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As professoras foram selecionadas a priori, para posterior localização das escolas onde atualmente trabalham. A escolha se deu por eu conhecer a prática pedagógica dessas professoras, que tiveram início de carreira, após os primeiros anos de implantação do Ciclo Básico (1983) na rede estadual e sempre foram bem- sucedidas no processo de alfabetização. São professoras que buscam a formação continuada porque compreendem que o processo ensino-aprendizagem não acontece de forma contemplativa, mas no envolvimento ativo com práticas problematizadoras.

Atendendo aos objetivos e às exigências desta pesquisa, foram escolhidas professoras cuja atuação ocorre em bairro periférico de uma cidade localizada no Estado de São Paulo. A maioria das crianças que frequentam as escolas, pouco podem contar com acompanhamento escolar de seus pais, por motivos diversos (social, econômico, cultural), cabendo a essas professoras o compromisso e a responsabilidade do sucesso delas no mundo da escrita.

É importante fazer a descrição do campo empírico, pois acredito que ele é decisivo e determina os elementos e os sujeitos da pesquisa, e, para isso, é necessário trazer informações detalhadas nesse campo no sentido de subsidiar os futuros leitores interessados no tema.

São seis escolas localizadas em bairros periféricos da cidade com situação socioeconômica similar. O que se pode observar é que houve um crescimento da população no local, com a consequente descaracterização do patrimônio arquitetônico-paisagístico nos últimos anos.

Para melhor contextualização da pesquisa, as professoras colaboradoras, identificadas aqui com nomes fictícios (Marta, Maria, Mariana, Marlete, Marlene, Márcia), são apresentadas com suas falas, trechos das entrevistas e histórias de vida.

Trabalho há 19 anos na Rede Estadual de São Paulo. Possuo cargo efetivo. Não acumulo cargo e minha jornada semanal é de 30 horas. Tenho dedicação exclusiva às classes em que atuo todos os anos e considero importante o não-acúmulo de cargo, porque o trabalho fica centralizado nos objetivos que proponho ao longo do ano a uma única série. Sendo a uma única série, julgo maior a

qualidade do trabalho. Todos os anos de meu percurso profissional foram dedicados à alfabetização na Rede Estadual. Cursei pedagogia e também o curso de Formação de Educadores Alfabetizadores fornecido pela Secretaria da Educação, “Letra e Vida”. O mais importante na alfabetização é fazer com que os alunos percebam a função social da escrita e, para isso, oportunizo com tudo que possa ajudá-los a colocar o que sabem para eu intervir. É nesse ponto que o processo se torna maravilhoso... Encorajo-os colocando desafios que os façam refletir e, assim, vou interagindo e integrando-os aos novos conhecimentos, e o ato de ensinar e aprender torna- se prazeroso.

(Professora Marta)

[...] Trabalho há 18 anos na Rede Estadual de São Paulo. Possuo cargo efetivo. Atualmente não acumulo cargo e minha jornada semanal é de 30 horas. Sou pedagoga e

possuo o curso de Formação de Educadores

Alfabetizadores da Secretaria da Educação “Letra e Vida”. Acredito na educação e alfabetizar é algo que me fascina, justamente porque a região em que trabalho é de crianças que pouco são estimuladas em casa e, quando passam para a hipótese alfabética, sinto que tenho uma grande parcela de participação na vida daquela criança. Isso me deixa estimulada, me encontro na profissão que escolhi.

(Professora Maria)

[...] Sou pedagoga e cursei pós-graduação lato sensu em Violência Doméstica contra Criança e Adolescente, pelo Instituto de Psicologia da USP. Em 2005, concluí “Letra e Vida”, curso de Formação de Educadores Alfabetizadores – fornecido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Atualmente curso mestrado em Educação na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). A linha de pesquisa é a formação de professores, especialmente o professor alfabetizador, que necessita de domínio teórico/prático para enfrentar os diversos desafios e conflitos em sala de aula durante o processo de alfabetização quando se depara com diferentes saberes e, neles, precisa intervir. Acredito que o sucesso na vida escolar do aluno como bom leitor e produtor de textos depende, muitas vezes, de como foi o início do processo... Atuo como professora alfabetizadora na Rede Estadual há

22 anos e tenho cargo efetivo desde 1992. Acompanhei as mudanças que aconteceram na Rede logo após a implantação do Ciclo Básico até hoje. Ainda carrego a mesma alegria do início de minha carreira quando vejo uma criança descobrindo o mundo da leitura e da escrita convencionalmente.

