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Contudo, retomando a sequência constante da Figura 2.6., baseada no modelo de Schmoll (1977) e na extensão proposta por Cooper et al (2001), importa enfatizar que o facto de uma pessoa estar motivada para viajar não invalida a incidência de vários factores, uns de natureza pessoal e outros de carácter racional, os quais influenciarão decisivamente a opção final da deslocação. Assim, Cooper et al (2001) relevam o papel dos denominados elementos “geradores da procura”, onde considera o papel desempenhado pelos estímulos à viagem (promoção, recomendações comerciais, literatura de viagens, e opiniões do círculo de amigos e de familiares) e pelas designadas variáveis externas (confiança no agente de viagens, experiências de viagens anteriores, avaliação dos riscos inerentes à deslocação e restrições ao nível do tempo disponível e dos preços). Tratam-se de vectores que podem ampliar ou reduzir as forças de motivação para a deslocação turística e que derivam de um processo baseado em atitudes e associações interiorizadas pelo potencial consumidor, com origens em fontes diversificadas, as quais oscilam entre as mensagens promocionais, as informações disponíveis, a imagem dos destinos e a experiência sobre o próprio produto turístico. •••• Fugir de problemas •••• Sair da rotina •••• Descansar •••• Sair da poluição •••• Sentir-se livre DESEJOS

•••• Diversão, interesses culturais

•••• Congressos, visitar feiras ou exposições

•••• Conhecer novos lugares e pessoas

•••• Actividades desportivas

•••• Gastronomia, aventura

Mas, um foco particularmente importante no processo de formação da procura turística na óptica do consumidor reside na observância dos aspectos determinantes sociais e pessoais, os quais, segundo Cooper et al (2001), podem ser divididos em dois grupos. Um primeiro, ligado ao estilo de vida e que inclui factores como o rendimento disponível, a posse de emprego estável, o direito a férias pagas, o tipo de habitat da zona de residência, o nível educacional, a mobilidade pessoal, a raça e o sexo. Nos parâmetros associados ao ciclo de

vida, Cooper et al fazem depender as experiências turísticas da idade cronológica,

acentuando que o critério da “idade doméstica” ainda traduz melhor a explicitação das características marcantes de cada fase.

Quadro 2.16. – Factores ligados ao ciclo de vida (idade doméstica)

• Infância – férias escolares ou em grupos sociais;

• Adolescente/jovem adulto – alta propensão à viagem; uso de transportes de superfície; hospedagem alternativa;limites derivados da componente financeira;

• Casamento – viagens organizadas e familiares; a importância da chegada dos filhos;

• “Estágio Nicho Vazio” – a independência em relação aos filhos aumenta a propensão à viagem; o mercado de cruzeiros é típico desta fase; abrange sobretudo a população de “meia-idade”;

• Idosos – grupo activo e móvel da população; férias mais “fixas” e baseadas no alojamento. Fonte: Elaboração própria a partir de Cooper et al (2001)

Tendo por base o aprofundamento da investigação de Cooper, o qual analisou os estudos efectuados por Wells e Gubar (1996) sobre o ciclo de vida das famílias nos Estados Unidos, torna-se possível distinguir os elementos que em cada estádio determinam os comportamentos – preocupações, interesses e actividades – os quais produzem combinações específicas nos diferentes momentos. Por outro lado, a estrutura do ciclo de vida também pode ser cotejada com algumas variáveis da componente “estilo de vida”, nomeadamente com o rendimento disponível, o que conduziu à situação decorrente da figura seguinte, classificada por Cooper et al como um dos paradoxos do lazer tradicional.

Fonte: Cooper et al (2001)

Assinale-se a justaposição de duas curvas com um traçado inverso, o que evidencia que os equilíbrios têm que ser garantidos entre as duas variáveis em apreço nas várias fases consideradas. Se a denominada meia-idade poderá constituir em muitas circunstâncias o estágio onde os rendimentos serão mais elevados, também constituirá a fase da vida onde

Figura 2.9. –Paradoxo do lazer

Critério da Renda Critério do

Tempo

as limitações serão mais marcantes em termos do tempo disponível para as práticas de lazer. Como se demonstrará posteriormente, a abordagem do ciclo de vida constituirá um elemento preponderante na apreciação dos comportamentos associados ao turismo interno, sobressaindo como uma base muito significativa de segmentação do mercado.

Para concluirmos a referência aos elementos que intervêm na realização das viagens turísticas e na escolha de um destino entre várias alternativas, impõe-se uma menção aos chamados factores racionais, os quais não surgem directamente associados ás características pessoais dos turistas, dependendo sobretudo de elementos muito concretos decorrentes das condições objectivas dos destinos e da sua própria imagem. Devemos, então, considerar neste plano:

 A oferta turística e os seus recursos primários (património natural e cultural,

equipamentos, actividades e eventos);

 As infra-estruturas e os equipamentos turísticos, os quais constituem os denominados

recursos secundários (alojamento turístico, estabelecimentos de restauração e de bebidas, agências de viagens, transportes internos, acessos, entre outros);

 E, as condições da envolvente (nomeadamente, a atitude da população face aos

turistas estrangeiros, a hospitalidade, a estrutura demográfica, a urbanização, o ordenamento do território, o ambiente).

Observa-se assim, que na fase do processo inerente à avaliação de alternativas, entram em linha de conta aspectos relacionados com as condições objectivas dos vários destinos e dos seus respectivos produtos e propostas, bem como a imagem que é projectada dos mesmos. Face aos pensamentos atrás referidos, ressalta a pertinência do modelo dos factores “push” e “pull”, desenvolvido sobretudo por Dann (1981) e Crompton (1979), o qual teve larga aplicação em estudos realizados sobre as motivações turísticas. Os factores “push” residem na incidência dos factores pessoais de índole sócio-psicológica, reportando-se aos vectores específicos que impelem uma pessoa a viajar, ou seja, no fundo, correspondem à consideração dos já citados motivos de deficiência (necessidades) ou de excesso (desejos, aspirações) na classificação de Bacal. Por outro lado, os factores “pull” residem nos elementos que influenciam um potencial turista a escolher um destino, tendo por base os seus atractivos tangíveis e intangíveis.

Neste último domínio, e tal como identificado no campo das motivações pessoais, justifica- se a menção a autores como Fakeye, Crompton, Beerli e Martin (citados por Cunha, 2006), além de Lubbe (1998) e Kim (2003), os quais protagonizaram investigações que permitiram sistematizar e classificar de uma forma exaustiva os vários atributos dos destinos turísticos.

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