TRATAMENTO DOS DADOS PARA O ALCANCE DO SEGUNDO E TERCEIRO OBJETIVOS ESPECÍFICOS
A segunda etapa da pesquisa apresenta, além do caráter documental, quantitativo, exploratório e descritivo, a configuração de um levantamento (survey). Segundo Braga (2007, p. 25),
A pesquisa descritiva tem o objetivo de identificar as características de um determinado problema ou questão e descrever o comportamento dos fatos e fenômenos. Em geral, baseia-se em amostras grandes e representativas e, por isso, a metodologia mais adequada é o survey.
Silva e Menezes (2005) reforçam esse ponto de vista, ao argumentarem que a pesquisa descritiva assume, em geral, a forma de levantamento, corroborando Gil (2010, p. 37), para quem: “[...] os levantamentos tornam-se muito mais adequados para estudos descritivos que explicativos”.
Para Barbetta (2011, p. 25), “Na pesquisa de levantamento, ou
survey, observam-se diversas características dos elementos de uma certa
população ou amostra [...]. A observação é feita naturalmente e sem a interferência do pesquisador”, reforçando o argumento de Gil (2010), para quem este tipo de pesquisa caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer:
Basicamente, procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados (Gil, 2010, p. 35).
Entende-se que será essa, justamente, a providência a se executada na segunda etapa da presente pesquisa: a coleta de dados objetivos, através da consulta direta ao Currículo Lattes do bolsista.
Dados objetivos que, como referendado por Creswell (2007), originam-se de observações e medidas empíricas, os quais resultam em interpretações significativas de dados. E ainda: “Um projeto de levantamento dá uma descrição quantitativa ou numérica de tendências, atitudes ou opiniões de uma população ao estudar uma amostra dela” (CRESWELL, 2007, p. 161).
De acordo com Gil (2010, p. 109),
De modo geral, os levantamentos abrangem um universo de elementos tão grande que se torna impossível considerá-los em sua totalidade. Por essa razão, o mais frequente é trabalhar com uma amostra, ou seja, com uma pequena parte dos elementos que compõem o universo. Quando essa amostra é rigorosamente selecionada, os resultados obtidos no levantamento tendem a aproximar-se bastante do que seriam obtidos caso fosse possível pesquisar todos os elementos do universo.
Dentre as técnicas de amostragens não-aleatória, optou-se por seguir aquela preconizada por Barbetta (2011) como “amostragem por julgamento”, na qual “[...] os elementos escolhidos são aqueles julgados como típicos da população que se deseja estudar” (Barbetta, 2011, p. 54).17
O grupo amostral escolhido intencionalmente, como sendo típico da população dos bolsistas egressos, é composto pelos 512 (quinhentos e doze) bolsistas da 13ª edição do Programa, em 2002/2003 (em destaque no quadro 4).
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Detalhes sobre as várias técnicas de amostragem são descritas em Barbetta (2011) - Capítulo 3: Técnicas de Amostragem.
Quadro 4 - Contagem do Número de Programas de IC da UFSC no período de 1990/1991 a 2013/2014. Ano do Programa Contagem do Número de Edição do Programa Contagem do Ano da Amostra 1990/1991 1 - 1991/1992 2 - 1992/1993 3 - 1993/1994 4 - 1994/1995 5 - 1995/1996 6 - 1996/1997 7 - 1997/1998 8 - 1998/1999 9 - 1999/2000 10 - 2000/2001 11 - 2001/2002 12 - 2002/2003 13 Ano da Amostra 2003/2004 14 1 2004/2005 15 2 2005/2006 16 3 2006/2007 17 4 2007/2008 18 5 2008/2009 19 6 2009/2010 20 7 2010/2011 21 8 2011/2012 22 9 2012/2013 23 10 2013/2014 24 11
Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
Dentre os principais motivos que justificam a escolha dos egressos do programa 2002/2003, pode-se citar:
a) que foi a partir dessa edição do programa, que o CNPq instituiu a obrigatoriedade do cadastro do Currículo Lattes por todos os bolsistas de pesquisa, o que incluía os de IC (SANTOS, 2003a); Dessa maneira, caso se optasse por uma amostra anterior a esse prazo, corria- se o risco de haver uma percentagem de egressos sem Currículo Lattes, o que poderia comprometer o alcance dos objetivos da pesquisa.
