STRUCTURES DE DONNEES
5. Types Structurés
5.5. Structures Récursives
A música eletroacústica assume um papel importante na valorização do espaço enquanto elemento composicional. Em séculos anteriores8 o espaço foi concebido como uma forma de realçar características estruturais de obras, sendo que no passado recente e na contemporaneidade existem muitos casos em que obras musicais tem o espaço como um importante elemento expressivo na sua constituição.
Compositores como Xenakis e Stockhausen, entre outros, consideraram o espaço como um parâmetro importante na expressão de suas obras e Henriksen (2002) comenta que a manipulação de dados espaciais na composição musical, fornecidos pelo arranjo do material musical em ambientes reais e virtuais, resulta numa manifestação do espaço como elemento essencial da expressão na música.
Na composição musical, especialmente na contemporaneidade, existem diferentes meios para a expressividade sonora, explorada por alguns compositores com o emprego de meios “naturais” de manipulação do material musical, ao usar gravações ou execuções instrumentais que geram sons in natura.
Outros criadores buscam meios mais artificiais de alcançar a expressividade, utilizando sistemas abstratos de organização de parâmetros musicais, ou ainda com o uso de sons sintetizados que parecem inusitados ao ouvinte. Outra maneira de reforçar a expressividade é pensar o som enquanto energia, sendo que no contexto musical os caminhos ou trajetórias poderiam reforçar a energia interna deste som, conforme sugere Vande Gorne (2008).
Sobre o uso do espaço como parâmetro composicional, Penha (2014, p.36) coloca que:
É possível identificar, nas experiências seminais sobre espacialização musical, a aplicação à espacialização de idéias que advêm do pensamento e prática sobre outros parâmetros musicais: a articulação, o contraponto e a segregação de vozes da escrita polifônica traduzidos na articulação, no contraponto e na segregação de posições no espaço; a morfologia no espaço espectral traduzida em morfologia no espaço
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8 Um exemplo é o da a configuração espacial dos Responsórios na Idade Média que era geralmente
constituído de dois coros posicionados um de frente para o outro com a finalidade de realçar o canto antifonal. Ou ainda, o caso dos cori spezzati, dispostos em lados opostos na Basílica de São Marcos, em Veneza (Zvonar, 2005).
físico; a serialização da posição e do movimento no espaço em paralelo com a serialização dos restantes parâmetros musicais; a aproximação à acústica dos espaços pela via da sua exploração tímbrica.
No caso da música eletroacústica onde a grande maioria da escuta possui poucas ou nenhuma referência visual, o espaço e a espacialização passaram a ser pensados como uma especificidade necessária na construção musical.
A ausência de intérpretes (no caso da música acusmática) e o uso de vários alto- falantes gerou a possibilitou dos compositores trabalharem a espacialização do som como uma função estética em si, sendo possível valorizá-lo enquanto elemento estrutural. Sobre este tema, o compositor Dennis Smalley (2007) acredita que a música acusmática pode ser considerada como uma das únicas abordagens composicionais que considera o espaço e a experiência espacial como elementos esteticamente centrais.
Esta afirmação pode ser tomada em consideração, pois com a possibilidade de manipular conscientemente as posições espaciais das fontes sonoras e ainda gerar profundidade e relevos, pode-se considerar que a música acusmática prima pela manipulação espacial como elemento poético na composição.
Se o som pode fornecer um parâmetro espacial, como uma posição por exemplo, o ouvinte pode percebê-lo como um elemento individual independente de sua fonte, tornando-o assim um elemento autônomo na composição musical (Hofmann, 2002). Ao tornar o som independente, suas relações com os outros materiais sonoros podem se tornar mais evidentes num contexto musical e, ao salientar o espaço em um evento sonoro, materializamos tal objeto, ou seja, ele se torna significante num contexto musical.
Para Vaggione (1998), o contexto da composição eletroacústica se diferencia das músicas instrumentais pois, é possível articular o material sonoro em planos situados além daqueles que servem de base para a notação instrumental, devido aos seus modos singulares de produção além da natureza de seu suporte de fixação. Tais planos tornam possível a exploração de morfologias sonoras que contêm articulações de ordem espacial.
