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NATIONAL CONTRIBUTIONS

PRIMARY CIRCUIT CHEMISTRY OF PRESSURE VESSEL PHWRs

4. SPECIFICATIONS 1. Considerations

Entre os dias 08 e 10/11/90, a publicação de notícias sobre a epidemia atinge o pico da curva da cobertura jornalística, quando os jornais mostram o crescimento do número de casos de leucopenia, suspeitos de benzenismo e as conseqüências sociais para os trabalhadores (CB, 09/11/90; CB, 10/11/90; JB, 10/11/90; TB, 10/11/90).

O jornal AT destaca o caso de uma encarregada do serviço médico da Nitrocarbono, com leucopenia, além de outros casos de leucemia e óbitos, e a denúncia de demissão de trabalhadores doentes. Publica também a denúncia do Sinditêxtil, ressaltando o comportamento irregular da empresa COBAFI, que não havia notificado à Previdência Social os casos de doenças dos quais tinha conhecimento.

Os acontecimentos repercutem na Câmara de Vereadores de Salvador que, informada pelo Sindiquímica, discute o tema em sessão especial (TB, 08/11/90). A essa mobilização, o governo reage formulando plano de ação e propondo mudanças na legislação (TB, 08/11/90), enquanto as empresas apontam investimentos no controle ambiental do Polo.

A repercussão alcança o município de Feira de Santana, quando a TB dá cobertura à denúncia do sindicato dos metalúrgicos, mostrando que os casos não se limitam à Nitrocarbono, mas também atinge empresas do referido município e a empresa COBAFI no Polo, em que 80 trabalhadores foram demitidos, sendo que trinta e nove encontravam-se doentes (TB, 09/11/90). O destaque para a morte, nessa empresa, de dois trabalhadores: um engenheiro, devido a leucemia, e um operador, devido a leucemia crônica, mostra que o problema não atinge somente operários de baixa qualificação, mas também os especializados. O jornal ressalta que o benzeno é utilizado na empresa até mesmo em exercícios de brigadas (equipes de operários treinados periodicamente para enfrentar situações de emergência nas indústrias petroquímicas), segundo a denúncia do Sinditêxtil. O jornal TB expande, assim, sua cobertura da epidemia, para além do COPEC, dando lugar a fala de trabalhadores de outro município e afirmando a gravidade do problema (Idem).

Sobre o mesmo tema, o CB destaca a importância econômica da COBAFI, que ocupa então o terceiro lugar em mão de obra empregada (CB, 09/11/90) e, em três matérias, na mesma edição, destaca os investimentos do Polo para recuperar o atraso no controle ambiental.

No dia seguinte, os três jornais noticiam a expansão da epidemia no Polo e dois deles trazem o pronunciamento da COBAFI à opinião pública, em matéria paga. Ao lado disso, o JB (10/11/90) faz uma matéria em que dá destaque ao número de trabalhadores que seriam submetidos a exames e poderiam estar contaminados. Nessa mesma página, publica a notícia “Mutreta da Cobafi encoberta pela DRT”, em que informa que o Sinditêxtil acusa a DRT de “omissão” na apuração das irregularidades cometidas pela empresa contra seus funcionários, no Polo Petroquímico. A notícia contabiliza três mortes por leucemia e 39 portadores de doenças ocupacionais, entre os 80 demitidos no ano anterior. Em nota no pé da página, publica uma matéria paga em que a empresa se defende, considerando as denúncias do Sinditêxtil uma “mera tentativa de aproveitar a

repercussão da notícia sobre possível contaminação em outras indústrias de Camaçari, para colocar a diretoria do sindicato no noticiário dos jornais” (Idem), para fins de

capitalização política. A empresa informa que as ocorrências referidas pelo sindicato eram antigas e já haviam sido devidamente tratadas, esclarecendo que não utiliza o benzeno em seu processo produtivo.

Sobre esse assunto, segundo o jornal TB (10/11/90), o sindicato desdobra um “rosário de

denúncias” contra a COBAFI e expõe a situação da viúva de um operário que morreu de

câncer de medula óssea, deixando-a sobrevivendo com parcos recursos. Ao tomar conhecimento de que a doença poderia ter sido causada por produtos químicos que ele manipulava, a viúva tenta obter indenização da referida empresa.

