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Na várzea do Assu aprendi a carta de abecê, menino grande, numa escola particular, no Pôço da Lavagem...

Ainda guardo na lembrança a figura de minha velha professora, da sua casa entre os carnaubais farfalhantes, com a sala repleta de alunos cantando a tabuada nos dias de sabatina, puxada a bolo de palmatória.

(José Bezerra Gomes)

Filho de uma rica19 e tradicional família seridoense, José Bezerra Gomes nasceu herdeiro de coronéis. O Capitão-Mor Cipriano Lopes Galvão20, fundador da

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João Franzen de Lima, um dos contatos que José Bezerra Gomes mantinha no Governo do Estado de Minas Gerais, agradeceu através de carta enviada em 10 de novembro de 1969, um presentinho que recebeu do amigo. Trecho que passamos a reproduzir: “Nunca me esqueci de você e lembro-me sempre de uma velha passagem por aqui, por ocasião da qual me mandou de presente um vidrinho cheio de ouro em pó, parece que de sua mineração.” (Cf. Anexo B)

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Coronel do Regimento da Ribeira do Seridó e donatário das terras do Totoró. Fundou um pequeno vilarejo que com o passar dos anos tomou ares de uma região de grandes prosperidades. Primeiramente, ficou conhecida pelas vastas áreas de criação de animais. O Seridó era um grande pasto. Mais tarde, os agricultores descobriram a riqueza da cultura do algodão mocó, que segundo os historiadores locais surgiu como segunda atividade do ciclo econômico da região. Por volta da década de 40, foram descobertas suas primeiras jazidas minerais. O Sítio Brejuí, local do nascimento de José Bezerra Gomes, se tornou uma sólida empresa de minérios (Mineração Tomaz Salustino S.A., a maior empresa do setor de toda a América Latina, por volta de três ou quatro décadas), tendo como o carro chefe da sua produção a extração da sheelita, minério

cidade de Currais Novos, é o seu ancestral mais ilustre. O enlace matrimonial de Napoleão Bezerra de Araújo Galvão e Veneranda Bezerra de Melo veio fortalecer a hegemonia econômica das famílias Araújo Galvão e Gomes de Melo Lula. Dessa união surgiram três varões: Napoleão Bezerra Júnior (Poti), José Bezerra Gomes e Osvaldo Bezerra de Araújo Melo.

Foi na década de 30 que a família do Coronel Napoleão Bezerra transferiu- se para Minas Gerais. Nessa época, Gomes havia feito o Curso Primário ainda em sua cidade natal, no Grupo Escolar Capitão-Mor Galvão (1920-1925) e o Curso Ginasial no Ateneu Norte-Rio-Grandense (1926-1930), em Natal. Estabeleceram- se em Figueira do Rio Doce, hoje Governador Valadares. Segundo os familiares foram as dificuldades financeiras que levaram o patriarca a tomar a decisão de fixar residência no sul do país. E acrescentam o fato de que, chegando lá, ele passou a trabalhar na construção de estradas, rodovias e pontes, enquanto que a esposa, Dona Venera, como era chamada, dedicava-se exclusivamente à educação dos filhos. Ela teve uma significativa importância na vida de José Bezerra Gomes. A superproteção dos cuidados maternos perdurou a vida toda e a convivência de ambos foi até a sua morte. Dona Veneranda morre um ano após o falecimento de Seu Gomes. O poema “Uma Noite”21, publicado pelo jornal A República, em 31 de maio de 1956, em homenagem ao Dia das Mães, sintetiza essa relação mãe-filho:

essencial para indústria bélica. Dois grandes conflitos (II GM e Guerra do Vietnã) contribuíram para o surto de desenvolvimento local.

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Alguns anos depois José Bezerra Gomes publicou esse poema com modificações (no título e acréscimo de 7 versos) no Suplemento de O Poti , em 27 de julho de 1980.

Uma noite – Minha mãe... Outra noite – Minha mãe... Muitas noites – Minha mãe... Todas as noites – Minha mãe...

José Bezerra Gomes foi um dos 150 formandos da turma de 1936 do Curso de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Quando entrevistado pela Folha de Minas, em 30 de agosto de 1936, logo após a sua formatura, Gomes fala que, mesmo diante de algumas propostas de trabalho em São Paulo e no Rio Grande do Sul, ele optou por “concluir um romance que estava escrevendo para depois escolher rumo”. O tal romance a que ele se refere trata de Os Brutos. A sua carreira como bacharel não decola já desde o início. A resposta que José Bezerra Gomes dá a esta enquete sintetiza a problematização em foco no segundo romance, Por que não se casa, doutor?: bacharel recém-formado e sem perspectivas na vida e no trabalho.