b) que por tratar-se do 13º ano do Programa e, portanto, já devidamente estruturado e consolidado, a chance de sucesso dos
egressos quanto à titulação na pós-graduação seria bem mais significativa;
c) que entre a data de término desta edição do programa (julho de 2003) e o início de coleta dos dados junto à plataforma Lattes (março de 2013) transcorreram 11 anos. Ou seja, tempo suficiente para, se fosse o caso, o egresso tenha tido a chance de ter alcançado o seu titulo de Pós- Graduação Stricto Sensu, e preferencialmente o doutorado; Conforme estabelecido por Velloso e Velho em estudo de 2001 (apud CARVALHO, 2002, p. 92), “[...] o tempo médio entre a conclusão da graduação e o ingresso no mestrado é de aproximadamente cinco anos [...]”. Se considerar-se o tempo até o doutorado, esse prazo pode chegar a até nove anos após a graduação, afirmam Cabrero; Costa e Hayashi, (2003);
d) que em função da dinâmica do programa, o fato de se ater a um determinado período – no caso 2002/2003 – não significa que os alunos selecionados para a amostra sejam somente bolsistas restritos ao período citado. Dessa forma, a amostra conta com bolsistas que tanto entraram no programa em anos anteriores, como conta com outros que continuaram no programa após seu término, em julho de 2013.
Analisando a trajetória percorrida pelos 512 bolsistas egressos do Programa 2002/2003, tem-se que 231 começaram antes do Programa 2002/2003 (agosto de 2002) e 281 alunos novos efetivamente começaram no Programa em agosto de 2002.
Dos 231 que começaram antes do Programa 2002/2003: um começou no Programa 1998/1999;
três começaram no Programa 1999/2000; 60 começaram no Programa 2000/2001; e 167 começaram no Programa 2001/2002.
Quanto ao término de suas participações no programa, tem-se que:
282 finalizaram sua participação até julho de 2003, isto é, ao final do Programa 2002/2003;
163 até julho de 2004, isto é, ao final do Programa 2003/2004; 59 até julho de 2005, isto é, ao final do Programa 2004/2005; sete até julho de 2006, isto é, ao final do Programa 2005/2006; e
um até julho de 2007, isto é, ao final do Programa 2006/2007. Logo, qualquer que fosse o ano do programa escolhido como amostragem, não seria possível “congelar” a trajetória do aluno dentro deste único programa. Pois um bolsista de determinado programa tanto
pode estar sem seu segundo ou terceiro ano de bolsa, como pode estar em seu primeiro ano. Este fato ocorreria independentemente do ano em que se optasse por fazer a amostragem.
Tendo em vista que a busca do Currículo Lattes foi feita a partir da digitação do nome de cada egresso, a primeira preocupação consistiu em ajustar os nomes de alguns deles, ou por se estarem abreviados ou por encontrarem-se grafados erroneamente. Em caso de dúvida, fazia-se a consulta ao CAGR, sistema de registro e matrícula da UFSC (conforme já esclarecido na seção 3.1)
Esse procedimento foi necessário, visto que no pré-teste realizado houve certa dificuldade em se identificar corretamente determinados Currículos Lattes de egressos, notadamente os do gênero feminino. Em algumas situações foi preciso verificar a IES de formação ou o curso no Currículo Lattes encontrado, e não só pelo nome completo do egresso. Pode-se citar, a título de exemplo, o caso de “Vanessa Schmidt”, no qual foram encontrados dois nomes iguais no Currículo Lattes, sendo que uma delas não era de graduada da UFSC.
Em situações duvidosas, quanto ao fato de o Currículo Lattes encontrado ser realmente do egresso desejado na busca, procedeu-se ao cruzamento entre o nome do orientador, constante na base da PROPESQ, com o nome cadastrado pelo egresso em seu Currículo Lattes, ou então se constatou a participação do orientador como co-autor de algum artigo registrado pelo egresso em seu Currículo Lattes. Ou seja, foi preciso encontrar alguma referência que comprovasse que o Currículo Lattes encontrado na busca era o do egresso pretendido.
Por fim, ressalte-se que, mesmo considerando-se que a opção por uma amostra do tipo “amostragem por julgamento” configure-se como uma boa alternativa para o alcance do segundo e do terceiro objetivos específicos, é preciso ressaltar a limitação de que, conforme alertado por Barbetta (2011), nesses casos os resultados colhidos não necessariamente possam valer para o conjunto da população.