6. Un Bibliobus dans le Val de Bagnes
6.5 Solution 2
O Programa de Economia Doméstica para as escolas brasileiras profissionalizantes de nível secundário continham atividades profissionais e vocacionais. A formação previa a integração de conhecimentos e técnicas provenientes das ciências exatas, biológicas, psicossociais, artes, visando ao desenvolvimento harmônico do homem, em seu ambiente físico e sociocultural e em suas relações interpessoais. Procurava desenvolver entre as estudantes oportunidades de desenvolver e dinamizar suas potencialidades, com o objetivo de melhoria de qualidade de sua vida e de suas famílias. O programa constituía ―um elemento norteador de orientação do trabalho profissional e comumente o encontram na administração familiar vista como administração de recursos disponíveis para a consecução dos objetivos da família‖ (BRASIL, 1980, p.11).
Com essas preocupações, o Curso de Economia Doméstica passou, também, a atuar aceitando o desafio de suprir o papel da família assumindo um caráter transformador da sociedade. Ratto (1992, p. 5) descreveu a economista doméstica como uma profissional deveria ter ―[...] formação técnico-científica com embasamento político, econômico e social cuja prática seja revestida de um caráter transformador das relações sociais de gênero e de classe construídas historicamente‖.
Foster (s.n.t., p. 4), ao elaborar um manual para o Programa de Economia Doméstica, ―a pedido dos Ginásios Industriais‖ para as escolas de nível secundário asseverou que o programa visava ao preparo para três tipos de oportunidades todas de natureza profissionais e vocacionais. A primeira delas era a preparação para trabalhos imediatos como o cuidado de crianças em casa ou em instituições, venda de alimentos, demonstração de produtos, costura, demonstradora de produtos e equipamentos, cuidados de convalescentes, cabeleireira, manicure. A segunda oportunidade era a preparação para ser dona-de-casa. A terceira oportunidade era permitir à estudante a continuidade de sua educação em Economia Doméstica, completando o ciclo secundário e ingressando em universidade.
No manual, a autora sugeria que a orientação para as três fases fosse incorporada ao programa de ensino durante o curso inteiro com ―ênfase, em curso especial durante o último ano e outros meios‖ (FOSTER, s.n.t., p. 4-5). No programa o tema predominante era o preparo para funções do lar ou para atividades que possibilitassem o equilíbrio no orçamento familiar relacionadas com Economia Doméstica (BRASIL, 1980, p. 11).
Com a inclusão no programas dos tópicos cabeleireira e manicure havia uma marcação que dizia que essas fases foram incluídas no programa para Ginásios Industriais, não sendo, portanto, ministradas na ESERD.
Alimentação e Nutrição Puericultura Saúde e Vestuário e têxteis O lar
1º ano
- Guia de alimentação para uma boa nutrição.
- Noções básicas de alimentação.
- Saúde e Higiene.
- Boa aparência pessoal. - Cuidados com o vestuário. - Introdução à costura. - Administração do Lar. - Cuidados caseiros. 2º ano - Noções básicas de Nutrição
- Noções mais adiantadas de Alimentação.
- Puericultura e Desenvolviment o da criança.
- Seleção do vestuário. - Confecção de peças simples. - Cuidados com o vestuário.
- Uso do tempo e energia. - Uso e cuidados com o equipamento caseiro. 3º ano - Orçamento para alimentação da família. - Alimentos para ocasiões especiais. - Prevenção de acidentes. - Primeiros socorros. - Têxteis. - Seleção do vestuário.
- Confecção mais avançada de roupa.
- Cuidados com o vestuário.
- Decoração do lar e mobiliário. - Orçamento para habitação e mobiliário. 4º ano - Nutrição em casos especiais. - Planejamento de Refeições. - Conservação de alimentos. - Saneamento. - Enfermagem caseira.
- Orçamento para o vestuário da família.
- Confecção de peças básicas. - Costuras para a casa. * Cabeleireira, Manicure.
- Contabilidade caseira.
- Planejamento da habitação.
Quadro 10: Programa para Economia Doméstica no Ensino Secundário Ginasial.
