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Situation 3 : diabète, éducation thérapeutique

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2.3. Situation 3 : diabète, éducation thérapeutique

Este capítulo apresentará trechos das entrevistas para ilustrar o que pensam os entrevistados sobre os temas Juventudes e Violências e suas possíveis intersecções.

Para nos auxiliar na análise será utilizado Axel Honneth, a figura mais proeminente dentre os teóricos da terceira geração de Frankfurt. Os seus estudos concentram-se nas seguintes áreas: filosofia social, política e oral, tratando, principalmente, da explicação teórica e crítico-normativa das relações de poder, respeito e reconhecimento na sociedade atual.

O objetivo central de Honneth na obra “Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais” é mostrar como indivíduos e grupos sociais se inserem na sociedade atual. Isso ocorre por meio de uma luta por reconhecimento intersubjetivo. As três formas de reconhecimento, como vimos no capítulo III, para o autor são: o amor, o direito, e a solidariedade.

A luta pelo reconhecimento sempre inicia pela experiência do desrespeito dessas formas de reconhecimento. A autorrealização do indivíduo somente é alcançada quando há, na experiência de amor, a possibilidade de autoconfiança, na experiência de direito, o autorrespeito e, na experiência de solidariedade, a autoestima.

Os indivíduos e os grupos sociais somente podem formar a sua identidade quando forem reconhecidos intersubjetivamente. Esse reconhecimento ocorre em diferentes dimensões da vida: no âmbito privado do amor, nas relações jurídicas, e na esfera da solidariedade social. A ausência de reconhecimento explica a origem das tensões sociais e as motivações morais dos conflitos.

Segundo Honneth (2009), como visto no Capítulo III, para cada forma de reconhecimento (amor, direito e solidariedade) há uma autorrelação prática do

sujeito (autoconfiança nas relações amorosas e de amizade, autorrespeito nas relações jurídicas e autoestima na comunidade social de valores).

Durante os capítulos teóricos pode-se perceber que os jovens são as maiores vítimas e também autores de violências diretas. Considerando os conceitos de Honneth, percebe-se que os jovens são indivíduos, muitas vezes não reconhecidos e quando não há um reconhecimento ou quando esse é falso, ocorre uma luta em que os indivíduos não reconhecidos almejam as relações intersubjetivas do reconhecimento, portanto, toda luta por reconhecimento inicia por meio da experiência de desrespeito.

O desrespeito ao amor são os maus-tratos e a violação, que ameaçam a integridade física e psíquica; o desrespeito ao direito são a privação de direitos e a exclusão, pois isso atinge a integridade social do indivíduo como membro de uma comunidade político-jurídica; o desrespeito à solidariedade são as degradações e as ofensas, que afetam os sentimentos de honra e dignidade do indivíduo como membro de uma comunidade cultural de valores. Como veremos nas entrevistas abaixo. Foram elencadas categorias de análise, apresentadas no capítulo metodológico, que para facilitar a leitura, pode ser visto de forma esquemática abaixo:

Sobre o que é ser jovem: Análise Sobre o que é ser jovem Família Escola Cultura Trabalho Sobre as violências Estrutural Cultural Direta Polícia Armas Tráfico de drogas

Quando perguntados sobre definições de juventudes, os entrevistados apresentam definições bastante parecidas, independentemente da instituição ou do cargo que ocupam.

Apresentam a juventude como potencial transformador. Para a Educadora A, ser jovem:

“É essa vontade do novo, de aprender, isso é, seja da zona sul, da zona norte, da zona oeste, essa coisa da juventude mesmo, essa potência que eles têm. Isso é muito legal quando você encontra. E pensando que esses jovens periféricos ou em situação de vulnerabilidade, isso é, às vezes, esmagado, é tirado um pouco deles. Mas quando você tem um programa, um projeto, um tutor, um professor, um educador que ajuda a perceber que ele tem isso... nossa, aí é a virada! Então, eu acho que essa sinergia da juventude é em qualquer lugar.” “Acho que mudança, essa mutação rápida, essa transformação no corpo, em você, o que você quer, o que deixa de querer nos dois anos seguintes. Acho que sinergia, vital. Uma vitalidade que tem a coragem, que tem essa energia pra ir batalhar, ir pra frente”

O Coordenador A, complementa:

[Os jovens têm] “fórmulas distintas de inserção na sociedade, essa busca constante de “eu tenho direito”, “eu quero fazer parte”. Eu acho que essa juventude perdeu o medo do capitalismo, então, “eu quero vencer”, “eu quero ganhar dinheiro”, isso assusta, de certa maneira, isso cria um clima... mas eu acho que é a forma de inserção que esse jovem estão buscando.”

