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A UT, além do processo de conceção, planeamento, realização e avaliação, engloba ainda três fases, que estão estreitamente ligadas às anteriores. Essas fases são a análise, decisão e aplicação. Depois de o professor conhecer bem a matéria, o que ensinar/treinar – conhecimento declarativo - o envolvimento que inclui o espaço e o material disponível e os alunos, parte para as decisões.

Deve em primeiro lugar, determinar a extensão e sequência da matéria, ou seja, determinar a dimensão do conteúdo a ser abordado e a ordem pela qual ele vai ser apresentado (da base para o topo ou do topo para a base).

Seguidamente, deve definir e escrever os objetivos que consistem naquilo que se pretende que os alunos alcancem. Estes agrupam-se em três tipos, motores (vertente desempenho e vertente técnica), cognitivos e psicossociais.

O professor deve também configurar a avaliação, que é formal quando é realizada através de testes escritos e informal quando o professor vai observando os alunos no decorrer da aula. A avaliação deve ser sempre referenciada ao critério, onde o desempenho do aluno é comparado com um critério estabelecido pelo professor e não com a turma. Nesta última, a avaliação referenciada à norma é mais subjetiva

Por último deve criar progressões de ensino, ou seja, criar tarefas de aprendizagem que conduzam os alunos de desempenhos menos sofisticados a desempenhos mais sofisticados ou complexos. As progressões refletem o tratamento didático que é dado ao conteúdo.

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Na construção da UT, numa perspetiva mais prática, ou seja, qual a extensão e sequência da matéria, planeamos em que dia/aula lecionamos cada conteúdo e qual a duração do mesmo. É também na UT que decidimos se começamos a modalidade pelo ensino das habilidades técnicas ou táticas, quando fazer o trabalho de força muscular, quando realizamos jogo, ou seja, é por aqui que programamos toda o ensino de uma modalidade. Depois disto convém refletir sobre a mesma, de maneira a perceber o porquê das nossas decisões e se necessário alterar.

Por exemplo, em relação à modalidade de Basquetebol, optei por lecionar esta do topo para a base. Numa estratégia do topo para a base há uma sequência no ensino das habilidades partindo do todo, neste caso, do jogo. Começando pelo jogo, demonstrando aos alunos o que está mal, o que está a ser realizado de forma errada, levando à correção. As habilidades são ensinadas e adicionadas através de tarefas de aprendizagem numa situação de jogo. É importante referir o facto que se a aprendizagem for iniciada pelo topo, não significa que se aborde a complexidade máxima e sim uma etapa acima da base. Esta forma de apresentação da matéria pressupõe que os alunos sejam capazes de compreender conceitos e princípios fundamentais à execução das habilidades e estratégias complexas. Os alunos são confrontados com o “todo”, com a globalidade antes de conhecerem as “partes”. As vantagens são: esta sequência permite uma atividade elevada, um ambiente de ensino motivante e ainda a aprendizagem em grupo, sem a constante supervisão do professor. As desvantagens são: por outro lado, apresenta maior dificuldade de conceptualização, pois requer uma visão global do jogo completo. No entanto, quando se possuí conhecimento acerca da modalidade e se ela permite este tipo de abordagem, devemos aplicá-la, pelas vantagens que lhe são inerentes.

“Um dos principais problemas desta turma, e que geralmente acontece sempre no inicio da aprendizagem do Basquetebol, é a questão da aglomeração em torno da bola. Assim, logicamente, incluirei desde a primeira aula o passe, a receção e o lançamento em apoio (habilidades fulcrais para o

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desenvolvimento do jogo) em situação de jogo 3x3 em meio campo, com algumas regras de modo a evitar essa aglomeração.

(…) Seguindo uma lógica de complexidade crescente no Basquetebol, abordarei em seguida a desmarcação, para que possam abrir linhas de passe mais facilmente e ganharem essa noção, e só depois o passe e corte.

Com estas habilidades básicas táticas já incutidas, lecionarei por fim a ocupação racional do espaço, para que o jogo se torne ainda mais lógico, fiável e exequível. Ensinarei também a habilidade técnica do lançamento na passada, que se encontra no currículo nacional de Educação Física para o 9º ano, em Basquetebol, e que os alunos não realizam.”

