Este ciclo de desconstrução específica da identidade do indivíduo muçulmano durou aproximadamente 10 anos, na prática, mas na teoria foi menor, pois o discurso proferido na Universidade do Cairo, no Egito, do então presidente dos EUA, na época, Barak Obama, foi conciliador e acreditou-se que seria um ponto final nessa onda preconceituosa contra os muçulmanos, o que não aconteceu.
A escolha desta universidade para proferir seu discurso carrega muito simbolismo, fundada em 988, com relatos de que tenha sido fundada antes disso, é uma das três universidades mais antigas do mundo, junto com a Universidade Al Quaraouiyine, em Fez, no Marrocos e a Universidade Ez-Zitouna, na Tunísia, é a instituição educacional mais respeitada no Mundo Islâmico. Desde sua criação, formou-se pessoas de todas as camadas sociais e de vários países, portanto, escolher essa instituição significa entrar pela porta da frente para falar aos muçulmanos, demonstrando respeito e consideração, não só pelos adeptos, mas principalmente pela religião islâmica. Certamente, que é uma ação muito bem estudada e planejada, sabendo que para este discurso as palavras e o local escolhidos seriam estratégicos para alcançar o objetivo desejado.
Sinto-me honrado por estar na cidade atemporal do Cairo e de ter como anfitriãs duas instituições notáveis. Por mais de mil anos, Al Azhar tem se erguido como farol do conhecimento islâmico, e há mais de um século a Universidade do Cairo vem sendo uma fonte do avanço do Egito. Juntas, vocês representam a harmonia entre tradição e progresso. Estou grato por sua hospitalidade e pela hospitalidade do povo do Egito. Também tenho o orgulho de carregar comigo a boa vontade do povo americano e uma
saudação de paz das comunidades muçulmanas em meu país: assalamu alaykum (FOLHA ONLINE, 2009, on-line).
Em seu discurso, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, falou sobre a tensão entre o Ocidente e os muçulmanos de forma aberta e sincera, reconheceu que existe, de fato, um problema religioso histórico e que há resquícios do passado por conta das guerras religiosas entre os dois lados, bem como da colonização de países árabes e islâmicos por parte do Ocidente.
Nos encontramos num momento de tensão entre os Estados Unidos e muçulmanos em todo o mundo --tensão que tem suas raízes em forças históricas que extrapolam qualquer debate político atual. O relacionamento entre o islã e o Ocidente inclui séculos de coexistência e cooperação, mas também conflitos e guerras religiosas. Mais recentemente, a tensão foi alimentada pelo colonialismo, que negou direitos e oportunidades a muitos muçulmanos, e pela Guerra Fria, na qual países de maioria muçulmana com demasiada frequência foram tratados como representantes, sem consideração por suas próprias aspirações. Ademais, as mudanças abrangentes trazidas pela modernidade e a globalização levaram muitos muçulmanos a ver o Ocidente como sendo hostil às tradições do Islã (FOLHA ONLINE, 2009, on-line).
Obama destacou a união entre os muçulmanos e os EUA, as qualidades do Islam, incluindo a leitura de trechos do Alcorão sagrado, que a religião islâmica é uma religião de paz, de tolerância, que os muçulmanos ajudaram no crescimento e desenvolvimento de seu país. Um discurso muito convergente e estimulador, por isso, cito uma parte para que todos analisem essas palavras à luz da realidade dos fatos e das atitudes que vieram logo depois deste discurso.
