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Esse segundo texto foi escrito por Cláudia Fusco, com a parceria de Fellipy Silva, Eduardo Cypriano e Odylio Denys de Aguiar e publicado dia 11 de fevereiro de 2016, dia do anúncio da detecção das ondas gravitacionais. Fusco também possui formação em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, mas diferentemente de André Oliveira, autor de [T4], Cláudia trabalhou apenas seis meses na revista Galileu. Ela possui mestrado em literatura inglesa e atualmente trabalha como produtora de conteúdo de um curso de inglês online, área bastante distinta da produção da revista.

Quanto aos locutores presentes nesse texto, detectamos [L], [l] e [LI]. Assim como ocorreu com [T2], logo no primeiro parágrafo o nome de Einstein já está presente, e utilizaremos esse recorte para caracterizar o locutor [L].

(25) Hoje é um dia histórico para a ciência. Um século depois que Albert Einstein previu a existência de ondas gravitacionais, cientistas encontram a comprovação de

125 que essas pequenas ondulações no espaço-tempo realmente estão por aí (FUSCO, 2016)

Podemos perceber um juízo de valor – dia histórico para a ciência –, mostrando que não há uma total dissociação entre [L] e [l]. Porém, encontramos momentos onde o locutor [l] é muito mais evidente e interessante de se analisar:

(26) A descoberta é histórica e, muito provavelmente, renderá um prêmio Nobel

a seus pesquisadores, entre eles Kip Thorne, astrofísico conhecido por, entre muitos

outros projetos, ter colaborado no roteiro do filme "Interestelar" (FUSCO, 2016) Vemos aqui um julgamento muito semelhante ao que está presente no recorte (2), em [T1], ou seja, dizer que uma determinada descoberta pode render uma premiação. Contudo, ao contrário de (2), como na detecção de 2016 não estava ligada com ondas primordiais, aqui o julgamento é favorável à equipe que detectou as ondas receber a premiação, e não o teórico que desenvolveu a teoria.

Assim como nos outros textos, o locutor [LI] também é caracterizado pela utilização do discurso científico e histórico para alcançar a impessoalidade. Começando com o discurso científico, temos o recorte (27).

(27) Quando o "ruído" é apresentado como som audível, as ondas revelam um som que rapidamente se torna mais agudo, seguido por um "ringdown", um padrão de radiação do buraco negro que se formou na colisão. De acordo com o sinal, a colisão

teria acontecido entre 600 milhões e 1,8 bilhões de anos atrás. Para encontrarem a

fonte das ondas gravitacionais, os pesquisadores precisaram triangular um sinal encontrado em diferentes máquinas espalhadas ao redor do mundo (FUSCO, 2016) Conseguimos perceber uma maior especificidade técnica nesse recorte do que em comparação com os textos já analisado, provavelmente devido à colaboração com físicos que estavam diretamente ligados ao projeto, como o Olydio Aguiar, por exemplo. Agora, sobre o discurso histórico, conseguimos representar [LI] com o seguinte recorte:

(28) Em sua pesquisa, Einstein afirmou que qualquer evento cósmico que cause perturbação no espaço-tempo com força suficiente pode produzir ondulações gravitacionais que se propagam pelo Espaço. A Terra deveria estar cheia dessas ondas, mas quando elas nos alcançam, já estão muito enfraquecidas (FUSCO, 2016) Já referente aos enunciadores, conseguimos detectar: [E1], que apresenta visões condizentes com os mitos propostos por McComas (1998), [E2], com a visão do cientista e, por

126 último, [E3], coerente com a visão do historiador. Iniciando a análise por [E1], vamos retomar o recorte (25):

(25) Hoje é um dia histórico para a ciência. Um século depois que Albert Einstein previu a existência de ondas gravitacionais, cientistas encontram a comprovação de que essas pequenas ondulações no espaço-tempo realmente estão por aí (FUSCO, 2016)

p – O dia 11 de fevereiro de 2016 marcou a história, pois os cientistas comprovaram que pequenas ondulações no espaço-tempo realmente estão por aí, ondulações essas previstas por Einstein.

pp – A previsão feita há mais de um século por Einstein só foi comprovada agora, quando cientistas encontraram essa comprovação da existência real das pequenas ondulações.

s – Aos poucos a ciência consegue cada vez mais acessar a realidade. Embora as previsões sejam feitas, apenas uma comprovação empírica consegue acessar essa realidade.

Novamente, encontramos aqui uma referência a como a ciência consegue acessar a realidade, mas dessa vez, ao invés de ser puramente sobre os modelos científicos, temos aqui uma mistura da predição feita por Einstein com os aparatos científicos que realizaram a detecção.

