Chapitre III: REVUE DE LA LITTERATURE
IV. l.l Collecte de données et zones d'enquête
IV.4 Sources, types de données et limites de l'étude
Oliver Twist foi, originalmente, publicado em uma revista
Londrina, em forma de folhetim, mês a mês, entre fevereiro de 1837 e março de 1839, assinado por “Boz”. Nessa época, sua outra obra
Pickwick Papers (com publicação concluída em outubro de 1837),
estava em seu esplendor e continuou sendo publicada, paralelamente a
Oliver Twist, durante nove meses. Na época da conclusão de Oliver Twist, Dickens já estava na metade de sua terceira novela, Nicholas Nickleby.
Enquanto Pickwick Papers foi uma espécie de obra aventureira e picaresca, Oliver Twist atingiu a auge da formalidade e seriedade:
inicia-se com um nascimento e uma morte, uma mulher solteira e uma criança órfã. A sátira esteve presente desde o início nessa obra, expondo, sabia e conscientemente, o submundo do regime dos asilos, a maneira como os mais inocentes eram tratados expondo, inteligentemente, o sistema desumano da época. O pequeno Oliver foi um órfão traumatizado, sozinho, faminto, maltratado, que sofreu bullying, foi raptado e apresentado a um mundo desonesto e traiçoeiro.
A obra é uma prosa política e verdadeiramente denunciativa do regime Elisabetano, inclusive. Na obra, fica claro que os trabalhadores e suas famílias recebiam baixos salários pelos serviços prestados, fato esse que levou à criação de asilos para ajudar no sustento daqueles que não tinham condições de se manterem com seu próprio trabalho: órfãos, mulheres abandonadas, doentes, incapacitados, loucos, enfermos e anciãos.
O livro é dividido em cinquenta e três capítulos. Um deles, o cinquenta e um, foi escrito em 1838, época em que Dickens seguia uma vida de sucesso, tinha esposa e família, vivia numa casa grande alugada, na rua Doughty, número 48. É o capítulo mais importante para a conclusão da obra, por ser aquele em que todos os momentos de tensão da obra são liberados e é também, graças a esse capítulo que todas as arestas se encontram e definem o fim da narrativa. É o retorno de Oliver, agora adolescente, a sua infância em situação completamente diferente: agora ele é amado, feliz, sente-se seguro e tem um futuro promissor, como podemos ver nesse trecho da obra, abaixo destacado:
Foi difícil controlar a agitação do pequeno quando o carro entrou a contornar as ruas estreitas da cidade. A casa do agente funerário era apenas um pouco menor do que imaginava a sua lembrança; as bem conhecidas lojas, das quais tinha ele recordações de um pequeno incidente, não tinham mudado; a carroça de Gamfield estava parada à frente do mesmo estabelecimento; viu o asilo que o prendera nos dias de infância; assustou-se ao enxergar o porteiro, depois chorou e riu outra vez; tudo estava do mesmo jeito que quando ele partira, como se os acontecimentos recentes de sua vida não passassem de um sonho. (DICKENS, 2002, p.457).
Nesse momento, Oliver, longe de todo mal que ele havia enfrentado em sua infância, seguro e amado, ele percebe que pode ajudar outras pessoas que ainda se encontram nas dependências do sistema de moradia nos asilos. É, portanto, nesse exato minuto, que Oliver lembra de seu amigo Ricardo e deseja vê-lo a qualquer custo: “Oh! Ricardo, se eu pudesse rever, meu querido amigo!” (Dickens, 2002, p. 456).
A decisão de Dickens em escrever Oliver Twist, na época em que desfrutava do sucesso dos escritos de Pickwick Papers, foi, talvez, a nosso ver, a maneira mais próxima de ajudar seu amigo mendigo, Ricardo.
Outro tema muito recorrente na obra é a exploração, a predação. Há uma cadeia de acontecimentos que ilustra, de forma brilhante, esse fato e no final dessa cadeia, encontra-se o indefensável órfão: faminto, sofrido, usado como mão de obra barata, tido sua identidade roubada, em perigo a todo momento, mas no final, salvo pelo dinheiro, gentileza e pelo poder da bondade. É uma estória sombria com um final otimista, longe de ser um final feliz. A suposta felicidade em família, retratada em seu último capítulo, cinquenta e três, está recheada de perdas irreparáveis: a da mãe do pequeno Oliver e de seu amigo Ricardo; a certeza do ódio que existe no mundo, não somente entre criminosos, mas principalmente na crueldade do sistema de asilo que é aplicada aos seres humanos que se encontram às margens da pobreza e vicissitudes da vida. Podemos assim dizer que, se trata de uma parábola política, um conto de fadas moderno. À época, ninguém no poder, alguns leitores comuns preocupados com a vida e o futuro de uma criança explorada, em todos os aspectos: foi somente através dessa obra de memória, com traços ficcionais, que Charles Dickens pode convidar seus leitores a lutar contra essa sociedade que maltrata seu povo. O drama vivido nos asilos era de extremo poder, pois lidava com assuntos da modernidade: criminalidade, castigo, punição, fome, exploração e pedidos de socorro por mais justiça e bondade. Quando a rainha Victoria recomendou que o Primeiro Ministro, Lord Melbourne,
fizesse uma leitura da obra, ele logo desistiu da leitura, classificando-a como de tom “desagradável”.
É evidente o poder que essa obra exerce até os dias atuais. Podemos encontrá-la em livros, filmes, adaptações para TV e filmes, onde Oliver, Sikes, Fagin, Nancy e Dodger são quase representações da perfeição. A representação dos asilos, em Oliver Twist, no século XIX, pode até ter sido ficcional, mas seus efeitos permaneceram vivos no Século XX.
As reformas nos asilos começaram a acontecer, lentamente, na segunda metade do Século XIX, mas Dickens ainda presenciou algumas mudanças pouco antes de sua morte, em 1870.
4.2. OS TRABALHADORES POBRES DA INGLATERRA URBANA