Poderá a imagem de um país enquanto destino turístico influenciar a imagem global que o indivíduo tem desse país e da sua população? Isto é, serão os elementos citados, tal como a experiência de viagem (fonte de informação primária), suficientemente fortes para modificar a representação de um determinado país e da população local, emaranhado de representações sociais e individuais ancoradas aos valores do indivíduo (culturais, sociais e pessoais)?
Como se tem vindo a demonstrar, ―de um ponto de vista académico, a investigação suporta os estudos que estabelecem a possível distinção entre as percepções relacionadas com o país de um ponto de vista político e a sua imagem como destino turístico‖ (Echtner; Ozturkmen apud Alvarez e Korzay, 2008:43).
Centrando-se na experiência de viagem enquanto importante fonte de conhecimento direto de um determinado país e sua população, Alvarez, Inelmen e Iarcan (2009) estudaram o grau de mudança possível nas perceções cognitivas de um país e da sua população por via da influência das fontes de informação primárias como uma experiência de viagem, confirmando a sua hipótese. Como sublinham os autores, anteriores estudos ―determinaram que atitudes e concepções prévias podem ser reforçadas depois da visita, independentemente de essas serem negativas ou positivas, enquanto resultado da atenção seletiva e recuperação de uma informação consistente com crenças anteriores‖ (Fisher e Price apud Alvarez, Inelmen e Iarcan, 2009:406). Entretanto, outro fator que parece
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relevante ao afetar o grau e a direção da mudança de atitude entre turistas e a comunidade anfitriã é aquele de impressão inicial extremamente negativa ou positiva. ―Para mudar uma opinião tão extrema na fase prévia à viagem, uma muito forte experiência de turismo tem de tomar lugar (Pizam et al 1991)‖ e, sobretudo no que respeita a pares de países tradicionalmente hostis um com o outro, ―o atual estado de clima político entre duas nações também afeta a mudança de atitudes que pode vir a ser alcançada através do turismo‖ (Pizam et al apud Alvarez, Inelmen e Iarcan, 2009:406).
De facto, no estudo de Alvarez e Korzay (2008:44), as percepções políticas relacionadas com o país encontraram-se ligadas à imagem que os espanhóis têm relativamente à população turca, imagem esta que, por sua vez, está relacionada com as percepções do destino turístico. Percebeu-se pelo estudo que aqueles que tinham uma imagem positiva relativamente ao país (Turquia) também tinham uma imagem positiva da Turquia enquanto destino turístico. Já a imagem negativa que tinham do país relativamente à sua situação sociopolítica não demonstrou influenciar a sua visão da Turquia enquanto destino turístico excepto no aspeto a que aos espanhóis mais diz respeito: a possível entrada da Turquia para a União Europeia (Alvarez e Korzay, 2008:43). Esta competitividade está patente em outros estudos como o de Martín-García e Gómez-Jacinto (1998:11-12), onde se ressalta a exigência de se ter em conta a natureza intergrupal da relação turista-anfitrião, ―pelo que os esforços devem ser no sentido de não favorecer a comparação social, através de alternativas como as de criar categorias supraordenadas que englobem tanto o exogrupo como o endogrupo e que, como tal, não conduzam a uma competitividade endogrupal‖. Uma possível solução seria a de – por via da comparação social – criar uma melhor imagem no endogrupo face às caraterísticas do exogrupo, dando-lhe assim motivos para não só se aproximar como também melhorar a sua atitude relativamente a este último. Tal, por exemplo, através da criação de folhetos informativos que os associassem positivamente, resultando essa comparação favorável para os turistas (Amir e Ben-Ari apud Martín-García e Gómez-Jacinto, 1998:12). Assim sendo, a identidade social positiva do endogrupo – a preservar – deveria ser tomada em consideração dentro da lógica de representações do turista relativamente ao seu anfitrião, não deixando os autores, porém, de defender que se deve, paralelamente, tentar contrariar a lógica da comparação social.
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Já no que à mudança de atitudes dos turistas relativamente ao destino visitado diz respeito, de acordo com o tipo de interação com o destino, o estudo de Nyaupane, Teye e Paris (2008) chama a atenção não tanto para a interação com as ofertas turísticas mas precisamente com aquelas não turísticas. Contudo, não há consenso relativamente ao facto de se dar, após a viagem, uma melhoria na mudança de atitudes. Estudos como o de Pizam et al apenas revelam uma mudança positiva em 2 de 14 aspetos analisados entre jovens estudantes americanos depois de uma visita à então URSS (Nyaupane et al, 2008:653). Já entre adultos americanos de vista à ex-URSS, o estudo de Grothe mostrou que a dicotomia o bom povo versus o mau governo tinha sido reconfirmada e mesmo exacerbada depois da viagem realizada (Pizam et al, 2000:398).
Apesar de poder encontrar-se um método comum para a apreciação dos elementos que influenciam a imagem de um indivíduo relativamente a um determinado país/destino e à sua população/comunidade anfitriã, a abordagem que se usa é diferente. Na investigação acerca da percepção do país e da sua população por parte de um indivíduo e de um grupo de indivíduos (considerando-se tanto cada viajante como o grupo de viajantes como unidades de análise), avalia-se ―as percepções relativamente ao país em relação a uma série de aspetos diferentes daqueles avaliados na imagem de destino‖ e ―a experiência de viagem é considerada como um fator influenciando outras áreas tais como as arenas económica ou política, através do efeito na percepção geral dos países‖ (Alvarez, Inelmen e Iarcan, 2009:414). Não se deverá esquecer, porém, que – tal como se pode apreciar pela anterior descrição da constituição da imagem de destino e independentemente dos aspetos do objeto abordados – a imagem de um país e da sua população por parte do indivíduo também é influenciada por outros elementos psicológicos (como interesses/preferências), elementos sociodemográficos e também por fontes de informação secundárias que irão ser determinantes na edificação das crenças e valores que, por sua vez, influenciarão a imagem projetada pelo indivíduo. De facto, o estudo de Campo e Alvarez (2010) revela que – de entre as fontes secundárias audio-visuais – os vídeos promocionais são aqueles que maior influência revelam ter junto de uma audiência jovem, tanto na imagem prévia do destino a visitar como na imagem global do país. Já as mensagens televisivas – dependendo do seu teor mais ou menos neutro – poderão também influenciar a impressão incial do turista. Apesar de as notícias fornecendo uma visão neutra da Turquia e da sua população terem revelado pouca influência no estudo de Campo e Alvarez (2010), estes mesmos autores
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chamam a atenção para estudos como os de Tasci e Gartner que revelam que o retratar de eventos dramáticos tais como terrorismo, desastres naturais e outras ocorrências violentas podem ter um grande impacto na formação da imagem de um dado lugar (Campo e Alvarez, 2010).
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7. Reflexos da Interculturalidade na imagem do país e da sociedade visitados