Como estudioso da história, também conheço a dívida que civilização tem com o islã. Foi o islã --em lugares como a Universidade Al Azhar-- que carregou a luz do saber ao longo de muitos séculos, abrindo caminho para o Renascimento e o Iluminismo na Europa. Foram inovações em comunidades muçulmanas que desenvolveram a ordem da álgebra; nossa bússola magnética e instrumentos de navegação; nossa maestria das penas e da impressão; nossa compreensão de como as doenças se espalham e de como podem ser curadas. A cultura islâmica nos deu arcos majestosos e torres que se elevam ao céu; poesia atemporal e música preciosa; caligrafia elegante e lugares de contemplação pacífica. E, ao longo de toda a história, o islã demonstrou em palavras e atos as possibilidades da tolerância religiosa e da igualdade racial. Sei, também, que o islã sempre foi uma parte da história da América. O primeiro país a reconhecer o meu foi o Marrocos. Ao assinar o Tratado de Trípoli, em 1796, nosso segundo presidente, John Adams, escreveu: ‘Os Estados Unidos não têm em si nenhum caráter de inimizade com as leis, a religião ou a tranquilidade dos muçulmanos’. E,
desde nossa fundação, muçulmanos americanos enriqueceram os Estados Unidos. Eles lutaram em nossas guerras, serviram no governo, defenderam os direitos civis, abriram empresas, lecionaram em nossas universidades, se destacaram em nossas arenas esportivas, ganharam Prêmios Nobel, construíram nosso edifício mais alto e acenderam a tocha olímpica. E quando, recentemente, o primeiro muçulmano americano foi eleito para o Congresso, ele fez o juramento de defender nossa Constituição usando o mesmo Santo Alcorão que um dos fundadores de nosso país, Thomas Jefferson, guardava em sua biblioteca pessoal. Assim, conheci o islã em três continentes antes de vir para a região onde ele primeiro foi revelado. Essa experiência guia minha convicção de que a parceria entre os EUA e o islã deve ser baseada no que o islã é, e não no que ele não é. E considero que é parte de minha responsabilidade como presidente dos Estados Unidos combater os estereótipos negativos do islã, onde quer que apareçam (FOLHA ONLINE, 2009, on-line).
Este discurso foi destaque nos noticiários no mundo todo. O mundo Islâmico alegrou-se com esta posição e estas palavras que tranquilizaram a todos, na esperança que houvesse, de fato, uma mudança positiva que beneficiasse a região do Oriente Médio, diminuindo os conflitos com a retirada dos exércitos dos aliados dos países onde se encontravam, além disso, esperava-se uma mudança na apresentação do perfil negativo dos muçulmanos, que era uma reivindicação de todos, pois a mídia internacional havia deturpado a imagem deles, como alegavam, pois afirmavam serem pessoas devotas, seguidoras de uma religião de paz e não reconheciam essa nova imagem que lhes estavam vestindo, portanto, esta questão fazia parte do processo de melhoria das relações entre o Ocidente e o Mundo Islâmico, pelo menos, no imaginário dos seguidores do Islam, porque acreditaram que havia chegado ao fim esse ciclo de agressões e difamações, como o próprio ex-presidente Obama havia citado em seu discurso.
Vim para cá para buscar um novo começo entre os Estados Unidos e muçulmanos em todo o mundo; um que seja baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo; e um que seja baseado na verdade de que Estados Unidos e islã não são mutuamente excludentes e não precisam competir. Em vez disso, eles se sobrepõem e compartilham princípios comuns: princípios de justiça e progresso, de tolerância e da dignidade de todos os seres humanos. Faço isso com a consciência de que a transformação não pode acontecer da noite para o dia. Nenhum discurso isolado será capaz de erradicar anos de desconfiança, nem eu, no tempo de que disponho, poderei responder a todas as perguntas complexas que nos trouxeram para este ponto. Mas estou convencido de que, para podermos andar para frente, precisamos dizer abertamente as coisas que temos em nossos corações e que com demasiada frequência são ditas apenas a portas fechadas. É preciso que haja um esforço sustentado para ouvirmos uns aos outros;
aprendermos uns com os outros; respeitarmos uns aos outros, e buscar terreno comum. Como nos diz o Sagrado Alcorão, "Seja consciente de Deus e fale a verdade sempre". É isso o que procurarei fazer: falar a verdade ao máximo de minha habilidade, sentindo-me humilde diante da tarefa que temos pela frente e firme em minha crença em que os interesses que compartilhamos como seres humanos são muito mais poderosos que as forças que nos afastam (FOLHA ONLINE, 2009, on-line).
