Chapter 4. Finding about piloting
4.4 Towards a theory of piloting in the adoption of intended initiatives
A estrutura do framework detalhada anteriormente tem como ponto de partida os indica- dores. A escolha dos indicadores foi uma fase importante desse trabalho, pois como não há trabalhos para avaliar a saúde de EDs, nós estudamos como essa avaliação tem sido feita em outros tipos de ecossistemas. Encontramos frameworks que avaliam a saúde de ecossistemas nas áreas de software e negócios e, a partir daí, definimos quais indicadores se adequam e influenciam a saúde dos EDs. Ver mais detalhes sobre EDs na Seção 2.
O uso de indicadores possibilita a agregação de características que podem ser avaliadas, por meio de métricas, com o objetivo de obter insumos que podem ser prontamente utilizados em tomadas de decisões no ED. A interpretação dos resultados obtidos por meio dos indicadores tem o objetivo de mostrar para os stakeholders quais aspectos do ecossistema, e.g. uso de um aplicativo ou investimento governamental, estão saudáveis e quais não estão. Somado a isso, os resultados da avaliação podem influenciar na dinâmica do ecossistema e no gerenciamento de riscos e problemas.
Para o mapeamento de quais indicadores poderiam ser adequados para a avaliação da saúde de EDs, nós pesquisamos os indicadores propostos nos frameworks de avaliação de saúde para os ecossistemas de negócios e de software. Os indicadores mais utilizados na literatura são os indicadores de Produtividade, Robustez e Criação de Nicho. Esses indicadores são a base de frameworks de avaliação de saúde, amplamente difundidos na literatura, e são os indicadores propostos por Iansiti e Levien (2004b) para avaliar a saúde
de ecossistemas de negócios. Após a publicação desse trabalho, a maioria dos frameworks de avaliação de saúde, tanto do domínio de negócios quanto de software, também adota- ram esses indicadores, por exemplo (CARVALHO et al., 2017a) (JANSEN, 2014) (MANIKAS; HANSEN, 2013a) (HARTIGH; TOL; VISSCHER, 2006). Contudo, outro indicador também
aparece na avaliação da saúde de ecossistemas naturais e de software, o indicador de Sus- tentabilidade, o qual é discutido no trabalho de Dhungana et al. (2010) e proposto por Carvalho et al. (2017a) como um novo indicador para avaliação da saúde de ecossistemas de software.
Após esse estudo, escolhemos os indicadores que se aplicam à realidade dos EDs e que podem indicar o panorama da saúde dos mesmos. A seguir descrevemos como esses indicadores são utilizados em outras áreas e como eles serão aplicados na avaliação da saúde de EDs:
• Produtividade: De acordo com Iansiti e Levien (2002), o indicador de produtivi- dade nos Ecossistemas da Natureza é definido como a capacidade efetiva de converter matérias-primas em organismos vivos. Seguindo essa definição e considerando que os Ecossistemas de Negócios são sujeitos constantemente a novas condições, como novas tecnologias, processos e demandas, Iansiti e Levien (2002) definem a produtividade como a capacidade de converter matérias-primas de inovação em novos produtos e funções de custo reduzido. Tomando como ponto de partida as definições apresen- tadas nos contextos de natureza e negócios, definimos a produtividade de EDs como
a capacidade de produzir novos recursos (e.g. dados, soluções, serviços), permitir o consumo desses recursos e realizar atividades que promovam a produtividade. Para
avaliar o indicador de produtividade em EDs se faz necessário o uso de métricas que meçam a capacidade de produção de novos recursos, a partir do volume produzido; a capacidade de consumo, por meio dos números de acessos e downloads de dados e soluções; e a existência de atividades que promovam a produtividade, como eventos e disponibilização de materiais de referência que facilitem o uso de recursos.
• Robustez: De acordo com Iansiti e Levien (2002), o indicador de robustez nos Ecos- sistemas da Natureza é definido como a capacidade de persistir diante de mudanças no meio ambiente. Similar a essa definição, Iansiti e Levien (2002) definem que os Ecossistemas de Negócio deveriam ser capazes de enfrentar e sobreviver a perturba- ções e disrupções. Similar às definições apresentadas, um ED pode ser considerado
robusto se ele possuir a capacidade de se manter estável ao enfrentar disrupções.
Neste trabalho o termo disrupção significa perturbação ou problemas que interrom- pam um evento, atividade ou processo (Oxford Dictionary, 2019). Dito isso, o indicador
de robustez pode ser avaliado por métricas que meçam a sua consistência financeira, a gestão e o estado dos recursos perante disrupções.
• Criação de Nicho: De acordo com Iansiti e Levien (2002), o indicador de criação de nicho em Ecossistemas da Natureza exibe variedade e suporta a diversidade de espécies. Similarmente, Iansiti e Levien (2002) define que esse indicador em Ecos- sistemas de Negócio indica o aumento da diversidade ao longo do tempo por meio da criação de funções que possuam valor. Então, levando em consideração essas de- finições, no contexto de EDs esse indicador também exibe a variedade dos elementos
do ecossistema com o objetivo de identificar oportunidades para o surgimento de novos nichos. Esse indicador identifica a existência e variedade de atores, papéis e
recursos.
• Sustentabilidade: De acordo com III, Torn e Tateno (1996), sustentabilidade é um dos principais desafios em qualquer ecossistema. Um ecossistema natural sustentável mantém a diversidade dos principais grupos funcionais, a produtividade e os ciclos bio-quimícos, mesmo frente à eventos que perturbem o estado natural desse ecos- sistema. Similar à definição de III, Torn e Tateno (1996), Dhungana et al. (2010) considera um ecossistema de software sustentável quando ele aumenta ou mantém seus produtos, recursos, membros e relacionamentos por longos períodos de tempo e consegue sobreviver à mudanças como novas tecnologias, novos produtos, com- petidores. Em resumo, sustentabilidade é a capacidade de manter os produtos ou serviços que o Ecossistema de Software desenvolve por um longo período de tempo. Com isso, similar às definições apresentadas nos contextos de natureza e software, consideramos que os EDs são sustentáveis quando possuem a capacidade de aumen-
tar ou manter seus recursos, atores e relacionamentos por longos períodos de tempo e sobreviver às mudanças, como novas tecnologias, entrada e saída de atores, com- petidores de mercado. Para avaliar o indicador de sustentabilidade em EDs se faz
necessário o uso de métricas que meçam a capacidade de crescimento, o equilíbrio de esforços entre os atores, engajamento dos atores, visibilidade dos recursos e do próprio ED, retorno de insumos, e.g. feedback, como também a qualidade dos dados disponíveis.
Por causa da realidade distribuída e heterogênea dos EDs (OLIVEIRA; LóSCIO, 2018), os
indicadores propostos acima são de caráter generalista e devem ser adaptados ao domínio do ED avaliado. Ver cenário motivacional na Seção 5.2 que aplica esses indicadores.