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Risque de crédit sur la clientèle

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4.1 risque de crédit

4.1.1 Risque de crédit sur la clientèle

A especificidade institucional é, também, uma das categorias de análise deste estudo. Uma vez que a pesquisa tem como foco a Unijuí e suas experiências em educação não presencial, que os documentos e os sujeitos da pesquisa estão, diretamente, ligados a essa instituição, optou-se por tratar dessa categoria separadamente. Ao fazer isso, procura-se mostrar, por meio dos instrumentos, a análise da interação, ou a sua busca, dessa instituição com a comunidade.

É preciso que a educação esteja – em seu conteúdo, em seus programas e em seus métodos – adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história [...] (FREIRE, 1987, p. 39).

Com o Regime Especial de Férias e o Seminário Permanente de Educação Popular, ambos propostas de educação não presencial, procurou-se mostrar um pouco da trajetória da Unijuí que, certamente, fez diferença na sua caminhada em direção à Educação a Distância. Procurando atender às demandas da comunidade a que pertence, essa instituição se propôs a construir propostas de educação e qualificação que abrissem mão da presença do aluno sem perder de vista o estabelecimento do vínculo e a busca da interação.

Por isso, pode-se afirmar que é possível tratar da especificidade da instituição a partir da Pedagogia da Alternância.

A Pedagogia da Alternância se desenvolveu a partir da Segunda Guerra Mundial, na França, e, posteriormente, na Itália e na Espanha.

A formação do aluno pela alternância implica o seu envolvimento em atividades produtivas, de maneira a relacionar suas ações com a reflexão sobre o “porquê” e o “como” das atividades desenvolvidas (SILVA, 2008). Ou seja, essa formação busca a interação entre as atividades práticas e a reflexão teórica sobre elas. Nessa perspectiva educativa, o aluno deve ser o protagonista de sua própria formação. A respeito do Regime Especial de Férias, assim se expressa Bussmann (E3):

Não era objetivo da instituição, que o aluno viesse “ter algumas aulas, fosse embora, a gente esquecesse ele, esquecesse da gente e depois voltasse para concluir.” Não era uma simples oferta de qualificação, mas uma proposta de um nível de qualificação adequado.

O princípio básico da Pedagogia da Alternância sustenta a necessidade de a iniciativa partir do público beneficiário, como expressão do seu desejo de ter acesso a uma educação diferenciada, que atenda aos interesses de seus alunos, que permita a reprodução da sua identidade cultural (SILVA, 2008).

Segundo Marques (1984), no início de 1972, a Unijuí, buscando novas alternativas de ampliação do âmbito e das oportunidades do ensino, implantou o Regime Especial de Férias. Com períodos de frequência concentrada, o regime tinha como objetivo oferecer às professoras, já em exercício nas comunidades mais distantes da sede, condições de se habilitarem, segundo as exigências legais, continuando a exercer, efetivamente, o magistério em suas respectivas escolas.

Com os mesmos currículos, mesmos pré-requisitos e igual carga horária dos cursos em regime ordinário, os cursos em regime especial tinham objetivos específicos e diferenciados: 1. proporcionar aos estabelecimentos de ensino situados em municípios distantes dos centros

universitários a habilitação legal de seus professores, em regime que não perturbasse o normal desempenho das atividades docentes;

2. conjugar o exercício efetivo do magistério com o período de formação de professores, visando ao aperfeiçoamento em serviço, corrigindo falhas adquiridas, realizando a vinculação efetiva do professor aos estudos sistemáticos e à vida universitária para a assimilação mais adequada e a revisão constante dos conteúdos programáticos e das técnicas didáticas, sendo de esperar que a volta à Faculdade se tornasse habitual para esse professor.

A alternância, então, concretiza-se juntamente com a associação. Ela é concebida como uma metodologia para a formação em tempo integral, estruturada pedagogicamente, resultando de uma estreita relação entre as estadias no mundo ativo do trabalho e estadias no estabelecimento de qualificação. Representa uma alternância integrativa entre o meio socioprofissional e a universidade que não se limita ao tempo de aprendizagem, mas se estende às atividades dos alunos nas suas comunidades de origem e aos conhecimentos que, a partir da sua prática, esses alunos podem trazer para a universidade.

