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As Figuras 9, 10 e 11 a seguir, apresentam o resumo das regressões de justiça distributiva, de procedimentos e interacional sobre engajamento, balanço emocional e satisfação com a vida.

A partir da análise das Figuras 9, 10 e 11, rejeita-se a hipótese três (H3), segundo a qual, capital psicológico exerceria efeitos moderadores sobre a relação entre justiça organizacional e bem-estar subjetivo. Conforme sínteses apresentadas nas figuras, nenhum termo de interação demonstrou significância estatística nas regressões das dimensões de justiça distributiva (Figura 9), procedimentos (Figura 10) e interacional (Figura 11) sobre balanço emocional e satisfação com a vida. Dessa forma, apesar de cada uma das dimensões da justiça, bem como de capital psicológico, contribuírem para explicar tanto balanço emocional, quanto satisfação com a vida, os valores explicados pela justiça organizacional, não foram moderados, na amostra pesquisada, pelo capital psicológico do trabalhador.

A hipótese quatro (H4), segundo a qual, capital psicológico exerceria efeitos moderadores sobre a relação entre justiça organizacional e engajamento no trabalho, foi parcialmente confirmada, de acordo com a análise das Figuras 9, 10 e 11. Duas razões levam à aceitação parcial da hipótese: a primeira delas, devido à significância do termo de interação encontrado apenas nas regressões de justiça de procedimentos (Figura 10) e interacional (Figura 11) sobre engajamento, além do fato de a direção da influência encontrada ser negativa, em detrimento da positiva, prevista na hipótese quatro.

Destaca-se que a violação de alguns pressupostos da regressão de justiça interacional, capital psicológico e termo de interação sobre engajamento no trabalho (página 129), apesar de não invalidarem, diminuem a robustez na análise da influência verificada.

5 CONCLUSÕES

Este estudo teve como objetivo principal analisar a influência de justiça organizacional e capital psicológico sobre bem-estar subjetivo e engajamento no trabalho. Foram realizados dois conjuntos de análises para testar as quatro hipóteses formuladas a partir do objetivo principal, um com o qual se verificou se as dimensões de justiça organizacional poderiam influenciar bem-estar subjetivo e engajamento no trabalho e outro cujo propósito foi examinar se capital psicológico exerceria efeitos moderadores na influência que justiça organizacional exerce sobre bem-estar subjetivo e engajamento no trabalho.

No primeiro conjunto de análises realizadas a partir de regressões lineares múltiplas padrão, verificou-se que justiça organizacional foi capaz de explicar 16% da variabilidade de engajamento no trabalho e 14% e 15% de balanço emocional e satisfação com a vida. Com isso, constatou-se que justiça organizacional influenciou tanto engajamento no trabalho quanto bem-estar subjetivo; no entanto, a influência de justiça sobre engajamento teve como único preditor significativo a dimensão interacional, enquanto sobre as dimensões de bem- estar subjetivo, justiça interacional foi a única preditora significativa de balanço emocional, enquanto justiça distributiva foi a única preditora significativa de satisfação com a vida.

A partir do segundo conjunto de análises, realizadas com regressões lineares múltiplas hierárquicas, constatou-se que cada uma das dimensões de justiça organizacional foi capaz de contribuir para a variabilidade de engajamento e bem-estar subjetivo, sendo que a dimensão interacional foi a que teve maior influência sobre engajamento e balanço emocional, enquanto sobre satisfação com a vida a maior contribuição foi de justiça distributiva.

A comparação entre o primeiro e segundo conjunto de análises parece indicar complexos relacionamentos entre as dimensões da justiça organizacional, tendo em vista que em todas as regressões lineares múltiplas padrão destacou-se apenas uma dimensão significativa em cada um dos três modelos de predição (em relação a engajamento, balanço emocional e satisfação com a vida), enquanto no segundo conjunto de análises, com as dimensões separadas em modelos distintos nas regressões hierárquicas, a variância explicada para cada uma das variáveis dependentes foi praticamente a mesma, com exceção das regressões sobre satisfação com a vida, cuja maior influência foi da justiça distributiva.

Capital psicológico também demonstrou capacidade de predição tanto de engajamento no trabalho quanto de bem-estar subjetivo, sendo que o maior valor de predição sobre engajamento e balanço emocional se deu na equação que contava com justiça distributiva e

termo de interação, e sobre satisfação com a vida o maior valor foi na equação que contava com justiça de procedimentos e termo de interação.

Verificou-se que capital psicológico moderou apenas a influência de justiça de procedimentos e de justiça interacional sobre engajamento. O efeito de moderação teve direção negativa, demonstrando que a influência exercida pelas duas dimensões da justiça sobre engajamento é mais forte em trabalhadores cujo capital psicológico é menor.