Percebe-se no uso de palavras como “potência”, “mudança”, “mutação” e “transformação” o jovem como alguém em construção e tentando ocupar um espaço ou a “inserção na sociedade”. Mas ao mesmo tempo, percebe-se o uso de palavras como “vitalidade”, “coragem” , “esmagado”, que podem indicar que essa introdução, pode ser desafiadora.

Outro aspecto sobre definição de juventude que aparece está relacionado com a construção da identidade e com aquilo que o jovem pretende se tornar frente às diversas possibilidades Para o Coordenador B:

“Ser jovem é estar num momento de construção de sua própria identidade, dos seus valores, do que você acha correto, do que você quer pra você, do que você quer pro mundo, pro lugar que você vive, pras pessoas que estão no entorno de você. É você estar construindo também esses valores, essa visão de mundo, e também as suas escolhas pessoais, né? Ou seja, é o momento que você vai tomando várias decisões, é... em relação a tua vida, né, ou seja, você decide seu trabalho, que você quer fazer da vida. Com que você quer se relacionar, se quer casar, se quer ter filho, é... você tem uma série de decisões aí... né... qual é seu projeto de felicidade, né. Todas essas questões tão muito, muito presentes nessa fase da vida, é... acho que é uma fase cheia de, nesse sentido de possibilidades, né...”

A Educadora B, complementa a ideia de jovem como ser em formação:

“Eu acho que ser jovem é ser em construção, em constante construção, né? De valores, de caráter, de conhecimento do mundo, não só internamente, mas conhecer as coisas afora. O que são as pessoas, como são as pessoas, como viver, conviver com os outros. Acho que é isso ser jovem.”

Aqui percebe-se que a construção de identidade está relacionada com processos decisórios como “vai tomando várias decisões”, e também com a perspectiva de futuro, como se a identidade fosse composta também pelo que está por vir, as “possibilidades”. Além disso, aparece a relação do individuo com ele mesmo e a convivência com os outros, ou seja, o jovem é apontado, como um ser relacional. Essas ideias estão afim com o que o Ciampa diz,que a identidade não está pronta e sim em processo de construção, reconstrução e desconstrução.

Entretanto, vale destacar que esse processo de constituição de identidade, pode ter aspectos vistos de forma negativa. Ainda para a Educadora B, essa fase de experimentação é também de riscos. As características dos jovens são apontadas como:

“Irresponsabilidade, imaturidade, vontade de se testar, uma vontade de provar que é bom, vontade de provar que sabe. De provar que ele sabe fazer alguma coisa, de que ele é bom em alguma coisa.”

Concomitante ao fato de que os jovens parecem ter necessidade de se destacarem, “de provar que ele sabe fazer alguma coisa”, eles nessa tentativa de se diferenciarem uns dos outros, apresentam características comuns e marcadas no corpo físico. Na entrevista do Coordenador A, ele aponta como sendo comum a todos os jovens, as marcas identificatórias no próprio corpo.

“[Tem o] marco geracional em todas elas: é a tatuagem, é o brinco, o perfil do cabelo... uma marca que você vai até o jovem canavieiro, você encontra lá essas marcas geracionais. Essa é uma primeira que eu acho que é definitiva, é algo que perpassa todas as... todo o plural dessa juventude.”

Ou seja, na tentativa de ser tornar único, o jovem cria marcas que o identificam com o grupo e o fazem pertencer a um determinado contexto, seja urbano ou rural, por exemplo.

Analisando-se as citações acima, concluísse que para os entrevistados os jovens são vistos com alto potencial transformador, em uma fase de construção de identidades. Por meio de experimentações tentam inserir-se em diferentes contextos, algumas vezes, de forma irresponsável. São apontadas características corporais como marco geracional.