Infelizmente, o que se presenciou, logo depois, foi o início de um novo ciclo de desconstrução dos muçulmanos e dos árabes, agora não mais como indivíduos, mas sim como um grupo, com o surgimento de “grupos terroristas islâmicos”, com nomes nada conhecidos para os próprios muçulmanos, como “Boko Haram”, que surgiu, teoricamente, em 2004 na Nigéria, mas que só teve destaque depois de 2010, cujo significado vem, originalmente, das línguas hawssa e árabe. “Boko” significa “educação vinda do Ocidente” e “Haram” significa “pecado” ou “proibido”, pois alega- se que esse grupo surgiu por conta da rejeição do sistema de educação ocidental que a Nigéria estava adotando nas instituições educacionais do país, o qual acusavam ser um plano para substituir o ensino islâmico e, consequentemente, mudar a identidade islâmica dos nigerianos muçulmanos.
Porém, para alguns muçulmanos nigerianos essa é uma alegação infundada, pois afirmam que na realidade o intuito do Ocidente é o domínio sobre a exploração do petróleo da Nigéria, já que é o maior país produtor da África, portanto, criou-se esse grupo com este nome como justificativa para a presença de tropas estrangeiras que protegessem a exploração estrangeira das riquezas do país.
O outro grupo, “O Estado Islâmico no Iraque e Síria”, conhecido, em árabe como DAESH, e também, no Ocidente como “ISIS”, que a imprensa internacional diz que surgiu no Iraque inicialmente e, depois, entrou na Síria, sendo que os próprios iraquianos e sírios têm poucas informações sobre o grupo ou sobre seus líderes, inclusive, até hoje, não se sabe quem, de fato, são os líderes, seus nomes, de onde vieram, onde foram treinados, quem os treinou, qual o objetivo real, quem financia esse grupo, etc.
O EI nasceu de movimentos ofuscados durante anos no Iraque, aos quais se uniram voluntários de toda a região e, mais tarde, do mundo todo. Nessa época os serviços secretos internacionais tinham somente estimativas imprecisas sobre seus efetivos.
- 'Ninguém sabe' -
‘Atualmente, a principal dificuldade é que não sabemos quantos combatentes morreram nas operações da coalizão, nas russas, iraquianas
e turcas’, explicou à AFP Jean-Charles Brisard, presidente do Centro de Análise do Terrorismo, com sede em Paris (AFP, 2018, on-line).
O que se sabia era o que as agências internacionais ocidentais informavam e, algumas vezes, o canal de notícias árabe Al Jazeera, porque esses “terroristas” ligavam e alegavam a autoria de atentados e crimes primeiro aos países islâmicos e, depois, aos países ocidentais, porém só se divulgava o nome do grupo sem o nome de seu líder, ou líderes, diferente do que ocorria quando era citado o grupo “Al Qaeda”, cujo nome de seu líder, Osama Bin Laden, era mais destacado. O “ISIS”, como é conhecido o grupo “Estado Islâmico”.
A ideia de que todos os muçulmanos são violentos - explodindo prédios, aviões e mercados, e voluntariamente se matando no processo - é frequentemente explicada como um impulso islâmico inato, um produto de raça, etnia, ou impulso religioso, às vezes estereotipado como uma ‘fúria islâmica’ que emerge da repressão sexual e da frustração (ARJANA, 2015, p. 11 – Tradução nossa).
A identidade do muçulmano vem sendo paulatinamente desconstruída, a partir do estigma que se criou referente aos ataques terroristas provocados por grupos que se autodenominam islâmicos, mas muito também pela falta de inteligibilidade de compreender os seus preceitos. Não há respeito quando se trata de Islam, muito menos relações de alteridade.
A maioria dos muçulmanos não consegue entender como o mundo pode ser enganado através de uma história que não tem embasamento, já que basta um raciocínio lógico para saber que esse grupo não pode ser muçulmano, nem aquilo que alega ser, nem pelo que esse grupo existe.
Há conversações de que a fonte de renda do “ISIS” são os poços de petróleo assumidos pelo grupo para o controle no Iraque, que são vendidos de forma clandestina para alguns países, e os armamentos são provenientes de cargas que os ALIADOS lançaram equivocadamente para eles, no Iraque.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos estima que, no ano passado, o "EI" tenha ganhado milhões de dólares por semana, ou US$ 100 milhões (R$ 377 milhões) no total, da venda de petróleo e derivados a intermediários. O combustível é vendido à Turquia e ao Irã, ou ao próprio governo sírio (G1.GLOBO, 2015, on-line).
