7. Peer-to-Peer in Realtime Communication
7.2. Security
Sidorchuk elaborou um modelo de voçorocas para mensurar o comportamento dos processos de erosão envolvidos no canal, bem como predizer as características morfológicas.
Para tal, o autor deste modelo parte do pressuposto de que a formação da voçoroca é composta por duas fases, as quais são controladas por fatores e processos geomorfológicos. Na primeira fase, a de iniciação do canal da voçoroca, a ação hidráulica e mecânica do escoamento e da água no solo, e em casos especiais, propriedades térmicas, denominada de termoerosão, atua predominantemente no fundo do canal, e movimento de massa acelerado nas vertentes. As formações dos canais de voçorocas são bastante intensas durante a fase de iniciação, quando as características morfológicas do comprimento, profundidade, largura, estão distantes da estabilidade. Na segunda etapa, o transporte de sedimentos e a sedimentação no fundo do canal, aumento da largura devido à erosão lateral, sendo estes, os principais processos predominantes na estabilidade morfológica.
Essas premissas, elencadas em duas fases de desenvolvimento da voçoroca, levaram a formulação do modelo, o qual está compartimentado em: 1) modelo dinâmico para prever as mudanças rápidas da morfologia do canal, no primeiro estágio; 2) modelo estático para calcular parâmetros morfométricos finais do canal estável.
Durante o evento chuvoso, a água flui e forma um canal retangular no solo ou na parte inferior do canal se a velocidade é crítica para a erosão inicial. As vertentes são instáveis, na medida em que transformam uma forma de seção transversal retangular para trapezoidal ao longo do período do fluxo.
A taxa de incisão da voçoroca é controlada pela velocidade do fluxo da água, profundidade, turbulência, temperatura e textura do solo, padrão mecânico do solo, bem como o nível de proteção da vegetação. Essas características são combinadas nas equações de conservação de massa e deformação, conforme a seguinte equação:
𝜕Qs 𝜕X = CW+ qw+ M0W + MbD − CVfW (26) (1 − 𝜀)W∂Z ∂t = − ∂Qs ∂X + MbD + Cwqw (27) em que Qs = é a descarga de sedimento (m³ s-1); Q = vazão da água de água (m³ s-1); X = coordenada longitudinal (m); t = tempo (s); C = concentração média de sedimento; Cw = concentração de sedimento da entrada lateral da contribuição da área de captação; qw = descarga lateral específica (m² s-1); M0 = taxa de desagregação das partículas de solo no fundo da voçoroca (m s-1); Mb = taxa de desagregação do solo nas margens do canal (m s-1); Z = elevação do fundo do canal (m); W = largura do fluxo (m); D = profundidade do fluxo (m); Vf = velocidade de queda das partículas de sedimentos em fluxo turbulento (m s-1);
𝜀
= porosidade do solo.Análises acerca de resultados de experimentos em voçorocas realizados pelo autor do modelo, na Rússia e Austrália, mostram que, nas condições de fundo íngreme e solos coesos comuns para esses canais naturais, a taxa de desagregação das partículas de solo é linearmente correlacionados com o produto da tensão de cisalhamento e velocidade média do fluxo, representada pela seguinte equação:
M0 = kU 𝜏
𝜏cr (28)
onde 𝜏 é a tensão de cisalhamento (Pa), 𝜏cr é a tensão crítica de cisalhamento (Pa), U é a velocidade média do fluxo (m s-1), e k é um coeficiente utilizado para solos coesos. Se a tensão de cisalhamento do escoamento for menor que o valor crítico para iniciação da erosão, consequentemente M0= 0. Segundo o autor, o valor da tensão crítica de cisalhamento pode ser
obtido pela equação proposta por Mirtskhulava (1988), a qual é controlada principalmente por forças de fricção e coesão:
τcr = 1.2 λ (m1
𝑛1) [(ρs− ρ)gd + 1.25Cf
nK
0] (29)
onde λ é o coeficiente de resistência ao fluxo: λ = 0.18(𝑑/𝐷)1/3; m1 é igual a 1.0 para fluxos de água limpa e é igual 1.4 para os fluxos com conteúdo de partículas coloidais maior que 0.1 (kg m-3); parâmetro de turbulência 𝑛1 s é normalmente 4; ρ eρs são densidades da água e dos sedimentos (kg m-3), respectivamente; d é o diâmetro médio de dos agregados do solo (m); K0 é o coeficiente padrão da variação da mecânica do solo, geralmente é 0.5; Cfn é a tensão de ruptura (Pa), usualmente 6,7x10-7Ch.