(Justificação da UT de Basquetebol)

No entanto, relativamente às modalidades coletivas, não usei esta abordagem para todas por diversos motivos que assim não me permitiam. Por exemplo, para o Futebol, dado serem poucas as aulas, o espaço era pequeno para a prática e os rapazes já dominavam a modalidade (estávamos no mês de janeiro e fevereiro, as aulas eram no pavilhão), assim, optei por realizar exercícios por níveis homogéneos, separando as meninas dos rapazes, ou seja os mais avançados e os menos, dando mais atenção às raparigas nos exercícios. Inicialmente fiz os mesmos exercícios para ambos, mas rapidamente adaptei os mesmos de maneira a facilitar a aprendizagem das meninas mantendo também os níveis de motivação mais elevados. Isto, porque sabemos que nesta modalidade, normalmente as meninas têm sempre muitas dificuldades e a desmotivação e a frustração rapidamente aparecem. Uma das razões pela qual não abordei o futebol do topo para a base foi porque, apesar de os alunos (rapazes), estarem muito familiarizados com a mesma, não conheciam os nomes técnicos e outros aspetos técnico-táticos do jogo. No entanto, no final da aula dava sempre algum tempo para a realização de jogo (adaptado em exercícios motivadores e mais empolgantes).

“A minha abordagem será claramente da base para o topo, pois considero importante que os alunos ganhem em primeiro lugar maiores noções

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dos nomes técnicos e em que consistem passando então em seguida para a prática, neste caso, o jogo.

Obviamente, as preocupações que terei com as meninas não serão as mesmas para com os rapazes. Por exemplo, com os alunos do nível avançado (rapazes), ao nível do passe, terei que me preocupar com a qualidade do passe. Por outro lado, com os alunos do nível inicial (meninas), terei que me centrar mais no equilíbrio e na posição do pé de apoio. De uma forma geral, com os alunos do nível inicial, terei que ter muitas mais preocupações com a postura corporal. O que não acontece com os restantes alunos, porque esses pressupostos já estão adquiridos.”

(Justificação da UT de Futebol)

No Voleibol, no entanto, os meus alunos evidenciaram, na maioria, dificuldades muito significativas, pois não conseguiam manter a bola no ar. Nem com o serviço mais simples do voleibol, serviço por baixo, grande parte dos alunos era incapaz de receber a bola em passe, já para não falar na manchete (gesto técnico mais complexo). Assim, o modelo de abordagem progressiva ao jogo, (modelo didático de ensino do Voleibol) tem lugar nesta UT mas com a aprendizagem da técnica a sobrepor-se à tática. O jogo em si teve que ser adaptado, foi modificado e ajustado ao nível a à idade dos alunos. No fim da aula efetuavam sempre jogo 2x2, com algumas regras adaptativas referentes ao nível. No entanto, verificou-se passado três aulas, que nesta turma, mesmo o jogo 2x2 (oposição) era inviável pois as limitações eram muitas o que prejudicava o tempo potencial de aprendizagem e de empenhamento motor. Daí a opção pelo jogo 1x1 de cooperação ser a melhor escolha para esta turma.

“Após a recolha dos dados da avaliação diagnóstica verifiquei que a turma apresentava, regra geral, uma dificuldade muito grande nas habilidades técnicas básicas e encontrava-se portanto no nível inicial/introdutório. Portanto, decidi lecionar as habilidades motoras mais básicas e simples do Voleibol para que a progressão fosse coerente e consciente e também porque o número de

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aulas é reduzido. (…) As aulas terão sempre exercícios que contribuem para a aprendizagem e para a realização efetiva das habilidades motoras específicas do Voleibol finalizando com jogo 2x2. Caso se verifique ser inviável a aplicação do jogo 2x2 de oposição nesta turma, devido às dificuldades apresentadas no 1º toque e no serviço por baixo, o jogo 1x1 de cooperação é que será aplicado.”