Levando em consideração essas alegações, pergunta-se se todas as empresas e funcionários estrangeiros fugiram do Iraque quando souberam que esse grupo estaria chegando até eles, sabendo que não havia profissionais locais habilitados para a função de manipulação e manutenção do maquinário de extração de petróleo, como poderia esse grupo recém-formado, com alguns milhares de membros somente, ter tantas pessoas aptas profissionalmente, a manusear e fazer a manutenção de todo esse equipamento?
O grupo se apropriou de campos de produção e vende, segundo a organização Council on Foreign Relations (CFR), 48 mil barris por dia – 44 mil dos campos sírios e 4 mil dos iraquianos. A venda do combustível rende de US$ 1 milhão a US$ 3 milhões por dia (G1.GLOBO, 2016, on-line).
Pergunta-se para se ter uma ideia do tamanho e perigo deste grupo, como também para se saber como combatê-lo e qual a estratégia que deve ser utilizada para tal, qual seria o número exato de seus combatentes?
Ao fazer uma pesquisa básica em algumas páginas de notícias brasileiras e internacionais conhecidas, percebe-se que nenhum noticiário sabe definir exatamente o tamanho do “ISIS”, apesar de muitos deles terem quase as mesmas fontes de informações G1.Globo (2015) e Estado (2017, 2018). Além do mais esta afirmação feita pelo “Soufan Group” é desmentida imediatamente pelo mesmo grupo G1.Globo (2018) e Assis (2016).
Sendo que empresas ocidentais estavam fazendo esse serviço, porque não havia mão de obra qualificada suficiente na região, nem em países vizinhos para tal função, portanto, é de se estranhar que, de repente, esse grupo, recém- constituído de forma desorganizada, passe a operar tão bem esses maquinários e equipamentos de tamanha complexidade, além disso, aprender a organizar todo um processo tão difícil e minucioso. Tudo isso faz refletir sobre as informações que são passadas a respeito desses grupos e sobre os conflitos existentes na região.
Outras perguntas de extrema relevância surgem também e podem esclarecer e explicar a realidade desse cenário, como por exemplo, quem comprava o petróleo deles, sendo que o ‘ISIS’ sofre uma grande ofensiva militar por parte de vários países aliados, além de um boicote, porém, continuou com suas atividades de exploração,
refino, exportação, transporte, etc., sendo assim, precisa-se saber quem são esses países compradores do produto, de forma ilegal. A matéria no Jornal O Estado de S.Paulo (2015, on-line) esclarece: “Ainda de acordo com o CFR, o regime do ditador Bashar al-Assad, os turcos e os curdos iraquianos – todos conhecidos inimigos do EI – são alguns dos clientes”.
Se são inimigos do ISIS, sabendo-se que a Turquia faz parte da Coalizão que luta contra esse grupo, como daria para conciliar essas informações ou ao menos tentar torná-las mais digeríveis? Portanto, embasados nessas informações, os dados não correspondem à verdade.
Precisa-se saber também, por meio de provas e evidências e não somente por declarações ou análises de professores acadêmicos, analistas políticos, pessoas que aparecem nas telas dos jornais para explicar os fatos, sendo que, quase a totalidade desses analistas e acadêmicos nunca estiveram na região, nunca tiveram contato com membros desse grupo, somente leram pela internet algumas notícias, relatórios escritos pelos próprios interessados em divulgar tais informações, então, como poderiam essas afirmações e informações terem credibilidade?
Se os aliados têm tantas informações minuciosas sobre as atividades deste grupo e seus ganhos, etc., então, devem estar cientes dos países que compram, ilegalmente, esse petróleo, sendo assim, é necessário saber quais sanções foram tomadas contra esses países e se fazem parte dessa coalisão, pois assim esses seriam traidores, merecendo sofrer retaliações severas.
É imprescindível, também, saber qual a quantidade de petróleo que está sendo produzida e exportada, como está sendo feito esse transporte, seria através de caminhões, navios petroleiros, oleodutos, carros?
