3.2 La relaxation graphique
3.2.2 Structure faciale de P
NA NEUROFISIOLOGIA DA DOR ADAPTADO A UTENTES COM FIBROMIALGIA: ESTUDO DE SÉRIE DE CASOS.
Pires D1, Costa D2, Martins I3, Cruz E4
Instituto Politécnico de Castelo Branco, Castelo Branco, Portugal
2. Fisioterapia, Unidade Local de Saúde de Castelo Branco - Hospital Amato Lusitano, Castelo Branco, Portugal 3. Unidade da Dor Crónica, Unidade Local de Saúde de Castelo Branco - Hospital Amato Lusitano, Castelo Branco, Portugal
4. Fisioterapia, Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Setúbal, Setúbal, Portugal
Introdução: A literatura atual tem sugerido que a Edu- cação Baseada na Neurofisiologia da Dor (EBN) pode ser uma intervenção com efeitos positivos na intensi- dade da dor, incapacidade, crenças e comportamentos adaptativos em utentes com fibromialgia (FM). Porém, estudos clínicos randomizados recentes não mostra- ram alterações estatisticamente e clinicamente signifi- cativas nestas variáveis em resposta à EBN em utentes com FM. As razões para estes resultados podem estar relacionados com as características dos próprios pro- gramas de educação, que são tradicionalmente com- postos por apenas 1 ou 2 sessões de educação, com uma grande variedade de conteúdos e que não têm em conta os problemas de memória e concentração iden- tificados nestes utentes.
Objetivo: Este estudo de série de casos tem por obje- tivo descrever os efeitos de um programa de EBN e exercício numa amostra de utentes com FM. A EBN foi especificamente desenvolvida para utentes com pro- blemas de memória e concentração.
Métodos: Foram incluídos neste estudo de série de ca- sos 9 utentes com diagnóstico de FM e problemas de memória e concentração (identificados através da sub escala de concentração da Checklist of Individual Strength e de uma escala numérica para avaliar a me- mória). Todos os participantes foram submetidos a um programa de intervenção durante 6 semanas composto por 6 sessões individuais de EBN e 6 sessões de exercí- cio individualizado (exercício aeróbio; controlo motor e exercício aquático). O programa de EBN integrou um leque de conteúdos baseados na neurofisiologia da dor, transmitidos verbalmente, que foram complementados por várias estratégias adicionais para promover a apren- dizagem: utilização de um livro de apoio; discussão/re- flexão acerca de um estudo de caso; e participação de fa- miliares nas sessões de educação. Os participantes foram avaliados antes da intervenção, após o programa de edu- cação (3 semanas), no final da intervenção (6 semanas) e 3 e 6 meses após a intervenção. As variáveis de resul- tados avaliadas foram a intensidade da dor (Escala nu-
mérica da dor: 0-10), a cinesiofobia (Tampa Scale of Ki- nesiophobia: 13-52), a catastrofização (Pain Catastrophi- zing Scale: 0-52) e a perceção global de mudança (Patient Global Impression Scale:1-7).
Resultados: Todos os participantes (género feminino; média de idade de 53,4 ± 9,1 anos) completaram as 12 sessões que integraram o programa. Após a interven- ção, todos os participantes reportaram melhorias cli- nicas na perceção global de mudança (pontuações >5), e 7 em 9 participantes (78%) demonstraram melhorias clinicamente importantes na intensidade da dor (re- dução >2 pontos na END). Contudo, 6 meses após a in- tervenção, a proporção de participantes com melho- rias clinicamente importantes na intensidade da dor e perceção global de melhoria diminui para 5/9 e 7/9, respetivamente. O teste estatístico não paramétrico de Wilcoxon mostrou diferenças significativas (p <0.05) na intensidade da dor, cinesiofobia e catastrofização em todos os momentos de avaliação relativamente ao iní- cio da intervenção.