Na composição eletroacústica, a consciência de um compositor acerca do espaço como um fator articulável em música é revelada na maneira como manipula os elementos espaciais estruturalmente (Henriksen, 2002). Podem ser consideradas como ferramentas poderosas para uma expressão musical as disposições dos espaços virtuais,
o uso da distância e dos movimentos, a integração de ambientes e a natureza de inter- relações espaciais entre os materiais sonoros9. Seguindo esta linha de pensamento, Zelli (2009b), ao comentar o caso da música acusmática, contribui para essa discussão quando explana que:
a configuração espacial dos componentes sonoros de uma composição acusmática representa um papel decisivo no desenho da textura acusmática. [...] Estratégias de projeção sonora não apenas formam a ponte entre idéias composicionais e de performance desta música, mas apesar da forte dependência de sua textura no espaço sonoro, elas também se conectam esta música ao espaço sonoro real de uma maneira que faz do espaço um dos componentes mais importantes em sua construção.10
Como complemento a esses posicionamentos sobre o espaço, François Bayle (2008) sugere que, em música eletroacústica, o tratamento espacial concebido exclusivamente do ponto de vista técnico, fornece apenas um nível perceptivo primário, revelando apenas um objeto tridimensional, que se move em uma certa velocidade. Para ele o espaço em música eletroacústica vai além da apreensão proprioceptiva do evento sonoro.No caso de composições eletroacústicas, especialmente na música acusmática, o espaço é compreendido como “uma prática, um fenômeno, uma representação”11.
Assim, o espaço pode possuir um papel importante na concepção poética de uma obra, assumindo um valor estético que vai além da valorização tridimensional de um evento sonoro e o tratamento espacial torna-se um elemento expressivo fundamental na construção musical.
Numa composição acusmática, que dispensa as referências visuais, o compositor deve levar em consideração todos os aspectos relativos à percepção do som em si mesmo e as características espaciais assumem grande importância no contexto composicional eletroacústico. Sobre tal característica da música acusmática Barrett (2002) afirma que:
Em música acusmática, nossa percepção visual em tempo real não faz parte de nossa experiência de escuta. Sem a visão da fonte sonora para
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9 Ibid.
10 (....) “the spatial configuration of the sound components of an acousmatic composition plays a decisive
role in the design of an acousmatic texture. (...) Sound projection strategies not only forma bridge between the compositional and performance ideasof this music, but, apart from the strong dependence oh their texture on the sound space, they also connect this music to the real space in a way that makes space onde of the most important components in its makeup.” (Zelli, 2009b, p.37)
servir de ponto de referência, o compositor está livre para manipular a disposição dos objetos-sonoros dentro do espaço, os espaços em que o objeto está a soar, as relações entre objetos, entre espaços e entre pares objetos/espaços.12
Portanto, é possível afirmar que o uso da articulação do espaço na música influencia na construção de significação da obra. Sobre este fato, Smalley (1991) considera que o tratamento espacial dado a um evento é geralmente realizado de maneira objetiva pelo compositor, como um meio de realçar as propriedades intrínsecas da espectromorfologia13 do som. Neste sentido, a trajetória ou o posicionamento em um ambiente podem determinar a percepção que o ouvinte tem das características e das funções estruturais de evento.
Em relação às possibilidades expressivas, Vaggione (1998) apresenta o espaço enquanto um elemento articulável14 em composição. Em sua concepção, o ato da composição é responsável por gerar acontecimentos singulares que são articulados em conjunto com outros acontecimentos sem perder o sentido destas singularidades15.
Na concepção do autor, o espaço pode ser visto como parte de tais acontecimentos em uma abordagem morfológica, sendo possível pensar o espaço como morfologia no sentido próprio, que será transformada por outras morfologias e fornecendo um cruzamento com outros atributos sonoros que serão também articuláveis.
