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2.2 The DAMPE experiment

2.2.1 The DAMPE detector

De acordo com os questionários, os principais problemas encontrados pelos bolsistas, durante o intercâmbio, foram: a saudade de casa, acompanhar as aulas nas universidades por questões metodológicas, avaliativas ou linguísticas e a falta de comunicação com a CAPES e o CNPq.

Gráfico 13 - Principais problemas encontrados durante o Programa CsF

Fonte: Questionário elaborado pela autora 24% 20% 18% 14% 10% 9%

2% 3% Saudades de casa e da família

Acompanhar as aulas na universidade Falta de comunicação com as instituições gestoras do programa

Comunicação em língua estrangeira Fazer amizades

Lidar com diferenças culturais Atraso nas bolsas

Além destes problemas elencados no Gráfico 13, quatro outros desafios também foram citados: o clima; morar com pessoas desconhecidas; poucas oportunidades de falar inglês, uma vez que as universidades e os alojamentos estavam repletos de brasileiros; e o alto custo de vida de algumas cidades.

É válido ressaltar que estes problemas não se configuraram em barreiras graves para a maioria dos estudantes e, assim, o fim do intercâmbio internacional se deu em tempo normal, como previamente designado pela CAPES ou CNPq, em 82% dos casos. Apenas dez alunos, ou seja, 7% deles, tiveram seu período de estada prorrogado, em função de estágios ou pesquisas executadas no exterior, e sete alunos (5%) tiveram que retornar mais cedo do que o previsto originalmente, por razões pessoais, de saúde ou dificuldades de adaptação no exterior.

O questionário também examinou possíveis problemas encontrados no retorno desses alunos às atividades do IFMA.

Apenas 35% deles dizem não ter encontrado dificuldades no seu reingresso à Instituição. Os problemas abordados pelos outros 65% foram: a) aproveitamento de créditos e disciplinas cursadas no exterior (34%); b) diferenças de metodologias de ensino (14%); c) formas de avaliação (5%); d) dificuldades em relacionar conteúdos dados no exterior e na IES brasileira (4%); e) outros, tais como, a falta de compromisso dos docentes, problemas com a infraestrutura física e bibliotecas do IFMA (8%).

Na análise dos intercambistas, as avaliações não têm um peso tão grande no exterior quanto no IFMA e se estabelecem em caráter contínuo. Além disso, as universidades fora do país dedicam um tempo maior para atividades externas à sala de aula, assim estimulando horas de estudo ou pesquisa em casa, em laboratórios ou em atividades de campo e o autodidatismo. Para os sujeitos pesquisados, novos hábitos de estudo e reflexão sobre autonomia e responsabilidades assumidas, durante o processo de aprendizagem no exterior, constituem uma mudança de atitude significativa para a formação acadêmica e profissional desses bolsistas.

Em entrevista, os gestores também foram convidados a analisar possíveis problemas causados pelo CsF para os alunos ou para o IFMA. Para o Gestor 1, não houve problemas ocasionados pelo CsF. Ele explica que consideraria problemático um número elevado de perdas de cérebros para outras IES no exterior ou mesmo no Brasil. Entretanto, os casos de trancamento ou transferências após o intercâmbio, não foram numericamente significativos. Já a Gestora 2 consegue se aprofundar em outros problemas além da questão dos altos custos,

dos vínculos institucionais e do distanciamento dos campi do interior, já mencionados anteriormente, acontecidos em momentos distintos do processo:

1) O CsF teve um outro impasse, a questão do gasto. Nisso o CsF foi um tanto elitizado. Precisa se repensar o CsF talvez com menor número de bolsas mas com um pacote mais inteiro de despesas antes até da viagem. [...].

2) A eliminação de Portugal do Programa também foi muito desagradável. As relações diplomáticas ficaram abaladas, as relações institucionais também. Tivemos que fazer acordos específicos com Portugal, tentando reatar essas relações. [...]. 3) E pensar o vínculo interinstitucional [...] para haver acompanhamento do aluno pela Instituição lá fora e pelas agências. As IES do exterior não acompanhavam o aluno com faltas, com problemas. Nós tivemos caso de alunos com depressão na França e no Canadá e ninguém deu nenhum tipo de feedback do que estava acontecendo por lá.

4) O interior ficou em desvantagem [...]. Verificando o número de alunos participantes da capital e do interior, eles ficaram em desvantagens, até pelo preparo desses alunos. Hoje já estamos criando um comitê das relações internacionais com um representante em cada campus, para olhar para estes alunos. E no momento que os programas surgirem possam ajudar a elevar a participação desses alunos. Também estamos com um comitê de idiomas para implementar um Centro de Idiomas para fomentar o aprendizado de idiomas nos campi. Será uma política institucional [...] descentralizada. Os gestores do interior abraçaram o Programa, mas até o número de alunos em cursos superiores era menor.

5) Tivemos alguns problemas na capital em função da grande demanda de alunos. [...].

