2.4 Le parallélisme implicite
2.4.4 Solutions à patrons
Como foi referido anteriormente, pretende-se então desenvolver uma categorização dos exercícios de treino tendo por base a sua tomada de decisão e a dependência contextual.
Desta forma, o objetivo passa por classificar o nível de estímulo ou grau de desenvolvimento da tomada de decisão que o exercício possa estimular no jogador.
considera dois tipos distintos de constrangimentos: os de primeira ordem que definem as ‘condições iniciais’ que moldam a paisagem percetivo-motora onde irá ocorrer o desempenho dos jogadores. Os constrangimentos de segunda ordem, por seu turno, correspondem às relações de interdependência que se criam entre os agentes (ou jogadores) em ação. Passos (2009) afirma que as ações dos jogadores numa interação local passam a ser sistematicamente inter-relacionadas e onde a evolução do sistema ocorre sem influência direta de um agente externo. O autor considera ainda que esta dependência contextual leva à emergência de novas tendências de comportamento.
Correia et al. (2012), que consideram que a aproximação aos defesas ou ao objetivo podiam oferecer novas fontes de informação e consequentemente o desbloquear de novas possibilidades de ação.
Desta forma, Passos (2009) define o conceito de ‘Criticalidade Auto-Organizada’, como uma justificação para a tomada de decisão emergente nas dinâmicas dos sistemas complexos de interações interpessoais tendo em consideração que o estado crítico é moldado consoante os constrangimentos impostos pela dinâmica da interação local e o potencial da interação.
Assim, e à semelhança do que se pretende com a tomada de decisão, pretende-se qualificar os exercícios de treino relativamente à forma que estes permitam que os jogadores se relacionem com contexto e com as suas invariantes informacionais.
Concretizando, então, como se pretende categorizar os exercícios, serão definidos quatro níveis de tomada de decisão e quatro níveis de dependência contextual.
No que diz respeito à tomada de decisão, os quatro níveis são:
Nível 1 – Exercícios com Decisão pré-definida, ou seja, o jogador não terá de tomar nenhuma decisão no exercício uma vez que tem apenas uma possibilidade de ação previamente conhecida.
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Figura 33 – Exemplo de exercício que se enquadra no nível 1 de tomada de decisão
Nível 2 – Exercícios com Decisão pré-definida com múltiplas opções, onde o jogador tem um conjunto de possibilidades de ação pré-definidas e tem obrigatoriamente de optar por uma delas.
Figura 34 – Exemplo de exercício que se enquadra no nível 2 de tomada de decisão
Nível 3 – Exercícios com Decisão convergente ou condicionada, em que o jogador tem um leque alargado de possibilidades de ação não definidas à priori, mas que, por ação dos constrangimentos do exercício, reduz o espetro de probabilidade das decisões emergentes, sem as estereotipar à partida.
Descrição: 4x0+GR
Ao apito do treinador, representado a azul, um jogador de cada fila efetua o percurso indicado na figura. O primeiro jogador a chegar à bola, decide para que lado passa a bola. O jogador que recebe o passe pode optar pelo cruzamento rasteiro, a meia altura ou alto. Os jogadores do corredor central e lateral do lado contrário, movimentam-se para finalizar.
Descrição: GR+8x0
Saída de Pontapé de Baliza
O Guarda-Redes repõe a bola em jogo para um dos centrais, que por sua vez passa para o defesa lateral. O médio defensivo aproxima-se para receber, e varia o flanco de jogo com um passe para o defesa lateral do lado contrário. Ao receber a bola, o extremo efetua um movimento de aproximação para atrair o defesa adversário enquanto o avançado se desmarca para o corredor lateral para receber nas suas costas.
Figura 35 – Exemplo de exercício que se enquadra no nível 3 de tomada de decisão
Nível 4 – Exercícios com Decisão livre ou não condicionada, onde é o jogador que decide sobre as possibilidades de ação em contextos de incerteza semelhantes ao jogo formal.
