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S. Using Pointers to Construct a Binary Tree

Dans le document A Beginner's Guide to the MAINSAIL Language (Page 169-175)

10.S. The Expression Statement

II. S. Using Pointers to Construct a Binary Tree

Examinamos nessa parte o comportamento dos participantes da pesquisa, em relação às suas “práticas culturais e recreativas”, analisando em que medida, contribuem para ampliação de seu capital cultural ou simbólico. Os dados que utilizaremos, para esse fim, se referem à pesquisa quantitativa cujas perguntas identificaram a participação, em tais práticas, dentro ou fora do município. Considerando que foram identificadas presente na realidade social. “Eu quis romper com a representação realista da classe como grupo bem delimitado, existente na realidade como realidade compacta, bem recortada, de modo que se saiba se existem duas classes ou mais, ou mesmo quantos pequemos burgueses existem (...)” (BOURDIEU, 2004, p.67).

diferenças, em termos de renda e escolaridade, entre os adeptos dos diversos grupos religiosos, seria possível afirmar que elas se traduzem, também, em diferentes hábitos no que diz respeito à forma de vivenciar práticas culturais e a recreação? Podemos, a partir da teoria de campos discutida acima, afirmar que o habitus religioso, de cada grupo, está de alguma forma associado a um determinado tipo de habitus de classe na cidade? Antes de tentarmos responder a essas questões, daremos um breve panorama acerca da estrutura disponível para práticas culturais e recreativas existentes no município.

Em Rio Grande da Serra, como já mencionamos, não há cinemas e o único teatro foi derrubado para a construção de uma escola. Há uma biblioteca municipal ligada à Secretaria de Educação. Embora pequena, uma reforma (em 2007) fez do local um espaço para leitura e eventos educativos e visitas monitoradas. Não possui um grande acervo, mas, além de livros há DVDs e cabine para vídeo e um acervo em braille. Entre 2008 e 2010 foi realizado um projeto chamado “rodas de leitura” direcionado aos jovens dos seis aos quatorze anos. A razão do projeto era o incentivo à leitura – com prioridade aos que apresentavam dificuldades –, entre outras atividades artísticas. Segundo o bibliotecário, que afirma não ter como identificar participantes de grupos religiosos de forma específica, nota que kardecistas e mórmons (elderes, principalmente) têm significativa presença no cotidiano da biblioteca. A escola Cristo Rei (no campo católico) também a utiliza para visitas monitoradas.

Na cidade não há livrarias ou sebos. Há (poucas) bancas de jornal e revistas que vendem livros, uma que vende discos e livros usados e lojas de artigos religiosos (uma evangélica e uma umbandista). No centro e nos bairros são distribuídos jornais regionais. Alguns com distribuição em toda a Região do Grande ABC, outros na região que compreende Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra e poucos que são de distribuição exclusiva na cidade. Há, também, uma Rádio Comunitária – Rádio Explanada – que, além de músicas, trabalha com informações de utilidade pública, divulga eventos na cidade – entre eles os religiosos –, e faz propagandas comerciais.

Em termos de espaços públicos, para lazer, são poucos. Mas, há praças, sendo algumas delas grandes o suficiente para ser tornarem um espaço para crianças brincarem, ou mesmo para caminhada. Há o Parque dos Ipês e a Pedreira (que está no bairro com o mesmo nome) que servem como ecoturismo. Em frente à Igreja Católica há uma pista de skate para os jovens. Não há espaços recreativos como clubes, mas, existem quadras e

campos de futebol. Os campos não estão em bom estado. As academias são poucos, não mais do que três ou quatro em toda a cidade.

No que diz respeito a locais para dançar ou ouvir música, não há propriamente danceterias, mas, salões que são alugados para festas ou lanchonetes que se transformam, durante a noite, em pequenos locais para este fim. Por outro lado, os bares, ou botecos, estão espalhados pela cidade. Na tabela 28, estão alocados os dados coletados em pesquisa de campo, distribuídos pelos grupos religiosos. Ao longo da análise, mencionaremos dados coletados por gênero e faixa etária, além de destacar, entre os grupos religiosos, aqueles cujos dados destoam, significativamente, em relação ao total. 131

Tabela 28 – Práticas culturais e recreativas - distribuídos por grupos religiosos – (%)

Práticas culturais/recreativas Total tradicionais Católicos carismáticos Católicos pentecostais Evang. não pentecostais Kardec. Evang. Umband.

