6. Un Bibliobus dans le Val de Bagnes
6.4 Solution 1
Em 26 de julho de 1953, em um acordo com os Estados Unidos da América, o Brasil criou um programa de desenvolvimento para a agricultura e os recursos naturais brasileiros. Esse acordo originou o Escritório Técnico de Agricultura – ETA.
Com a criação do ETA vários convênios firmados entre os departamentos do Ministério da Agricultura tiveram início com ações educativas junto aos agricultores e executado pelos Serviços de Extensão e por diversas instituições educativas com a finalidade organizar a promoção humana no meio rural. O ETA participou desse trabalho por meio de assistência técnica e financeira, com trabalhos de assessores e técnicos americanos e brasileiros sediados no ETA do Rio de Janeiro. Estes técnicos assistiam e orientavam as atividades de treinamento de pessoal, de planejamento e execução de programas de trabalho41.
Elza Cânfora (1961, p. 84-88) relata que desde a data de sua criação - junho de
41Os programas implantados pelo ETA, a exemplo de outras propostas do governo também não se mostraram suficientes para produzir as mudanças sociais necessárias para o "desenvolvimento". Isso ocorreu porque os técnicos responsáveis não consideraram a inexistência de pessoas habilitadas para atuarem nas diferentes regiões brasileiras e suas tipicidades. Outra dificuldade era a necessidade de aprovação de leis agrícolas para acabar com a concentração da propriedade da terra. A resistência de grupos agrícolas a qualquer mudança na propriedade da terra tem sido constante até os dias hoje.
1953 até 1956 o ETA exerceu as funções de coordenação das atividades relacionadas à Economia Doméstica. Na Assistência aos Serviços de Extensão, o ETA visava a formação de novos técnicos e melhorar o padrão de qualificação dos técnicos existentes. Para isso, contribuía financeiramente para a manutenção e melhorias dos Centros de Treinamento, desde sua criação. Os técnicos do ETA colaboravam com todos os cursos realizados, bem como com os treinamentos organizados e executados pelos vários serviços de extensão no país, com a finalidade de melhor preparar técnicos de campo para a atuação desejada.
O ETA também organizava cursos rápidos, de curta duração, destinados a extensionistas que em seus Estados tinham a responsabilidade de orientar os colegas, bem como professoras para as matérias de Nutrição e Preparo de alimentos, Vestuário, Melhoramento do Lar, Preparo de Alimentos.
Cânfora (1961), em seu relato, afirma que a necessidade de um melhor preparo em Economia Doméstica levou o ETA a firmar acordo com a Escola Superior de Ciências Domésticas, da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, para a concessão de balsas de estudo para os cursos ali ministrados.
Além dessas atividades, em 1959, o ETA, por meio da divisão de Economia Doméstica, colaborou na organização e realização da lª Reunião Nacional de Chefes de Economia Doméstica e Assistentes Técnicas dos Serviços de Extensão, levada a efeito no Rio de Janeiro, no período de 13 a 17 de janeiro, com o objetivo de tornar mais efetivo o intercâmbio de ideias e experiências entre técnicas encarregadas de orientar e fazer executar os programas de Economia Domestica nos serviços de extensão42. O ETA concedia bolsas de estudo para as professoras de Economia Doméstica ou candidatas a esse cargo. Também enviava técnicos brasileiros para treinamento ou especialização nos Estados Unidos. Criados para preparar e aperfeiçoar pessoal destinado à orientação, os programas dessas bolsas sofreram constantes revisões a fim de se tornarem cada vez mais adequados ao tipo de bolsistas que delas se beneficiaram.
Um desses projetos consoante Cânfora (1961) incluiu um acordo envolvendo a Administração Internacional de Cooperação (AIC) – Ponto Quatro43; a Universidade de
42 Muitas professoras e depois alunas dos cursos ministrados na ESERD foram encaminhadas para a UFRJ para
os cursos de Economia Doméstica, tanto os de extensão como os de ensino superior.
43 Exemplo disso, no contexto do Ponto Quatro originou-se um curso ministrado na Universidade de Viçosa que
marcaria a mudança de orientação dos trabalhos da ACAR, com a adoção da Extensão Rural, aliada ao crédito supervisionado. Como parte do programa Ponto Quatro foi criado em convênio com o governo dos Estados
Purdue; o Ministério da Agricultura; Ministério da Educação e Cultura; Universidade Rural do Estado de Minas Gerais; Escritório Técnico de Agricultura que, em março de 1959, recebeu o nome de ETA-Projeto 55.
O principal objetivo do ETA-Projeto 55 era cooperar ativamente na melhoria da produção agrícola e das condições de vida das coletividades rurais do Brasil. As atividades compreendiam treinamento de pessoal de nível técnico superior e incluíam Cursos de preparação e de atualização de professores para Agronomia e Economia Doméstica; Programas de formação continuada para professores; cursos de seleção de pessoas para estudar Agronomia e Economia Doméstica nos Estados Unidos.
O ETA igualmente realizava reuniões com as diretoras das instituições de Economia Doméstica para conhecimento dos problemas relacionados com esse ensino nas escolas. Colaborava ainda com os cursos de formação para professoras destinadas ao curso secundário, organizado pela Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário.