Fonte: FOSTER (s.n.t., p. 5)
Conclui-se que a formação em Economia Doméstica estava notadamente voltada para a vida da mulher no lar. A perspectiva de independência ou emancipação não era a meta. A vinculação do curso era voltada às atividades caseiras, utilizando-se de recursos da administração que refletiam a realidade e a mentalidade voltada para os conhecimentos e habilidades da mulher nas atividades práticas da vida doméstica, isto é, a economia familiar, dentro do lar.
Várias autoras definiram a Economia Doméstica. Para Isabel de Almeida Serrano significava ―administrar-se uma casa de modo a obter o máximo de aproveitamento dos bens adquiridos com o mínimo de gastos‖. O objeto da economia doméstica era ―o estudo das necessidades da família, dos bens que constituem o seu patrimônio e a forma de administração desses bens‖. À economia doméstica cabia apenas o trato dos bens materiais da família que
compreendiam a casa de moradia, os móveis, os utensílios, a propriedade imóvel, o dinheiro, os objetos. Assim, cabia estudar: a) a aquisição dos bens; b) a utilização dos bens; c) a conservação dos bens; d) a transformação dos bens. O conhecimento da economia doméstica era ―imprescindível às donas de casa. Sem ela a mulher não poderá cumprir seus deveres de mãe de família e causará grandes males a si própria, aos seus e à sociedade‖ (SERRANO, 1954, p.19).
Emília de Sousa Costa (1918, p. 11-15) entendia a Economia Doméstica como ―o equilíbrio entre receita e despesa, de forma a garantir, tanto quanto possível, a vida honesta e tranquila num lar, no presente e a proteção contra as consequências desagradáveis do futuro.‖ Para ela, a Economia Doméstica devia se fundar em um preceito sensato: só estabelecer casa com meios suficientes para sua instalação e uma profissão que garantisse a manutenção e os encargos da família. Das respectivas profissões, do marido e da mulher, adviriam receitas que deveriam ser bem administradas para um viver isento de preocupações. A melhoria geral da coletividade dependeria das circunstâncias em que os dois fatores, economia e doméstica, operassem na sociedade. Cabia à mulher garantir que as receitas fossem bem administradas.
Irfe Vieira de Camargo (1970, p. 3) definia a Economia Doméstica como "o campo de conhecimentos e de serviços destinados a promover o desenvolvimento integral do País: a) promovendo a Família, através da educação do homem para a vida familiar e comunitária; b) melhorando os recursos à disposição da família e sua maneira de utilizá-los; c) desenvolvendo pesquisas para identificação das necessidades do homem e soluções para o equacionamento dessas necessidades; d) participando no desenvolvimento da comunidade".
Depreende-se, desse modo, que a Economia Doméstica não encontrava em si um campo de trabalho profissional com conhecimentos, habilidades ou técnicas respaldadas por bases científicas sólidas. Os problemas domésticos eram a tônica frequente do curso e exigiam solução adequada e eficiente, com noções científicas especializadas. As atividades pedagógicas eram voltadas para a realização das tarefas domésticas com um mínimo de tempo e esforço, com perfeição e eficácia.
Há uma técnica, isto é, um conjunto sistematizado de regras adquiridas pela experiência e pela razão, que nos permitem realizar as tarefas com o máximo de perfeição e rendimento, no mínimo de tempo e com mínimo de esforço. A técnica de economia doméstica resulta de conhecimentos científicos, do emprego dos métodos peculiares a cada uma das ciências que para ela contribuem, da determinação das leis e de sua aplicação aos casos concretos. [...] grande complexidade apresenta o estudo da economia doméstica, porque sendo a da família uma sociedade os fenômenos que aí se verificam como todos os fenômenos sociais são muito complexos (SERRANO, 1954, p. 21).
As matérias constantes no currículo de economia doméstica coincidiam com muitas que eram oferecidas pelo Curso de Administração do Lar. Para a formação de professores para o curso, Foster recomendava um período de treinamento de no mínimo um ano junto à Escola Superior de Ciências Domésticas de Viçosa e aconselhava o aproveitamento das facilidades ali existentes, pois ali estavam ―técnicos americanos da Universidade de Purdue com possibilidade de prestarem assistência ao Programa‖. O curso de métodos de ensino não fazia parte do currículo, mas os propósitos do programa de ensino deveriam ser incluídos por serem essenciais (FOSTER, s.n.t., p. 12).
