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Dans le document Basic Lisp Techniques (Page 17-20)

O interesse de pesquisadores em descobrir quem é o público do noticiário científico teve início na década de 5038. Krieghbaum (1967, p. 161-162), um dos primeiros a estudar e pesquisar a popularização da Ciência, cita uma pesquisa feita em 1957, nos Estados Unidos, pelo Centro de Pesquisas da Universidade de Michigan, para a National Association of

38 É oportuno lembrar que uma das primeiras pesquisas sobre o público avaliou que, entre 130 jornais veiculados

de 1939 a 1950 nos Estados Unidos, os assuntos de ciências, invenções, saúde e segurança despertavam mais interesse do público que notícias de acidentes, governos nacional e local, recreação, esportes, arte, música e literatura (BURKETT, 1990, p. 37).

Science Writers, em que foram entrevistados 1919 adultos norte-americanos. Desse total,

75,6% tinham conseguido se lembrar de alguma notícia sobre Ciência ou Medicina.

De acordo com a pesquisa, (idem, p. 68), 36,6% das pessoas entrevistadas se lembraram de matérias sobre Ciência publicadas em jornais, 21,5% na televisão, 20,5% em revistas, 8,3% em rádios e 48,2 não se lembraram de nenhuma matéria sobre Ciência. No caso de notícias sobre Medicina, a pesquisa revelou que 60,2% das pessoas se lembraram de matérias de jornais, 25% da televisão, 19,2% de revistas, 7,4% de rádio e 31,4% não se recordavam de nenhuma matéria sobre Medicina.

A preocupação com a percepção que o público tem da Ciência e da Tecnologia começou, no entanto, na década de 70. Nos Estados Unidos, a National Science Foundation (NSF) foi uma das instituições pioneiras a medir a percepção do público. “Entre os 15 volumes do Science

and Engineering Indicators, 14 contêm um capítulo dedicado à compreensão e às atitudes do

público em relação à C&T” (FAPESP, 2004, p. 4). Na década de 80, novos estudos foram desenvolvidos, entre eles, com base em pesquisas de opinião, tendo como foco as tensões entre as instituições de pesquisa e a sociedade.

No dia 15 de novemb ro de 1985, o jornal francês Okapi, de periodicidade mensal, voltado ao público de 10 a 15 anos, publicou um questionário, com questões fechadas, intitulado “Ciência, o que é isso para você?”. Dos mais de 6 mil questionários respondidos, Delacôte (1987) selecionou 3.060 (os questionários que retornaram ao jornal até 31 de dezembro daquele ano). Diante da pergunta, “Onde você encontra a maior parte das informações sobre descobertas científicas?”, o pesquisador constatou que sete, em cada dez adolescentes, obtinham a maior parte do conhecimento científico vindos da televisão. Outros meios, segundo ele, foram: revistas especializadas (39%), livros (30%), museus (26%). Somente 25% mencionaram a escola. Os menos citados foram histórias em quadrinhos e rádio (5%).

Uma outra edição do Science and Engineering Indicators, da NSF, de 1996, avaliou que o nível de compreensão pública de conceitos básicos de Ciência é, recorrentemente, associado à educação formal, mas enfatizou que os americanos recebiam a maior parte das informações sobre Ciência de programas de televisão e de jornais. No ano de 1995, segundo o estudo, os americanos assistiram, em média, a 409 horas de programas televisivos de notícias, dos quais 80 horas de programas sobre Ciência (TRUMBO, 2000).

Clifford, Gunter & McAller (1995) desenvolveram uma pesquisa, nos Estados Unidos, com 111 crianças (55, com idades entre 8 e 9 anos, e 56, com idades entre 14 e 15 anos) sobre a percepção de dois programas televisivos temáticos sobre Ciência (Body Matters e Erasmus

Microman) a partir de questionários. O objetivo do estudo foi verificar a compreensão dos

conteúdos científicos pelas crianças e avaliar o acréscimo de conhecimento proporcionado por tais programas. Os pesquisadores concluíram que as crianças das faixas etárias estudadas avaliam a Ciência como algo desejável e benéfico. A opinião das crianças é de que a Ciência deveria estar no horário nobre da televisão e não estar restrita a poucos canais ou apenas apresentada em programas escolares. De acordo com o estudo, as crianças acreditam que programas televisivos temáticos de Ciência podem comunicar importantes informações sobre Ciência. Os pesquisadores concluíram, também, que as crianças podem aprender com tais programas.

Wynne et al. (2005) desenvolveram, em 1996, um estudo sobre a percepção pública da Ciência no Reino Unido – através de observação participante, entrevistas em grupos e

estruturadas – com um grupo de pessoas que herdaram um gene que faz elevar os níveis de colesterol no sangue. Entre as conclusões a que os pesquisadores chegaram está a de que as pessoas não usam, assimilam ou vivenciam a Ciência separadamente de outros elementos de conhecimentos, julgamentos ou recomendações. Quase sempre, uma situação prática requer um conhecimento suplementar para tornar a compreensão da Ciência válida e útil em um contexto específico.