Segundo Cortez Pereira22, ele era um homem desconfiado e triste. Manoel Onofre Júnior em Ficcionistas do Rio Grande do Norte (1995), num pequeno relato, faz um retrato que revela um pouco da personalidade de José Bezerra Gomes: “...homem baixo, troncudo, de cabeça arredondada com uma imensa careca. Moreno e cerimonioso, tinha nos lábios finos, permanentemente um meio sorriso irônico.”

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José Cortez Pereira, ex-governador do Estado do Rio Grande do Norte, em entrevista ao DN, Revista, Natal, 22 de maio de 1993.

De acordo com os depoimentos de pessoas que conviveram com ele, destaca-se seu estilo pessoal de andar, falar e vestir, sua maneira displicente de ser. Sempre curvado sobre seu próprio corpo, como se carregasse o mundo às suas costas. Gomes era uma pessoa tímida e de difícil relacionamento. Deve-se em parte ao fato da sua dificuldade na linguagem atrapalhar a comunicação diária. Em sua própria cidade natal, Currais Novos, ele encontrou a solidão e muita discriminação pelo seu comportamento incomum. O “doido de Dona Venera”, como era chamado, conforme o relato de Cortez Pereira, recusava-se a falar sobre dois assuntos: o seu livro de estréia, Os Brutos, e a sua filosofia política. Isso porque Os Brutos foi um escândalo. Chocou a população de Currais Novos, uma das mais conservadoras do Estado do Rio Grande do Norte, na opinião de Cortez Pereira. De repente, Gomes abriu as portas dos currais23 e, ainda que na ficção literária, ele expôs as contradições sociais e os dramas humanos desenvolvidos numa trama que teve como palco aquela pequena cidade. A leitura do romance foi proibida aos mais jovens. Cortez Pereira lembra: “...Meu pai, Vivaldo Pereira, mantinha o livro guardado no cofre. Foi no cofre que encontrei o livro, que li, inteirando-me da sua crítica à sociedade.” Ainda segundo o ex- governador, Os Brutos foi o primeiro livro censurado pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), um antigo órgão do governo de Getúlio Vargas, responsável por controlar e censurar manifestações ditas contrárias ao seu governo.

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A expressão ‘currais’, aqui empregada no sentido figurativo, tem a função de enfatizar o pensamento provinciano que julgou e sentenciou o livro de José Bezerra Gomes. Também faz referência à questão histórica de que o Seridó era um grande curral de criação de animais.

Acusado de pertencer à corrente comunista, tanto Gomes quanto a sua obra foram sentenciados ao isolamento. As pessoas não falavam com ele e não queriam ser vistas com seu livro nas mãos. Segundo o seu primo, Mateus de Medeiros Lula24:

Gomes foi muito polêmico e a sociedade não aceitou. Ele era taxado de comunista. Na década de 30, quem era comunista nesse país, na época de Getúlio Vargas, era muito perseguido. Ele foi coroado, perseguido e por outro, escorraçado. Seus parentes mesmos, os curraisnovenses, muitos deram às costas para José Bezerra Gomes. Porque tinham medo que ele fosse comunista, mas ele não pregava, ele não era um pregador. Esse livro, Os Brutos, taxavam de comunista. Conversando comigo ele nunca se expressou pra dizer assim, “meu primo, olhe eu gosto do Partido Comunista, eu concordo com Luiz Carlos Prestes”. Ele nunca se expressou comigo dessa maneira, mas, no entanto, aqui tinha aqueles que o taxavam de comunista. É por isso que o livro Os Brutos era desaparecido, porque quem tinha achava que tinha uma coisa que podiam acusá-lo, a pessoa tinha medo de dizer assim: eu encontrei fulano com Os Brutos na mão. A pessoa tinha medo de ser taxada de comunista porque apanhava, levava surra, ia preso, e às vezes até desaparecia, isso passou muito tempo. Isso influenciou muito na vida dele, teve uma influência espetacular. Ele ficou assustado, era um homem assustado. José Bezerra Gomes era um homem assustado.