Ir ao cinema 32,86 31,30 48,89 40,00 24,35 36,00 40,00

Ir ao teatro 10,29 12,17 11,11 8,57 8,70 12,00 6,67

Ir a exposições de arte em geral 12,57 10,43 13,33 8,57 15,65 20,00 -

Frequentar bibliotecas 14,29 16,52 6,67 20,00 13,91 16,00 6,76

Ler jornais/revistas não religiosos 45,14 47,83 57,78 51,43 35,65 48,00 40,00 Ler jornais da cidade ou região 62,57 65,22 55,56 62,86 60,00 76,00 60,00 Ler livros não religiosos 32,86 40,87 31,11 34,29 23,48 44,00 36,67 Ir a parques públicos/zoológicos 34,86 34,78 51,11 42,86 32,17 20,00 13,33

Ir a parques de diversão 26,29 30,43 40,00 17,14 25,22 8,00 13,33

Viajar em finais de semana 35,71 37,39 55,56 22,86 31,30 40,00 20,00

Ouvir Rádio Comunitária/cidade 20,57 25,22 6,67 5,71 20,00 48,00 20,00 Ir a danceterias, bailes, festas 13,43 18,26 13,33 14,29 8,70 12,00 13,33 Frequentar bares ou lanchonetes 15,71 19,13 13,33 17,14 12,17 12,00 26,67

Ir a clubes recreativos 11,43 11,30 20,00 8,57 9,57 16,00 -

Fazer trilhas ecológicas 8,29 10,43 8,89 11,43 4,35 12,00 6,67

Praticar esportes 31,43 33,91 40,00 37,14 27,83 28,00 6,67

Outros 6,86 6,09 4,44 2,86 6,96 16,00 13,33

Não possui nenhuma prática

cultura/recreativa 4,29 2,61 2,22 4,44 6,09 4,00 6,67

De forma geral, a participação em práticas culturais e recreativas não é expressiva. Iniciando o exame por aqueles, e aquelas, que declararam não possuir nenhuma prática, temos o percentual de 4,29%. Embora o percentual total não seja elevado, é mais significativo entre os evangélicos pentecostais, chegando a 13,33% entre os membros da CCB. Também é alto entre as mulheres (7,04%), se comparado ao percentual dos homens (0,66%). Nota-se que, no caso da “não participação” há, entre os pentecostais e as mulheres, uma relação inversa com sua frequência religiosa, ou seja, quanto maior a

participação nas redes religiosas, menor é o tempo gasto com práticas culturais ou recreativas fora do espaço eclesiástico. Já havíamos identificado, algo similar, quando examinamos as práticas associativas fora do campo religioso.

Como não há na cidade teatros ou cinemas, tampouco uma galeria de artes, a ida a esses espaços culturais requer o deslocamento para outras regiões, o que explica, em parte, a baixa frequência.132 A ausência deles, por outro lado, colaborou para que não se

constituisse um hábito frequente. O cinema, uma diversão mais popular, é a que se destaca, principalmente entre os jovens, pois, nesse caso, 65% afirmam frequentar. Entre os grupos religiosos o destaque fica para os católicos carismáticos (48%) e as Testemunhas de Jeová e Mórmons (55,56%). Por outro lado, a baixa participação dos evangélicos pentecostais, mesmo em relação à ida aos cinemas, reforça a ideia de que determinados espaços dentro das Igrejas (louvor) têm privilegiado a participação dos jovens substituindo outros espaços de lazer.

No que diz respeito aos hábitos de leitura e informação, se destaca, de modo geral, o interesse por jornais ou revistas, e, de modo específico, a leitura dos jornais regionais. Este último indica ser um instrumento privilegiado de informação na cidade, pois, nesses periódicos são publicadas matérias (de cunho econômico e político) sobre Rio Grande da Serra. Observa-se que a ausência de livrarias ou sebos contribui para o pouco interesse pela literatura num sentido amplo, embora, seja expressivo o número de participantes que indicam, com frequência, ler livros religiosos.133 Nesse grupo, se destacam os kardecistas,

cujo hábito de leitura é comumente maior, e os adeptos da CCB, mas, em nenhum dos casos, ocorre de forma a destoar dos demais grupos. Os homens leem mais os jornais, e as mulheres preferem a leitura de livros. Os jovens, de forma geral, leem pouco. A Rádio Comunitária foi citada por um baixo percentual de respondentes, mas, kardecistas (48%) indicam prestigiá-la.

Com respeito à frequência aos parques públicos, zoológicos ou viagens de final de semana, é o grupo de atividades em que os participantes, de modo geral, apresentam maior

132 Há que se registrar que a Secretaria de Cultura promove exposições e cursos de teatro em seu espaço. Não

são eventos de grande vulto pela pouca estrutura que a Secretaria possui.

133 Entre os católicos, 66,25% afirmam ler livros religiosos. Destacam-se a Bíblia e os livros Kairós e Ágape

(Padre Marcelo). Entre os evangélicos, 65,33% têm esse habito da leitura. Além da citação da Bíblia, que se destaca, foi mencionado um conjunto de livros dirigidos ao público evangélico. O curioso é que foi mencionado, entre os evangélicos, um livro da Zibia Gasparetto. O habito de leitura, entre os kardecistas, é de 84%. Os livros de Allan Kardec e Chico Xavier se destacam. Para os kardecistas arguimos se têm assistido aos filmes de cunho espírita produzidos no Brasil e, nesse, caso, 56% afirmam já ter assistido.