Ainda na perspectiva de Vaggione “Se o espaço for concebido como um material composicional, ele será essencialmente de um espaço de relações, sendo que as relações entre eventos podem ser encaradas como um trabalho de composição, sendo articuláveis em termos de espaço: tamanho, localização, extensão, velocidade”16. Para o autor, os espaços como os de altura, por exemplo, podem ser classificados como “metafóricos”. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
12 “In acousmatic music, our real-time visual perception is not part of the listening experience. Without the
sound’s visual source to serve as a spatial reference point, the composer is free to manipulate the disposition of a sound-object1 within a space, the space within which the object is sounding, and the relationships between objects, between spaces, and between object/space pairs.” (Barrett, 2002, p. 313)
13 Conceito criado por Denis Smalley, onde a terminologia das duas partes pode trazer as seguintes
relações: “espectro” lida com a interação entre espectro sonoro e a “morfologia” relaciona-se com as maneiras que tal espectro altera-se e forma-se no tempo (Smalley, 1997).
14 Sobre o articulável, o autor usa um termo muito específico que denomina como composable - que em
alguns momentos do texto será referido como componível. Esta expressão é explicada pelo autor com as seguintes palavras: “O componível, parece-me (...) ser o articulável. Este inclui uma dose de determinismo (ou melhor, de determinação, no sentido de uma intencionalidade autônoma, independente de qualquer formalização que não está em sintonia direta, por assim dizer, com a imanência musical) (...)” (Vaggione, p.154, 1998, Tradução nossa).
15 Ibid.
16 “Si l'espace est conçu en tant que matériau compositionnel, cela veut dire qu'il est essentiellement un
espace de relations. Ou plutôt que les relations, qui sont le fait d'un travail de cornposition, sont articulables en termes d'espace: taille, situation, extension, vitesse. (Ibid., p. 154)
Tais espaços podem ser entendidos como atributos de uma categoria espacial específica, manifestada como um substrato e uma resultante do trabalho de composição17.
Para Vaggione18, a composição musical poderia ser pensada como um conjunto de “cenas auditivas” que possuem uma profundidade espacial revelada por meio um percurso desvendado no tempo. E a manifestação de tais cenas no tempo indica que a ideia de que o espaço articulável é determinada como um tecido de relações dinâmicas entre seus eventos.
Além de fornecer aspectos expressivos importantes, o uso do espaço na música pode ser entendido como uma ferramenta importante para a escuta. A experiência da escuta de música eletroacústica frequentemente é associada às experiências do cotidiano e a escuta do espaço em ambientes virtuais poderá ser relacionada com experiências espaciais da realidade, o que permite experiências de escutas fundamentadas em sensações já conhecidas pelo ouvinte.
Em suma, a espacialização na música eletroacústica faz parte de várias abordagens na composição musical: seja ela concebida pelo compositor como um meio expressivo em si, seja ela inerente às particularidades do evento sonoro, ou seja, ela recebida enquanto uma experiência que desperta para o ouvinte relações com eventos externos.
1.1 – Conceitos Espaciais na Composição Eletroacústica
Nos meios eletroacústicos, as morfologias dos eventos sonoros muitas vezes se afastam de referências causais diretas, permitindo a emergência de diferentes espacialidades que anteriormente não haviam sido tomadas em consideração. As dimensões vão do microscópico ao macroscópico na confecção de uma obra e quando se trata do uso do espaço em composições eletroacústicas, é importante considerar alguns aspectos que definem tal parâmetro na composição do evento sonoro e da construção da obra como um todo.
Para organizar o pensamento composicional, uma conceituação de aspectos específicos relacionados ao espaço pode ser útil, sendo oportuno relacionar as terminologias adotadas por diferentes autores (muitas vezes coincidentes entre elas) que indicam diferentes estratégias e visões composicionais relacionadas ao espaço. Tais !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
17 Ibid. 18 Ibid.
conceitos podem ser aplicados na estruturação da uma obra e, em alguns casos, no resultado de escuta na fruição do resultado final de uma obra eletroacústica.