Ao termos estas respostas, logo, aparecem outros questionamentos, como por exemplo, se esses meios estão sendo utilizados, eles passam pelas áreas sob restrição e controle dos aliados ou fora do território sob controle do ISIS? Se a resposta for negativa, precisamos saber por onde passam, mas se a resposta for positiva, estaremos indo no caminho para se descobrir quem, de fato, está apoiando e sendo beneficiado por este esquema.
Outro questionamento que carece de respostas convincentes é sabermos como é feito o pagamento pelo produto, por meio de quais instituições financeiras, quais as contas, quem são os titulares dessas contas, em que país ou países estão estabelecidas essas instituições, quem são as empresas envolvidas e que dão apoio
a este processo e também como chegam estas enormes quantias ao grupo, por qual canal?
De onde vêm as armas sofisticadas que o ISIS possui, seus uniformes, seus carros, quem fabrica essas armas e esses carros, quem costura esses uniformes? Todas essas perguntas precisam ser respondidas de forma convincente, para termos uma visão real de quem é esse grupo, qual é a finalidade de sua existência e criação, a quem ele atende, obedece e beneficia?
Sabemos que a maioria de suas vítimas são os próprios muçulmanos, basta verificar a alegação que a maior parte dos territórios que eles controlam é muçulmana, inclusive, quase todos os refugiados são também muçulmanos, portanto, a afirmação de que há uma grande perseguição aos cristãos e outras minorias religiosas não procede, então, esse conflito parece não ter um propósito religioso, como alguns meios de comunicação o justificam ou o apresentam, mas o que parece e fica evidente para os muçulmanos é que esses grupos recém- surgidos do nada têm a finalidade de justificar e legitimar a invasão dos países árabes por parte de países ocidentais, com o intuito de colonizá-los e saquear suas riquezas naturais, porém com uma roupagem mais moderna e civilizada, por meio de discursos que consigam o apoio da Opinião Pública, pois o discurso de que o Iraque teria armas químicas provou-se não ser verdadeiro.
É possível que se queira realizar a comparação destes grupos ao HEZBOLLAH, HAMAS, AMAL e FATAH, alegando serem iguais, porém, na realidade, são muito diferentes, iniciando pelo histórico conhecido de cada um desses últimos citados, sabe-se todas as informações sobre cada um, onde surgiram, como surgiram, para qual finalidade existem, quem eles combatem, onde estão localizados, quem são seus líderes, qual a sua estrutura, qual sua fonte de renda, independente se são reconhecidos ou não pelos governos ou países, porém, não se pode negar que o papel deles no cenário político, social e militar, na região em que se encontram é real, cada um deles tem apoio de parte da população local, como também não se declaram representantes dos muçulmanos ou do Islam, se declaram grupos islâmicos ou nacionalistas de resistência, inclusive, alguns deles, já participaram de eleições nos locais onde se encontram. Eles têm os seus inimigos bem definidos e o local e a forma de atuação, além de ser uma atuação contínua, enquanto o “ISIS” e “Al Qaeda”, por exemplo, não têm essa transparência e clareza, muito menos essa atuação contínua, basta verificar o surgimento repentino desses grupos assim como seu
desaparecimento, já que não se tem nenhuma informação concreta e real, somente especulações.
Uma questão que chamou a atenção dos muçulmanos do mundo todo e foi alvo de muitas críticas dos clérigos muçulmanos e muitas desconfianças é que o “ISIS” seria uma invenção usada como forma de atingir todos os muçulmanos, desconstruindo assim a identidade do grupo muçulmano e reforçando a ideia de associação e ligação ao terrorismo, perseguição aos cristãos e seguidores de outras religiões, como também reforçando a ideia preconceituosa de que os muçulmanos querem destruir o Ocidente. Foi o fato de esse grupo usar uma bandeira específica, de cor preta, com a escrita em árabe “Lá ilaha Illa Allah”(Não há divindade a não ser Deus) acima e, “Mohamad Rassulullah”(Mohamad é o mensageiro de Deus), dento do círculo branco, no meio da bandeira.
Figura 2 - Bandeira utilizada pelo ISIS
Fonte: Geo5 International2
A escolha desta bandeira gerou uma revolta muito grande entre todos os muçulmanos (ISTOÉ, 2016, on-line) e uma enorme desconfiança sobre quem estaria