Chapitre VI. Stationnarité ou multi-intégration ?
VI.3 Comportement en présence de multi-intégration
Thornton, 1998), inseriu-se numa linha de investigação descritiva em que pela quantificação e análise dos dados, recolhidos pela aplicação dos testes da prova-piloto, se pretendia caracterizar o desempenho dos participantes. Pode ainda ser caracterizado como um estudo comparativo e transversal, na medida em que se confrontaram os resultados dos sujeitos em função do nível etário/ano de escolaridade. Os testes foram aplicados aos alunos do ensino básico, a partir do 3.º ano de escolaridade. Esta escolha teve por base o pressuposto de que os alunos deste ano de escolaridade já apresentam algum domínio das competências de linguagem escrita, nomeadamente o «domínio das técnicas instrumentais de escrita», a
«capacidade de produzir pequenos textos com diferentes objectivos comunicativos» e o «domínio de técnicas básicas de organização textual» (Currículo Nacional do Ensino Básico, Competências Específicas - 3.º ano de
escolaridade). Selecionámos como amostra três grupos de alunos, pertencentes ao 3.º, 5.º e 8.º anos, representativos dos três ciclos do ensino básico. Os grupos de ano foram formados por alunos de duas turmas, selecionadas aleatoriamente, no sentido de minimizar a influência de fatores pedagógicos ou metodológicos e assim conseguir um grupo representativo desses níveis de escolaridade. Na amostra foram excluídas situações de alunos com perturbação do desenvolvimento106, alunos em situação de
retenção e alunos cuja língua materna não era o português. A amostra incluiu 90 participantes, três grupos com 30 alunos, de cada ano de escolaridade, com equilíbrio entre o número de elementos do sexo masculino e feminino. O estudo decorreu no ano letivo 2007/08, num agrupamento de escolas do ensino básico, em Almeirim.
Materiais
Para a elaboração da prova-piloto foram construídos três testes, de acordo com as competências de escrita a avaliar: Teste I – ortografia – composto por dois subtestes, o primeiro sob a forma de ditado de palavras e o segundo numa prova de escolha múltipla; Teste II – sintaxe – com um subteste de construção de frases relativas e um de construção de frases passivas; Teste III – textualização – prova de escrita de texto apelando à tipologia descritiva e argumentativa. Os testes foram aplicados a cada grupo em contexto de sala de aula.
Teste I: ortografia
O teste é composto por 45 itens, apresentados primeiro auditivamente e depois de forma visualizada. Os itens apresentados resultaram de um conjunto inicial, testado previamente, cuja seleção teve em conta: a regularidade (apresentando-se palavras cuja regra de formação é regular – um fonema/ um grafema, palavras com regras contextuais – em que a escolha dos grafemas é determinada pela posição do grafema antecedente e subsequente, palavras irregulares – a sua composição é arbitrária visto o fonema poder assumir múltiplas representações); a extensão (número de letras/sílabas que compõem a palavra); a frequência, quanto a este critério, tomámos como palavras frequentes/não frequentes as apresentadas no estudo de Sim-Sim & Viana (2007), incluídas nos testes de leitura indicados pelas autoras. Palavras infrequentes e longas estão associadas ao uso da via fonológica e palavras frequentes e curtas ao predomínio da via lexical.
Para a construção do subteste B tomou-se como hipóteses de escolha, para além da grafia correta, incorreções com base na tipologia de erros escolhida. Apresentavam-se hipóteses com alteração de letras ou sílabas: adição, omissão, inversão, substituição por letras com semelhança gráfica, por letras que se diferenciam na posição gráfica, por letras cujos fonemas se diferenciam apenas no traço surdo/sonoro, por caracteres possíveis noutros contextos mas nestes não e também por letras cujo som é semelhante mas devido à etimologia da palavra é incorreta a sua utilização.
O teste tinha por objetivos:
Caracterizar o comportamento ortográfico dos alunos individualmente e por ciclos, identificando a extensão e o tipo de erro.