Figura 36 – Exemplo de exercício que se enquadra no nível 4 de tomada de decisão
Relativamente à dependência contextual, os quatro níveis de caraterização dos exercícios são:
Nível 1 – Exercícios sem Oposição e sem Direcionalidade, onde os jogadores não têm quaisquer referências informacionais relativamente aos adversários e aos eixos estruturantes do movimento dos jogadores e da bola.
Descrição: Gr+7+2x7+Gr
Jogo reduzido em meio campo, com dois apoios nos corredores laterais. Além destes, apenas um jogador de cada equipa pode entrar nestes mesmos corredores.
Sempre que uma equipa marcar golo através de um cruzamento proveniente de um dos corredores laterais, esse golo valerá por 2.
Descrição: Gr+8x8+Gr
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Figura 37 – Exemplo de exercício que se enquadra no nível 1 de dependência contextual
Nível 2 – Exercícios sem Oposição e com Direcionalidade, onde os jogadores têm como principal referência informacional a localização dos alvos a atacar e a defender que especifica os eixos estruturantes do movimento dos jogadores e da bola.
Figura 38 – Exemplo de exercício que se enquadra no nível 2 de dependência contextual
Nível 3 – Exercícios com Oposição e sem Direcionalidade, onde os jogadores têm como referências informacionais o posicionamento dos adversários, embora não haja referência sobre os eixos estruturantes do movimento dos jogadores e da bola, por ausência de alvos.
Passe Desmarcação
Descrição:
Os jogadores com bola realizam um passe tenso para o colega que se encontra à frente. Deslocam-se de seguida, em passo de corrida, para o final das filas para as quais efectuaram o passe.
Variantes:
Alternância nas superficies de contato no passe e recepção, limitar o número de toques na bola, utilização de combinações diretas.
Descrição: 3x0+GR
O jogador do corredor central realiza um passe para um dos seus dois colegas e efectua um overlap até à linha de fundo. Os restantes colegas concluem a combinação indireta e movimentam-se até à área para finalizar após o cruzamento.
Figura 39 – Exemplo de exercício que se enquadra no nível 3 de dependência contextual
Nível 4 – Exercícios com Oposição e com Direcionalidade, onde os jogadores têm como referências informacionais o posicionamento dos adversários e a localização dos alvos a atacar e a defender que especifica os eixos estruturantes do movimento dos jogadores e da bola.
Figura 40 – Exemplos de exercícios que se enquadram no nível 4 de dependência contextual Para melhor conseguir caraterizar os efeitos dos exercícios, será atribuído um valor simbólico a cada nível. Assim, os níveis 1, 2, 3 e 4 serão representados pelos valores simbólicos: 0,25; 0,5; 0,75 e 1.
Desta forma, se se pretender considerar cada conceito como um eixo cartesiano, os exercícios poderiam ser representados da seguinte forma:
Figura 41 – Representação do enquadramento dos exercícios num eixo cartesiano
Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4
0,25 0,5 0,75 1
Tomada Decisão
Dependência Contextual
Descrição: 5+1x5
Dentro da área limitada pelas marcas vermelhas, a equipa que estiver em posse da bola deverá procurar mantê- la durante o máximo tempo possível. Variantes:
Limitar número de toques por jogador, limitar o drible, estipular objetivo de número de passes consecutivos
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Apesar da tomada de decisão por parte dos jogadores e a dependência contextual serem conceitos diferentes, estes encontram-se inter-relacionados. Por exemplo, consoante o contexto do exercício em que o jogador se encontra, este pode ser ou não estimulado para percecionar e atuar sobre as possibilidades de ação (affordances), promovendo comportamentos decisionais exploratórios durante a prática.
Uma vez que a literatura técnica e científica tem atribuído tanta atenção a estes dois conceitos e à sua hipotética importância no desenvolvimento dos jogadores a longo prazo, pretende-se criar uma taxonomia que inter-relacione estes dois eixos e permita um entendimento mais aprofundado do estímulo dado aos processos percetivo-motores e decisionais durante o treino.
Desta forma, e através dos valores definidos para cada um dos níveis, procura-se calcular o potencial de desenvolvimento percetivo-motor de cada exercício.
Figura 42 – Representação da relação entre a tomada de decisão e a dependência contextual e respetivo cálculo do potencial de desenvolvimento percetivo-motor dos exercícios