Para caracterizar o enunciador [E2], selecionamos o seguinte recorte:

(29) Ela também abre um novo campo de pesquisa astronômica com foco em ondas gravitacionais, em que cientistas poderão ouvir as ondas emitidas por objetos espaciais, como supernovas, buracos negros e estrelas de nêutron, para aprender mais sobre eles. "Esse é o primeiro passo em um desenvolvimento ainda maior e mais empolgante", disse Ilya Mandel. [...] De acordo com ele, ondas gravitacionais serão "parte da caixinha de ferramentas que usamos para entender o Universo" (FUSCO, 2016)

p – A detecção das ondas gravitacionais abre um novo campo para a astronomia. Já que agora os cientistas podem ouvir o universo. Agora, o desenvolvimento será ainda maior e mais empolgante, pois os cientistas têm uma nova parte da caixinha de ferramentas.

pp – Agora, com a detecção das ondas gravitacionais, será possível observar novas informações acerca de objetos espaciais, já que conseguimos ouvir o universo. Assim, essa detecção é útil, pois serve de ferramenta para melhor entender o Universo.

127 s – As descobertas científicas possuem um caráter utilitário. Dessa forma, a busca pelas ondas gravitacionais não era única e exclusivamente para comprovar uma teoria, mas sim para que, a partir dela, os cientistas pudessem explorar outros objetos que antes não era possível.

A analogia da detecção das ondas gravitacionais como uma parte da caixinha de ferramentas é muito interessante, principalmente pois foi escrita no sistema “segundo X, q”. A fala de um físico nos mostrando esse caráter utilitário da ciência pode reforçar para o público a importância da descoberta.

Agora, como representação de [E3], o detectamos apenas atrelado ao enunciador [E2], como é visível ao retomarmos o recorte (28):

(28) Em sua pesquisa, Einstein afirmou que qualquer evento cósmico que cause perturbação no espaço-tempo com força suficiente pode produzir ondulações gravitacionais que se propagam pelo Espaço. A Terra deveria estar cheia dessas ondas, mas quando elas nos alcançam, já estão muito enfraquecidas (FUSCO, 2016) p – Einstein previu que todos os eventos cósmicos podem produzir ondas gravitacionais, mas que elas chegam muito enfraquecidas na Terra.

pp – A previsão de Einstein não só previa a existência das ondas gravitacionais, mas também a dificuldade de as observas da Terra.

s – Os cientistas já sabiam desde o início o desafio que detectar as ondas gravitacionais seria, pois elas já foram teorizadas como chegado à Terra com pouca energia.

Consideramos interessante essa afirmação feita no recorte (28). No artigo de 1937 escrito por Einstein e Rosen acerca das ondas gravitacionais, a única menção encontrada ao transporte de energia se dá no final do artigo, quando os autores dizem que “[o]ndas progressivas, portanto, produzem uma mudança secular na métrica. Isso está relacionado ao fato de as ondas transportarem energia, que está ligada a uma mudança sistemática no tempo de uma massa gravitacional localizada no eixo x = 0” (EINSTEIN e ROSEN, 1937, p. 54, tradução nossa).

Já em um outro artigo, escrito por Rosen e Virbhadra (1993, p. 429, tradução nossa), nos é dito que

Muitos anos atrás, um dos autores atuais investigou soluções das equações de campo de Einstein para o espaço vazio, descrevendo ondas gravitacionais cilíndricas. Ele descobriu que as densidades de energia e de momento dessas ondas, calculadas com

128 a ajuda do pseudo-tensor de Einstein, desapareceram. Posteriormente, em uma carta ele apontou que esse resultado era devido ao fato de que os componentes do pseudo- tensor foram calculados em um sistema de coordenadas polares cilíndricas e que, se em vez disso usarmos coordenadas cartesianas, verificamos que o as densidades de energia e momento são diferentes de zero e têm valores razoáveis

Contudo, até onde conseguimos investigar, não encontramos algum artigo que Einstein diretamente diga que as ondas gravitacionais seriam muito sutis para serem detectadas. O que encontramos foram terceiros, como Weber (1960), dizendo isso, mas mesmo analisando as referências por ele citada não encontramos essa evidência direta.

Dessa forma, finalizamos a análise desse texto. Percebemos que assim com [T2], ele evoca a imagem de Einstein logo no primeiro parágrafo, mas, ainda em comparação com esse texto, possui certas rigorosidades técnicas a mais. Embora também tenha sido publicado no dia 11 de fevereiro de 2016, ele não apresenta uma gama excessiva de falas de pesquisadores, como visto em [T2]. Porém, mesmo assim, o texto ainda chama mais vezes a imagem de Einstein e da teoria da relatividade quando comparado com [T4], aparecendo tanto no enunciador [E1] e [E3] – que, até onde nos foi possível investigar, apresenta algumas informações históricas de uma maneira não muit precisa.

Precisamos agora analisar o último texto desse grupo, novamente referente à premiação do Nobel de física de 2017.

7.2.3 Nobel de Física vai para cientistas que detectaram as ondas gravitacionais

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