. Entendeu? Agora, por que você é contra? T2. A19: A construção vai desmatar a floresta, muitas pessoas vão ficar desabrigadas.

T3. A3: Já ouviu aquele ditado “sem dor, sem ganho”? T4. Professora: Como que é?

T5. A3: Ouviu aquele ditado “sem dor, sem ganho”? Tem que tirar um pouquinho aqui, para pegar mais aqui. T6. A19: Mas eles estão sendo prejudicados. Nós aqui...

T7. A3: Sempre tem lado prejudicado. T8. A19: Eles só sabem trabalhar naquilo. T9. A3: Aprende, ninguém nasce sabendo. T10. A19: Tem muita gente analfabeta.

T11. A3: Escola tem para isso. As cidades que ficam próximas às usinas elas enriquecem. Constroem escola, as crianças vão estudar, os adultos que tiverem tempo vão lá estudar. Se não tiver um terreno para a pessoa trabalhar, vai trabalhar na construção também. Dá uma oportunidade para eles entendeu?

T12. A19: Nós aqui temos a luz e eles estão sendo prejudicados. Nós só recebemos e eles estão perdendo. T13. A3: Sempre tem o lado que perde e o lado que ganha.

T14. Professora: Então você acha que alguns precisam fazer sacrifício para todos receberem a comodidade da energia? Então você acha isto?

T15. A3: Vamos construir as casinhas deles, constroem as casas deles do outro lado, noutro lugar e leva eles lá para morar, dou o papel, a casa é de vocês.

T16. A19: Mas eles se acostumaram onde eles moravam. T17. A3: Acostumaram, está coisa de acostumar não existe. T18. A19: Claro que existe

T19. A3: Como que existe?

T20. Professora: Poderia resolver o problema deles de uma maneira que eles não saíssem prejudicados. A19, o que você acha? Qual a tua pergunta para ele?

T21. A19: Eu já fiz a pergunta para ele. T22. Professora: Já fez?

T23. A19: Acabei de fazer.

T24. Professora: A3, o A19 acha injusto algumas pessoas pagarem o preço. T25. A19: Eu falei, nós só estamos recebendo e eles estão sendo prejudicados.

T26. A3: Não existe só aquele lugar que eles moram. Tem lugar alí, vamos comprar aquele terreno gigante. Constroem as casas ali, tem que ter dinheiro para montar uma construção desta. Coloca bastante casas para eles lá, as pessoas que lá não vão ser prejudicadas por causa do peixe. Aí pega, vamos arrumar um serviço, um curso, tem que ajudar, pode trabalhar na construção, as crianças vão estudar.

T27. Professora: E o meio ambiente como que fica? T28. A3: As árvores?

T29. A19: Vai ser destruído um pouco, mas vai ajudar bastante gente, não vai ser somente perda, perda. Vê na televisão? A luz está subindo, vamos continuar assim? Uma hora tem gente que não vai poder pagar, vão ficar sem luz, vão perder. E com a construção vai baixar um pouco, a energia mais barata.

O aluno A3 introduz o debate informando que sua conta de energia elétrica tem um valor elevado na sua percepção. Ele expressa que se para baixar essa conta precisa construir

usinas hidrelétricas, então é isso que se deve fazer. O importante é a economia em benefício próprio. O aluno A19, no turno T2, contra argumenta dizendo que a construção da usina hidrelétrica vai impactar o ambiente natural, vai desabrigar pessoas. Infere-se do aluno A3, no turno T3, que algumas pessoas precisam fazer renúncias para que se aproveitem as vantagens que a energia elétrica oferece. Na visão do aluno A3 é preciso renunciar a floresta, é preciso que algumas renunciem seu modo de vida para que todos tenham este artefato tecnológico, a energia elétrica.

No turno T6, o aluno A19 foi interrompido por A3, dizendo que em todas as situações sempre haverá o lado prejudicado, e as pessoas atingidas precisam aprender novos ofícios. Todas estas ações são justificadas em prol de um desenvolvimento tecnológico. Até então o aluno A3 argumenta e parece não ter a finalidade de chegar a um acordo ou entendimento como os alunos participantes dos dois debates anteriores. Mas no turno T11, o aluno A3 propõe algumas ações em prol das pessoas atingidas, como casas e terra para trabalho.

No turno T12, aluno A19 consegue retomar a fala da qual foi interrompido no turno T3. Infere-se que o aluno deseja receber benefícios da energia elétrica mesmo que uma parcela da população esteja sendo prejudicada pelo conforto que recebe. Na percepção do aluno A3 sempre vai ter o lado prejudicado quando um outro lado é beneficiado.

No turno T15, ao propor mais uma vez a ajuda com moradia talvez o aluno A3 estivesse abrindo uma oportunidade para a busca de um entendimento e acordo, mas logo na sequência, no turno T17, o aluno A3 contesta a fala de A19, dizendo que não leva em consideração o fato das pessoas estarem mais bem adaptadas no local onde vivem inicialmente.

No turno T20, a professora como mediadora, faz uma tentativa para um entendimento e acordo, dizendo que seria ideal que se oferecesse uma solução em que as pessoas atingidas não saíssem perdendo. Então a professora também sugere que A19 faça sua pergunta para A3, porém este diz já ter feito, mas o aluno não tinha feito nenhum questionamento para A3, havia apenas contestado suas proposições. Então a professora, no turno T24, faz uma tentativa de retomar o diálogo expondo o ponto de vista de A19 de perceber que muitas pessoas saem ganhando à custa de outras que são prejudicadas. O aluno A3, no turno T26, cita algumas ações que poderiam ser feitas para compensar as perdas das pessoas, mas o diálogo acabou retornando sempre ao mesmo ponto, sempre na mesma questão.

Então no turno T27, a professora formula um questionamento para A3 para que este proponha soluções para os problemas ambientais causados pela construção da usina. No turno T29, o aluno A3 não percebe problemas ambientais, para ele o que precisa ser resolvido é o preço elevado da energia elétrica pago pela população.

Neste último debate, a professora precisou intervir mais vezes de forma a buscar um entendimento e acordo entre os debatedores, mas não alcançou seu intento. De acordo com Bortoletto et al. (2010) pode haver indícios de redução da socialização comunicativa, observa-se estes indícios em situações em que os participantes apresentam um interesse estratégico em comprovar sua ação linguística diante de outros participantes. Este interesse demonstra que não houve oportunidades simétricas de fala.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho comprometeu-se em estudar as interações discursivas dos alunos, as possibilidades de apropriação do conhecimento científico, com a abordagem de questões sociocientíficas e de relações CTSA. Buscou-se o desenvolvimento de uma proposta educacional com possibilidades formativas nos aspectos cognitivos e humanísticos. Explicita- se a existência de possibilidades de ações educativas que contemplem abordagens do conhecimento científico conjuntamente com aspectos sociais e ambientais compreendidos na produção e utilização de ciência e tecnologia. Conforme analisado, as sequências de aulas possibilitaram verificar evidências de que os alunos buscaram utilizar o conhecimento científico aprendido em sala de aula na proposição de alternativas a problemas sociais e ambientais. Também possibilitou verificar que os alunos foram se envolvendo no processo argumentativo no decorrer do desenvolvimento da proposta educacional.

Na primeira atividade com vista a um potencial argumentativo, no dia 30/07/15, na turma 9ºC, houve limitações nesse envolvimento argumentativo. No decorrer das aulas, a professora buscou analisar sua prática, os alunos foram se familiarizando com uma nova