José Bezerra Gomes foi um homem de idéias avançadas para a sua época e, como todo vanguardista, ele também não foi compreendido durante a sua existência, cabendo às futuras gerações reconhecer o seu talento. Sob o ímpeto da juventude, durante a sua permanência em Belo Horizonte, Gomes foi ativista em movimentos sociais contra a política getulista da década de 30. Conta Medeiros que ele foi pego nas ruas de Belo Horizonte de rifle na mão. Foi preso e enquadrado como arruaceiro:

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...foi na época de uma política muito ditatorial no Brasil, na época de Getúlio Vargas. Gomes foi um estudante movimentado lá em Belo Horizonte. Contam que ele foi preso de rifle na mão, ficou preso e tia Venera, que era uma mulher corajosa, destemida (isso ela contou a mim de viva voz), foi ao Rio de Janeiro pedir a Getúlio para mandar soltá-lo. Tem até uma passagem interessante: tia Venera na presença de Getúlio foi se ajoelhando para pedir de joelhos. Ele pegou no braço dela e disse: levante- se minha senhora. Ele deu a liberdade a José Bezerra Gomes, mandou soltá-lo.

Após esse incidente em Belo Horizonte, o nosso escritor, já perturbado mentalmente, passou a fazer referência ao Exército Brasileiro e elogios ao getulismo em seus poemas. Chegou a escrever uma biografia do Duque de Caxias, dividida em 7 ou 8 pastas. Falava do patrono do Exército Brasileiro como se fosse uma pessoa santificada, muito elevada. A sua postura elogiosa à política getulista parecia uma demonstração de agradecimento, surto provocado pela sua doença ou mesmo medo pelo que lhe tinha acontecido.

Sobre o seu jeito balanceado de andar, Medeiros explica:

José Bezerra Gomes foi um rapaz que teve uma vida muito tumultuada. Ele gostava muito de farras. Ele bebia. E numa dessas farras num tempo onde em Natal, o Alecrim era ainda pouco habitado. Lá havia umas escavações para um trabalho de saneamento, diz que ele vinha embriagado... lá debaixo da Ribeira. Ele vinha da zona, pisou em falso na beira de um buraco, caiu no buraco e quebrou uma perna, por isso que ele tinha um andar balançado. Ele andava se balanceando. Ele quebrou uma perna. Eu lembro demais, ele deitado numa cama, com um peso, um saco de areia dependurado pra puxar a perna à posição e ainda ficou mancando com uma diferença muito grande.

Tal fato pode ter ocorrido nos primeiros anos da década de 40. José Bezerra Gomes residia à Rua dos Pajeús, 1730, no Alecrim, juntamente com a sua mãe, Dona Venera. Franklin Jorge Roque25 lembra que em suas conversas com José Bezerra Gomes o assunto do casarão da Pajeús era sempre o predileto do poeta. Falava do amplo espaço que a área continha e principalmente do seu pomar de frutas. Segundo Gomes aquela rua “teria sido, na sua imaginação, o coração de uma grande aldeia de índios”. Sem nenhuma modéstia, dizia ele que a Pajeús26 passaria à História, quando escrevessem a sua biografia. A imprensa publicou nota sobre o acidente que resultou na fratura de uma das pernas de Seu Gomes, que, mesmo acamado e impossibilitado de desenvolver suas atividades habituais, não conseguia se separar da sua máquina de escrever: “ele escrevia, ele botava a máquina aqui em cima e datilografava”, diz Medeiros.

Enquanto parlamentar da Câmara dos Vereadores da cidade de Currais Novos e defensor da preservação da cultura local, Gomes elaborou um projeto que criava um arquivo geral viabilizado através de uma Diretoria de Documentação e Cultura. Como dado histórico, Currais Novos foi a primeira cidade do Rio Grande do Norte a possuir uma secretaria específica para esse fim. Tal projeto27 “previa a criação de um teatro municipal, biblioteca, cinema educativo e radiodifusão de fomento ao turismo e amparo aos folguedos tradicionais”.

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ROQUE, Franklin Roque. Memorabilia. Natal: DN Revista, 22 de maio de 1993. Ano I, Nº 02.