No Seminário Permanente de Educação Popular:

a Prática é entendida como o agir coletivo e intencionado, dirigido por objetivos. Põe em movimento objetos e fenômenos, cujo sentido, visto como percepção, significado e direção, é dado pela teoria. A prática, enquanto coloca objetivos e fenômenos em movimento, transforma-os. Fazem parte da prática a produção material, a atividade social e política e a investigação e experimentação científicas;

e o Conhecimento é entendido como produto de processos e vivências sociais em que os sujeitos e o objeto, em relação, se constróem mutuamente. A construção desses sujeitos se dá na medida em que, na relação entre eles e deles com a realidade, há o acionamento e ampliação de percepções, conceitos, categorias acumuladas pela humanidade, em razão das necessidades que gera, possibilitando a apreensão e o questionamento das leis da estrutura e funcionamento desse real. Ao atuar no sentido de satisfazer essas novas necessidades, há a intervenção desses sujeitos sobre o objeto-realidade , reconstruindo-o. Instituições são estruturadas, decorrentes de necessidades sociais que, a partir dessas, constróem objetivos, aglutinam e gestionam recursos no sentido de possibilitarem uma prática social coerente com essas necessidades e objetivos que as geram. As instituições que integram o SPEP (ONGs e universidades) atendem às necessidades de assessoria aos movimentos sociais, ainda que algumas delas os extrapolem, como as universidades, constituídas a partir de necessidades mais globalizantes, universais.

Assim, tanto no Regime Especial de Férias quanto no Seminário Permanente de Educação Popular, tem-se a alternância: conhecimento – prática = conhecimento renovado e,

prática – conhecimento = prática renovada.

O Regime Especial de Férias e o Seminário Permanente de Educação Popular são experiências de educação não presencial da Unijuí, e trazem, nas suas especificidades, o

cuidado e a preocupação de uma instituição que pauta sua caminhada na busca por uma educação de qualidade e de interação com a comunidade.

Outro aspecto que também faz parte da especificidade da instituição é o tratamento diferenciado dado à Educação a Distância.

No material de apoio Produção de Materiais Didáticos para a EaD (2008), vamos encontrar: especificamente, na Educação a Distância, quando ainda não havia políticas que incentivassem a oferta de cursos nessa modalidade, ousava-se oferecer o curso de Sociologia, como “curso experimental”, amparados pela Lei nº 9.394/1996. Também se pode ter orgulho do fato de ter sido a primeira instituição brasileira a oferecer o curso de Licenciatura em Educação Física, com carga horária presencial de 48% e de 52% a distância. Esta experiência tem alcançado ampla aceitação entre um público que, de outra forma, não poderia estar buscando qualificação na área numa universidade.

E ainda, tudo isso se deve à capacidade e qualificação da equipe de professores e colaboradores, que agora se prepara para um novo desafio: oferecer cursos de Graduação e de Pós-Graduação, utilizando material impresso de sua autoria.

Ao trabalhar a Educação a Distância de forma particularizada e utilizar material didático elaborado por sua equipe de professores, a Unijuí demonstra sua disposição em buscar sempre construir propostas e repensá-las. A partir de Freire (1987, p. 39), “é próprio do pensar certo a disponibilidade do risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, assim como o critério de recusa ao velho não é apenas cronológico”. Ou seja, não apostar apenas na busca pela inovação, mas na busca pela educação, na forma e onde quer que ela possa se apresentar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho se propôs a mostrar as experiências em educação não presencial na Unijuí, mostrar também a busca desta instituição por atender às demandas de sua comunidade e ainda fazer referência a Educação a Distância construída pela instituição.

Por se tratar de experiências diferenciadas, o Seminário Permanente de Educação Popular e o Regime Especial de Férias foram tratados, ao longo do trabalho como educação não presencial e como Educação a Distância a modalidade construída pela instituição a partir da sua opção pela EaD.