O Brasil, desde 1950, havia aderido ao modelo americano, muito embora a transposição do Curso de Economia Doméstica originado nos Estados Unidos e a sua consequente definição no Brasil tenha sido realizada sem o necessário levantamento da realidade Brasileira.
Nessa linha de raciocínio, cabe apresentar o modelo de família que o Brasil possuía em 1950. Nesse período, eram bem marcadas as classes alta e média. Além dos recursos que seus rendimentos permitiam usufruir, cujos lares consistiam numa estruturação tradicional, com seus problemas solucionados, em grande parte, com apoio da família extensa. De outra parte, havia uma ampla camada populacional de baixa renda, cujos problemas não se colocavam ainda no nível da família, mas ao da luta pela própria sobrevivência, ainda à procura de recursos e não dos meios para utilizá-los.
A atuação da Economista Doméstica com o objetivo, transplantado do modelo americano, de orientar as famílias a administrar recursos e, portanto, consumi-los encontrava obstáculos. De um lado, a família tradicional que não necessitava de seus préstimos, e, de outro, a família de baixa renda que possuía poucos recursos passíveis de serem administrados e não encerrava nem mesmo uma consciência nítida dos recursos disponíveis na sociedade. Em decorrência desses fatores, houve uma tendência em se criar especializações dentro do campo de Ciências Domésticas (BRASIL, 1980, p. 13).
Surgiram, por exemplo, cursos suplementares para especialização, extensão ou treinamento no campo de equipamentos domésticos, produtos especiais, preparo para ajudante de enfermagem, cuidado com convalescentes e trabalho entre outros. Outras matérias também poderiam ser dadas em cursos adicionais, acrescentando apenas uma quantidade limitada de trabalho suplementar durante o período escolar regular ou cursos com duração de duas a quatro semanas no fim do primeiro ou segundo semestre.
Pode-se afirmar a partir das considerações eriçadas que na formação geral, no Curso de Economia Doméstica, se preconizava o desenvolvimento de ideais comuns, compreensão e habilidades necessárias a uma vida democrática satisfatória e bem sucedida, pois o que interessava era a disseminação de conhecimentos intimamente relacionados à vida pessoal e da família. Dessa forma, a formação se destinava à educação funcional e edificada nas necessidades e interesses daqueles que deveriam ser educados para a vida em sociedade, ligada ao indivíduo e suas inter-relações.
Para isso a escola proporcionava atividades educativas que promoviam a compreensão do valor de várias culturas; meios para proporcionar uma educação para ajustamento à vida, combinados com uma educação especial destinada a atingir as necessidades vocacionais ou não do indivíduo aliados a preceitos para tornar o lar e a educação uma parte do conhecimento comum por meio da escolarização.
Igualmente havia critérios que serviam como guia para um programa de educação para o lar e para a família, nos quais a educação para o lar e a vida familiar era entendida como um processo contínuo. Os temas estudados surgiam das necessidades e interesses da sociedade e para tais deveriam convergir. O planejamento cooperativo deveria ser estimulado para solucionar problemas da comunidade, de professores, pais e alunos. As atividades na sala de aula proveriam experiências e práticas para a vida pessoal e familiar. O treinamento para as atividades do lar e da vida familiar deveria equipar os estudantes para um melhor ajustamento às necessidades daqueles com quais eles mantinha contato: comunidade, escola, família.
Dessa forma o programa de educação para Economia Doméstica a ser adotado na escola secundária deveria incluir experiências em todas as áreas: alimentação e nutrição; habitação, mobiliário e equipamentos; vestuário; puericultura; saúde da família; economia da família; relações pessoais e familiares; relações da família com a comunidade.
Às formadas pelo Curso de Magistério em Economia Rural Doméstica cabia o papel de professora e consultora dos programas do lar e da vida familiar, em especial, nos ambientes do meio rural. Formada ela teria no seu campo de instrução outros recursos e treinamento em áreas familiares e do lar envolvendo todos os tópicos mencionados e se tornaria uma consultora, alguém habilitada a orientar outros membros da comunidade.