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Em A cor do sentimento do mundo (2001) o poeta André Alves homenageia José Bezerra Gomes com o poema A casa da 8: Na casa da 8 / a placa na parede encardida / dizia com

destaque / Dr. José Bezerra Gomes / Advogado / não informava que o poeta de / “naquele sábado / a música daquele sábado” / era filho de dona Veneranda / a dona Venera de tanta energia / que mesmo sem sair da cama / era senhora de tudo / cheio de paciência / o poeta tomava sopa / e escutava meus pobres versos de menino / sem nem ao menos fazer careta / havia uma leve poeira / indicando nosso estratosfericamente / distante parentesco

Veríssimo de Melo em “Vereadores contra a cultura”, que se encontra na coluna “Dois dedos de prosa”, publicada no jornal A República, em 27 de agosto de 1948, notifica que, a princípio, o projeto mencionado não teve a aprovação dos vereadores para ser posto em execução. Podendo ser realizado após o vencimento de alguns entraves. “Dr. Gomes instalou a Biblioteca Municipal no Salão Nobre da Prefeitura (...). Colocou em funcionamento o Serviço de radiodifusão, utilizando-se do serviço de alto-falante do Aero-Clube (...). Reuniu, ainda, peças para montar o Museu, não chegando, porém, a expô-las.” (SOUZA, 1994, p. 7)

José Bezerra Gomes era um escritor de muitas manias. Uma delas era o zelo por sua identidade. Depois de ter seus trabalhos datilografados, segundo o relato de Medeiros,

ele empacotava, amarrava, passava um cordão, olhava, botava o nome dele em cima. Em tudo ele colocava o seu nome por extenso: José Bezerra Gomes, advogado, endereço, tudo direitinho. Ele era muito seguro com a sua identidade.

Outra era fazer índices (selecionava material para publicação), organizar arquivo e fazer propaganda do seu próprio nome. E nisso ele foi um bom articulador:

O romancista José Bezerra Gomes encontra-se nesta capital desde algumas semanas. Num breve contato que tivemos, ontem, José Bezerra Gomes informou-nos que está em plena atividade literária, tendo alguns

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Este projeto em cópia mimeografada e assinada pelo próprio autor está entre os documentos particulares de José Bezerra Gomes no acervo da Fundação Cultural José Bezerra Gomes.

livros ‘encomodando vários prelos nacionais’. (A República, 31 de maio de 1956)

Atentamos para a expressão em destaque ‘encomodando vários prelos nacionais’. A idéia que transmite é a de que suas publicações estão a pleno vapor. No entanto, não foi o que realmente aconteceu, pois parte da sua obra ainda permanece inédita. Para Medeiros,

José Bezerra Gomes era um homem enigmático. Tinha uma atividade literária intensa: escrevia, modificava, rasgava, jogava fora... e iniciava tudo outra vez. Era um homem que não sabia viver no anonimato.

José Bezerra Gomes realizou algumas tentativas mal sucedidas à procura de patrocínios editoriais para publicação de sua obra inédita. Esse fato pode ser observado através do registro das cartas trocadas entre ele e Afonso Arinos de Melo Franco (Diretor Cultural da Livraria José Olímpio Editora, durante a década de 60, aproximadamente). Gomes desejava ter suas Cartas a um Escritor de Província incluídas na Coleção Documentos Brasileiros. Após vários “nãos”, mascarados em gentis justificativas, ele resolveu doar à Biblioteca Nacional essa obra, por meio de procuração, constituindo seu procurador o próprio Afonso Arinos de Melo Franco. Numa outra carta datada a 26 de setembro de 1975, que passamos a transcrever José Bezerra Gomes dirige suas palavras ao rogo de ser atendido pela editora (Ver Anexo B):

Com a presente carta, consulte-vos se há possibilidade da Livraria José Olímpio Editora promover, na forma usual, para o autor, a edição do

seguinte livro, de minha autoria: “Deus na Poesia Universal”, o original, em única vida, datilografada, em meu poder, apta, para impressão gráfica contém cincoenta e duas (52) páginas, numeradas.

Os proprietários da Editora Irmãos Pongetti sempre estabeleceram uma boa relação de amizade com José Bezerra Gomes. Rodolpho e Ruggero Pongetti creditaram confiança no talento do autor de Os Brutos quando financiaram sua publicação em 1938. Alguns anos após concluir a escrita de Ouro Branco, Gomes manteve contato com o sucessor dos Pongetti, Rodolpho, inicialmente para que fizesse um cálculo do total das despesas da impressão de 500 exemplares da obra e certamente mais tarde deve ter solicitado alguma ajuda de custo. Os originais do romance ficaram de posse do editor por algum tempo, presos pelo embargo da falta de capital. Em carta remetida a 3 de setembro de 1969, Rodolpho Pongetti, desolado, lamenta não poder patrociná-los (Ver Anexo B):

Devolvendo-lhe os originais, sinto um grande pezar. Ainda me lembro dos bons tempos das edições-Experiência, algumas das quais revelaram bons escritores. Tudo era tão fácil e barato que o editor podia incentivar de fato os escritores.