Relacionar o tipo de erro à estratégia utilizada (fonológica/léxica). Verificar variações associadas ao tipo de tarefa (ditado, escolha múltipla).
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Teste II: sintaxe
A produção escrita de frases relativas, pelo completamento de frases, foi testada no subteste A, elaborado a partir dos exemplos de Costa, Lobo & Silva (2008), numa adaptação de Friedmann (2006). Foram apresentados dezasseis itens, distribuídos aleatoriamente, repartidos por oito frases relativas em que o pronome relativo desempenha a função sintática de sujeito, construídas com mudança de verbo ou com mudança de objeto. Foram igualmente apresentadas oito frases relativas em que o pronome relativo desempenha a função sintática de objeto, apresentando modificações no sujeito ou no verbo. Nos dois tipos de frases relativas foram apresentadas frases reversíveis e irreversíveis.
O subteste B apelava à construção de frases passivas com base na descrição de uma imagem, sobre a qual se havia feito uma afirmação e se induzia uma resposta relacionada. Dos quinze itens apresentados, dez eram frases alvo e cinco frases distratoras. As frases-alvo eram compostas por verbos transitivos, os que permitem a construção passiva e as frases distratoras por verbos intransitivos ou transitivos indiretos. Partindo do facto que mudanças semânticas influenciam os resultados na compreensão e produção de frases passivas, as frases apresentam argumentos com diferentes traços semânticos. Foi também tido em conta a reversibilidade das frases, possibilidade de o sujeito de uma frase poder assumir-se como objeto direto de outra, a plausibilidade e as características do verbo, nomeadamente o uso de verbos agentivos e não-agentivos.
O teste tinha por objetivos:
Testar a produção escrita de frases relativas, identificando dificuldades. Testar a produção escrita de frases passivas, identificando dificuldades.
Teste III: textualização
O último teste avalia a competência dos participantes na escrita autónoma de texto, tendo em conta um conjunto de instruções dadas. A escolha do tema para construção de um texto, comum aos três ciclos de escolaridade, teve por base a conciliação entre duas tipologias predominantes, apelando a uma sequência descritiva, que desde o 3.º ano de escolaridade é apontada como nível de desempenho de competência de escrita, «Utilizar a escrita para se apresentar a outros» (Currículo Nacional do Ensino Básico - 3.º ano de escolaridade), e a uma sequência argumentativa, um elemento mais elaborado, em que através da escrita se pretende convencer ou transformar o ponto de vista ou posição do leitor. O texto deveria conciliar a descrição, com base num referente bastante conhecido, o próprio escrevente, e a argumentação de uma posição que deveria ter em conta o convencimento do leitor.
O teste tinha por objetivos:
Caracterizar a competência textual dos alunos individualmente e por grupos. Identificar dificuldades específicas na construção textual.
Pretendia-se ainda comparar as variações ao longo dos ciclos, em termos de competência textual e relacionar o nível de desempenho neste teste com os resultados obtidos nos testes de ortografia e de sintaxe.
Resultados
A Análise dos resultados foi efetuada por grupo de participantes, por sujeito e por teste aplicado. A apresentação segue a ordem de aplicação.
Relativamente ao teste I, as pontuações por grupo são apresentadas no Quadro 1, estas permitem identificar um aumento significativo de pontos à medida que se avança na escolaridade, o que traduz uma evolução positiva no número de itens corretos e consequente diminuição do número de erros por ano. Essa evolução foi quase constante, se compararmos as médias entre os anos, a diferença entre o 3.º e o 5.º ano é de 4,67 pontos e a diferença entre o 5.º e o 8.º ano é de 4,90, originando uma diferença também semelhante na percentagem de itens corretos. A análise entre os dois subtestes permitiu verificar que os alunos obtiveram melhores resultados no subteste B, sendo-lhes mais fácil identificar a grafia correta de
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