A proposta da pesquisa é dar visibilidade à caminhada da Unijuí através de experiências de educação não presencial que privilegiaram a mediação do conhecimento, a busca pela interatividade e pelo ensino de qualidade e que podem ter colaborado na construção da proposta de Educação a Distância na instituição. Esta proposta foi contemplada a partir da análise de materiais de apoio ao aluno e livros-texto elaborados para a atual prática em EaD, materiais relacionados ao Seminário Permanente de Educação Popular e ao Regime Especial de Férias e de entrevistas com sujeitos de alguma forma relacionados a esses eventos.

A análise foi feita a partir de três grandes focos: Foco 1 – Materialidade, a interação

na educação não presencial; Foco 2 - Relações pedagógicas; e Foco 3 – Os sujeitos na educação não presencial. Dentro de cada foco foram abordadas as seguintes categorias: mediação, autonomia e desenvolvimento do professor nos focos 1 e 2, e no foco 3, além

Por meio do Seminário Permanente de Educação Popular, a Unijuí procurou alcançar os diversos movimentos sociais nele inseridos, construindo propostas de educação com conscientização para capacitar os sujeitos e os agentes desses movimentos a fim de que pudessem contribuir de forma significativa, o que é ter empoderamento pelo próprio conhecimento e promover sua própria autonomia.

Com o Regime Especial de Férias, a Unijuí optou por atender à demanda legal por qualificação de professores em exercício. Ao identificar as dificuldades desses professores em se ausentarem das escolas, a instituição promoveu a transformação do Regime Especial de Férias para o Regime Semipresencial, demonstrando, mais uma vez, a intenção de construir propostas de formação e qualificação que atendessem às necessidades da comunidade em que está inserida.

Em relação à EaD, a Unijuí também conseguiu imprimir sua marca. Desde o início da sua implementação, segundo E5, a EaD na Unijuí nunca foi uma Educação a Distância massificada. Ao contrário, sempre pressupôs turmas pequenas, poucos cursos, porque de fato era uma necessidade da instituição desenvolver Educação a Distância, mas era, também, uma opção consciente a ser feita pelos departamentos ou cursos interessados. Nesse mundo da informação da sociedade do conhecimento, uma instituição como a Unijuí não pode deixar de desenvolver essas habilidades. Entretanto, nem todas as áreas são factíveis a essa forma de formação e também nem todas querem participar desse tipo de formação.

A partir desses pressupostos a Unijuí foi desenhando uma Educação a Distância diferente, centrada somente nas áreas em que havia uma certa disposição. Pressupôs, também, que a Educação a Distância na instituição nunca será de massa, mas será um pouco mais artesanal, marcada pelo compromisso com a busca pela qualidade e pelo lugar de origem dos alunos, como foi dito no início deste trabalho: “uma EaD com a cara desta instituição”.

A construção da proposta de EaD na Unijuí implicou na construção de plataforma própria da Unijuí – o Conecta Unijuí – e na elaboração de material didático pelos próprios professores dos componentes curriculares.

É possível afirmar que nas expectativas da Unijuí, na consolidação e/ou reformulação de projetos que, ancorados em experiências educativas singulares, buscaram atender às demandas de seus aprendizes em potencial, e na preocupação desta instituição que, sem se render a modismos ou reducionismos, trata a Educação a Distância não como uma substituta,

mas como uma adicional e indispensável forma de levar o aprendizado às pessoas, está o grande diferencial desta instituição. Também é possível afirmar que a Educação a Distância na Unijuí é resultado de toda uma construção, alicerçada em outras experiências de educação não presencial, que ajudaram a qualificar e dar identidade própria a essa EaD.

Uma organização inovadora, aberta, dinâmica, com um projeto pedagógico coerente, aberto, participativo; com infra-estrutura adequada, atualizada; tecnologias acessíveis, e renovadas, são, segundo Moran (2009), algumas das variáveis do ensino de qualidade. Ao se resgatar um pouco da trajetória da Unijuí a partir dos movimentos tratados neste trabalho de pesquisa, e da construção da sua proposta de Educação a Distância, pode-se visualizar a preocupação da instituição em contemplar tais variáveis.

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