• Aucun résultat trouvé

Partie 3 ANALYSE DE DONNÉES ET PROPOSITIONS D’AMÉLIORATIONS DU CARNET

2.2. Remarques et idées concernant le journal de bord

Todas as pessoas são cuidadoras em potencial, basta que se apresente a situação.Como mãe cuida de filhos; como esposas cuida de companheiros. São cuidados diferentes do cuidar de uma pessoa idosa, com dependência ou não. Cuidar, portanto, é uma situação que muitas pessoas experimentarão no decorrer da vida. A experiência de cada cuidador é única, porque são muitos os aspectos que fazem com que a experiência seja diferente caso a caso.Conforme Neri (2002), a conseqüência do envelhecimento populacional que aumenta rápido em todos os países do mundo, inclusive no Brasil, e das trocas observadas no padrão de morbidade dos idosos, tem ampliado o cuidado domiciliar nas famílias e, no meio delas, as mulheres idosas e de meia-idade, mostram-se mais propensas ao cuidado. São elas que cuidarão do cônjuge, pais, sogros e até de outros parentes idosos e, concomitantemente exercerão papéis familiares. Muitas ainda terão dupla jornada de trabalho como profissional e como dona-de-casa.

Para Karsch (1998),no Brasil, a transição demográfica e epidemiológica demonstra com maior freqüência o aumento da sobrevida de idosos na dependência de uma ou mais pessoas, que atendam a suas necessidades para a realização de atividades da vida diária.Como citam Karsch (1998), Caldas (2003) e Néri (2001), a maior parte dos cuidadores são mulheres esposas, filhas e noras. Muitas vezes, a que ficou viúva, a que não casou, a que mora mais próximo. A idade da cuidadora também está se alterando. Segundo Caldas (2003), a faixa etária dos cuidadores é da mesma geração do idoso cuidado: “São idosos jovens independentes, cuidando de idosos dependentes”.Segundo Karsch (1998),não é só no Brasil que as mulheres são as “grandes” cuidadoras, todos os autores,segundo os dados coletados pelo mundo,citam que,salvo por razão de cultura muito específica de algum país, a mulher é a cuidadora tradicional. Néri (1993) relata que, em nossa cultura, a atribuição de cuidar é da mulher.

A literatura sobre cuidadores em muitos países,é extensa. As tentativas de conceituar cuidadores formais e informais, principais e secundários, e os fatores que

originam o tipo de cuidado de cada caso de idoso com dependência é bastante discutida.O Ministério da Previdência e Assistência Social e Combate à Fome, MPA CF, classifica os cuidadores:

• Cuidador secundário: divide, de alguma forma, a responsabilidade do cuidado com um cuidador principal, auxiliando-o, substituindo-o;

• Cuidador remunerado: aufere rendimento pelo exercício da atividade de cuidar;

• Cuidador voluntário: não é remunerado;

• Cuidador leigo: não recebeu qualificação para o exercício profissional da atividade;

• Cuidador principal: tem a responsabilidade permanente sobre a pessoa sob seu cuidado;

• Cuidador profissional: possui qualificação específica para o exercício da atividade como enfermeiro, terapeuta, etc;

• Cuidador familiar: tem algum parentesco com a pessoa cuidada;

• Cuidador terceiro: não possui qualquer grau de parentesco com a pessoa cuidada.

Gonçalves, Santos e Alvarez (1998) informam que o cuidador é uma pessoa envolvida com o processo de cuidar do outro, e que a experiência é um contínuo aprendizado de vida junto à pessoa cuidada, tendo como resultado a descoberta para ambos de possuírem habilidades positivas. Na relação de cuidar e ser cuidado, que é íntima e humana, revelam no dia a dia potencialidades que estavam adormecidas.O idoso descobrirá que é capaz de se autocuidar, e o cuidador observará a real situação do idoso cuidado.

Continua Gonçalves, o cuidador leigo é um ser humano especial, com qualidades pessoais relevantes, de amor à humanidade, de forte espírito de solidariedade e doação de si mesmo. Geralmente é voluntário para áreas específicas para as quais sente que tem habilidades e inclinação. É uma pessoa que cuida com afeto, e humanidade e fidelidade ao compromisso assumido.

Elegeu-se o modelo de Gonçalves; Santos e Alvarez (1998) para a definição de cuidadores leigos na área gerontológica. Há dois tipos de cuidadores:os profissionais e os não profissionais ou leigos.

Os profissionais que mais desempenham as atividades de cuidado humano são: ™ Enfermeiros

™ Fisioterapeutas

™ Terapeutas Ocupacionais ™ Assistentes Sociais ™ Médicos

™ Psicólogos, entre outros.

Os cuidadores não profissionais ou leigos têm sido freqüentemente observados em nossa cultura como sendo: Familiares (esposa, mãe, filha, neta, nora, cunhada, esposo, filhos, netos, irmãos, etc).

Cuidar do idoso na família não é tarefa fácil, porque a dependência da pessoa idosa, que gerou o cuidado mexe com toda estrutura familiar.E se o cuidado recair somente para uma pessoa da família, ou se a família não tiver o suporte necessário para o cuidado; haverá a conseqüência do estresse, da estafa, de doenças no cuidador ou em toda família.

Izal; Losada e Andrés (2002) remetem aos motivos por que as pessoas cuidam do idoso. A maioria das pessoas que cuidam de seu familiar idoso está de acordo que se trata de um dever moral e de responsabilidade social familiar a que se deve obedecer. Estes, porém não são motivaçôes para o cuidado, há outros referidos pelos cuidadores: • Por motivo altruístico - para manter o bem - estar da pessoa cuidada. O cuidador se

põe no lugar do outro, sente suas necessidades, interesses e emoções; • Por reciprocidade - porque a pessoa cuidada já cuidou dele antes; • Por gratidão e estima - a pessoa cuidada demonstra esses sentimentos;

• Por sentimento de culpa do passado - cuida como uma forma de redimir-se, para superar o sentimento de que seu comportamento não foi o esperado no passado; • Para evitar a censura da família, amigos, conhecidos etc, porque o familiar não está

• Para obter aprovação social, da família, dos amigos, dos conhecidos e da sociedade por estar prestando o cuidado.

Tantos “motivos” para cuidar do familiar idoso levam a crer que haverá influência na qualidade, na quantidade e no tipo de ajuda que se proporcionarão, assim como no grau de satisfação obtido pelo cuidador.

Conclui-se com Karsch (1998), o cuidador familiar de idosos com dependência necessita de apoio e orientação de como agir nas situações mais difíceis e receber em casa a visita de profissionais da saúde, de supervisor, de capacitação.O apoio da equipe interdisciplinar é fundamental, quando se trata de um casal de idosos em que o menos incapacitado assume o cuidado do outro, acometido por súbita e grave doença.Julgamos ser necessário e prioritário criar uma rede permanente de apoio ao cuidador familiar, tal qual a que foi freqüentada durante o período em que houve a pesquisa, no ambulatório de Geriatria do Hospital Regional do Guará – Distrito Federal. Em toda primeira quarta-feira do mês,o cuidador é orientado e apoiado em suas necessidades e principalmente nas dúvidas quanto ao cuidado,por uma equipe interdisciplinar, promovendo-se trocas de experiência entre os cuidadores.