3. MIB Module Overview
3.3. Relationship to the Interfaces MIB Module
Julgamos necessário fazer um levantamento sobre as dissertações e teses já produzidas, que tratavam da temática da percepção de violência, para entendermos melhor
como se situou a produção de conhecimento a respeito de pesquisas sobre percepção de violência relacionada à violência urbana e também aos espaços escolares.
Utilizamos o sistema da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) como base de dados para essa investigação. Esse sistema está vinculado ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Assim acessamos a interface disponibilizada pelo IBICT para realizarmos a pesquisa na BDTD através do site: http://bdtd.ibict.br/.
Fizemos uma busca utilizando como descritor na consulta o termo ―Percepção de Violência‖. Usamos a janela de pesquisa da ―Pesquisa Básica‖ no site do BDTD. Fizemos esta escolha com a intenção de localizar um maior número de trabalhos relacionados à nossa temática. Os resultados da pesquisa apontaram 58 Teses e 222 dissertações. Fizemos a escolha de não utilizarmos todos os resultados, pois entendemos que a prioridade seria localizar as pesquisas que teriam alguma proximidade temática com nosso estudo. Identificamos que uma Tese e oito Dissertações do universo pesquisado possuíam alguma forma de aproximação com a nossa pesquisa relacionada ao campo da percepção sobre violência.
Categorizamos estes trabalhos da seguinte forma:
Quadro 02 – Categorias do estado do conhecimento
Categorias Autores/Ano
Categoria 1 – Influência da mídia na percepção da violência
Lopes (2008) e Cruz (2009). Categoria 2 – Percepção de violência na
escola
Rodrigues (2003), Costa (2005), Abreu (2006), Junqueira (2008), Oliboni (2008),
Codevila (2009) e Tigre (2013).11 Fonte: O autor, 2015.
Percebe-se que a categoria 1 - influência da mídia na percepção de violência - possui dois trabalhos situados nos resultados obtidos na pesquisa. Primeiro temos Lopes (2008) que investigou relações entre violência e cidadania influenciada por um processo de midiatização tomando como referência a sociedade contemporânea. Os sujeitos da pesquisa foram três grupos distintos de telespectadores, um grupo da Grande Porto Alegre, outro grupo de Caxias do Sul e por último um coletivo de São Leopoldo, todas as localidades estão situadas no estado do Rio Grande do Sul. O autor usou questionários e entrevistas como instrumentos de coleta de dados e teve como resultados que existem mediações institucionais, culturais e
11 O trabalho realizado por Tigre (2013) é uma tese, os demais trabalhos citados neste estado do conhecimento são dissertações.
videotecnológicas no processo de recepção das mensagens de informações da mídia. Outro resultado apontou a não utilização de todo o potencial da mídia, em veicular a informação de forma potencializadora da transformação social e do exercício da cidadania, segundo a ótica dos participantes. Ainda nos resultados, Lopes (2008) nos fala sobre uma reflexão feita a partir dos relatos dos participantes da pesquisa sobre a influência da mídia em uma lógica, em que o Estado é ausente de suas responsabilidades perante a violência urbana que se apresenta em nossa sociedade. Segundo Lopes (2008), a pesquisa apontou que o sistema jurídico e a força policial são responsáveis pela corrupção e impunidade, mas que o governo não foi responsabilizado como uma das forças fundamentais ao fenômeno da implantação da violência na nossa atualidade.
O estudo de Cruz (2009) analisou uma possível interação entre sociedade, segurança pública e mídia. Os municípios de Biguaçu, Florianópolis, Palhoça e São José, no estado de Santa Catarina, foram utilizados como campo de pesquisa, uma das atividades da autora da pesquisa foi ter realizado um levantamento de dados em uma pesquisa de campo efetuada na central de emergência 190 da polícia, onde selecionou informações sobre registros feitos pela polícia, sobre crimes e outros delitos relacionados a notícias veiculadas por telejornais. Cruz (2009) aponta em seus resultados que quando notícias sobre violência e crimes são veiculadas pelos telejornais influenciam as pessoas a ter uma melhor percepção sobre a violência, por vezes influenciando-as a realizar denúncias sobre os casos que foram exibidos pelos veículos midiáticos. Assim, a partir dos estudos citados localizamos a influência da mídia no processo de percepção da violência, o que nos leva a pensar que bairros em que a violência tenha acompanhamento midiático, a percepção de violência seja maior.
Já na categoria 2 - a percepção de violência na escola - temos oito estudos localizados. Rodrigues (2003) realizou uma pesquisa que teve como objetivo levantar informações com os estudantes sobre a concepção de violência. O campo de pesquisa utilizado foi uma escola de confissão religiosa, localizada em um município da região oeste de São Paulo. O estudo teve como atores estudantes de oitava série do ensino fundamental. O procedimento de coleta de dados contou com observações não sistematizadas e análise das redações dos estudantes. Rodrigues (2003) teve como resultados que a maior parte das redações revelou que os jovens se preocupam com princípios como: tolerância, responsabilidade, respeito e outros relacionados com o entendimento de violência.