Outra conclusão do estudo é que o grau de organização coletiva ou individual do público é uma variável social importante. Uma implicação disso é que as instituições científicas e determinadas políticas que querem integrar a Ciência à vida do público leigo devem estar organizadas de forma a entender e se relacionar melhor com a hierarquização das preocupações e os conhecimentos do público, em vez de querer impor uma estrut ura científica de compreensão, como se essa, por si só, fosse adequada.

A pesquisa também concluiu que as pessoas julgam se podem ou não usar e confiar no conhecimento de especialistas, em parte, comparando-o a elementos de seu próprio conhecimento já testados e fruto de experiência direta. Outro apontamento do estudo é que as pessoas vivenciam o conhecimento indiretamente, como parte de sua experiência concreta e de sua posição em processos institucionais específicos.

De acordo com os autores (WYNNE et al., 2005), a compreensão ou não do público em relação à Ciência não está baseada na capacidade intelectual mas em fatores sócio- institucionais que têm a ver com o acesso, a confiança e a negociação sociais. No estudo, concluiu- se que as pessoas podem parecer que estão indiferentes ao conhecimento científico ou que são incapazes de digeri- lo, ao rejeitarem a hierarquização das preocupações dos cientistas. A pesquisa mostrou também que a indiferença do público em relação às informações científicas está quase sempre baseada na opinião de que elas não são úteis ou de que não combinam com a experiência pessoal ou pública.

A edição de dezembro de 2001 do Eurobarômetro (setor de pesquisa de opinião pública da União Européia), intitulado: “Europeus, ciência e tecnologia”, (SEMIR, 2003), apresenta as principais fontes de informação (não excludentes entre si) sobre temas científicos para os cidadãos dos países membros da União Européia são: televisão (60,3 %), jornal impresso (37 %), rádio (27,3 %), escola e universidade (22,3 %), revistas científicas (20,1 %) e Internet (16,7 %).

León (2004) avaliou os telejornais de horário nobre (prime time) de redes públicas e privadas de maiores audiências em cinco países europeus: França, Itália, Alemanha, Inglaterra e Espanha, na semana de 22 a 28 de setembro de 2003. De acordo com o pesquisador, em geral, a duração média das informações sobre Ciência e Tecnologia nos noticiários é, em geral, insuficiente para contextualizar adequadamente os assuntos abordados.

Segundo o autor (idem), a Ciência e a Tecnologia não recebem atenção equivalente a outros assuntos; o que contrasta com o interesse dos cidadãos pelo tema. Para o autor, somente as matérias de maior duração lograram dar uma explicação suficiente para levar ao espectador idéias precisas sobre o tema. O estudo salienta a importância de se aumentar a quantidade e a qualidade das informações sobre Ciência e Tecnologia, “ainda que isto não pareça fácil no contexto do atual mercado televisivo” (p. 79).

Na edição de 2006 do Science and Engineering Indicators, do NSF, no capítulo 7, intitulado

Science and Technology: Public Attitudes and Understanding, concluiu-se que os americanos

e os cidadãos de outros países continuam a obter a maioria das informações sobre C&T através da televisão (como apontou o mesmo relatório dez anos antes). Entretanto, a Internet configura-se como a fonte principal de informações especializadas. Segundo o estudo, a maioria de americanos reconhece e aprecia os benefícios da C&T. Ainda de acordo com o estudo, a maioria dos americanos não compreende os processos científicos e pode, conseqüentemente, faltar uma ferramenta valiosa para avaliar a validez de várias reivindicações que encontram na vida diária (NATIONAL SCIENCE FOUNDATION, 2006). Seguindo a tendência do surgimento e expansão das novas mídias, as pesquisas acadêmicas, nos últimos anos, também têm sido influenciadas significativamente pelo avanço da Internet como fonte de informação em CT&I.

Através de pesquisas em três bases de dados sobre estudos acadêmicos na Europa – Science

Citation Index Expanded (SCI-Expanded), Social Sciences, Citation Index (SSCI) e Arts & Humanities Citation Index (A&HCI) – Koolstra, Bos & Vermeulen (2006) averiguaram que,

na Europa, foram desenvolvidas, entre 1945 e 1960, 1.205 pesquisas sobre televisão e nenhuma sobre Internet (já que esta última ainda não havia sido desenvolvida). Na Europa, de 1961 a 1970, foram concluídas 2.448 pesquisas sobre televisão e apenas uma sobre Internet. De 1971 a 1980, 4.015 pesquisas foram sobre televisão e quatro sobre Internet. De 1981 a 1990 foram encontradas 4.956 pesquisas sobre televisão e 29 sobre Internet. A partir da década de 90, entretanto, as pesquisas sobre Internet superam as pesquisas sobre televisão na Europa. De 1991 a 2000 foram desenvolvidas 8.118 sobre TV e 13.208 sobre Internet. De 2000 a 2005 foram elaboradas 4.704 sobre televisão e 21.221 sobre Internet (cerca de quatro vezes mais).

