A partir de minha experiência analítica, entendo que o termo supervisão designa a prática adotada por terapeutas no decorrer da vida profissional com o objetivo de compartilhar a condução das terapias que conduz com um colega experiente a fim de esclarecer quaisquer dúvidas, já percebidas ou ainda não.
Percebo que a supervisão por um colega mais experiente é uma necessidade na vida profissional do analista de todas as escolas. É exigência rigorosa no curso da vida profissional do analista junguiano, juntamente com a análise didática, com ênfase especial durante o período de formação.
A análise didática é um imperativo sempre, pois a psique é dinâmica e novos conteúdos surgem à consciência, ou ao seu limiar, os quais ela precisa elaborar. Análise e supervisão são imprescindíveis, pois, como afirma GUGGENBÜHL-CRAIG (2004), a maldição do psicoterapeuta é seu isolamento.
No Brasil, existem duas associações de analistas junguianos, ambas vinculadas à International Association for Analytical Psychology - IAAP Zurique, autorizadas a formar analistas junguianos.
Uma delas é a Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica - SBPA. De acordo com informações colhidas na internet, endereço www.sbpa-rj.org.br, em julho de 2004, foi fundada em São Paulo, em 1978, é reconhecida e aprovada no VII Congresso Internacional de Psicologia Analítica em Roma, no ano de 1977.
A SBPA propõe-se como objetivo divulgar a psicologia analítica através de cursos, conferências e publicações. Dentre outras atividades, promove o curso de Curso de formação de analistas junguianos através do Instituto de Formação C. G. Jung, de São Paulo, com o objetivo de proporcionar os fundamentos teóricos e a prática do exercício profissional de analista na perspectiva junguiana, aos candidatos interessados.
Os pré-requisitos para ingressar no curso são: ser médico ou psicólogo, com registro de pelo menos dois anos no respectivo Conselho; ter dois anos de exercício de prática clínica em psicoterapia; ter experiência de, no mínimo cinqüenta horas de supervisão
clínica individual e/ou em grupo comprovadas; e por último, comprovar vivência mínima de cem horas de análise individual, decorridos em um período de, no máximo dois anos.
São previstas na ementa do curso questões relativas à análise do candidato, ao exercício profissional, à supervisão, e ao currículo teórico – prático.
A análise do candidato é considerada parte essencial do processo de formação. O candidato, antes da admissão já deve ter cumprido no mínimo cem horas de análise, num intervalo máximo de 2 anos; e até o final deverá completar trezentas horas de análise com analista junguiano filiado à International Association for Analytical Psychology (IAAP - Zurich).
Durante o processo de formação, o candidato deve manter-se em atividade profissional como psicoterapeuta, no seu consultório, e ou em Instituição.
O Currículo do Curso de Formação consta de 720 horas/aula durante os quatro anos de curso e visa o ensino/aprendizagem de conhecimentos e habilidades necessárias para desempenhar com eficiência a análise.
O processo de supervisão durante o período de formação ocorre em grupo e individualmente, num total de 180 horas subdivididas em partes iguais durante três anos; e mais cinqüenta horas de supervisão individual pessoal. Estas supervisões são oferecidas por analistas formados por Instituição filiada à IAAP há mais de cinco anos.
Ao final do curso de formação, cumpridas as exigências regulamentares e tendo apresentado monografia a uma banca examinadora, o analista candidata-se a membro da Sociedade.
O critério para o aceite, nesta etapa, será a aprovação pelo analista e pelo supervisor. Com base em suas percepções, estes profissionais, emitirão o parecer favorável ou não para o aceite do candidato.
A segunda instituição formadora de analistas junguianos fundada no Brasil, em 11 de novembro de 1991, é a Associação Junguiana do Brasil – AJB. Conforme dados colhidos na internet, endereço www.ajb.org.br, e informações concedidas em entrevista pela psicóloga junguiana Maria de Lourdes Bairão Sanchez, foi criada, por membros da Internatinal Association for Analytical Psychology, à qual se filiou durante o Congresso
Internacional de 1995 em Zurique. Em 1997, a AJB é aceita e autorizada a formar analistas junguianos.
A Associação Junguiana do Brasil-AJB é uma associação sem fins lucrativos, que objetiva:
(...) promover o aperfeiçoamento ético e profissional de seus membros na prática da Psicologia Analítica; divulgar o pensamento de C. G. Jung, através de congressos, encontros científicos e promoção de publicações, sejam em livros ou revistas, de assuntos relevantes à Psicologia Analítica; desenvolver linhas de pesquisa em diversos campos de aplicação da Psicologia Analítica de C. G. Jung, em seus aspectos clínicos, culturais e em suas tangências interdisciplinares. (www.ajb.org.br)
A AJB possui duas sedes, em São Paulo e Rio de Janeiro e possui seis institutos filiados, em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas, Porto Alegre e Curitiba.
A formação de analistas pela AJB, normalmente, tem a duração de quatro anos. Inclui aspectos teóricos, ministrados através de seminários, e aspectos práticos através de supervisões, em grupo e individuais.
Além disso, exige a elaboração e defesa de monografia após o cumprimento de todos as etapas anteriores. Ao terminar a formação, o analista passa a ser membro analista da Associação Junguiana do Brasil-AJB.
Os pré-requisitos exigidos pela AJB dos candidatos à formação de analista são: 1. ser médico(a) ou psicólogo(a) com registro no CRM / CRP há pelo menos 2
(dois) anos;
2. ter um mínimo de 2 (dois) anos de prática clínica em psicoterapia;
3. comprovar a vivência de um mínimo de 100 (cem) horas de análise individual, transcorridos num período máximo de 2 (dois) anos, com analista reconhecido pela AJB;
4. comprovar um mínimo de 50 (cinqüenta) horas de supervisão clínica em Psicologia Analítica (individual ou em grupo), com analista reconhecido pela AJB.
Os institutos recomendam aos analistas que façam supervisam sempre que percebam ser necessária.
Uma vez que os analistas se tornam membros de instituições vinculados à IAAP, aceitam os regulamentos das mesmas.