Costa (2005) realizou um estudo com o objetivo de pesquisar como o clima escolar poderia interferir na percepção dos estudantes e docentes sobre a violência em suas escolas e prováveis influências sobre a sensação de insegurança acerca do desempenho destes atores.
Duas escolas públicas de Belo Horizonte serviram como campo para esta pesquisa, tendo docentes e estudantes como sujeitos participantes do estudo. O processo de coleta de dados foi realizado através de questionários e observação direta. Costa (2005) obteve como resultado que o clima escolar foi considerado favorável pelos participantes, o que aponta que mesmo as escolas estando localizadas em regiões onde predomina uma alta taxa de criminalidade, não significa que esses estabelecimentos de ensino não possuam condições de se opor aos efeitos externos da área em que estão situadas.
Abreu (2006) em seu estudo teve como objetivo pesquisar o acontecimento de violência em uma escola pública do município de Fortaleza, Ceará. O campo da pesquisa foi uma escola pública estadual onde participaram do estudo 26 professores e 935 alunos do ensino fundamental e médio. O autor utilizou oficinas, preenchimento de um formulário de observação e questionário estruturado como instrumentos para coleta de dados. Abreu (2006) obteve como resultado que os docentes relataram um dia a dia influenciado por medos e incertezas, pois entendem que não será fácil desarticular a violência que atinge o ambiente escolar. Os estudantes por sua vez revelam que entendem a violência como uma realidade dentro do ambiente escolar.
Junqueira (2008) observou as interações sociais desenvolvidas entre os diversos atores numa instituição escolar estadual, além de analisar a formação de grupos e identidades sociais, a partir destas relações e investigar a existência de modalidades de expressões violentas e criminosas ocorridas na escola. O campo de pesquisa foi um estabelecimento escolar estadual localizado no município de Juiz de Fora. Os atores participantes foram os estudantes, docentes, corpo técnicopedagógico e funcionários. Em seus resultados Junqueira (2008) percebeu que o espaço escolar enquanto espaço de socialização foi alvo de manifestações de violência, além de servir de espaço para conflitos entre grupos caracterizados por rotulações, estigmatizações e confrontos.
Em pesquisa realizada por Oliboni (2008) que teve como objetivo saber a percepção e ação dos docentes frente às situações de bullying em suas atividades de aula e que contou com a participação de oito docentes de uma escola pública no estado de Santa Catarina como participantes; obteve como resultado que os docentes reconheciam o bullying como atrapalho ao estudante vítima das agressões, mas que tinham ressalvas a respeito de identificá-lo como violência, assim identificando-o meramente como indisciplina. Segundo Oliboni (2008), a ausência de reconhecimento do bullying como postura inadequada por parte dos docentes contribui para a permanência dessa violência no espaço da aula. Esse estudo utilizou a observação e entrevista semiestruturada como instrumentos de coleta de dados.
Codevila (2009) em sua pesquisa buscou realizar uma análise das percepções de orientadores escolares, adolescentes e pais, permeados pela violência na escola. O campo de pesquisa utilizado foram duas escolas privadas e duas escolas públicas do Ensino Fundamental e Médio do Distrito Federal. A pesquisa teve como atores quatro orientadores, quatro pais e quatro discentes que apresentavam conduta violenta na escola. O procedimento de coleta de dados contou com entrevistas semiestruturadas e realização de um estudo de caso. Codevila (2009) identificou em seus resultados que existe uma articulação entre a escola, os adolescentes e suas famílias, sendo que o estudante envolvido em violências não se localiza como sujeito nesta articulação. A autora ainda identificou que os adolescentes possuem uma relação pobre de afeto com suas famílias e que estes não possuem limites impostos pelos seus pais. Ainda nos resultados a pesquisadora revela que o estabelecimento escolar, por vezes, chega a expulsar os jovens da escola, através de um processo institucionalizado, que usa a justificativa de que a sanção aconteceu por falta de responsabilidade da família sobre as ações do estudante. Desta forma fica a sugestão de que exista uma relação de colaboração entre a escola e família no combate a violência, por parte da autora.
Tigre (2013) teve como objetivo ao realizar seu estudo pesquisar a violência na, à e da escola, averiguando as relações interpessoais que aconteciam, buscando localizar a percepção do discente a respeito do problema. O campo de pesquisa foi constituído por 23 escolas contando com a participação de 9.678 discentes. O procedimento de coleta de dados foi realizado através de questionários, grupo focal e entrevistas. Tigre (2013) obteve como resultado que o principal ambiente em que as violências aconteciam era a sala de aula independente da presença do docente. Além disso, a pesquisadora identificou que a maior parte dos casos de violência possui motivação fútil ou banal e que o combate à violência ocorre de forma burocrática.
Desta maneira percebemos que a maioria dos estudos citados nesta categoria 2 do estado do conhecimento aponta a violência como fator que influencia negativamente a realidade escolar. Prosseguiremos a discussão aprofundando o entendimento sobre violência a fim de facilitar a compreensão desse fenômeno e de seus desdobramentos na sociedade.