Outro Projeto, o ETA-Projeto 59, resultante do convênio entre o ETA e o Ministério da Agricultura teve por objetivo: a) ampliação do programa de educação agrícola para assistir a população rural, que representava cerca de 70% da população brasileira; b) estudo e aplicação de métodos usados nos Estados Unidos da América, onde a agricultura vocacional e a Economia Doméstica eram cursos complementares, nas es- colas secundárias públicas ou privadas, por meio do sistema básico educacional já existente; treinamento de professores brasileiros no país e no estrangeiro para a aquisição de melhores métodos para administrar esses programas e de ensinar os seus cursos.
Além desses trabalhos mais específicos, realizados por meio de acordos ou convênios, os convênios com o ETA permitiram a produção de material técnico sobre Economia Doméstica para suprir as necessidades das instituições que atuavam com estes cursos. O primeiro trabalho nesse sentido foi coordenado por Clara Sambaquy, Rubens Siqueira, Dante Costa, Walter Santos, Walter Silva e outras especialistas em Economia Doméstica como Elizabeth Willians, Ruth Guedes, Clarissa Rolfs e Dylma Martins Balbi, que prepararam um folheto destinado ao ensino de Nutrição, o "Guia da Boa Nutrição" (CÂNFORA, 1961).
Para Cânfora (1961), essa publicação inteiramente preparada, no conteúdo Unidos, com o ETA e adquiriu papel importante para que o extensionismo fosse amplamente difundido por todo o território nacional nas décadas seguintes (SILVA, 2009, p. 166-167).
técnico, por especialistas brasileiros em Nutrição representou a primeira tentativa séria de se preparar no Brasil material didático que atendesse as necessidades de nossas escolas. Outros folhetos foram publicados com conteúdos diversos da Economia Doméstica, representando essa atividade a partir daí uma constante ação do ETA. .
A Divisão de Economia Doméstica do ETA promoveu em todo o país várias ações para o reconhecimento da Economia Doméstica como profissão, organizando reuniões nacionais que congregaram as instituições interessadas no desenvolvimento desse campo profissional no país.
O ETA introduziu também novos e melhores equipamentos domésticos que visavam a economia de tempo e de energia das donas de casa como parte dos objetivos a serem atingidos no ensino de Economia Doméstica, estimulando por sua vez ao consumo de equipamentos e atendendo as reivindicações do mercado capitalista brasileiro.
Folhetos variados eram enviados para todas as regiões do país. Esses folhetos continham várias inovações para auxiliar as donas de casa como a máquina de lavar roupa, manual com melhores métodos de trabalho caseiro com apresentação de novos equipamentos, bons e práticos acabamentos para móveis de madeira entre outros. Esses folhetos eram divulgados nas ESERD para o trabalho com as famílias tanto as do interior como aquelas que, vivendo na cidade, não conhecessem as inovações.
O boletim ilustrado na figura 6 foi escrito pela Professora Sônia Coelho de Alvarenga, Bacharel em Ciências Doméstica e Assistente Interina do Departamento de Administração do Lar da Escola Superior de Ciências Domésticas da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais - UREMG44. Curioso notar que logo no início ela exalta o trabalho como motivo de felicidade ―uma das melhores maneiras de tornar o trabalho interessante foi fazê-lo com eficiência. Ser dona de casa foi ocupação que significa muito mais do que cuidar da casa‖ (ALVARENGA, 1965, p. 1).
Prevalecia na ESERD a visão de que a mulher deveria ser a pessoa capacitada para assumir as responsabilidades dentro de um lar. No seu papel de líder a administração e a organização da casa deveriam ser eficientes e ela era responsável pela boa administração e, por isso, ―a felicidade de um lar, a compreensão que reina nele, podem ser determinadas pelas qualidades pessoais da dona de casa e pela habilidade de lidar com pessoas de gênios e tipos diferentes‖ (ALVARENGA, 1965, p. 3).
O boletim era destinado à dona de casa para divulgação de formas de avaliar o
trabalho doméstico e encontrar as melhores maneiras de realizá-lo. Incluía hábitos de trabalho e pormenores de cada serviço considerando grande número das tarefas diárias de um lar e as funções da dona de casa tais como: dirigir, ensinar, planejar, tomar decisões estimular, criticar, consumir, comprar, coordenar e trabalhar. A autora coerente com a visão tecnicista da época afirmava que ―um plano realmente exequível deve ser desenvolvido para satisfazer às necessidades individuais da dona de casa, sua família e o equipamento de que dispõe‖ (ALVARENGA, 1965, p. 2).
Figura 6: Folheto - Melhores métodos de trabalho caseiro.
Cabia à dona de casa conservar tudo a seu alcance, fazendo tudo para a felicidade da família. Isso incluía também o mobiliário da casa e seu acabamento. Dessa forma, o folheto na Figura 7 continha instruções para acabamento natural de mesas; acabamento sombreado
para bancos; acabamento oleoso para mesas, pias e tampos de cozinha; formas de acabamento a móveis com a madeira ao natural entre outros tipos de acabamento. Interessante notar que o folheto também ressaltava ―uma boa dona de casa, que tem uma série de afazeres domésticos que ocupam todo seu dia, tem necessidade de organizar seu trabalho diário de tal modo que lhe poupe tempo e energia‖ (ACAR, 1956, p. 2).
Figura 7: Bons e práticos acabamentos para móveis de madeira.
Com todas as atividades reservadas à mulher era preciso aprender a poupar tempo, energia e aprender a usar os recursos disponíveis com economia. As matérias sugeridas visavam também prepara-las para s trabalhos na indústria, sendo necessário implantar as matérias técnicas a exemplo do trabalho com móveis de madeira como descrito no folheto descrito na figura 7.