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RESEARCH WORK ON COOLANT TECHNOLOGY IN CHINA
Adotamos para esta investigação alguns conceitos do referencial teórico metodológico da AI da corrente socioanalítica, tais como, instituinte, instituição e processo de institucionalização. A AI incorpora o Movimento Institucionalista, que compõe diversas tendências e escolas “As diferentes escolas do Movimento Instituinte se propõem a propiciar, apoiar e deflagrar nas comunidades nos coletivos e conjuntos de pessoas processos de autoanálise e de autogestão” (BAREMBLITT, 2002, p.14).
Lourau (2014) apoiado pela lógica dialética de Hegel define instituinte no sentido de negar o instituído.
“instituído” colocaremos não só a ordem estabelecida, os valores, modos de representação e de organização considerados normais, como igualmente os procedimentos habituais de previsão (econômica, social e política) (LOURAU, 2004, p. 22).
Neste sentido, consideramos os movimentos sociais que deflagraram a reforma sanitária como um movimento instituinte contra a ordem do sistema de saúde vigente. A conquista dos espaços legitimados é o instituído e este processo é denominando de institucionalização, processo este, em constante movimento.
Na AI, a instituição é compreendida como:
sistema lógico de definições de uma realidade social e de comportamentos humanos aos quais classifica e divide, atribuindo- lhes valores e decisões, algumas prescritas (indicadas), outras proscritas (proibidas), outras apenas permitidas e algumas, ainda, indiferentes. Essas lógicas podem estar formalizadas em leis, em normas escritas ou discursivamente transmitidas, ou podem ainda operar como costumes, quer dizer, como hábitos não explicitados. As citadas lógicas se concretizam ou se realizam socialmente em formas materiais ou "corporificadas" que, segundo sua amplitude, podem ser: organizações, estabelecimentos, agentes, usuários e práticas (BAREMBLITT, 2002, p.78).
Os processos auto-analíticos e autogestivos dos coletivos sociais são objetivos do Institucionalismo. A autoanálise propõe que um coletivo heterogêneo seja protagonista na identificação de suas próprias necessidades e demandas, reavaliando sua organização, com base na auto-organização (BAREMBLITT, 2002).
A autogestão refere-se ao movimento do coletivo de gerir sua própria instituição, visa à especialização de tarefas para os membros de um determinado colegiado, não no sentido de hierarquia, mas com o intuito de delegar papéis para a organização do coletivo. Propõe uma capacidade de autocrítica aos coletivos e deste modo um maior sentido de auto-organização dos processos e relações entre os componentes do coletivo. A valorização do saber espontâneo interno, com a possibilidade de abertura crítica a incorporação de outros saberes, outros arranjos e conformações das práticas (BAREMBLITT, 2002).
Para Lourau (2004), a palavra estabelecimento é também uma instituição assim como uma lei é formalizada. Os CLS como instituições, possuem um propósito, poderiam utilizar a autogestão e autoanálise como instrumentos para produzir dispositivos de modo a construir seu produto final, no qual visa atender as necessidades da população de sua área de abrangência.
As instituições podem produzir o oposto do propósito para o qual foram criadas como, por exemplo, as unidades que atendem indivíduos acometidos por transtornos mentais, podem não favorecer a terapêutica, fabricam ao mesmo tempo seus agentes do processo, suas normas e técnicas, tais como usuários e trabalhadores (FORTUNA et al, 2014). Nesta perspectiva, tal fato pode ocorrer com os CLS, há a possibilidade de esta organização produzir o oposto, ou seja, ao invés de participação democrática para um planejamento conjunto das ações de saúde, ações burocráticas e hierárquicas, conservando a distância entre usuários e trabalhadores de saúde.
A AI propõe questionar “o lugar dos pesquisadores como especialistas capazes de decifrar uma realidade e manter uma neutralidade quanto ao campo e o objeto de estudos” (FORTUNA et al 2014, p.257).
Segundo L’Abbate (2012), a AI possui o objetivo de “compreender uma determinada realidade social e organizacional, a partir dos discursos e práticas dos sujeitos”. A participação do sujeito tem um significado importante para identificação do contexto social e das organizações. A autora reintegra que é um método “constituído de um conjunto articulado de conceitos”, sendo eles: “a transversalidade, analisador e implicação” (L’ABBATE, 2012, p.198). Deste modo, compreende-se a participação nas reuniões e realizar entrevistas individuais, reflexões e anotações do diário de pesquisa, podem trazer elementos para ajudar a compreender o funcionamento dos CLS.
Os analisadores são acontecimentos que desencadeiam uma discussão intensa sobre situações vivenciadas em um determinado grupo e por meio desses analisadores as instituições “invisíveis” são anunciadas propiciando a análise (LOURAU, 1993). Este é o caso da pesquisa-intervenção; a intenção desta dissertação é apontar possíveis analisadores existentes na instituição no intuito de contribuir com a literatura científica e para o fortalecimento do CLS.
O analisador é “aquilo que permite revelar a estrutura da organização, provocá- la, forçá-la a falar” (LOURAU, 2014, p. 303) com a potencialidade de se autoanalisar (BAREMBLITT, 2002) este processo de autoanálise é realizado pelo grupo.
(...) não é necessariamente um discurso, mas pode ser um monumento, a forma como está elaborada a planta arquitetônica da organização, mas pode ser uma característica dos modos de relação que não está formalizada nem anunciada em parte alguma, ou seja, pode ser um costume e não uma norma, nem uma lei; pode ser um arquivo, isto é, a maneira como está organizada a memória de uma organização; pode ser uma distribuição do tempo ou do espaço na organização. E é claro que podem ser também formas escritas ou faladas do discurso organizacional. Por exemplo, os estatutos, os regulamentos (BAREMBLITT, 2002, p. 63).
Para Monceau (2008), implicação é “a relação que indivíduos desenvolvem com a instituição”; a análise da implicação visa compreender esta relação, sendo um trabalho coletivo, pois os indivíduos se relacionam numa determinada instituição gerando diversas implicações em todo processo (MONCEAU, 2008, p.21).