O primeiro termo da equação representa a influência da tensão na estabilidade da partícula e é importante principalmente para solos não coesivos; o segundo representa a influência da coesão na estabilidade da partícula e é importante para solos coesivos.
Um dos fatores suficientes de coesão do solo é o conteúdo das raízes e de remanescentes de vegetação no solo e τcr aumenta rapidamente com conteúdo de raiz. Os experimentos de campo e de laboratório, realizados pelo autor, mostram que a coesão dos agregados do solo (Ch) aumenta rapidamente com o conteúdo das raízes finas R0 (kg m-3):
Ch = C0exp(0.05R0) (30)
sendo C0 a coesão do mesmo solo, sem as raízes da vegetação.
Sidorchuk presume que a taxa de erosão das margens dWb/dt é igual ao fluxo de sedimentos das margens Mb. Usou-se uma expressão como analogia com estimações de erosão das margens em rios, apresentada na equação a seguinte:
Mb = M0V/U (31)
sendo V a velocidade lateral,
V = 11.0UD/R (32)
As investigações realizadas nas voçorocas, demonstram que incisão no fundo de voçorocas estreitas com largura Wb < 10.0W, o raio R do canal diminui quando aumenta o Wb: R = 50.0W (W/Wb). Quando Wb aumenta devido à erosão de margens e torna-se > 10.0W, as formas com R = 5.0W.
Para a taxa de erosão das margens da voçoroca, assume-se a seguinte expressão: dWb
dt
= k
bM
0 (33)em que kb= 0.22D/W quando Wb <10.0W, kb= 2.2D/W quando Wb > 10.0W, e kb= 0 quando Wb >20.0W.
As taxas do fluxo descendente das partículas do solo utilizadas no modelo, representam o processo de sedimentação, no qual estão incluídos o produto da velocidade de queda das partículas em fluxo turbulento e a concentração de sedimentos em profundidade do fluxo. A velocidade de queda em fluxo turbulento é menor do que a velocidade em água estável ou em fluxo laminar, devido oscilações de fluxo turbulento. O autor considera a fórmula de Hwang (1983) para calcular a velocidade de queda em fluxo turbulento, na qual inclui-se a equação de Stokes (Vst) de velocidade de queda:
Vf = Vst/{1 + [0.5U/(9.0Vst)2]} (34) A velocidade de queda da partícula em fluxo turbulento (Vf) pode ser nulo ou zero quando em elevada turbulência e partículas muito finas.
Para o processo de erosão na voçoroca, a concentração de sedimentos (Ci) é considerada pela equação seguinte, relação entre o alcance do fluxo e o comprimento:
C
i= (C
i − 1−
(k+ kb)Qi−1S qw(Y+1)−
Cw Y) (
Qi − 1 Qi)
y+
(k+ kb)QiS qw(Y+1)+
Cw Y (35)em que Qi−1 e Ci − 1 vazão e concentração de sedimentos, respectivamente, no início do alcance com o comprimento de Xi− Xi − 1 , Y = (qW+ VfW)/qW.
A largura e a profundidade do fluxo em voçorocas podem ser calculadas com as equações empíricas formuladas pelo próprio autor:
W = 3Q0.4 (36)
D = 0.48Q0.45 (37)
A taxa de elevação do fundo do canal pelo tempo é utilizada para estimar a largura final da voçoroca, sendo expressa pela seguinte equação:
∂Z ∂t
=
6Vcr" 2.67n2
em que 𝑉𝑐𝑟" é a velocidade crítica de iniciação da erosão (m s-1); Y
0 é a descarga específica por unidade da área do escoamento concentrado, n o fator de rugosidade de Manning’s, 𝑓(x) é dependente da área total da voçoroca.
A velocidade crítica de iniciação da erosão é calculada conforme a equação:
V
cr"=
SD4/3n2 (39)
sendo S o declive (m m-1) e D a profundidade do fluxo (m).