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Este modelo pretende avaliar a qualidade e eficácia da BE, através de uma utilização flexível de acordo com a realidade de cada escola e de cada biblioteca. Para isso, a sua aplicação deve ser exequível e facilmente integrável nas práticas da equipa.

Ressalvamos como aspectos mais positivos:

- O papel preponderante que a BE, quando constituída por uma equipa competente e dinâmica, possui na “vida” da escola. A sua ligação com todos, Direcção, departamentos, subdepartamentos, alunos, assistentes operacionais, encarregados de educação e comunidade local, é fundamental para uma política de parceria e de envolvência que beneficia sobretudo os discentes, tanto no enriquecimento das suas aprendizagens, como na sua envolvência social e cultural.

- A integração do professor bibliotecário na equipa do Plano Tecnológico da Educação.

- A importância da BE no contexto das diferentes aprendizagens.

- A integração da BE nas estratégias e nos programas de leitura a nível de escola. Realce para a importância do Plano Nacional de Leitura na dinâmica operada nas escolas. Também se pode fazer uma ressalva positiva ao Concurso Nacional de Leitura, embora este não contemple o 1º e 2º Ciclos.

- Embora já se faça em muitas comunidades, o incentivo à partilha do fundo documental é importante que esteja contemplado neste documento e seja objecto de avaliação, pois as bibliotecas devem trabalhar em articulação tanto a nível de projectos, como na partilha de recursos.

- A dinamização de actividades livres, de carácter lúdico e cultural.

- É também muito importante que a BE se abra à comunidade: A BE constitui um espaço de acolhimento de Pais/EE’s.

- A sua flexibilidade de horário, sobretudo no período nocturno, possibilitando que os alunos tenham o apoio da BE.

- Documentos estruturantes da BE, como o Plano de Acção, a Política de Desenvolvimento da Colecção, o Plano Anual de Actividades e mesmo o Manual de Procedimentos e o Regulamento Interno. Muitas BE’s, algumas delas integradas na RBE há vários anos, não têm alguns deles, daí que seja importante a alusão a estes documentos.

Notamos, porém, que, apesar de todas as vantagens que este documento possui, a sua aplicabilidade não se apresenta fácil. O trabalho a desenvolver pelo professor bibliotecário e pelos restantes membros da sua equipa é vastíssimo e plurifacetado. Esta situação requer efectivamente muito tempo.

Há também uma série de condicionalismos, ou aspectos que carecem de uma atenção maior, com que nos deparamos ao analisar este documento:

- Ao nível das Acções para melhoria/Exemplos, é mencionado que a comunicação entre a BE e os docentes deve ser melhorada. Sobre este ponto, comum a diferentes Indicadores, constata-se, como já mencionámos, que ainda há muita resistência dos professores à alteração desejada de colaboração. As práticas de um determinado paradigma educacional levam o seu tempo a alterar-se. Nem sempre os agentes da educação aceitam facilmente uma alteração de procedimentos e de parcerias, embora sejam profícuas à aprendizagem dos discentes. As resistências ao modus operandi são muitas.

- Não é fácil constituir-se uma equipa escolhida por elementos de áreas disciplinares diferentes, o que é uma mais-valia para o trabalho a realizar. Qual a razão? Na maior parte das escolas do país, os professores que fizeram formação específica na área das BE’s pertencem ao Departamento de Línguas, o que dificulta o cumprimento de determinadas competências da BE. Quando há professores com alguma formação e

experiência em bibliotecas, não é fácil, nem compreensível, “convidar” outros que à partida teriam um perfil melhor, mas a quem falta formação e, muitas vezes, vontade.

- É também focado no documento a utilização da BE pelos docentes para actividades de ensino e apoio aos alunos. Torna-se difícil quando o espaço não é muito grande. Podemos referir que a grande maioria das BE’s que se constroem ou se alteram não possuem um espaço coadunado com o cálculo do número de alunos. Apesar dos normativos indicarem uma determinada área proporcional ao número de alunos, as DRE’s e/ou a própria RBE aprovam projectos que ficam aquém do desejável. Também sabemos que há contingências financeiras, mas no futuro torna-se impossível uma rentabilização do espaço condigna com os interesses das comunidades educativas.

Este problema é mais acentuado quando as escolas não possuem outro tipo de estruturas para esse efeito, como sejam salas de TIC, auditório, salas de apoio, salas para as NEE (Necessidades Educativas Especiais) e demais situações.

- Se elencarmos todo o tipo de documentos que a equipa da BE deve produzir ao longo do ano lectivo como materiais didácticos, páginas de internet, webquests, guiões de pesquisa, orientadores de leitura, maletas pedagógicas, dossiês temáticos, fichas de trabalho e outros materiais formativos e de apoio às diferentes actividades, para além de outros que ao longo deste Modelo de Auto-avaliação são sugeridos e se atendermos à constituição da mesma, sabendo também que os restantes elementos da equipa, para além do professor bibliotecário, têm uma carga horária reduzida na BE, a missão é enorme e difícil de se concretizar, sobretudo em qualidade. Ainda se sugere que “a BE desenvolve actividades e projectos em comum com outras escolas, agrupamentos e BE’s”.

- A dotação de fundos estipulados legalmente para as BE’s, mas não vinculativos às Direcções. A percentagem de BE’s que podem gerir uma verba atribuída anualmente pelas direcções das escolas é reduzida, o que inviabiliza uma série de projectos, como o enriquecimento da colecção de acordo com o interesse dos docentes e dos alunos.

- Há ainda falta de informação e formação, tanto para alunos como para professores, de leitura em diferentes tipos de ambientes digitais. É necessária formação para a aquisição de competências críticas e operacionais necessárias.

- Embora o princípio seja bom, algumas actividades relacionadas com a leitura e emanadas do PNL, como o Concurso Nacional de Leitura, muitas vezes não são desenvolvidas, ou em muitos casos nunca foram desenvolvidas, porque dependem da articulação com outros docentes, para além da BE, como o subdepartamento 300 – Língua Portuguesa do 3º Ciclo.

- Também não é fácil “Solicitar o envolvimento e colaboração dos pais e da comunidade na organização e financiamento dos eventos”. A maior parte dos pais tem um horário laboral incompatível com a escola. O financiamento é, na actual conjuntura, um problema muito delicado.

- Quando se sugere que a BE tenha um horário extra-lectivo, também não é fácil de materializar. Nos meios rurais e em muitos urbanos, os discentes estão dependentes de um circuito de transportes único que não lhes permite permanecer na escola para além do tempo lectivo, pois vivem longe ou mesmo muito longe do estabelecimento de ensino.

- Há um entrave que se coloca à realização de acções de formação para Encarregados de Educação – a articulação das mesmas com o horário de cada um e a distância da maior parte deles à escola/BE.

- Uma dificuldade que se coloca à abertura da BE aos sábados, isto nas escolas onde não há aulas nesse dia, é a sua dependência da “carolice” dos professores e dos assistentes operacionais que têm direito à sua vida pessoal. A gestão dos recursos humanos não é muito fácil de resolver: professores e assistentes operacionais.

Parte II – Estudo Comparativo sobre o perfil dos Professores

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