Conclui-se a partir da amostra analisada que ambientes de trabalho justos, com destaque para o aspecto interacional, que reflete quanto o trabalhador percebe que seu líder o trata com respeito e sinceridade, podem influenciar vínculos positivos com o trabalho, que por sua vez, são capazes de gerar sentimentos de orgulho e entusiasmo, além de proporcionarem vivências predominantemente de afetos positivos no trabalho. Destaca-se também que a justiça organizacional pode influenciar o nível de satisfação geral com a vida, sublinhando-se, no entanto, o aspecto distributivo como o mais importante, avaliado pela percepção do trabalhador de que seus esforços no trabalho são recompensados de maneira justa.

Por fim, por mais que não se possa afirmar que trabalhadores que tenham mais crenças em sua capacidade para lidar com os desafios no trabalho e tenham uma perspectiva otimista em relação ao futuro, possam prescindir de ambientes justos para estabelecerem vínculos positivos com o trabalho, as análises indicaram que eles sofrem menos influência da justiça de procedimentos e da justiça interacional para tal. Assim, esses trabalhadores parecem recorrer mais às suas capacidades individuais do que a recursos do ambiente para estabelecer vínculos como o de engajamento.

5.1 Contribuições acadêmicas

Esta pesquisa contribuiu academicamente com o estudo de três variáveis ainda pouco estudadas no Brasil, sendo elas: justiça organizacional, engajamento no trabalho e capital psicológico. Por outro lado, explorou a variável bem-estar subjetivo no âmbito organizacional, área que até o momento não tem estudado muito essa variável.

Metodologicamente a contribuição principal se deu com o uso de testes de moderação na regressão linear múltipla, prática que por um lado ainda é pouco usual na área organizacional e por outro, às vezes é utilizada de maneira inadequada, como se observa no trabalho de Lima (2011).

5.1.1 Contribuições práticas

A busca por trabalhadores capazes de criar vínculos positivos com as organizações a partir dos quais se podem obter altos níveis de desempenho e, além disso, possam por meio do

trabalho, melhorar sua saúde norteia grande parte dos processos seletivos nas organizações. Há claros indicativos de que profissionais com essas características podem fornecer subsídios para essas organizações prosperarem em seus ramos de atuação.

No entanto, não existem trabalhadores que, por si só, estabelecerão tais vínculos, cabendo em grande parte às organizações, oferecerem condições adequadas de trabalho que vão desde o suporte material ao suporte emocional para que as características dos trabalhadores possam por eles serem investidas no trabalho.

Por mais que seja destacado o imprescindível papel das organizações no que se refere ao oferecimento de condições adequadas de trabalho, pesquisas na área organizacional também apontam para certas características do trabalhador que podem, em conjunto com o suporte oferecido pelas organizações, contribuir para seu desempenho e sua saúde no trabalho.

Destaca-se como uma das contribuições práticas dessa pesquisa, a capacidade que justiça organizacional demonstrou em influenciar os níveis de engajamento no trabalho, um dos importantes vínculos com o trabalho que tem despertado grande interesse de pesquisadores e de organizações. Dessa forma, além da influência da justiça organizacional sobre outras importantes variáveis do contexto organizacional, abordadas teoricamente ao longo desse trabalho, apresenta-se aos gestores como opção para nutrir o engajamento com o trabalho, ações que garantam remunerações adequadas às atividades realizadas, possibilidade de participação nas decisões que afetam o trabalho e relacionamentos entre líderes e liderados pautados pelo respeito e sinceridade.

Outra importante contribuição pode derivar dos reflexos sobre o bem-estar subjetivo advindos de um ambiente de trabalho justo. Com diferentes níveis de contribuição, cada dimensão da justiça se mostrou capaz de influenciar a preponderância dos afetos positivos em relação aos negativos, além de exercer influência sobre os níveis de satisfação com a vida.

Por último, destaca-se o capital psicológico, que agrega um conjunto de forças psicológicas positivas, como um dos focos que devem nortear os programas de desenvolvimento das organizações, por se tratarem de forças psicológicas capazes de serem desenvolvidas em programas de treinamento. Esse destaque é respaldado pelas importantes contribuições fornecidas pelo capital psicológico, em relação ao engajamento no trabalho e bem-estar subjetivo, além do fato desta variável indicar ser capaz de assumir papel principal, verificado a partir de seus efeitos moderadores, quando certos recursos da organização podem não estar sendo adequadamente percebidos pelos trabalhadores, ou estejam em fase de transição; por exemplo, em momentos de reestruturação ou mudança organizacional.

5.2 Agenda de pesquisa

Como é de se esperar na maioria dos estudos, questões que surgem durante o percurso da pesquisa e que não podem ser analisadas, seja devido aos objetivos da pesquisa ou por limitações de tempo, servem como norteadoras para outros pesquisadores que se interessem pelo tema. Destaca-se dessa forma, uma agenda de pesquisa para realização de novas descobertas e/ou, aprimoramento daquelas já realizadas.