Além da COBAFI, esse jornal dá visibilidade ao surgimento de casos de doenças ocupacionais nas empresas Caraíba Metais, CETREL e CEMAN, que são também arroladas como geradoras desse tipo de doença. A TB publica uma matéria em que informa sobre dois casos de leucopenia, sendo um na Caraíba Metais e o outro na CEMAN, além de 20% contaminados entre os 300 operários da CETREL. A estimativa do Sindicato dos Metalúrgicos é então de mais de 100 casos na CEMAN, a qual acabara de demitir 50 operários todos com doença ocupacional (TB ,10/11/90).

Nessa matéria da TB, denuncia-se que a Caraíba Metais demitiu 63 trabalhadores e, na CETREL, 20% dos 300 funcionários foram afastados por portarem leucopenia “decorrente da exposição ao coquetel de substâncias tóxicas das empresas" (Idem). Informa também que a FUNDACENTRO identificou 32 trabalhadores afetados, com leucopenia, dos quais 12 foram afastados imediatamente.

A situação da Caraíba Metais é também focalizada pelo CB, explicando que um operário já havia ingressado na empresa com leucopenia e que não tivera contato com o benzeno. No entanto, o referido trabalhador nega essa versão, alegando que no exame admissional não foi informado da sua condição de leucopênico. O jornal informa da tensão crescente entre os 560 funcionários da Nitrocarbono, em que ainda não estava concluída a série de visitas da inspeção da SESAB, CRA e Sindiquímica. Informa que este último se preocupa com a onda de pânico e discriminação que os trabalhadores dessa indústria estavam sofrendo, junto a suas famílias, "apenas pelo fato de trabalharem na empresa”. Tal tendência à discriminação sofrida por esses funcionários é confirmada por um engenheiro do CRA.

Reafirma-se, então, o propósito do sindicato de prosseguir as investigações assegurando o sigilo em torno do nome das pessoas contaminadas. Segundo uma dirigente sindical do Sindiquímica, “sempre houve caso de intoxicação e até morte no Polo por contato com

produtos químicos, só que agora está mais fácil identificar” (TB,10/11/90).

Sobre a ação governamental, o Sindiquímica afirma, na voz da referida sindicalista, que não tem interesse na interdição, tampouco na manutenção de empresa aberta. Quer apenas a solução do problema. A sindicalista alerta para o medo da doença que se amplia no Polo, na medida em que os ônibus evitavam parar na frente da fábrica, temendo a contaminação, o que também conduz à estigmatização dos trabalhadores da empresa Nitrocarbono.

Ainda nesse mesmo dia (10/11/90), o jornal TB cobre a reação da SESAB, que anuncia o início do Programa Integrado de Saúde Ambiental e do Trabalhador (PRISAT), o qual avaliaria a situação em 10 empresas, incluindo as empreiteiras que lhes prestavam serviços, iniciando esse trabalho naquelas que trabalhavam com solventes orgânicos como benzeno, tolueno, ZTB e ZTO. Dentre estas encontravam-se a COPENE, Ciquine, Nitroclor, Estireno, Pronor, CETREL, CEMAN, Polibrasil e Nitrocarbono, sendo que, nesta última, os exames já haviam sido iniciados.

No final da notícia, a TB informa que a interdição da Nitrocarbono ainda não tinha acontecido e que "uma equipe tentará convencer a empresa a definir como a unidade do

benzeno poderá ser parada" (TB, 10/11/90).

Esse jornal vai em busca da DRT, que promete apurar as denúncias do Sinditêxtil (TB, 10/11/90), o qual critica o referido órgão do governo federal e o CRA por não tomarem providências frente à notificação de casos de doenças ocupacionais. Sobre isso, a DRT se defende, afirmando que realiza fiscalização rotineira no Polo. Evidenciam-se então no jornal TB, não só os conflitos dos trabalhadores com as empresas, como também aqueles com o governo.

Sobre o crescimento dos casos abordados pelos jornais anteriormente citados, o jornal AT silencia. Não noticia as denúncias sobre esses casos, mas se posiciona, levantando suspeita contra as mesmas, voltando a apresentar sua opinião, na nota “Campanha suspeita”, onde salienta os estragos no ambiente deixados pela Alemanha Oriental após a queda do Muro de Berlim. Contudo, considera pertinente a pressão social para sanear centros industriais brasileiros, mas, novamente, ressalta a existência de "interesses não

muito ocultos, a exemplo dos concorrentes de outras regiões que não admitem que o Nordeste se industrialize e se modernize" (AT, 10/11/90).