Abaixo serão analisadas formas de socialização dos jovens presentes nas entrevistas e que foram transformadas em quatro subcategorias de análise: família, escola, cultura e trabalho.

Família

Como visto no Capítulo II, existem duas formas de socialização, a primária e a secundária. A família é a primeira forma de socialização. Para Honneth (2009), o amor é a forma mais elementar de reconhecimento e a família, tem essa função. Ou

seja, o afeto é originalmente experimentado nas relações familiares (famílias monoparentais (feminina ou masculina), biparentais (hetero ou homossexuais) e reconstituídas).

De acordo com Assis (2008):

“Alguns atributos protetores encontram-se associados ao bom relacionamento familiar: possuir mais elevada autoestima, ter mais satisfação com a vida, ser mais supervisionado pelos pais e se sentir mais apoiado emocional e afetivamente.” (p.24). A Educadora B faz uma reflexão a cerca das possíveis configurações familiares e suas funcionalidades:

“Bom, pessoalmente, família... eu vejo família como aquele nucleozinho familiar: papai, mamãe, filhinhos. Mas eu entendo que muitas vezes as pessoas não têm isso, então, as pessoas não têm esse modelo familiar, então seria a pessoa que cuida, a pessoa que se preocupa com essa pessoa, isso já é família. O fato de você se preocupar com o bem-estar, com educação, como está a pessoa, é ser família.”

Aqui percebe-se que a concepção de família inicialmente apresentada é a formação tradicional “papai, mamãe, filhinhos” entretanto, na aparente ausência dessa configuração, é adotada a relação de laços afetivos e de cuidado.

A família, como um núcleo de apoio consanguíneo ou por afeto, pode, como visto no Capítulo III, ser fator de proteção, uma vez que favorece alta autoestima, referência de valores e atitudes, bem como modelo para relacionamentos interpessoais. A ausência de uma família funcional, entretanto, pode ser fator de risco como veremos a seguir.

Outro aspecto levantado pela mesma educadora faz um paralelo entre o espaço físico, que muitas vezes é compartilhado por diferentes famílias, e o respeito pelos espaços simbólicos do “outro”:

“(...) o modo como eles vivem, uma maneira precária, né, porque são casinhas amontoadas, invasão de privacidade, não

ter acesso a uma boa educação, mas ao mesmo tempo eles são pessoas muito educadas, muito humildes, né, então... por conta da família, aqueles que têm um núcleo familiar mais forte, eles têm uma educação assim de não invadir o espaço do outro. Eles são muito educados. E já com pessoas do centro, jovens do centro, eu sinto que eles são muito mais arrogantes, né, apesar deles terem um núcleo familiar, vamos dizer, forte, que cuida dele, eu sinto que eles vão pra cima, que eles “metem” uma banca, que eles chegam junto, né... eles não são pessoas educadas, assim, a meu ver, né.”.

A Coordenadora C e a Educadora B, concordam que o convívio familiar é prejudicado por conta do trabalho e o deslocamento para chegar até ele:

A Coordenadora C articula: “Qual que é a estrutura que essa família tem pra, de fato, passar um tempo com seus filhos, né? Claro que famílias ricas também passam pouco tempo com seus filhos... trabalhar, geralmente, a longas distâncias, voltar e ficar com seus filhos, ou ficar com a sua família.”.

Enquanto que a Educadora B diz:

“Eu acho que o papel da família é dar uma base pro jovem. Incentivar o jovem a se tornar uma pessoa melhor, uma pessoa que estuda, que busca uma outra realidade que não aquela que ele vive. Eu sinto que lá, por exemplo, na zona sul, muita pessoas têm a questão do trabalho, que os pais saem, eles trabalham muito longe, saem muito cedo, demoram muito pra chegar, então eles não tem esse tempo pra conviver com seus filhos, e muitas vezes para educá-los da maneira que eles gostariam, né. Eu acho que tem essa questão, eu acho que é muito importante a família pra construir uma base do que a pessoa deve ser.”