6) A instituição falhou no momento em que ela não organiza com os alunos o retorno deles. Convidamos os alunos a participar de eventos, muitos participam, mas eles não estão em conjunto. Eles chegam e vão cuidar de suas vidas. Entregam relatórios, mas temos dificuldades de reuni-los. Eles não fazem um grupo, uma rede. Se a instituição não organiza isso durante uma semana pedagógica, uma reunião do ensino superior, um evento específico, eles [os alunos] não organizam. Se a gente não cobra deles, eles não dão mais notícia. [...] (GESTORA 2).

As três primeiras falhas, analisadas pela Gestora 2, são voltadas à concepção e formato do CsF, bem como, às atuações da CAPES, do CNPQ e das IES estrangeiras ao longo da execução do Programa. As críticas quanto aos altos gastos para as candidaturas reforçam a ideia de que o Programa foi pensado para munir uma elite intelectual com o conhecimento tecnológico advindo dos países desenvolvidos e propagado como necessário para o progresso do país, em um dado momento político. A falha de articulação interinstitucional para que houvesse comunicação direta de problemas deixa claro o quão secundário foi o desenvolvimento dos vínculos educacionais e científicos no CsF. Ainda, a retirada de Portugal do Programa confronta com a intencionalidade de dialogar com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), já declarada nas diretrizes de internacionalização dos IFs:

O Brasil assume um papel central dentro dessa comunidade, sendo responsável por muitas das iniciativas envolvendo seus países. A CPLP, inclusive, é baseada não somente em aspectos linguísticos, mas principalmente culturais, econômicos, políticos e sociais. A centralidade dada pelo Ministério de Relações Exteriores a essa relação é outro facilitador para a criação de projetos e parcerias importantes, tanto para capacitação de professores quanto para a recepção de alunos (FORINTER, 2009, p. 6).

Iniciativas como o CsF canalizam parte significante dos recursos humanos e financeiros da educação superior para os países que integram o núcleo orgânico do capitalismo mundial, fortalecendo uma internacionalização de caráter hegemônico. O Brasil, assim, perdeu uma oportunidade de assumir o papel mais protagonista de internacionalização, junto aos países falantes da mesma língua. O medo do IFMA, sugerido pela Gestora 2, procede, pois as cooperações com Portugal estão entre as mais ativas do IFMA.

Outros professores do interior aproveitaram para estreitar laços com IES estrangeiras e hoje há um projeto de pesquisa com o pessoal da Química em Zé Doca com a Universidade de Aveiro, já fruto desse contato. Isso foi tudo por conta do CsF. Para nós, a experiência com a Universidade de Aveiro foi uma experiência modelo através do CsF. O Reitor deles veio para o IFMA, fez seu marketing e fizemos uma cooperação e já receberam 3 alunos nossos e vários professores, e temos projetos de internacionalização da pesquisa com eles. Com a Universidade do Porto foi da mesma forma (GESTORA 2).

Os problemas 4,5 e 6 levantados estão relacionados diretamente ao IFMA. Neles, a Gestora2 evidencia a falta de articulação das ações no Instituto e aponta para um caminho de descentralização de ações voltadas para a internacionalização com a criação de comitês locais. Essa mesma ação, inclusive, poderá auxiliar em atividades voltadas para maior aproveitamento dos intercambistas no seu retorno. Atualmente, 41% do ensino superior do IFMA estão reunidos nos campi localizados em São Luís, de acordo com o Censo 2014.

Muitos bolsistas CsF indicam nos questionários não ter tido oportunidade para dividir as experiências do intercâmbio após o regresso ao Brasil ou ter partilhado informações em conversas informais com amigos e professores dentro e fora da salas de aula do IFMA. Desta maneira, apontam a falha institucional em promover o compartilhamento do conhecimento adquirido entre a comunidade acadêmica de forma mais reflexiva e orientada. Corroborando, ainda, com esta questão, os estudantes indicam grande participação em projetos com bolsas de pesquisas, tecnologia ou docência antes da viagem; porém, poucos se envolveram nessas atividades no retorno a esta IES. Tal realidade parece ter comprometido, inclusive, o alcance das contribuições do Programa para o IFMA, visto que muitos conhecimentos adquiridos pelos estudantes não se materializou em ações entre as IES, de origem e de destino, conforme relataremos ainda nesta pesquisa.

Na entrevista com a Gestora 3, é retomada a necessidade de compartilhar essas experiências ―para tirar essa ideia de passeio que alguns professores e, principalmente, a sociedade lá fora, ainda têm do Programa‖.

A Gestora 4 também analisa o retorno dos alunos, porém destacando a falta de foco e de comunicação entre as IES (estrangeiras e o IFMA) durante o intercâmbio e, portanto, o não aproveitamento das disciplinas estudadas e das pesquisas realizadas.

A Gestora 5 assinala que os alunos tiveram problemas antecipados à viagem pela burocracia no trâmite da documentação de vistos e, durante o intercâmbio, pelas relações interpessoais dificultadas pelas diferenças culturais. Esta gestora traz outra dimensão do retorno destes estudantes ao Brasil: o aproveitamento dessa aprendizagem no mercado de trabalho. Para ela, ―a falta de visão política, para aproveitar o potencial do discente na região, faz alguns se deslocarem para outros lugares, para repassar o conhecimento adquirido‖.