• Aucun résultat trouvé

Exemples de Programmes

Dans le document 1. Ce qu'est un Programme C (Page 57-71)

STRUCTURES DE CONTROLES

6. Exemples de Programmes

O ponto de chegada da observação que efetuei às crianças será: (i) compreender como as crianças percecionam, exploram e avaliam o ambiente educativo da sua sala, mais especificamente, no que diz respeito: à perceção das regras; à preferência pelas áreas; à apreciação do espaço da sala; ao uso dado a diferentes materiais com diferentes graus de realismo atribuídos – funcionalidade real ou imaginária –; às caraterísticas identificadas aquando da exploração dos materiais; (ii) analisar o papel do adulto na criação de oportunidades de exploração dos materiais; (iii) analisar o papel do adulto como mediador da perceção e da exploração que as crianças fazem dos materiais naturais, particularmente, em relação às estratégias utilizadas pelo adulto e à análise da influência dessas estratégias na interação da criança com os materiais naturais. A problemática geral da investigação relaciona-se com o modo como as crianças exploram materiais naturais e com a avaliação que fazem do ambiente educativo, bem como, com o modo como a minha ação educativa poderá influenciar a perceção, as explorações e a avaliação que as crianças fazem do ambiente educativo.

Segundo Beillerot (2001, citado por Ponte, 2002), uma atividade constitui uma investigação quando: (i) produz conhecimentos novos ou, pelo menos, novos para quem investiga; (ii) segue uma metodologia rigorosa; (iii) é pública.

Ora, em trabalhos de investigação de educadores, dada a proximidade entre investigador e investigados, é frequente que o trabalho de investigação incida sobre a própria prática, tendo sido essa a minha opção no que respeita à metodologia a utilizar na investigação, trata-se de uma investigação sobre a própria prática.

Segundo Ponte (2004), “este campo de investigação, essencialmente profissional, tem como grande finalidade contribuir para clarificar os problemas da prática e procurar soluções”(p. 62). Apesar disso, o mesmo autor refere que “tal trabalho pode ser conduzido numa lógica sobretudo de intervir e transformar, sabendo à partida onde se quer chegar, ou numa lógica de compreender primeiro os problemas que se colocam para delinear, num segundo momento, estratégias de acção mais adequadas.” (p.2). Trata-se de uma metodologia de investigação qualitativa, uma vez que é dado um enfâse “à descrição, à indução, à teoria fundamentada e ao estudo das

40 perceções pessoais” (Bogdan & Biklen, 1991, citados por Sousa, 2008). No mesmo sentido, Carmo e Ferreira (2008) referem como uma das caraterísticas da investigação qualitativa a descrição, alertando para o facto da importância do rigor da mesma e de essa descrição “resultar directamente dos dados recolhidos” (p. 198). Outra caraterística, igualmente, mencionada pelos autores, é o caráter indutivo desta metodologia de investigação, em que são desenvolvidos conceitos e se compreendem fenómenos com base em padrões derivados da recolha de dados. Para a recolha de dados, como técnicas, recorri a: uma observação participante; uma entrevista semiestruturada às crianças (cf. anexo I.) e outra à educadora cooperante (cf. anexo J.); consulta documental (PCG, 2018/2019).

A observação direta é muito utilizada em análises comportamentais de crianças, precisamente por captar o que se passa e em tempo real. Existindo sempre o observador e os observados, o sucesso deste processo depende essencialmente do observador. Daí a importância da construção de grelhas prévias de observação que dependem do(s) fenómeno(s) a observar e de se dispor de tempo suficiente. Nestes pressupostos, o ideal seria a observação de um grupo durante um período longo e com a participação do observador na vida do grupo (observação participante etnológica) (Quivy & Campenhoudt, 1998). Sousa (2005) considera que a observação participante permite, nomeadamente, “captar a situação vivencial que contextualiza os acontecimentos observados” (p. 113).

