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O jornal O Mossoroense foi fundado no dia dezessete de outubro de mil oitocentos e setenta e dois, pelo senhor Jeremias da Rocha Nogueira, na cidade de Mossoró, interior do estado do Rio Grande do Norte. De início, o jornal compreendia um pequeno semanário político, comercial, noticioso e literário de apenas quatro páginas, que estampava, principalmente, notícias que marcavam a cidade de Mossoró e de cidades circunvizinhas, como Apodi, Felipe Guerra, Açu e outras cidades do interior do estado.

Depois da morte do senhor Jeremias da Rocha Nogueira, em mil novecentos e um, um de seus filhos, o senhor João da Escóssia, que então trabalhava como xilógrafo, deu continuidade à publicação do jornal. Neste momento, tem início a segunda fase do O Mossoroense, quando o jornal ressurge como periódico humorístico e ilustrado. Conforme o historiador Vingt-un Rosado, o jornal traz agora o intuito de prestar serviços às letras, às artes, às ciências, às indústrias e ao desenvolvimento de ramos da atividade humana.

Por motivos de doença, João da Escóssia foi obrigado a afastar-se do jornal em mil novecentos e dezessete e, após sua morte, dois anos depois, Francisco Pinheiro de Almeida Castro tornou-se seu sucessor, permanecendo no comando do até mil novecentos e vinte e um. Logo após, assumiram o jornal Rafael Fernandes Gurjão, como diretor político e redator-chefe, de mil novecentos e vinte e dois a mil novecentos e trinta, e Augusto da Escóssia, filho de João da Escóssia, como gerente, de deste último ano até mil novecentos e trinta e quatro. Neste período, o jornal perdeu muito de suas características culturais. Na verdade, em função da Primeira Guerra Mundial, muitos jornais do país começaram a perder suas características literárias e a ser influenciados pelas novas relações estabelecidas entre a sociedade e a comunicação de massa. Os jornais deixaram de ser literários e passaram a ser mais noticiosos.

Durante o período da ditadura do governo de Getúlio Vargas, o jornal deixou de circular, porque não se submetia à censura imposta pelo governo. Em uma publicação de dezessete de julho de 1932, o jornal declarou: “Impulsionados por um sentimento de brio (...) resolvemos cerrar as portas do orgam, cuja vida tem sido um exemplo de trabalho e esforços em prol de todos os nobres cometimentos que se relacionam com o progresso e com o bem estar do município e do estado”. E ainda: “Esperamos que um dia os clarões dos raios sublimes da liberdade, do amor e da justiça illuminem a nossa trajectoria, e que então, se concretisem em verdade inconcussa as palavras santas do Evangelho: „OS HUMILHADOS SERÃO EXALTADOS‟.” (O MOSSOROENSE, 17. 07. 1932).

Com a queda de Getúlio e o fim do Estado Novo, O Mossoroense ressurge em 1946 e volta a circular, desta vez a com direção de Lauro da Escóssia, outro filho de João da Escóssia. Lauro, juntamente com seus dois filhos, dirigiu O Mossoroense por aproximadamente trinta anos e foi quem mais escreveu sobre o jornal e sobre a família Escóssia. Um dos marcos de sua atuação profissional foi a entrevista com o cangaceiro José Leite Santana, mais conhecido popularmente por Jararaca. Considerando a idade avançado de Lauro da Escóssia, seu filho mais velho, Lauro Filho, decide transferir o poder acionário do jornal ao médico Jerônimo Rosado Cantídio. A partir de então, O Mossoroense manteve sua linha noticiosa, mas ampliou significativamente a militância política e o espaço para opinião.

A seguir, reproduzimos o fac-símile da primeira página de uma notícia do jornal O Mossoroense.

Figura 10: Fac-símile de edição do jornal “O Mossoroense”. Fonte: Nonato (2012).

Nos dias atuais, ainda em funcionamento, o jornal é dirigido pelo senhor Laíre Rosado e tem como editor principal o jornalista e advogado Cid Augusto da Escóssia Rosado, descendente do fundador do jornal e do ex-diretor Jerônimo Rosado Cantídio. Assim sendo, mesmo passados mais de cento e quarenta anos, o jornal ainda continua sendo administrado pela mesma família, sendo um dos principais jornais da região oeste do estado do Rio Grande do Norte.

Desse jornal, apenas uma notícia atendia aos critérios aqui estabelecidos para constituição do corpus de nossa pesquisa. Os demais textos publicados no jornal sobre a incursão de Lampião e seu bando à cidade de Mossoró, e encontrados nas fontes pesquisadas, pertenciam a outros gêneros textuais, como entrevista e depoimentos, por exemplo. A notícia selecionada é intitulada de “Hunos da nova espécie” e foi publicada na edição de dezenove de junho de mil novecentos e vinte e sete, ou seja, seis dias depois do citado acontecimento. O texto da notícia traz a cobertura completa e detalhada das atividades desenvolvidas pelo bando de Lampião na cidade, bem como descrição da “heroica defesa” dos mossoroenses, coordenada pelo prefeito Rodolfo Fernandes.

O quadro a seguir apresenta informações gerais sobre a notícia selecionada do jornal O Mossoroense para constituição do corpus de nossa pesquisa:

JORNAL TÍTULO DA

NOTÍCIA LIDE DATA

O

Mossoroense Hunos da nova espécie Lampião e seu O famigerado grupo de asseclas atacam

Mossoró

Edição publicada em 19 de junho de 1927

Quadro 08: Notícias do jornal “O Mossoroense”. Fonte: Autor.

Como já enfatizado anteriormente, deste jornal selecionamos apenas uma notícia, porque não tivemos contato com outras edições que abordassem o acontecimento da incursão de Lampião e seu bando à cidade de Mossoró. Ademais, outros textos desta edição do jornal pertenciam a outros gêneros textuais, os quais não correspondem aos critérios estabelecidos nesta pesquisa para a seleção do corpus de análise.

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