O total de pesquisas sobre as duas mídias na Europa de 1945 a 2005 também indica a superação da televisão pela Internet: 25.446 sobre a primeira e 34.463 sobre a segunda39 (KOOLSTRA, BOS & VERMEULEN, 2006).

À guisa dessas tendências, os pesquisadores acreditam no potencial da televisão para a Divulgação Científica. Eles avaliaram que a televisão ainda deveria ser considerada o mais importante meio para a Divulgação Científica por três motivos: 1) as pessoas usam mais freqüentemente a televisão que a Internet; 2) a televisão é mais efetiva na comunicação de mensagens para o público que a Internet; 3) as pessoas confiam mais na televisão que na Internet na divulgação de informações sobre pesquisas (KOOLSTRA, BOS & VERMEULEN, 2006).

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O que se observa nos últimos anos, no entanto, é que, mesmo com características específicas de produção e veiculação de mensagens, existem diversas possibilidades de se realizar a convergência entre a televisão (em particular o telejornalismo) e a Internet, para a Divulgação Científica. Entre as experiências, destacam-se a disponibilização de matérias telejornalísticas e documentários em sites e portais diversos, além da iniciativa de fazer referências a sites nas próprias matérias exibidas pela TV. Na edição do dia 09 de maio de 2005, do Jornal da Cultura (na matéria “Tratamento para endometriose”), por exemplo, a apresentadora Mônica Teixeira indicou o endereço eletrônico em que o artigo científico, com o resultado da pesquisa, estava disponível. Em âmbito internacional especificamente, o site “TV Ciência on line” (endereço eletrônico: <http://www.tvciencia.pt>), de Portugal, produz e veicula um telejornal diário, na Internet, específico de divulgação de CT&I. Nesse caso, as matérias também podem ser produzidas pelo público e enviadas à equipe de Jornalismo, que as disponibilizam no próprio site. Tal projeto é co-financiado pela União Européia FEDER, com apoio do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento e co-participação do Instituto de Investigação Científica Tropical.

Na América Latina, as pesquisas não estão tão desenvolvidas, no entanto, houve algumas experiências no México, no Panamá, em Cuba e na Colômbia (FAPESP, 2004, p. 5). No Brasil, a primeira pesquisa é de 1987, elaborada pelo Instituto Gallup, a pedido do CNPq, por intermédio do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast). O estudo: O que o brasileiro

pensa sobre a Ciência e a Tecnologia teve como objetivo constituir indicadores e referências

na área de C&T a partir da imagem pública da Ciência. Em 1992, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) desenvolveu a pesquisa nacional: O que o brasileiro pensa de ecologia, sobre as opiniões e atitudes da população sobre o meio ambiente (idem, p. 5).

Mais recentemente, em 2001, a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e a Rede Ibero-Americana de Indicadores de Ciência e Tecnologia (Ricyt) do Programa

Iberoamericano Ciência y Tecnologia para el Desarrollo (Cyted), toma ram a iniciativa de

desenvolver estudos na América Latina com a finalidade de avaliar os fenômenos implicados nos processos de Percepção Pública da Ciência (ibidem, p. 5).

Como parte desses estudos, a pesquisa comparativa, a partir de entrevistas em quatro países – Brasil, Argentina, Uruguai e Espanha – apontou dados sobre a percepção pública da Ciência e da Tecnologia. Em relação à freqüência de consumo de informação científica por meio de algumas fo ntes de informação: jornais, televisão e revistas especializadas em Divulgação Científica, o resultado tanto do Brasil como da Argentina, revelou que, em jornais, o consumo é de 53,4% e televisão 64% da amostra pesquisada. Os dados do Uruguai apresentam perfil mais equilibrado nas mesmas categorias. Para as revistas de Divulgação Científica, em todos os países analisados, o consumo tem características fundamentalmente esporádicas (VOGT & POLINO, 2003, p. 139 e 141).

De acordo com os autores (VOGT & POLINO, 2003), apesar do pouco hábito de consumo, os entrevistados sentem que a oferta de notícias sobre Ciência e Tecnologia nos jornais é “escassa” (81%). Notadamente, sobre a televisão, a grande maioria (85%) acha que os noticiários têm “escassa” informação sobre Ciência e 14% se mostram contrários a essa afirmação. Em relação aos “programas especiais” sobre Ciência, 66% dos entrevistados consideram que a informação é “suficiente”, e 20% que é “escassa” (idem, p. 141-143).

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