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O período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial marcou o surgimento daqueles que se tornariam os dois principais jornais do estado até os dias atuais: A Gazeta e A Tribuna. Lançada em 11 de setembro de 1928, A Gazeta foi fundada pelo empresário Ostílio Ximenes, dono da Imobiliária Cambury, e pelo advogado, jornalista e político Adolpho Luis Thiers Vellozo. O objetivo do diário não tinha nada de jornalístico. A intenção era usar as páginas do veículo para publicar anúncios que ajudassem Ximenes a vender terrenos que possuía em Camburi. “O loteamento não foi vendido, mas o jornal teve boa aceitação e continuou como uma opção de negócio” (MARTINUZZO, 2005, p. 70).

Nos anos seguintes, A Gazeta assumiu um viés político que lhe acompanharia por décadas. Primeiro, após o fim da Segunda Guerra, o jornal foi vendido a Eleosippo Rodrigues da Cunha. O fazendeiro de São Mateus tinha a intenção de fazer campanha política para o brigadeiro Eduardo Gomes, integrante da União Democrática Nacional (UDN) e candidato à Presidência da República, em 1946. Mas a derrota na eleição fez Eleosippo desistir do negócio (MARTINUZZO, 2005, p. 71).

A Gazeta mudou de lado político ao ser adquirida por Alfredo Alcure, representante do Partido Social Democrata (PSD), a pedido do grupo ligado a Carlos Lindenberg, um político de direita, proprietário de terras, criador de gado e plantador de cacau. Aos poucos, porém, os membros da sociedade que administrava o jornal foram vendendo suas cotas para Lindenberg, que, em 1948, já governador, tornou-se o principal acionista do diário, desde então nas mãos da mesma família.

No primeiro mandato de Carlos Lindenberg, em 1947, o jornal “torna- se um porta-voz do governo”. Na verdade, o jornal havia sido comprado por um “testa-de-ferro” de Lindenberg para atender às exigências do governo do PSD. A Gazeta tinha público leitor bastante restrito, mais urbano e mantinha-se com o resultado da venda avulsa, pouco expressiva em relação ao todo que o jornal gastava, como é ainda hoje (MARTINUZZO, 2008, p. 147).

Coube a Reis Vidal, um jornalista vindo de São Paulo, fundar A Tribuna, em 22 de setembro de 1938. O jornal mudou várias vezes de proprietário nas décadas seguintes. Primeiro, foi comprado por um grupo ligado ao Partido Social Progressista (PSP), de Ademar de Barros, no início da década de 1950. Depois, em 1968, devido a problemas financeiros, o diário foi adquirido pelo grupo João Santos, ligado à fabricação de cimentos (MARTINUZZO, 2005, p.104).

Tanto a história de A Tribuna como a de A Gazeta serão aprofundadas em capítulos seguintes, dedicados ao estudo de caso de cada um desses veículos, partindo do momento em que passaram a ser propriedade dos atuais donos.

A Gazeta e A Tribuna não reinaram sozinhas nos primeiros anos de existência. Em 1º de maio de 1945, foi lançada a Folha Capixaba. Apesar de ser dirigido por João Calazans e Érico Neves - donos da tipografia onde era rodado -, o jornal era controlado pelo Partido Comunista Brasileiro, cujos membros eram responsáveis pela redação, administração, distribuição e pelas assinaturas (MARTINUZZO, 2005, p. 270).

Politicamente, a Folha Capixaba fazia oposição a Tribuna, que era considerada “integralista” e “reacionária”. Porém, mantinha relação cordial com A Gazeta, cujos jornalistas chegaram até a trabalhar nesse diário comunista durante um período.

Nas questões locais, o jornal atuava bastante como órgão de denúncia, retratando os problemas sociais daquele período, como as dificuldades dos trabalhadores rurais, as obras de construção do porto de Vitória, as deficiências de saneamento e infraestrutura dos bairros. Além disso, divulgava eventos da cidade, tanto culturais, como peças de teatro, quanto políticos, como reuniões de sindicatos (MARTINUZZO, 2005, p. 274).