Quando no mundo instável, desorientado, esquecido dos ideais de altruísmo e generosidade, o lar estremece urge realizar uma obra mais profunda que o preserve da destruição. Essa obra ninguém poderá realizá-la melhor do que a professora de economia Doméstica. Esta disciplina não pode ser e não foi de fato, apenas um conjunto de noções a transmitir a respeito da casa. Não basta
que as alunas aprendam como dosar uma ração, como organizar dietas, como decorar a habitação. Não foi suficiente que saibam aproveitar ao máximo os gêneros e recursos e estabelecer o equilíbrio doméstico. É necessário conhecer os outros (LIMA, 1961, p. 66).
O propósito dos cursos desses cursos na escola secundária fosse o Magistério, os Cursos de Extensão ou de Treinamento era preparar as alunas para as responsabilidades e atividades como membro da família. Deviam, portanto, aprender a resolver problemas que essas atividades implicassem. O principal objetivo era proporcionar ensinamentos que habilitassem as moças para a melhoria das aptidões pessoais e o desenvolvimento das relações familiares.
A seleção de matérias e as experiências para a sala de aula deveriam ser escolhidas para atender as necessidades das moças e ajudá-las a solucionar problemas resultantes das modificações constantes das situações de vida, de ajustamentos diários na vida familiar e o desenvolvimento da comunidade em uma democracia. As experiências vivenciadas em sala de aula ajudariam a entender e apreciar as próprias vidas familiares, a resolver os problemas comuns enfrentados pela juventude e a traçar um padrão para seus próprios lares. Cabia aos professores e gestores da Instituição selecionar conteúdos considerando as necessidades reais da sociedade. Entre as atividades sugeridas pelo Guia de Economia Doméstica encontravam- se inúmeros experimentos.
I. Experiências para aprendizagem de conceitos de saúde física e o relacionamento com a nutrição e o comportamento social.
II. Filmes sobre saúde e nutrição.
III. Regras para corrigir deficiências na comunidade observadas pelos alunos.
IV. Planos para melhoramentos em construções e outros projetos de saneamento.
V. Treinos e exercícios para postura.
VI. Coleções de fotos de pessoas com boa saúde. VII. Experiências relacionadas a saúde e personalidade. VIII. Planejamento de cardápios para boa nutrição.
IX. Planejamento de refeições diárias, com o devido preparo de desjejum, almoço e jantar.
X. Seleção de refeições para um dia comparando com os grupos básicos de alimento.
XI. Cálculo de compras para uma semana na família. XII. Estudos e pesquisas em nutrição.
XIII. Elaborar e responder testes a respeito de personalidade física, encanto pessoal, conduta, personalidade.
XIV. Exercícios de dicção e oratória.
XV. Análise do uso do tempo e organização de esquemas para otimização. XVI. Elaboração de mostruários – cadernos, álbuns e outros – com os
conteúdos estudados (BRASIL, 1953, p. 99-123).
As metas e orientações para essas atividades deveriam sempre visar a orientação para a vida familiar e do lar, diferindo apenas em extensão e profundidade conforme o curso e a turma (ALBUQUERQUE, 1954). A educação em Economia Doméstica deveria centralizar-se nas tarefas caseiras e no relacionamento habilitando as alunas para a responsabilidade de administrar um lar. O programa descrevia oportunidade para aquisição de informações, hábitos, consideração e habilidade para o alcance do bem-estar das famílias, além de reforçar a importância da contribuição das jovens para uma vida democrática.
O que se nota é que, nessa perspectiva, as estudantes precisavam ser despertadas para o objetivo maior da formação e levadas a descobrir recursos para as dificuldades diárias, além de obter outros conhecimentos em outros campos, o que envolvia manutenção de relações pessoais e familiares satisfatórias; seleção, preparo, serviço, conservação e armazenagem de alimentos; seleção, cuidados, renovação e conservação de roupas; cuidados e orientação de crianças; seleção e cuidados com a casa e o mobiliário; seleção e conservação do equipamento doméstico; manutenção da saúde e segurança no lar; cuidados com os doentes em casa e socorros de urgência; responsabilidade e relacionamento do consumidor; seleção e compra de utilidades e serviços para o lar; seleção e provisão de experiências educativas e recreativas para membros da família; inter-relação da família com a comunidade.
