Chapitre I. Sur les séries chronologiques linéaires
I.3 Prise en compte de la non stationnarité
I.3.2 La non stationnarité stochastique
esfera individual, entre as duas culturas, beneficiando, assim, a perceção da relatividade em termos linguísticos e culturais. A LP ainda é LM para muitos destes lusodescendentes. Eles compreendem-na muito bem mas a sua produção oral é limitada. De facto, quando falam em Português, oscilam entre a alternância e a mistura de códigos (Cabral, 1997) mais por desconhecimento paralinguístico do que linguístico. A maioria possui um capital linguístico pobre porque, apesar de a LP ser utilizada no seio familiar, alterna sistematicamente entre dois idiomas co-presentes (Mota, 1996) submetidos a adaptações próprias: uma língua mista com pouca performance a nível da pronúncia e presença de marcas fonéticas de Francês, formando uma melodia francesa que se sobrepõe à articulação das palavras em LP.
A competência bilingue dos lusodescendentes é uma competência pessoal e intransmissível porque depende da biografia linguística de cada um e das capacidades individuais; é dinâmica porque está exposta a novos contactos e passível de actualização e de reconfiguração de acordo com eles; heterogénea e compósita porque resultante da interação de diferentes componentes, eles também complexos, devido ao contacto das duas línguas; e desequilibrada, já que as diferentes dimensões que a compõem podem estar em diferentes estádios de desenvolvimento e ser "trabalhadas" preferencialmente em algumas situações. Esclarecendo, o sujeito tem diferentes motivações de aprendizagem em relação à LP, pode dominar de forma diversa as línguas que aprendeu ou pode ter desenvolvido capacidades de interação específicas numa ou noutra língua, por exemplo, dependendo de um conjunto de fatores intrínsecos ou extrínsecos.
Os pais recorrem ao ensino-aprendizagem da língua de origem em contexto associativo, o que demonstra uma vontade de (re)apropriação e conservação da língua e a valorização da expressão bilingue. Os pais e os alunos afirmam escolher o ensino associativo por pensarem que é a melhor forma de dar continuidade à sua origem, afirmando ser útil o domínio de dois códigos linguísticos e porque acreditam que a frequência na associação pode ajudar na construção da biculturalidade. Acrescentam, ainda, que este tipo de ensino é importante porque ajuda a manter a língua da família e, assim, a facilitar a integração em Portugal. Deseja-se transmitir uma língua utilitária, facilitar a flexibilidade linguística, comunicativa e cognitiva e, nesse sentido, facultar aos lusodescendentes instrumentos e meios que possibilitem o desenvolvimento harmonioso, a motivação, o desejo e o orgulho de aprender Português. Para esse efeito, protagoniza-se o desenvolvimento do repertório linguístico-comunicativo, indispensável para que a LP não se torne estranha nem distante.
O sistema de ensino associativo pretende também incrementar a biculturalidade, promovendo no aluno a consciência do seu sistema de valores e da sua identidade cultural, conduzindo-o assim à aquisição de uma maior segurança a nível da sua identidade cultural e social. Estes jovens que manuseiam duas línguas ou mais no seu quotidiano beneficiam de um ritmo de aprendizagem mais rico e, como tal, de uma experiência linguística e cultural suscetível de enriquecer o seu desenvolvimento dos pontos de vista cognitivo, social, cultural e pessoal.
Este ensino-aprendizagem nas associações valoriza a partilha de um contexto sociocultural que permite a estes jovens lusodescendentes a interação e a comunicação como também uma certa valorização da identidade cultural portuguesa extra muros. As associações também trabalham a motivação dos lusodescendentes para que estes não abandonem nem a língua, nem a cultura portuguesas. Pretendem ajudar na gestão da bi-culturalidade e na biescolaridade dos lusodescendentes, promover a consciência do seu próprio sistema de valores e a da sua relatividade, conduzi-los a uma terapia para gerir as dificuldades psicológicas, a nível da sua identidade social e cultural, diferente dos outros indivíduos que têm outra identidade sociocultural, apesar de pertencerem a uma realidade social global, situada no mesmo contexto geográfico, na mesma história, na mesma cultura, na mesma organização social e economia comum. O encontro do ego e do alter pode provocar um choque identitário. A associação interroga os seus alunos sobre a sua própria identidade e quer ajudá-los na sua própria construção visto a língua ser mais que um veículo de comunicação. Ela comporta em si toda uma carga cultural antiga que espalha a verdadeira cultura de um povo. Pretende ter um papel na formação da personalidade para dominarem, da melhor forma possível, as dificuldades a nível do desenvolvimento social.
