5.4 Performance Analysis of the Scheduler
5.4.2 Results with one interferer
Segundo Curcio (1987), a leitura de dados apresentados em um gráfico é uma capacidade importante, mas o sujeito só tira o máximo de potencial de um gráfico quando ele consegue interpretar os dados e generalizar a informação presente nele.
Goldenberg (1988), Clement (1985) e Gomes Ferreira (1997) afirmam que a interpretação de gráficos exige um conhecimento do sistema gráfico e que por esse motivo a dificuldade em interpretá-los é devido ao fato de o sistema de representação não ser tão trivial, envolvendo regras que não são tão facilmente, apropriadas pelos estudantes.
Diversos fatores podem ser apontados por influenciar a interpretação dos alunos sobre as representações gráficas. Na Educação Estatística há pelo menos duas linhas de investigação sobre esse aspecto. Alguns autores acreditam que o conhecimento prévio dos alunos é o fator que influencia as suas habilidades de interpretação dos gráficos. Curcio (1989), por exemplo, tem a opinião de que o conhecimento anterior dos alunos a respeito do tipo de gráficos depende dele ter sido exposto a uma experiência anterior significativa com uma dessas formas de representação. Para aquele autor os fatores que interferem no desempenho do sujeito são: o conhecimento anterior do sujeito quanto ao tipo de gráfico, quanto às relações entre os números e às operações matemáticas envolvidas. Uma outra vertente de investigação sugere que aspectos sócio-culturais podem interferir no desempenho dos sujeitos. Para os pesquisadores dessa vertente o ambiente sócio- cultural dos sujeitos são importantes, pois “podem gerar o contexto significativo que é necessário para dar origem a ideias matemáticas corretas (NIMEROVSKY; TIERNEY; WRIGHT, 1998). Nessa perspectiva Meira (1993) afirma que as práticas culturais nos quais as pessoas se engajam desencadeiam a construção de significados matemáticos diferenciados.
Ainley, Nardi e Pratt (1998) acreditam que a participação e o envolvimento dos estudantes em todo processo de tratamento da informação, começando pela coleta de dos dados, a análise deles e a representação final, seja gráfica ou tabular, é um aspecto de fundamental importância e influência na interpretação que se faz dos gráficos.
Goldenberg (1988) e Clement (1985) ressaltam que a forma como o gráfico se apresenta causa interferência na leitura que os estudantes fazem sobre os dados que eles apresentam.
Outro aspecto relevante na interpretação de gráficos são os processos inferenciais. Segundo Bekker, Derry e Konold (2006) a inferência informal constitui- se num importante aspecto, mas é necessário desconstruir a visão tradicional de ensino de estatística que deixa a inferência em segundo plano.
Numa revisão da literatura sobre trabalhos que investigaram aspectos que influenciam à compreensão de uma representação de dados através dos gráficos, Monteiro (2004) enumera outros aspectos, tais como: a natureza do problema estatístico, a própria construção do gráfico, a familiarização com o contexto do problema, a descrição verbal dos fenômenos, o uso do material manipulativo, e o conhecimento informal.
Gal (2002) amplia e aprofunda as questões relacionadas à interpretação de gráficos estatísticos a partir do Letramento Estatístico. Para esse autor, além de interpretar as representações gráficas é importante também avaliar criticamente as informações estatísticas, levando em consideração os argumentos relacionados aos dados ou aos fenômenos apresentados em qualquer contexto. Assim como ter competência para discutir ou comunicar sua compreensão diante de tais informações e, assim, poder emitir opiniões sobre suas implicações e fazer considerações acerca da aceitação das conclusões fornecidas.
Para isso, Gal (2002) propõe um modelo de letramento estatístico para os leitores ou consumidores de dados no “contexto de leitura”, ou seja, quando as pessoas lêem jornal, assistem televisão, analisam anúncios para comprar, examinam um debate político ou uma propaganda eleitoral para escolher seu candidato. Nesses contextos, a informação estatística pode ser representada em forma de texto (escrito e oral), através de números e símbolos e de gráficos e tabelas. Seu modelo envolve dois componentes: o cognitivo e o atitudinal. O modelo cognitivo é formado por cinco elementos que são responsáveis pela competência das pessoas para compreender, interpretar e avaliar criticamente as informações estatísticas, a saber: o próprio letramento; o conhecimento estatístico, matemático e do contexto; e a competência de elaborar questões críticas. Por sua vez, o componente afetivo é formado por dois elementos que são as atitudes e as crenças
das pessoas, que moldam suas visões de mundo, e a postura crítica que é o comportamento questionador diante das informações estatísticas.
Com isso podemos ver que a interpretação de gráficos não se constitui numa simples atividade automática de apreensão das informações, essa atividade envolve outros tantos aspectos que faz-nos questionar sobre o que teria mais influencia em determinadas interpretações de representações gráficas.
Todos esses aspectos discutidos acima se fazem presentes nas diversas formas de representação gráfica e consequentemente em toda a interpretação que se possa fazer a respeito deles, porém com o desenvolvimento crescente da tecnologia e o aumento da acessibilidade ao computador outra discussão tem se expandido no que se refere as representações de dados em ambientes computacionais.
3.3 Os Ambientes Computacionais e a Representação Gráfica
No cenário educacional brasileiro, a tendência que se apresenta é a gradativa ampliação do uso do auxílio do computador no ensino e na aprendizagem escolar.
Experiências com calculadoras gráficas e computadores em Educação Matemática foram realizadas para compreender como a informática pode ser inserida em situações de ensino aprendizagem da Matemática. No caso da Estatística essas experiências começaram a partir do uso das planilhas eletrônicas enquanto instrumento que possibilitam uma melhor visualização e exploração de um grupo de dados (SANTOS, 2003)
Ainley, Nardi e Pratt (2000) defendem o uso do computador por crianças já desde os anos iniciais do Ensino Fundamental, utilizando planilhas eletrônicas, para trabalhar as habilidades de interpretação de gráficos. Esses autores chamam a atenção para as possibilidades de construir gráficos no computador. Ao contrário do ensino tradicional, o ensino baseado no uso de computadores não demanda um extensivo tempo na construção dos gráficos. Dessa maneira, pode-se reservar mais tempo para aprofundar a leitura dos dados representados graficamente. Os autores denominam a abordagem tradicional de “construção e interpretação passiva de gráficos”, e propõe a “construção interpretação ativa de gráficos” cujo destaque maior estaria na interpretação dos gráficos e exploração dos dados.