Nota-se que na formação em economia rural doméstica prevalecia a finalidade de orientar interesse das alunas para os problemas de direção da família e provocar o amor pelo lar, interesse pela criação de uma vida doméstica mais confortável, mais tranquila e mais feliz. Outra finalidade era estimular o desejo repleto de afetividade, de criar no atual ou no futuro lar um ambiente agradável e atraente para os entes queridos, o que se coadunava com as intenções do governo voltadas para a necessidade de se estabelecer uma sociedade ordeira e progressista.
Como o curso formava para o preparo para as ações no lar e funções ligadas ao equilíbrio do orçamento familiar mediante atividades relacionadas ao ambiente doméstico, notou-se que a clientela do curso foi caracterizada como sendo feminina muito embora não houvesse restrições ao ingresso de homens no curso. A função de profissionalização do curso
foi considerada como secundária. Isto é, a formação voltava-se para o lar e a família e não para a profissionalização destinada ao mundo de trabalho.
Infere-se a partir disso que a essência do curso visava provocar o entusiasmo das alunas por um lar higiênico e agradável, confortável e tranquilo. Despertada essa atração pela vida familiar ordeira, o ensino ministrado em sala de aula estimularia o desejo de experimentar em casa aquilo que fora aprendido levando a estudante a ampliar o conforto dos seus e da comunidade com a qual se relacionava. Cumpria transformar atos em hábitos e aperfeiçoar tudo o que concorria para a felicidade da família. Vigorava na sociedade brasileira, com o avanço da República, a noção de que era preciso que uma nova mulher surgisse versada nas atividades domésticas. A mulher educada era o esteio da família e a pedra angular da pátria, a formadora dos futuros cidadãos. Essas eram as premissas exaltadas pelos republicanos desejosos de romper com a concepção educacional arcaica que vigorava no Brasil criando uma sociedade nova, moderna. Assim, ―a intervenção feminina supunha-se capaz de uma ação moralizadora no seio da sociedade e serviria para manter a unidade da família e da Pátria‖ (SAVIANI, et. al. 2004b).
Com a inclusão da Economia Doméstica nas escolas secundárias revelam alguns aspectos interessantes com relação aos processos de ensino e de aprendizagem nessa instituição é possível afirmar que o objetivo era basicamente social: formar boas donas de casa que promovessem lares felizes essenciais para a estabilidade da família, célula da própria sociedade. Uma vida social organizada proporcionaria maior eficiência cultural, profissional e cívica. Isso só se tornaria possível pela educação das mulheres e consequentemente das famílias. Nessa nova identidade, no ambiente urbano e industrializado, a instrução da mulher revestia-se de importância. A abordagem materna e doméstica, a valorização do trabalho no lar e da tarefa de educar as novas gerações, a competência no lar era determinante para a conquista do espaço público e profissional feminino.
O curso de Magistério em Economia Doméstica foi considerado pelo Ministério da Educação como essencial na escola secundária porque havia necessidade de professores para ministrar noções básicas de higiene, alimentação, vestuário e outros para uma população que precisava ser escolarizada nesses itens básicos da vida em sociedade. Ou seja, no esteio da modernização dos costumes o que era ministrado no seio da família, o ensino de piano, bordado, puericultura, línguas, pintura, música, culinária faria parte do currículo das escolas de Economia Doméstica destinadas a formar as futuras esposas
educadas, conhecedoras das necessidades do marido e dos filhos, alicerces do lar cristão e patriótico, responsáveis pela segurança, harmonia e perenidade das famílias e da comunidade. Para Zail Gama Lima (1961, p. 67), a diversidade de métodos na formação e na origem dos professores de Economia Doméstica para a escola secundaria refletia-se no próprio conceito da disciplina Economia Doméstica perante as alunas. Portadoras de diplomas de Escola Normal, embora não tivessem recebido no decorrer do curso, conhecimentos da disciplina, passaram a lecioná-la no curso secundário. Pessoas com habilidade em Trabalhos Manuais e com capacidade apenas para ensiná-los artesanalmente recebiam autorização para lecionar nos cursos de segundo grau. Com a deficiência qualitativa de pessoas especializadas com domínio de métodos e práticas educativas diversas nem sempre atendiam aos princípios do curso.
Lima (1961, p. 67) expõe que para organizar os cursos de Economia Doméstica nas escolas tornou-se necessário então atentar para a formação e aperfeiçoamento