1.1.1 – Espaço externo e espaço interno
A música eletroacústica possui uma espacialidade inerente, portanto ao conceber sua obra o compositor leva em conta aspectos gerais da estruturação, bem como aspectos específicos dos eventos sonoros, sendo que cada um de tais aspectos possui um caráter espacial. Também é possível identificar as características espaciais do material e da estrutura no momento da escuta. Em relação a um nível mais alto da estrutura, é possível mencionar um espaço externo, como aquele em que é possível escutar a obra a partir da organização espacial dos eventos sonoros e as relações entre eles.
Chion, (1998) define o espaço externo como aquele que pode ser difundido em um concerto, completando-se integrando na acústica do lugar em que é projetado. O espaço descrito relaciona-se também com condições de escuta particulares, o que pode ser exemplificado com o ambiente em que é escutado (como estúdio), a quantidade, o tipo e a disposição dos alto-falantes, etc.
Este espaço vai além da concepção estrutural da obra e dos sons que a compõe, ele se integra também com o ambiente e o meio em que corpos sonoros se deslocam. Assim, o posicionamento das fontes sonoras e a sensação de lugar onde os sons se relacionam caracterizam o espaço externo.19
Na composição, o conceito de espaço é apreendido num nível perceptual primário, consistindo em um espaço mais “visual”, que preenche um lugar onde é escutado. As relações entre os eventos sonoros e os aspectos espaciais dos sons individuais revelam sensações da escuta que estão relacionadas a aspectos tridimensionais e comparadas a percepções dadas na visão. Isto implica em que no espaço externo são manifestados aspectos como profundidade, relevo, perspectiva, dentre outras características sonoras que são relacionadas a descrições de características visuais.
Tratar do espaço implica em abordar uma dimensão aparentemente não mensurável, infinita, portanto para o seu entendendimento é necessário emoldurá-lo com limitações, o que resulta em um interior que é simultaneamente exterior. A moldura !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
revela um espaço delimitado de relações que serve de exterior para elementos sonoros individuais.
Esta moldura é o que Bayle (1997) denomina de “caixa conceitual”, sendo possível descrever o espaço externo como tal caixa, que será inserida dentro de outras caixas ao infinito20. Assim, o espaço externo pode revelar uma “caixa” contendo outras caixas, com uma riqueza de relações espaciais em seus interiores. Por essa razão, os interiores de tais caixas se tornam exteriores para outras espacialidades.
Segundo Merlier (2006), uma espacialização em tempo real realizada por um intérprete pode ser considerada uma espacialização do material carregada pelo espaço
externo. Nesta concepção, esta atividade pode ser relacionada a criação artística de campos sonoros, sendo que a delimitação de tais campos estaria relacionada com a ideia
das caixas, onde a extensão espacial de tais campos serve de exterior para relações espaciais de elementos sonoros internos.
Em oposição ao espaço externo está o espaço interno do som que pode ser assimilado com a criação de efeitos perceptivos, sendo inerente à obra em si. Trata-se do espaço confinado no suporte de gravação da obra, tendo como constitutivos os sons que possuem características espaciais individuais como alturas, ou grãos (Chion, 1998). A manifestação do espaço interno se dá no interior da obra, a partir de contornos sônicos, do movimento de eventos sonoros, sendo revelado na escuta como uma sensação de volume composto (Bayle, 2007). Este espaço é virtual, porém fundamentado numa realidade física, aquela dos sons dentro da obra (Vaggione, 1996).
Segundo Vaggione21, na composição eletroacústica o espaço interno tornou-se um aspecto componível importante, a partir do momento em que houve acesso a meios de registro e manipulação do som. Com o uso dos suportes eletrônicos é possível articular o espaço interno de uma obra, pois os suportes tornam possível realizar operações sobre a sua matéria sonora,
Cabe ressaltar que o espaço externo, ligado à configuração do espaço em que é ouvido, com as suas peculiaridades específicas, pode ter a função de realçar as características do espaço interno. A passagem do estúdio para a sala de concertos, que seria uma “transposição do espaço”, consiste na adequação do espaço interno ao espaço externo (Bayle, 2007).