Nosso Lar e As Mães de Chico, se destacam. Entre os umbandistas, 66,67% dizem ler livros religiosos. Além

indicação, mas, nada que destoe dos demais itens. Os católicos carismáticos, Assembleia de Deus, CCB e o grupo formado por Testemunhas de Jeová e Mórmons apresentam maior frequência. A participação desses grupos pode ser explicada, em parte, por serem atividades que não se confrontam com questões dogmáticas de seus grupos religiosos.

Já a frequência a danceterias, bares ou lanchonetes é baixa. No caso das danceterias, elas não estão presentes na cidade.134 Há locais que se improvisam para

encontros e “festinhas”, mas, como boa parte estão associados à bebedeira ou ao uso de drogas, não se tornam convidativos aos jovens religiosos. O mesmo ocorre com os “botecos”. Muitos dos que responderam frequentá-los fizeram questão de afirmar que costumam ir a lanchonetes para lanchar, e não aos bares ou botecos para beber. Nesse item, a participação masculina (19,21%) é maior do que a feminina (13,07%).

Com respeito à pratica de esportes ou trilhas ecológicas, a frequência não é mais expressiva do que os demais itens analisados. Como já dissemos não há clubes na cidade e maior parte são quadras de futebol. As trilhas ecológicas estão associadas à Pedreira ou Paranapiacaba.135 Há a intenção, por parte da prefeitura, em aumentar essa prática, parte

da estratégia de tornar a cidade um polo turístico, mas, ainda não se tornou uma realidade. A prática de esportes ocorre, em grande parte, associado também ao futebol,136 mas, há

atividades promovidas por grupos de terceira idade, caminhadas, artes marciais, entre outros. Referente às práticas esportivas, os homens (47,68%) indicam uma participação, significativamente, maior dos que as mulheres (19,10%).

Na tabela alocamos o item “outros” que foi disponibilizado aos participantes, no questionário, para que pudessem registrar práticas que não estavam na lista. As práticas citadas foram: pescaria, ler notícias na internet, encontros familiares, participação em cursos (instrumentos em geral, artesanato, línguas), ir ao shopping, ir ao bingo, ir ao forró e ir ao Festival do Cambuci.

Uma análise acerca do que foi registrado, acima, nos revela que não há uma relação direta entre o tipo, e a frequência, de hábitos culturais e recreativos e as diferenças

134 Houve, por parte da Secretaria de Cultura, a promoção de shows, em sua maioria sertanejos, no Teatro

Manacá, antes deste ter sido desativado.

135 A “pedreira”, que no início do século XX, serviu para retiradas de pedras para a construção da Av.

Paulista (SAAR, s/d), está num bairro com o mesmo nome. Atualmente, desativada, é utilizada para prática de escalada e rapel. O distrito de Paranapiaca, pertencente ao município de Santo André, conhecido por ser uma região de colonização inglesa (com neblina e habitações que fazem lembrar a arquitetura desse país) faz fronteira com Rio Grande da Serra. No local, além do Festival anual, é possível fazer trilhas ecológicas.

136 A Secretaria de Esportes promove campeonatos de futebol de campo e de quadra. Pela falta de estrutura

em termos de capital econômico e cultural dos participantes da pesquisa. Dito de outro modo, os grupos religiosos que mostraram maior renda e escolaridade, como católicos carismáticos, evangélicos não pentecostais e kardecistas, não apresentaram uma frequência destoante, no conjunto de práticas descritas, dos demais grupos. As diferenças se relacionam mais, propriamente, ao tipo de habitus religioso.

Partindo da premissa que o volume de capital social, adquirido ao longo do tempo, insere o indivíduo num determinado “lugar” no campo social, ocasionando a incorporação de formas próprias de percepção da sociedade (habitus), o que significa a assimilação de gostos e preferencias particulares, os dados de renda familiar (RF), em Rio Grande da Serra, indicam que as diferenças não são suficientemente expressivas para a formação de distintos habitus de classe. É pouco significativo o percentual de pessoas (2%) – considerando a RF acima de 9 SMs – que teria condições financeiras para participar, de maneira habitual, de práticas culturais ou recreativas no nível de sofisticação (e respectivo dispêndio) que, de forma geral, é inacessível, do ponto de vista material e simbólico, para a maioria dos moradores da cidade.

A diferença em termos de quais práticas culturais e recreativas fazem parte do cotidiano dos participantes da pesquisa – por exemplo, os livros que são lidos ou lugares frequentados – tem maior relação com o grupo religioso que o indivíduo participa, do que, propriamente, a condição financeira ou nível escolar que ele possui. Esses dados ajudam a perceber como comportamentos são estruturados a partir da participação, dos indivíduos, em seus respectivos grupos religiosos. Em Rio Grande da Serra, num contexto de nivelamento socioeconômico, o habitus religioso, de alguma forma, se sobrepõe.

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