O diário se mantinha, financeiramente, graças a anunciantes mais populares, como açougues, farmácias, sapatarias, fábrica de móveis, laticínios e loja de materiais de construção (MARTINUZZO, 2005, p. 275). Mas, como órgão do Partido Comunista, a Folha Capixaba não resistiria ao golpe militar de 1964. O jornal foi confiscado, o material foi queimado e seus responsáveis acabaram presos temporariamente. Desde então, não circulou mais.

Alguns impressos foram desaparecendo com o passar dos anos. Nas últimas décadas do século XX, raros jornais conseguiram desafiar o domínio de A Gazeta e A Tribuna no cenário estadual. Um deles foi O Diário. Considerado um grande laboratório para a formação de jornalistas, esse jornal começou a circular em 1955, sob o controle de membros do Partido Social Democrático (PSD). Assim, inicialmente, fazia oposição ao então governador Francisco Lacerda de Aguiar. Isso até entrar em

crise financeira e ser comprado pelo empresário carioca Mário Tamborindeguy, que passou a usar O Diário para apoiar Francisco Lacerda de Aguiar. Os alvos da vez passaram a ser os ex-governadores Carlos Lindenberg (proprietário de A Gazeta) e Jones dos Santos Neves (MARTINUZZO, 2005, p.156).

Francisco Lacerda de Aguiar chegou a assumir de vez o controle de O Diário, no fim da década de 1950. Porém, após o golpe militar, ele teve de renunciar ao cargo de governador, em 1966, vendendo também as suas cotas no jornal, que passou a ser dirigido por Edgard dos Anjos. Seria na década de 1970 que o impresso viveria seus anos dourados.

No último ano da década de 60, a linha política adotada anteriormente pelo jornal estava praticamente abandonada. Prevalecia a editoria de Polícia. Tanto que aí se registrou a maior venda de exemplares do jornal na sua história, com a cobertura da ação do Esquadrão da Morte, famoso grupo formado por policiais civis, no final dos anos 60, que decidiram agir como justiceiros, caçando e eliminando os bandidos, sem levá-los à Justiça (MARTINUZZO, 2005, p. 158).

Nessa época, o jornal passou a vender quatro vezes mais do que o normal, chegando a uma tiragem de 12 mil exemplares. O período dourado, no entanto, durou pouco. Em crise, o jornal saiu de circulação em 1980. Mas deixou um legado de inovações no cenário local, como: o pioneirismo na veiculação de cadernos especiais; o suplemento Jornal Social, assinado por Hélio Dórea e Elcio Álvares; e a montagem de um departamento fotográfico próprio (MARTINUZZO, 2005, p. 160-161)

Um novo jornal, de circulação em todo o estado, só voltaria a surgir em 2000, quando a Rede Gazeta lançou o Notícia Agora. Voltado para atender aos interesses das classes mais populares, o tabloide fez parte da estratégia adotada pela empresa para conter o avanço de A Tribuna no mercado, que havia derrubado A Gazeta do posto de líder em circulação, no fim da década 1990 (MARTINUZZO, 2005, p. 131).

Nessa mesma época, começavam a ganhar força os sites de notícias, como o Gazeta Online, lançado em 1996 pela Rede Gazeta, a princípio como uma versão online do impresso. Posteriormente, ganhando vida própria como fonte diária de informações em tempo real. Seu principal concorrente, ainda hoje, é o Folha Vitória, jornal online de conteúdo gratuito lançado em 2000 pela Rede Vitória, pertencente ao Grupo Buaiz.

Em março de 2014, mais um impresso foi lançado no Espírito Santo. Com tiragem de 30 mil exemplares, o Metro Espírito Santo passou a ser distribuído

gratuitamente, de segunda a sexta-feira (exceto feriados), em pontos de Vitória, de Cariacica, da Serra e de Vila Velha. A partir de 31 de janeiro de 2017, a circulação se estendeu também para alguns municípios do interior do estado.

No Capítulo 2, o foco estará na migração do papel para o digital. De que maneira o processo de convergência entre as mídias, a formação de redações multimídias e o comportamento hiperconectado dos leitores têm influenciado os veículos impressos? Para não serem extintos, os veículos precisam se transformar (DINES, 1986, p. 43). O desafio que se apresenta para os jornais é repensar a própria estrutura ante as novas formas midiáticas.

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