As entrevistas permitem um contato direto entre entrevistador e entrevistado, o que permite, desde logo, uma interação, uma troca de informações, em que o entrevistador surge como facilitador e evita uma dispersão por parte do entrevistado. As entrevista semiestruturadas, sendo o caminho do meio entre uma entrevista totalmente encaminhada e uma totalmente aberta, permitem que as questões pré- definidas sejam seguidas, mas sob a forma de uma conversa informal. No entanto, não existe uma ordem prévia para os temas a abordar, sendo a sequência o resultado da interação entre entrevistado e entrevistador, tendo este a possibilidade de reconduzir a entrevista aos aspetos que o entrevistador considera que devem ser abordados. Tem uma grande vantagem face a uma entrevista totalmente encaminhada que é a da flexibilidade que proporciona, permitindo alterar ou adicionar questões na sequência do desenrolar da entrevista. No entanto, também permite abordar as questões-chave de forma exaustiva, o que poderia não ocorrer com uma entrevista totalmente aberta (Quivy & Campenhoudt, 1998).

41

Por fim, quanto à consulta documental, a existência de informação em documentos oficiais ou particulares é muito útil ao investigador pois poupa-lhe tempo e evita o recurso a métodos alternativos, como inquéritos. Numa investigação relativa aos comportamentos em JI, os principais documentos a utilizar são os diplomas oficiais e, sobretudo, os documentos internos da organização, que permitem, por exemplo, contextualizar o grupo de crianças que é o objeto da análise do(a) estagiário(a) (Quivy & Campenhoudt, 1998).

No que se refere aos instrumentos a que recorri na recolha de dados, foram utilizados: notas de campo (cf. anexo K.); Registos Audiovisuais (RA) (cf. anexos L. e M.);documento da organização socioeducativa (PCG, 2018/2019). Bogdan e Biklen (1994, p. 152) referem que as notas de campo têm duas componentes: (i) uma descritiva, em que “a preocupação é a de captar uma imagem por palavras do local, pessoas, acções e conversas observadas”, representando estas “o melhor esforço do investigador para registar objectivamente os detalhes do que ocorreu no campo” e (ii) uma reflexiva, do investigador-observador, que já tem a ver com as suas “opiniões, crenças, atitudes e preconceitos” (Bogdan e Biklen, 1994, p. 166). Carmo e Ferreira (2008) mencionam que os dados podem incluir, nomeadamente “transcrições de entrevistas, registos de observações, documentos escritos (pessoais e oficiais), fotografias e gravações de vídeo” (p. 198).

Relativamente à análise de conteúdo, condensei a informação obtida (cf. anexos L. e M.) para inferir sobre o que tinha tentado investigar de uma forma sistematizada, construindo matrizes categoriais (cf. anexo N.).

É de notar que a informação recolhida focou-se em duas crianças com as seguintes idades: 3 anos e 4 meses e 3 anos e 6 meses, I. (sexo feminino) e Mt. (sexo masculino), respetivamente. No que se refere à seleção dessas crianças, esta foi realizada de forma aleatória e, sobretudo, devido ao cariz dos dados recolhidos, sobretudo as suas perceções com base em verbalizações das crianças em momentos de brincadeira, optei por selecionar duas crianças.

No que se relaciona com o roteiro ético da pesquisa, destaco que as crianças têm direitos que devem ser respeitados, nomeadamente os definidos pela Convenção Internacional dos Direitos da Criança. Na minha experiência de JI, procurei ter presente alguns compromissos com a Associação de Profissionais de Educação de Infância (APEI, sd.) que me pareceram mais adequados à situação de futura educadora- investigadora em que me encontrava, como: (i) respeitar cada uma e todas as crianças,

42 independentemente do seu género, etnia, estrato social e nível de desenvolvimento; (ii) ter expectativas positivas em relação a cada uma e todas as crianças; (iii) promover a aprendizagem e a socialização no grupo da sala; (iv) respeitar a sua privacidade. Envolvendo esta investigação crianças, antes de mais houve que as respeitar como seres humanos, com os seus anseios, com as suas reações, com as suas carências, em que os fatores referidos em (i) tiveram impacto.

No que diz respeito à privacidade, nas NC, as crianças foram referidas por uma só letra ou, nos casos em que havia coincidência na primeira letra, através de uma segunda letra. Os pais das crianças participantes autorizaram formalmente a recolha de informações com e a partir das mesmas, para utilizar registos audiovisuais das crianças, que neste caso foram, apenas, para uso próprio na recolha de dados. Os registos audiovisuais tiveram o consentimento das crianças.

Dans le document 1. Ce qu'est un Programme C (Page 57-71)

Documents relatifs