Vale destacar, que nos trechos das entrevistas acima podemos ver é que as funções relacionadas ao emprego/trabalho e seu deslocamento são fatores que dificultam o convívio familiar, mas não o impedem.

A primeira forma de reconhecimento consiste nas emoções primárias, como o amor e a amizade. Para Honneth (2009) o amor é o fundamento da autoconfiança, pois permite aos indivíduos conservarem a identidade e desenvolverem uma autoconfiança, indispensável para a sua autorrealização.

Para Assis (2008):

“Uma delas é a afetiva, quando o adolescente tem alguém que demonstra amor e o manifesta em gestos como dar um abraço e fazendo-o sentir-se querido. Outra forma é o apoio emocional, que se expressa na existência de pessoas que o escutem quando precisa conversar, quando precisa falar de si ou de seus problemas, de suas preocupações, de seus medos mais íntimos e com quem possa relaxar. Outra forma de apoio é a que oferece informações e aconselhamento, ajudando o jovem a compreender uma certa situação. Existem ainda apoios por meio de recursos materiais como pessoas que estejam ao lado da criança e do adolescente para medica-la quando for necessário e ajuda-la nas tarefas diárias. Estar junto de pessoas que são divertidas e alegres é também uma forma de apoio.” (p.23).

A relação com a família de forma amorosa proporciona a dialética de simbiose e autonomia que permite a construção da autoconfiança enquanto elemento indispensável para a participação na vida pública. Ou seja, para Honneth, se essa relação original for amorosa suficientemente ela promover a autoconfiança e a autonomia, a participação política é mais possível.

Se a família é a primeira forma de socialização, a escola faz a ponte entre a socialização primária e secundária. É nela que na maioria das vezes, a criança e mais tarde o adolescente e então o jovem, vivencia experiências diferentes da própria família; como veremos a seguir.

Escola

A Coordenadora C aponta a existência de bons profissionais da educação na região de atuação: “não quero dizer que não tem, pelo contrário, inclusive tinham professores nesse encontro, né, tão acuados quanto os jovens e a gente sabe que tem diretores também, que tentaram fazer trabalhos muito bacanas”.

Mas cita o exemplo de uma diretora de escola que de acordo com ela, não permite críticas ao sistema e censura as manifestações dos alunos:

“(...) mas por exemplo, a gente tem uma diretora aqui na região que ela é muito peitada pela comunidade porque ela coloca ordem na escola. Mas como ela coloca ordem? Tanto os professores quanto os adolescentes, eles ficam extremamente acuados, então, por fazer uma redação que questiona a violência policial, ela começa a fazer perseguição. Por questionar, por ser crítico...”

Esses questionamentos sobre violência, por exemplo, costumam não ser bem vindos à escola, que parece querer ocupar-se apenas com os conteúdos das disciplinas e não com reflexões críticas. Ao que Adorno (1984) chama de “coisificação”:

“Na crença de que a escola deve abarcar apenas e restritamente a constatação de fatos e a aplicação de fórmulas de cálculos, para se proteger a mente da superstição e do charlatanismo, prepara-se o terreno para prevalecer a superstição e o charlatanismo. [...] Na sala de aula, a expulsão do pensamento ratifica a coisificação do homem que já foi operada na fábrica e no escritório.” (p. 47).

Além disso, a Coordenadora C aponta a estrutura física, ou a ausência de escolas, como um grave problema na região:

“Tem um grupo de jovens com quem a gente vem discutindo a questão das escolas. Que tem uma escola que ela tá toda semana alagando. Tem escolas de lata, tem várias escolas de lata aqui. Assim, esse calor que fez, foi um calor terrível, e a escola de lata é extremamente quente, é extremamente quente. E ela foi criada para ser algo emergencial, mas ela tá aí até hoje. Uma escola de lata, por exemplo, ela foi retirada, foi destruída, mas não foi colocada outra no lugar.”