(...)

Deixo aqui o meu fraternal abraço, fazendo votos que o prezado amigo encontre alguém capaz de lhe dar o justo prazer de publicar seus excelentes originais.

O fato de que José Bezerra Gomes “não sabia viver no anonimato” é uma matéria que merece um capítulo à parte. Ele foi seu próprio empresário. Fazia um pouco de tudo: escrevia, mantinha contato com editores, fazia marketing da obra

(enviando para escritores, editoras, bibliotecas, instituições nacionais e internacionais28) e divulgava seu nome (nunca perdeu uma oportunidade para falar de si próprio). Chegou a enviar uma carta ao Vaticano, presenteando Sua Santidade o Papa João VI com um dos seus poemas (Ver Anexo B).

As suas visitas à Natal eram sempre noticiadas pelos jornais locais:

O romancista José Bezerra Gomes, advogado ambulante, vinha semanalmente à cidade com grandes planos, atrás de fundar não-sei- quantas revistas e de publicar não-sei-quantos livros... Ficava horas e horas na redação do O DIÁRIO contando as piadas de seus próprios personagens... E ria-se mais do que todo o mundo. (O Diário, 30 de março de 1944).

O romancista José Bezerra Gomes está circulando pela cidade. Ainda ontem, na presença do romancista João Alfredo Pegado Cortez, Bezerra Gomes ofereceu-nos o seu último poema, intitulado ‘VÔO’, e que se resume em duas palavras: VÔO/ – Semblantes/contritos... Declarou Bezerra Gomes que aí está uma impressão da viagem por avião que fez de Natal a Lisboa durante a guerra. (A Républica, 07 de março de 1958).

Além dos jornais natalenses, O Jornal do Comércio de Recife foi outro meio de divulgação da obra do escritor curraisnovense. Fora esse órgão de comunicação, Bezerra Gomes também colaborou com outros jornais, revistas e suplementos literários, tais como: Folha de Minas, Estado de Minas, Do Grifo e

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José Bezerra Gomes enviou exemplares das suas obras para: New York University – Department of Spanish and Portuguese (New York – Estados Unidos), Biblioteca do Vaticano (Roma – Itália), Buenos Aires (Argentina), Guayaquil (Equador), The Library of Congress (Washington D.C. – Estados Unidos), The Shakespeare Centre (Stratford-upon-Avon – England), La Prensa (Buenos Aires – Argentina), Club Atlético Argentino de Quilmes (Argentina), The Hispanic Foundation in the Library Congress (Washington D.C. – Estados Unidos), e no Brasil para: Academia Nacional de Letras, Livraria José Olímpio Editora, Biblioteca do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, Nilo Pereira e outros escritores brasileiros... Algumas das cartas de José Bezerra Gomes devem ter sido extraviadas. Na seleção do material encontramos apenas essas que fazem referência à divulgação da sua obra.

Surto, de Belo Horizonte; Boletim de Ariel (mensário crítico-bibliográfico que tinha Agrippino Grieco como redator-chefe), Diário de Notícias, O Jornal e Leitura, do Rio de Janeiro; Clã e O Estado, de Fortaleza; A República, O Diário, Folha da Manhã, Tribuna do Norte, O Correio do povo, O Poti, O Democrata e Bando, de Natal; Diário de Pernambuco e Nordeste, de Recife. Os Brutos ainda conseguiu suscitar comentários de colunistas e devotos da crítica literária de vários informativos de diferentes cidades do país: Folha de Minas, Estado de Minas, Momento, Minas Gerais, O Diário, Literatura, A Nação e Diário da Tarde, de Belo Horizonte; O jornal, Diário de Notícias, Boletim de Ariel, Vamos Ler!, Dom Casmurro, Pan, Revista Acadêmica, O Globo e Esfera, do Rio de Janeiro; Gazeta de Alagoas, de Maceió; Gazeta de Pernambuco, de Recife; Imprensa Oficial, de

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