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RENFORCEMENT DE LA GESTION ENVIRONNEMENTALE DU PAQEEB

Dans le document Version Décembre 2020 (Page 63-67)

Etape 9: Supervision, Surveillance et Suivi environnemental et social Le suivi-évaluation sera effectué comme ci-dessous :

9. RENFORCEMENT DE LA GESTION ENVIRONNEMENTALE DU PAQEEB

No que concerne ao modo como constrói a sua cena, observou-se que o AN2 utiliza um distanciamento em relação a sua audiência a partir dos enquadramentos utilizados, distância pessoal afastada, e pela opção pelo

direcionamento direto. Essa postura do programa é refletida no modo como se

endereça ao seu espectador. Toma-se como parâmetro para essa análise a abertura do programa, os momentos de transição entre os blocos, a apresentação da cabeça da matéria e o momento de encerramento do programa, isso porque nesses momentos o programa deve se destinar diretamente ao público e acaba explicitando o modo como se endereça à audiência.

Figura 50 – Abertura do AN em distância pessoal afastada, capturada em out de 2003.

Em 21 de julho de 2003 a apresentadora diz: “Boa noite. O volume de dívida dos brasileiros chegou a aproximadamente 80 bilhões de reais até maio deste ano, segundo o Banco Central. Gastar apenas o que se ganha parece uma equação simples, difícil é aprender a planejar o orçamento e resistir às compras.”

Nessa citação pode ser percebida a distância empregada pelo programa em direção ao seu espectador. O “boa noite” é a primeira saudação da apresentadora em relação ao seu espectador e logo em seguida tem-se a apresentação das notícias. A narração dessas matérias tem na utilização da terceira pessoa do singular a sua principal característica, conforme pode ser também observado nas seguintes citações. “Aconteceu hoje a primeira reunião da comissão nomeada para estudar a redução do preço das passagens de ônibus.” (08 de set. de 2003) e também: “A variação da cesta básica recuou pelo segundo mês consecutivo, mas o consumidor não sentiu no bolso a redução dos preços.” (AN2 - 05 de ago de 2003)

Embora haja esse distanciamento do programa, traduzido na não modalização das falas e, por conseguinte, no uso da terceira pessoa do plural, há momentos em que a apresentadora utiliza a segunda pessoa do plural e também consegue aproximar o seu vocabulário para aquele empregado nas conversações cotidianas. Desse modo, expressões como “sentiu no bolso” ou ainda “Gastar

apenas o que se ganha parece uma equação simples, difícil é aprender a planejar o orçamento e resistir às compras.”, mostram essa aproximação do telejornal com a sua audiência de modo que permite quebrar o distanciamento durante a apresentação das matérias.

Essa característica do programa se traduz em matérias que buscam se aproximar do espectador exemplificando situações que poderiam acontecer com ele. Assim, toma-se uma pessoa como agente central da reportagem e depois são feitas afirmações mais amplas sobre o assunto relatado. Isso aconteceu nas matérias sobre a adoção de crianças, vide análise dessa matéria no próximo capítulo.

Nessas matérias uma situação relatada por uma pessoa “comum” das ruas é apresentada na condição de exemplo, como se ela pudesse acontecer com qualquer um, inclusive o espectador, a exemplo de “Precisar de internamento e ser barrada pelo plano de saúde foi o que aconteceu com a filha de Eulália [....]” (AN2 - 11 de set. de 2003), vide figura 41. Outra matéria desse tipo foi a utilizada sobre a adoção: “No ano passado, 13 crianças que participaram do Dia Feliz foram adotadas pelas famílias, com quem passaram o fim de semana. Este é o caso de Fabrício, de quatro anos, que deu a Jane a chance de ser mãe de novo depois de 27 anos.” (AN2 - 08 de set. de 2003), vide figura 47.

Figura 51 – humanização do relato AN2, capturada em set. de 2003

As situações vividas por pessoas como “Eulália” e “Jane” são, portanto, apresentadas pelo programa com a finalidade de aproximá-las do seu espectador.

Também no BATV tal recurso é explorado, a exemplo da matéria do dia 08 de set. de 2003 sobre a alfabetização de adultos. A matéria mostra uma senhora que não sabe ler nem escrever e pede ajuda ao filho para confeccionar um cartaz onde está escrito “vende-se geladinho”, vide figura 09.

A utilização desse recurso por parte dos programas visa aproximar-se do cotidiano do espectador. No capítulo de número cinco observar-se-á a relação entre esse tipo de estratégia utilizada pelo programa e os relatos dos grupos de discussão. Por enquanto é válido ressaltar que ambos os telejornais utilizaram 12 vezes esse recurso dentro do corpus analisado.

Quanto ao emprego da segunda pessoa do plural, e de um endereçamento mais próximo ao seu espectador, esse é utilizado preferencialmente pelo AN2 nos momentos de encerramento do programa e nos momentos de transição entre os blocos. “O número de acidentes de trânsito em Salvador aumentou cinqüenta por cento no último final de semana. Veja esse e outros assuntos no nosso resumo do dia”. (04 de ago. de 2003) e ainda “Lojas fechadas e comerciários em festa. E nos aeroportos confusão por causa do horário de verão. Veja o nosso resumo do dia” (20 de out. de 2003). Há uma constância nesse tipo de construção (“veja no nosso resumo do dia”), que de certo modo cria um protocolo de tratamento em relação ao espectador, embora o emprego da segunda pessoa do plural busque muito mais insinuar afirmações ao espectador do que ter uma visão imperativa, tal qual a sugerida pelo BATV. O AN2, naqueles tipos de matéria já identificados, aproxima-se de um tom professoral, de modo a ensinar ao espectador como lidar, por exemplo, com as suas finanças no final do ano.

O uso da segunda pessoa pelo programa é freqüente durante o encerramento do programa “Nós ficamos por aqui. Para você, uma boa noite e até amanhã” (08 de ago de 2003). E “O nosso jornal termina aqui; para você, uma boa noite e até amanhã” (20 de out. de 2003). Nesse modo de tratamento o programa busca uma aproximação com o espectador, de modo que esse “nós” sugere um tom convidativo com o espectador de modo que ele possa voltar a assistir ao telejornal no dia seguinte “nosso jornal termina aqui” e “até amanhã”.

Essa utilização da segunda pessoa do plural no término do programa é casada com as expressões faciais de contentamento da apresentadora, vide figura 48. Quando o telejornal é encerrado e os créditos tomam a tela e a apresentadora sorri estabelecendo uma aproximação com o seu espectador. Há algum motivo especial para ela estar sorrindo? O que se passa nesse momento de bastidor, Goffman (2003), que escapa em um espaço do programa no qual a fachada deveria ser mantida? Esse momento de transição entre os lugares de bastidor e fachada, de certo modo, sugere uma relação de cumplicidade com o seu público, no momento em que a apresentadora sai, literalmente, da cena.

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