(Professora Mariana)

[...] Trabalho há 18 anos na Rede Estadual, sendo a maioria de minha trajetória profissional dedicada à alfabetização. Ocupo o cargo efetivo e acumulo cargo na rede privada de ensino. Sou pedagoga, cursei “Letra e Vida” um programa de Formação de Professores Alfabetizadores e fiz pós-graduação (lato sensu) em Violência Doméstica contra a Criança e Adolescente, na USP. Minha carga horária é de 44 horas e não acredito que isso me impeça de realizar um bom trabalho. Diante do compromisso de ser educadora, existe a necessidade constante da reflexão sobre melhorias para atingir a qualidade de ensino, mesmo considerando as diversidades presentes em sala de aula, bem como os aspectos econômicos, culturais e sociais. Ver as crianças lendo e escrevendo no final do ano letivo motiva-me imensamente, pois eu sei o tamanho de minha participação e responsabilidade na vida escolar de cada uma delas.

(Professora Marlete)

Trabalho na Rede Estadual há mais de 23 anos. Não acumulo cargo e por isso tenho dedicação exclusiva à série que leciono. Sou formada em pedagogia, cursei “Letra e Vida”, que é um programa de Formação de Professores Alfabetizadores fornecido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Minha formação

acadêmica atendeu mais ou menos às minhas

expectativas como professora alfabetizadora porque, quando iniciei o curso de pedagogia, muitas atividades e leituras que os professores pediam eu já tinha conhecimento por ter participado de vários cursos na FDE e na USP, quando trabalhei no Ciclo Básico e depois com classes de aceleração, além dos cursos que fiz sobre alfabetização. Atualmente, meu maior objetivo é possibilitar que todos os alunos se tornem leitores e produtores de textos e, para isso, desenvolvo uma metodologia com o

cuidado de não excluir nenhum aluno do processo. Acredito que a condição socioeconômica não deva ser encarada pela escola pública e principalmente pelo professor como um obstáculo entre a criança e o conhecimento. Sempre trabalhei em região periférica e sei que a maioria das famílias teve pouco acesso à cultura letrada, mas buscam uma igualdade de direitos de cidadania que nós, professores, não podemos negar.

(Professora Marlene)

[...] Trabalho na Rede estadual há mais de vinte anos, sou pedagoga, cursei “Letra e Vida”, programa de Formação de Educadores Alfabetizadores fornecido pela Rede

Estadual. Ocupo cargo efetivo e sempre com

alfabetização. Afastei-me por dois anos para atuar como Coordenadora Pedagógica na época do Ciclo Básico. Os

cursos que a Rede ofereceu naquele momento

enriqueceram os meus conhecimentos como professora alfabetizadora, pois tudo era novo para mim. Como sou uma pessoa inquieta, me senti desafiada a buscar a compreensão do novo. Busco inovar minha prática pedagógica ou ressignificar o que acredito para atingir o objetivo na alfabetização, que é ver todos os alunos lendo e escrevendo. Quando isso acontece, sinto o quanto vale a pena alfabetizar, especialmente por saber que tenho grande participação, pois as crianças em sua maioria pouco vivenciam a prática de leitura e escrita em casa.

(Professora Márcia)

2.4 AS PROFESSORAS, SUJEITOS DA PESQUISA

As seis professoras, sujeitos desta pesquisa, atuam como alfabetizadoras há mais de 19 anos na Rede de Ensino do Estado de São Paulo. A escolha se deu pelo contato que tive com elas durante os 22 anos em que atuo na Rede. Tenho observado, ao longo desse período, a qualidade do trabalho que realizam e o prazer presente no exercício da profissão, sempre como “boas alfabetizadoras”, com seus alunos obtendo bons resultados no SARESP (Sistema de Avaliação do Ensino do

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