No dia seguinte, esse jornal destaca que a situação do Pólo repercute no município de Camaçari, o qual reclama da poluição (AT, 11/11/90), deslocando a questão ocupacional para a ambiental. A reação da sociedade e a busca de novos casos e outros eventos permanecem alvos constantes dos demais jornais que mantêm o assunto nas suas páginas. Assim, o JB traz a público a existência de um caso de câncer na empresa Pinturas Ypiranga (12/11/90), denunciando que o atestado de óbito o relacionou com o fumo e não com o trabalho, informando ainda sobre a continuidade das inspeções do Ministério do Trabalho na Nitrocarbono.

Os casos que surgem são apresentados ao público na TB em notícias ricas em informações adicionais que configuram a situação dramática dos trabalhadores. Nesse mesmo dia (12/11/90), esse jornal destaca a mudança de postura dos trabalhadores que passam a procurar o Sindiquímica para elucidar problemas de doenças ocupacionais e fala dos casos identificados na COBAFI, a qual admitiu ao trabalho um operário, sem lhe informar que já era portador de leucopenia. Relata também o caso de um operário da

Caraíba Metais, que atendido pelo médico do trabalho da empresa ficou desconfiado de uma carta encaminhada por este ao médico do INPS. Ao lê-la, o operário descobre a tentativa do primeiro de retirar a responsabilidade da empresa sobre sua doença (TB, 12/11/90).

Além do surgimento de novas denúncias, o número de notícias é elevado ao pico em função da decisão do governo sobre a Nitrocabono. A DRT, que já se posicionara de modo favorável à interdição, aguardava a decisão do governo federal. Este, contudo, adiara tal resolução, aguardando os resultados da avaliação do estado de saúde dos trabalhadores, em curso no CESAT.

Nesse momento, os jornais dão visibilidade às empresas que anunciavam planos de melhoria do ambiente de trabalho, enquanto os sindicatos pressionavam, mantendo nos jornais as denúncias de casos de doenças ocupacionais.

Dois dias depois (14/11/90), os jornais noticiam, em consonância, que governo e empresa entram em acordo, o qual consiste na antecipação da parada de manutenção da empresa que, em troca, não sofreria intervenção e não realizaria demissões. Em torno desse acordo, outros compromissos são estabelecidos e viram notícia, tais como o plano de ação da SVS/SESAB e do CESAT, para avaliação e controle da exposição ocupacional e das condições de higiene industrial e do meio ambiente em 10 empresas do Polo, e os ajustes necessários para que o Hemocentro da Bahia - HEMOBA realizasse os exames. Desse acordo, a Nitrocarbono antecipa a parada de manutenção, enquanto a COPENE adere à prevenção e a Secretaria de Saúde entra com o apoio técnico. Esses fatos são então noticiados nos diferentes jornais. O jornal AT informa, através do chefe da Coordenação de Segurança e Saúde do Trabalho do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), sobre um protocolo de intenção solicitado e que seria assinado pelo Ministro do Trabalho (AT, 14/11/90). O CB dá cobertura à reunião da comissão e avalia que esta "(...)

acha melhor antecipar a manutenção da empresa em vez de fechar a unidade de benzeno” (CB, 14/11/90). No JB, esse mesmo assunto é tratado de modo diferente,

quando a matéria informa que um documento elaborado por órgãos federais e estaduais decidiu pela paralisação da empresa Nitrocarbono. O documento seria entregue em Brasília aos ministérios do Trabalho e da Saúde e às secretarias do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia, pelo secretário estadual de Saúde (JB, 14/11/90). A TB informa

que a “Empresa não será interditada”. Ocupando 3/4 da página em destaque central, com foto legendada do Pólo a matéria, composta por sete subtítulos (TB, 14/11/90). destaca que “O perigo de contaminação mudou a rotina do Pólo Petroquímico” e que

“Com alguns ajustes, o laboratório do Hemoba pode realizar os exames nos suspeitos de contaminação” (Idem).

Após esse episódio, o número de notícias sobre o assunto volta a cair, expressando o silêncio dos jornais em torno dos movimentos rotineiros e persistentes que a situação requer para o tratamento do problema.