A escola deve ter diferentes recursos para possibilitar o ensino: professores capacitados, condições de trabalho e o projeto pedagógico. Um ambiente físico saudável propicia o aprendizado. Segundo o Diretor do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti (2013):

“Quanto à escola: ela deve oferecer as condições materiais, físicas, pedagógicas e humanas para criar um ambiente propício à aprendizagem. No ambiente oferecido a alunos e

professores de hoje, em muitas escolas, eu me pergunto como eles podem aprender alguma coisa. (p.11)”

Outro problema apontado é o papel de representação estudantil. A Coordenadora C e a Educadora B apontam o grêmio estudantil como uma possibilidade que está sendo manipulada para outros fins:

“Quando o jovem vai tentar se organizar pra fazer um grêmio, a gestão da escola aprova ou não aprova o que ele vai falar. Por exemplo, tem um jornalzinho, “não, isso aqui não pode sair, isso aqui pode, isso aqui não pode”... Então muitas vezes é um grêmio mais de assessoria à diretoria...”

“Eu acho que a escola tem um fator muito decisivo nesta questão de política pros jovens, né, de engajamento. Porque elas começam um gremiozinho na escola, né e sem perceber começam a fazer política. O problema, principalmente na região sul de São Paulo é que tem muito político, tem muito vereador... Eu acho que esses jovens acabam migrando pra essas questões políticas, né e acabam sendo usados por vereadores, para fazer campanha. Por exemplo, o vereador [Nome omitido], sempre tenta pegar os grêmios para fazer campanha pra ele... Todo mundo sabe já...”

Os grêmios estudantis podem ser exercícios de protagonismo juvenil e de participação política. Por fazerem a ponte entre os diferentes atores da escola: direção, professores, funcionários, pais e alunos, exercitam também formas de comunicação e mediação de conflitos. Podem servir como catalizadores de mudança em toda a comunidade escolar. O que vemos, entretanto, nas entrevistas, é que os grêmios são utilizados para fazerem propaganda da direção da escola ou campanha política, ou seja, uma manipulação equivocada de um instrumento de participação democrático.

Segundo Abramovay (2003):

“Uma escola protetora é aquela que cuida do seu corpo docente e discente. Pesquisas brasileiras e latino-americanas efetuadas pela Unesco têm evidenciado que é possível existir escolas com elevado desempenho acadêmico dos alunos apesar do reduzido nível educacional e sócio-econômico dos pais. Nessas instituições, as quais a Unesco chama de ‘inovadoras’ e

‘destacáveis’, constata-se um leque de mecanismos de proteção: clima dialógico na comunidade escolar; valorização dos estudantes enquanto protagonistas; trabalho coletivo; autoridade escolar compartilhada, existindo uma evidente liderança dos diretores; planejamento participativo; rotinas e atividades que vão além dos horários escolares; relação de afeto, de respeito, de diálogo e de confiança entre alunos e professores e gestores; participação da família e da comunidade nas atividades educacionais; re-significação do espaço físico da escola; incremento da sociabilidade e construção do sentido de pertencimento; gestão inovadora, aberta e flexível às mudanças; administração eficiente e estabilidade de recursos financeiros e materiais necessários às atividades (recursos colaborativos dos pais e da comunidade). Os fatores que tornam essas escolas relevantes não são os investimentos tecnológicos e sim sua forma de gestão e seus processos pedagógicos centrados em valores muito especiais.” (p.26).

Como diz Graciani (2006), as crianças os adolescentes e os excluídos têm como prioridade na vida cotidiana a luta pela sobrevivência e subsistência, que é encontrada no trabalho e não no "estudo", uma vez que já foram expulsos da escola formal.

Logo, passaremos para análise da categoria trabalho. Trabalho

O trabalho também é apontado como sendo algo diferente entre os jovens moradores de periferia e os que não moram nessas regiões. Principalmente no que diz respeito à falta de opção, como veremos abaixo.

O Coordenador A, aponta uma mudança no contexto brasileiro nos últimos anos.

“Se você pegar 2004 até 2008, você tinha uma onda de desemprego muito grande no Brasil. Portanto, o perfil que nós pegávamos mais eram jovens de 17, 18, muito pouco de 20. Hoje, o perfil da economia, esse tempo já tá mudando, os jovens da faixa etária estão indo para o trabalho e quem está ficando no programa são os jovens de 11 e 16, muito raramente, 17 anos, e essa mudança é importante porque você

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