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Nesta etapa de diagnóstico em relação à temática, foi realizada a aplicação de um questionário como instrumento de coleta de dados denominado Q1º. Para tornar claro, é interessante destacar que utilizamos esta ferramenta em outro momento da pesquisa, na Etapa 3, o qual denominamos Q2º. O Q1º foi utilizado com professores que atuam no ensino fundamental e com profissionais readaptados em outras funções ou no exercício de cargos como direção, coordenação e atendimento educacional especializado.

O critério adotado para integrar a pesquisa, na ocasião, foi possuir vínculo empregatício efetivo com a rede pública de educação de Natal, além de aceitar e se disponibilizar a participar da pesquisa. De trinta e nove professores que se enquadravam nessa situação, dezenove deles de dispuseram a colaborar.

Para fins de esclarecimentos convém ressaltar que, a partir da realidade encontrada com a aplicação desse instrumento, foi tomada a decisão de limitar a pesquisa aos professores das séries finais do ensino fundamental, embora em alguns momentos tenha acontecido a participação de profissionais com atuações diversas.

No primeiro questionário além das questões especificas de diagnóstico para o trabalho, foi utilizado, também, para recolher dados com o objetivo de traçar uma descrição dos profissionais que fizeram parte da amostra nesta etapa. Para isso solicitamos informações como idade, sexo, tempo de magistério e formação. Com relação ao perfil daqueles que fizeram parte da amostra, constatamos que suas idades variavam entre 31 e 59 anos, com prevalência da faixa etária acima do 50 anos (47%) e constituída de forma majoritária pelo sexo feminino (63%); no que se refere ao tempo de exercício do magistério verificamos que há um predomínio de

professores com atuação há mais de vinte anos e em relação à formação todos possuem graduação ao nível de licenciatura plena; quanto a pós-graduação predomina a especialização, sendo que apenas um deles não a possui.

A partir da disponibilidade dos professores, a aplicação do Q1º foi realizada na própria escola, na maioria das vezes individualmente, em outros momentos com dois ou três nos intervalos das aulas ou em horários disponíveis do planejamento pedagógico, em dias alternados, nos meses de dezembro de 2016 e janeiro de 2017, uma vez que o calendário escolar foi alongado em função de uma greve realizada pela categoria.

O Q1º foi composto por seis questões, sendo duas abertas, três fechadas e uma mista. Para garantir o sigilo e a privacidade das respostas dadas, os mesmos foram marcados, de forma aleatória, com a letra P seguida dos números 1 a 19, forma que identificamos as falas dos professores neste trabalho garantindo, assim, o anonimato.

3.3.2.1 Aspectos comuns entre o Q1º e Q2º

Os questionários aplicados foram elaborados a partir de considerações existentes na literatura, das quais seguimos como referências, tais como a sua extensão, a escrita com um estilo compreensível e direta. (COSTA, MARCO; COSTA, MARIA, 2009).

Para validar tanto o Q1º como o Q2º foram realizados antes da sua aplicação definitiva, um pré-teste com o objetivo de detectar prováveis imprecisões ou lacunas quanto ao modo e a clareza das perguntas postas, (COSTA, MARCO; COSTA, MARIA, 2009), ou outras eventualidades que viessem dificultar os seus propósitos. (CHIZOTTI, 2006). Participaram do pré-teste professores do ensino fundamental com o mesmo perfil daqueles que fizeram parte da amostra da pesquisa, em momento anterior a realização da aplicação definitiva. Além da validação da professora orientadora deste trabalho.

O questionário é um instrumento de pesquisa que possibilita coletar dados de diferentes categorias, ainda que sua finalidade seja a de detalhar particularidades, sejam elas individuais ou coletivas. (OLIVEIRA, 2007).

Baseado em Marconi e Lakatos (1999), destacamos que as principais vantagens observadas por ocasião da aplicação do Q1º foram, principalmente, a economia do tempo e o fato de ter alcançado uma maior quantidade de professores em função da escolha do espaço para a realização. Laville e Dione (1999) compartilham a ideia em relação ao questionário do tipo padronizado, que sua aplicação se caracteriza pela racionalidade, permitindo que não desperdice tempo, recursos e materiais, tendo em vista a possibilidade de atingir, ao mesmo tempo, um percentual significativo de indivíduos a serem investigados.

Outras vantagens apontadas por autores como Marconi e Lakatos (1999); Laville e Dione (1999) e Richardson (2015) dizem respeito ao rol das respostas dadas, quando se trata de questões uniformes, especialmente por favorecer a aferição com o uso da estatística e o caráter anônimo que será dado aos resultados obtidos. Para efeito de informação, o questionário aplicado foi acompanhado de uma exposição sobre a pesquisa e a garantia do anonimato do pesquisado presentes no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme informado anteriormente.

Para uma desvantagem apontada na literatura para o questionário, a frieza do instrumento (COSTA, MARCO; COSTA, MARIA, 2009), pode ser considerada que foi eliminada nesta investigação principalmente em relação ao Q1º. Tendo em vista que a estratégia adotada para aplicação dos mesmos foi a comunicação direta com os investigados (RICHARDSON, 2015), na própria escola, nos intervalos de aulas ou nos dias destinados ao planejamento, garantindo assim, outra dinâmica em função da presença do pesquisador durante a execução. Cabe registrar certa resistência por parte de alguns componentes do grupo pesquisado quando, ao terminar o seu preenchimento, demonstraram através de gestos ou palavras, a sensação de alívio por cumprir aquela tarefa. Trata-se também de uma desvantagem apontada por Costa, Marco e Costa, Maria (2009).

Outra desvantagem do instrumento, o baixo percentual de devolução, apontada por Laville e Dione (1999), Marconi e Lakatos (1999) e Richardson (2015), foi eliminada, nesta pesquisa, em função do modo personalizado de distribuição e que permitiu que a totalidade dos questionários distribuídos fosse devolvida ao pesquisador, além disso, conforme informado, a presença na escola, garantiu dirimir dúvidas em relação às questões propostas, caso aparecessem.

De acordo com a classificação proposta por Costa, Marco e Costa, Maria (2009), podemos considerar que as questões se enquadram em diferentes tipos, a saber: dicotômicas, encadeadas/dependentes; gradação de opinião e múltipla escolha. Para estes autores a utilização de tipos variados de indagações em um questionário constitui um bom procedimento para coleta de dados.

A utilização dos questionários contribuiu na coleta de aspectos para alcançar os objetivos relacionados respectivamente à categorização dos níveis de formação e envolvimento dos professores com a EDS e a identificação das necessidades formativas para o desenvolvimento profissional em relação a EDS. Ainda que aplicados em etapas distintas, em cada questão elaborada, tanto para o Q1º quanto para o Q2º, se tentou estabelecer uma conexão com os objetivos específicos, conforme pode se verificar no quadro 3.

Quadro 3 – Conexão entre objetivos específicos e posição das questões nos instrumentos Q1º e Q2º

Objetivo(s) Instrumento Questões envolvidas Categorizar os níveis de

formação e envolvimento dos professores com a EDS

Q1º 1, 2, 3, 6

Q2º 2, 3, 4, 5, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16

Identificar as necessidades formativas dos professores

em relação à EDS

Q1º 4, 5

Q2º 6, 7, 8

Fonte: Elaborado pelo autor (2019).

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