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20 Ibid. 21 Id. (1998)
1.1.2 - Espaço extrínseco, textura espacial, espaço intrínseco e espaço espectral
Os sons individuais de uma composição possuem aspectos espaciais particulares, sendo possível apontar alguns conceitos referentes aos eventos sonoros e suas relações entre eles. Um destes conceitos foi proposto por Henriksen (2002) como espaço
extrínseco, que se refere ao resultado do comportamento espacial do som e sua interação
com o ambiente onde ele acontece. Este espaço revela atributos como movimento, direção e distancia dos sons e a percepção de localização, segundo Henriksen (2002), também está baseada no espaço extrínseco. Para o autor, a percepção do espaço extrínseco é baseada nas informações espectromorfológicas, bem como nas informações resultantes das interações do som com o ambiente em que ele existe.
Um conceito que aparenta ter similaridade com a noção de espaço extrínseco é o conceito de textura espacial de Smalley (2008). Para ele, este conceito está relacionado com a articulação da topologia dos materiais. O autor afirma ainda que, para haver uma aproximação com a definição das propriedades da textura espacial, é necessário levar em consideração aspectos como: as dimensões espaciais dos sons individuais (como se os sons fossem objetos); a existência de hierarquias dimensionais entre os constituintes da textura; as propriedades de contiguidade e continuidade espaciais, o comportamento dos sons e suas tipologias, a densidade e o comportamento de uma distribuição espacial e o estilo de localização na definição espacial22.
Outro conceito importante em relação a aspectos espaciais na composição é o de
espaço intrínseco, como aquele baseado na percepção dos componentes espaciais
internos de sons individuais e eventos sonoros (Henriksen, 2002). Os atributos do
espaço intrínseco, conforme Henriksen, são: magnitude, formato e densidade.
Também é importante na constituição espacial dos eventos sonoros o conceito de
espaço espectral (Smalley, 2007), como sendo aquele relacionado à disposição de
alturas e do conteúdo tímbrico de uma obra musical. Numa obra instrumental seria o tipo de espaço mais explorado pelos compositores e no caso de composições eletroacústicas, seria mais um aspecto de elaboração espacial do material musical.
Tal espaço pode incluir noções de alturas verticais e impressões de preenchimento e de esvaziamento e, segundo Smalley23, o espaço espectral tem como referências de delimitação de extremidades, o que ele chama de “coberturas” e !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
22 Ibid. 23 Id. (1997)
“raízes”24. Nas coberturas encontram-se as freqüências mais agudas que dão a noção de uma localização mais alta, enquanto que freqüências mais baixas dão a noção de um enraizamento, sendo que tais extremos podem gerar molduras espaciais que poderão ser preenchidas em seu interior ou não.
Os espaços espectrais implicam em forças como quedas, pesos ou ainda gravitações. Smalley25 exemplifica com a ideia de uma atração para a estabilidade proporcionada por frequências em regiões mais graves, aspecto muito explorado na música tonal. O autor lembra ainda que o espaço espectral em si produz uma noção de espaço, sem haver a necessidade de movimento espacial real do som.
Os conceitos apresentados até este ponto são basais e estão presentes em qualquer composição. A escolhas de que delimitam a configuração espacial total da obra envolvem a seleção de aspectos que tratam tanto abordagens espaciais referentes a obra como um todo (espaços externo e interno), quanto as espacialidades referentes aos sons individuais (espaços extrínseco, intrínseco e espectral), sendo que cada compositor busca uma estratégia composicional particular para a elaboração de tais espaços em suas obras. A seguir serão apresentadas e discutidas noções espaciais que compõe os aspectos mais globais do uso do espaço em composições eletroacústicas e que consistem em aspectos individuais que compõe cada um dos espaços nas obras relatadas neste trabalho.
1.1.3 - Espaço composto, espaço de escuta e espaço sobreposto ou percebido
Em uma composição eletroacústica, aspectos espaciais macroscópicos podem ser