(Justificação da UT de Voleibol)

“Após um exercício de aquecimento onde exercitavam as habilidades técnicas acima referidas e uma tarefa onde executaram pela primeira vez (corretamente) o serviço por baixo, os alunos realizaram jogo 2x2. Aqui a aula teve uma queda significativa no que diz respeito à qualidade da mesma e também ao tempo de empenhamento motor dos alunos, porque revelaram muitas dificuldades. Estas dificuldades traduziram-se numa impossibilidade de jogarem 2x2 porque o 1º toque é inexistente na maioria dos alunos, seja ele em passe ou manchete. Assim, terei que reajustar a minha UT e lecionar o jogo na sua forma mais simples e básica, ou seja, 1x1 em cooperação. A oposição terá que ser definitivamente eliminada porque com alguns dos alunos a realizar um serviço por baixo relativamente eficaz e sem existência de um 1º toque, o jogo não desenvolve.”

(Reflexão da aula nº 85 e 86)

Devido à minha experiência na modalidade de Voleibol, foi muito mais fácil para mim identificar na aula de avaliação diagnóstica os erros técnicos que os alunos possuíam. Com os anos de prática e com o conhecimento avançado que possuo acerca características das habilidades técnicas, basta olhar para um aluno uma vez, durante determinado movimento que consigo verificar o que está mal na execução motora.

“Decidi realizar nesta turma o 1x1 de cooperação porque a maioria dos alunos apresenta um primeiro toque fraco o que condiciona o desenvolvimento

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do jogo, e esta decisão revelou-se mais acertada pelo que com o critério de manter a bola no ar o mais possível, os alunos puderam exercitar mais.”

(Reflexão da aula nº 88 e 89)

No que diz respeito ao Andebol, a minha escolha relativamente à abordagem da modalidade foi da base para o topo. Isto porque, os alunos já possuíam alguns conhecimentos da modalidade mas nada de muito concreto. E como pela AD observei que relativamente ao jogo eles não tinham bases nenhumas, era um jogo muito anárquico e aglomerado, optei por inicialmente trabalhar alguns aspetos técnicos ofensivos, como o passe e a receção, o remate (apoio e suspensão, sendo que o último mais tarde), o drible e a finta e; as questões táticas ofensivas e defensivas um pouco mais tarde, abordando então depois o jogo 5x5, construindo-o mais consistentemente.

“Optei por iniciar a unidade temática (duas primeiras aulas) com as habilidades técnicas ofensivas e defensivas, pois são conteúdos que os alunos já têm conhecimento e capacidade para exercer, tendo apenas que melhorar alguns aspetos mais técnicos. Depois darei continuidade à unidade temática lecionando as habilidades táticas defensivas e ofensivas para ao introduzir o jogo, os alunos terem uma noção das “jogadas” que poderão aplicar.

A minha abordagem será então da base para o topo.

(…) Por esse motivo, a exercitação dos conteúdos em situação de jogo será efetuada essencialmente através do jogo reduzido 5x5 (4x4+GR). Por vezes poderei recorrer ao jogo 4x4 (sem GR), para manter todos os alunos em situação de jogo.

(…) No que respeita às habilidades motoras, vou iniciar com o remate em apoio para que os alunos possam coordenar a aproximação à baliza e assim transferir posteriormente essa abordagem para o remate em suspensão. A abordagem dos remates será em situação analítica, pois penso que esta será a melhor forma para que os alunos compreendam e executem corretamente os diferentes tipos de remate.”

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Em todas as aulas, a minha preocupação no que diz respeito à construção das equipas foi sempre a de formar grupos heterogéneos, pois sou da opinião que esta decisão é uma mais-valia para todos, na medida em que, há uma troca de conhecimentos entre os alunos, entre-ajuda, cooperação, espírito de grupo e união, no sentido de, o “mais fraco” ajuda o “mais forte” e vice-versa. Isto tanto nas aulas de modalidades coletivas assim como individuais (Badminton e Atletismo).

Tudo isto está incorporado no processo ponderado que é a elaboração de um plano de aula. Tudo tem que ser refletido para que a aula seja eficiente e que propicie uma boa aprendizagem aos alunos.

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