Conclusão: Os resultados deste estudo de série de casos sugerem que um programa de EBN seguido de exercício individualizado pode diminuir a intensidade da dor e alterar variáveis cognitivas contraproducentes como o cinesiofobia e catastrofização em utentes com FM. A ado- ção de estratégias de ensino adicionais tendo em conta os défices cognitivos presentes nesta amostra podem ter sido determinantes para os resultados observados. P207 – POLICONDRITE RECIDIVANTE: CASUÍSTICA DE UM SERVIÇO DE REUMATOLOGIA
Raquel Miriam Ferreira1, Rita Fonseca1,
Pedro Madureira1, Iva Brito1, Eva Mariz1,
Miguel Bernardes1, Sofia Pimenta1, Lúcia Costa1 1. Serviço de Reumatologia, Centro Hospitalar de São João, Porto, Portugal
Introdução: A policondrite recidivante (PR) é uma doença multissistémica rara, caracterizada por uma in- flamação recorrente com potencial degenerescência e deformidade das estruturas cartilagíneas.
Métodos: Apresentação de 8 casos de policondrite re- cidivante do serviço de reumatologia do Centro Hos- pitalar São João nos últimos 15 anos e revisão da lite- ratura.
Descrição: Descrevemos 8 casos de PR em que 50% eram do sexo feminino. A média de idade da 1ª mani- festação foi de 56 anos (min:37- max:82 anos), a ida- de média do diagnóstico de 58 anos (min:42- max:85
anos) e o tempo até ao diagnóstico variou entre 1 mês e 8 anos. A condrite auricular foi a manifestação inau- gural mais comum (50%), seguida de poliartralgias (25%), condrite costal (12,5%) e inflamação ocular (12,5%). A condrite auricular esteve presente em al- guma altura do curso da doença em 88% dos casos. Ve- rificou-se condrite nasal em 5 doentes, um dos quais com deformidade de nariz em sela. A artrite desenvol- veu-se cumulativamente em 63% dos casos, de forma intermitente, migratória, sobretudo das metacarpofa- lângicas, punhos e joelhos. 4 doentes tiveram episó- dios de dispneia e broncospasmo, sendo que em 3 do- cumentou-se padrão obstrutivo das vias aéreas. 5 casos tiveram envolvimento ocular, desde conjuntivite, epis- clerite, uveíte anterior, diplopia e diminuição da acui- dade visual. Foi detetado comprometimento audio- vestibular em 3 doentes, por queixas de tinnitus, hi - poacusia e vertigens. A doença valvular desenvolveu- -se em 50% dos casos. Detetou-se 1 caso de dilatação da raiz aórtica. O envolvimento neurológico confir- mou-se num caso, que se manifestou por confusão men- tal e alucinações visuais. Destacam-se internamentos prévios por suspeita de celulite auricular infeciosa em 3 casos, com recurso ineficaz a vários esquemas de an- tibioterapia. Nenhum doente apresentava doenças imu- nomediadas concomitantes. O tratamento mais fre- quente foi o uso de prednisolona. Em 6 doentes foi as- sociado outro imunossupressor, entre eles metotrexa- to, azatioprina ou leflunomida. O metotrexato foi o mais utilizado (5 casos), numa dose variável entre 10 e 20mg/semana. Salientam-se como complicações, uma suspeita de síndrome mielodisplásico e 1 doente com in- feções respiratórias e otites médias recidivantes. Conclusão: Esta pequena amostra sublinha a raridade da patologia verificando-se um pico de incidência na 5ª década de vida, com uma distribuição semelhante en- tre sexos, o que coincide com os dados da literatura. O diagnóstico de PR pode ser tardio e desafiante pelo es- petro clínico alargado, denotando-se ainda um tempo médio elevado até ao diagnóstico. A condrite auricular foi a manifestação mais frequente e habitualmente inau- gural. A inflamação é confinada à porção cartilagínea, poupando o lóbulo, o que permite o diagnóstico dife- rencial com etiologia infeciosa. A incidência e as ca- racterísticas do envolvimento articular, nasal, cocleo- vestibular e as manifestações respiratórias foram se- melhantes ao descrito noutras publicações. A manifes- tação extra-cartilagínea mais frequente foi a ocular (63%). As complicações cardiovasculares são raras e preditor de mau prognóstico, sendo que a presença de
valvulopatia na nossa amostra foi superior ao expectá- vel. A corticoterapia foi o principal tratamento, com uso de outros imunossupressores em caso de cortico- dependência e refratariedade.
GRUPO 9
P113 – MESENTERIC VASCULITIS IN