Devido ao comportamento das dimensões da justiça organizacional, verificado a partir dos modelos nos quais ora elas estavam juntas, ora separadas, aponta-se a importância de análises que busquem verificar fatores que ajudem a explicar a complexidade dessas relações. Talvez, análises para examinar os papéis mediadores e/ou moderadores das dimensões da justiça sejam dignos de serem pesquisados.

Além disso, novas pesquisas para verificar a influência de justiça sobre engajamento são importantes. Destacam-se três razões para tal proposição: a) há poucas pesquisas sobre justiça organizacional no Brasil; b) há poucas pesquisas sobre engajamento; c) separadas, cada dimensão da justiça demonstrou capacidade para influenciar engajamento.

Quanto a bem-estar subjetivo, parece ser importante sua introdução em pesquisas na área organizacional, tendo em vista que as interações em qualquer ambiente social e em especial no trabalho, podem ser geradoras de estados emocionais positivos ou negativos; além do trabalho se destacar como um dos principais meios a partir do qual se busca recursos que podem influenciar a condição de vida das pessoas e consequentemente seus níveis de satisfação com a vida.

Uma das possibilidades para se estudar bem-estar subjetivo é observá-lo enquanto consequente do engajamento no trabalho, pois, conforme indicações de alguns autores, um trabalhador engajado poderia vivenciar estados emocionais positivos oriundos de sua relação com o trabalho, com possíveis influências sobre os níveis de bem-estar subjetivo.

Em relação a capital psicológico, destacam-se possíveis caminhos para novos estudos com essa variável: a) analisar seu papel moderador na relação entre recursos fornecidos pelas organizações e vínculos com a organização e com o trabalho, além de indicadores de saúde; b) analisar sua capacidade de influenciar diretamente vínculos, comportamentos e atitudes no trabalho, além de indicadores de saúde.

Por fim, seria importante que esta pesquisa pudesse ser replicada em outras amostras a partir das quais se poderiam comparar os resultados, formando com o passar do tempo, uma compreensão mais detalhada dos padrões de relações possíveis entre essas variáveis.

5.3 Limitações da pesquisa

Nesta pesquisa podem ser apontadas quatro principais limitações que suscitam cautela em relação à interpretação e generalização dos resultados, sendo elas: limitações de amostragem, método (especificamente a forma de mensurar as variáveis), referencial teórico e em relação às técnicas estatísticas empregadas.

Quando à amostragem, os participantes são oriundos de uma amostra obtida por conveniência e caracterizada como não probabilística. Segundo Hair jr et al. (2005), não é possível, a partir de amostras não probabilísticas, conhecer a probabilidade de uma elemento da população ser escolhido, trazendo limitações quanto à generalização dos resultados em função da impossibilidade de se mensurar um grau de segurança referente ao erro.

Podsakoff, Mackenzie, Podsakoff, N., e Lee (2003) alertam que o viés do método comum, caracterizado pela obtenção de avaliação da variável independente e dependente a partir do mesmo sujeito e cuja consequência é a obtenção de variância, que pode ser atribuída mais à mensuração do que ao próprio construto, trazem importantes limitações em relação à interpretação dos dados. Os autores destacam que erros de medida podem se originar da escala em si, seus itens, tipo de escala, formato de resposta e contexto de obtenção dos dados; bem como, efeitos decorrentes de efeito de Halo, desejabilidade social, aquiescência, efeitos de leniência, entre outros.

A partir das observações de Podsakoff et al. (2003), serão destacados alguns efeitos do método, de cunho mais abstrato, originados de medidas de auto-relato, sendo eles: consistência de motivo, teorias implícitas e desejabilidade social. Consistência de motivo, segundo os autores, se origina da tentativa das pessoas em manter certa consistência entre cognições e atitudes, fazendo-as desejarem parecer consistentes e racionais em suas respostas, buscando por similaridades nas questões respondidas; teorias implícitas se refere ao fato das pessoas terem pressuposições sobre o relacionamento das variáveis que estão sendo medidas, acarretando na obtenção de covariação, fruto dessas pressuposições, mais do que da verdadeira covariação entre as variáveis; desejabilidade social se refere ao fato das pessoas tenderem a se apresentar de maneira socialmente favorável, em vez de expressarem seus verdadeiros sentimentos sobre determinada questão abordada.

Ressalta-se também como fator limitador desse estudo, não ser possível analisar algumas relações entre as variáveis comparando-as com outros estudos, por não haver pesquisas investigando as mesmas relações.

Por fim, destaca-se que algumas estimativas da regressão linear múltipla hierárquica, especificamente de justiça interacional, capital psicológico e termo de interação sobre engajamento no trabalho, cujos pressupostos da regressão foram violados, diminuindo a força da predição do modelo.

Finalmente, espera-se que este estudo, apesar de suas limitações, tenha contribuído para com a área, acrescentado conhecimento sobre os temas abordados e despertando interesse por novas investigações.

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