O pressuposto, como se poderá concluir do que fomos afirmando, é o de que as associações são lugares privilegiados de observação dessas representações positivas em acção, assim como o trabalho discursivo que as evoca, forma e transforma.
As relações entre práticas langagières e processos de identificação dos jovens da região parisiense foram analisadas na dialéctica do Mesmo e do Outro com o principal intuito de problematizar a forma como os
64
lusodescendentes vivem as representações linguísticas de (des)valorização que o outro concebe e lhe reenvia.
Os dois pólos de referência identitária – o país de origem da família e a França – parecem atrair-se e repelir-se. Para além disso, da análise das referidas práticas langagières, sobressai um bricolage identitário e linguístico permanente, que se acomoda a uma vivência por vezes difícil de assumir.
No âmbito desta investigação mista (qualitativa e quantitativa) foi, assim, nossa intenção grosso modo evidenciar a produtividade da investigação sobre esta temática, no sentido de problematizar a consciencialização do ensino-aprendizagem da LP, em contexto associativo, em França.
Considerando a procura continuada de Portugal por imigrantes de Leste e a necessidade absoluta do domínio da LP por parte destes para uma integração na sociedade, e considerando ainda a pouca investigação existente relativamente ao ensino desta língua neste âmbito, estudos que tenham em conta essas preocupações sociais serão indubitavelmente imprescindíveis para a promoção dessa mesma integração.
Neste sentido elaboramos o projeto ―Educação em Português para falantes de Língua Russa: as expressões idiomáticas, entre línguas e culturas‖ que se insere na área do PLNM. Tem como finalidade refletir sobre o ensino das expressões idiomáticas, numa abordagem interlinguística, intercultural e reflexiva para russo-falantes adultos (estes adultos são aprendentes oriundos de Europa de Leste e Ásia Central que têm o Russo como LM ou língua oficial, em duas Associações do Centro do país.
Assim, este estudo, de natureza mista incidirá sobre o ensino das expressões idiomáticas, nas dimensões interlinguísticas, interculturais e reflexivas. Contará com a participação de dois grupos de aprendentes russo-falantes, de nível de proficiência B1 e/ou B2 (Utilizador Independente) (Conselho da Europa, 2001: 343-344).
Esta investigação, partindo, então, de um estudo comparativo e descritivo-interventivo e focalizando as expressões idiomáticas em Português e Russo e respetivos contextos culturais, pretende contribuir para o ensino da LP aos falantes de língua russa. Este estudo centra-se na apropriação do LP e do seu ensino/ aprendizagem em regime não formal (associativo) por adultos e jovens adultos falantes de Russo (a partir de 17 anos), tendo como objetivos: Promover a investigação em PLNM que facilite a integração de cidadãos/aprendentes russo-falantes. Construir conhecimento em Educação de Português para falantes de língua Russa.
Refletir sobre o ensino das expressões idiomáticas em LP a russo-falantes, adultos, em meio associativo:
o analisar e cruzar os comentários ―vulgares‖ (na perspetiva da Folk Linguistics) de portugueses sobre a língua russa e de russo-falantes sobre a LP, em geral, e, em particular, sobre a importância de uma abordagem interlinguística, intercultural e reflexiva, das expressões idiomáticas;
o rentabilizar didaticamente esses comentários ‗vulgares‘ (na senda de Niedzielski & Preston), pela implementação de um módulo de ensino e formação, com base nos pressupostos anteriores, para russo-falantes, em duas Associações;
o avaliar o impacto do módulo junto dos aprendentes das duas Associações; o traçar pistas para o ensino das expressões idiomáticas a falantes de língua russa.
Este projeto direciona-se, como já referido para o PLNM, que se torna uma ferramenta principal de comunicação e de integração para os imigrantes, neste caso, falantes de língua russa. No que diz respeito a aprendizagem, o facto de estes imigrantes serem falantes de mais do que uma língua tais como Russo/Ucraniano, Russo/Bielorusso, Russo/Cazaque etc., facilita novas aprendizagens linguísticas (Ançã, 2008).
“A língua é uma parte da cultura, mas se destaca do todo e com ele se conjuga dicotomicamente. A sua função é expressar a cultura para permitir a comunicação social” (Matoso Câmara, JR., 1964: 21).
Partindo do pressuposto de que ensinar uma língua não materna é mais do que ensinar as estruturas gramaticais dessa língua, é transmitir uma cultura, traços da mentalidade de um povo, o que este pensa, crê, e como se comporta em termos sociais e culturais (Ortiz Alvarez, 1998), o léxico desempenha um papel fulcral, dado ser o domínio linguístico que mais reflete a cultura de uma comunidade (Parreira da Silva, 2008). Desta maneira, a fraseologia, onde se ancoram as expressões idiomáticas, é considerada
65