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O conceito ecológico de Floresta Estacional está ligado ao clima, possuindo uma estação chuvosa e outra seca, com a perda foliar dos indivíduos arbóreos dominantes, os quais tem adaptação à deficiência hídrica (BRASIL, 1981). Como já mencionado anteriormente, o tipo de vegetação reflete

os índices de umidade e aridez, numa gradação que começa com a Floresta Ombrófila, na faixa úmida, e à medida que a influência do oceano diminui, o índice de umidade reduz também, re- fletindo na vegetação, com a ocorrência de Florestas Estacional Semidecidual e Decidual e caatinga mais para noroeste da área de estudo (SUPERINTENDÊNCIA DE ESTUDOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA BAHIA, 2003).

Nesses locais são comuns a ocor- rência de Clusia nemorosa G. Mey.,

Didymopanax sp, Parinari sp e Sacoglotis matogrossensis Malme. Os remanes-

centes encontram-se intercalados com reflorestamento e agricultura. Ocorrem fragmentos descaracteriza- dos em Alagoinhas, Acajutiba, Pedrão e Rio Real.

Encontra-se, nas partes mais altas do relevo, vegetação semidecidual com característica estrutural semelhan- te às matas secas com fisionomia de Cerradão, que apresentam bom esta- do de preservação, com uma diversida- de biológica alta. Caracteriza-se pela presença de árvores com altura média de 10 a 15 m, relativamente densa. Foi obtida a coordenada de referência (S 12°16’86 / WO 38°11’78) próxima a uma área úmida, supostamente com lençol freático próximo a superfície. Nesse lo- cal, com altitude de 95 m, apresenta-se em estágio avançado de regeneração.

As principais espécies encontra- das foram: Aechmea multiflora L.B. Sm., Byrsonima sericea DC., Bowdichia

virgilioides Kunth, Casearia javiten- sis Kunth, Cecropia glaziovii Snethl., Coccoloba sp, Cordia sp, Croton sp, Erioteca pentaphylla (Vell.) A. Robyns, Eschweilera ovata (Cambess.) Miers, Humiria balsamifera Aubl., Jacaranda

sp, Miconia sp, Myrcia sp, Ouratea sp, Parinari sp, Polygala sp, Psidium guineense Sw., Psychotria sp, Salzmannia ni-

tida DC., Stryphnodendrum pulcherrimum (Willd.) Hochr., Swartzia apetala Raddi, Vochisia sp e Xylopia sp.

Dentre os vários ambientes desta fitofisionomia, as áreas de mata ciliares são as mais preservadas, mesmo apresentando curta extensão. Trechos bem conservados encontram-se próximos ao Rio Subaúma-mirim, distrito Riacho da Guia, município de Alagoinhas. É comum a ocor- rência de caça, corte seletivo de árvores e a retirada clan- destina de madeira. Em alguns locais verificou-se o pro- cesso de regeneração natural, registrando a ocorrência de

Attalea burretiana Bondar (indaiá). Nos locais mais preser-

vados, a altura média das árvores é de 8 a 12 m, algumas podem chegar a 30 m de altura e diâmetro superior a 1 m. As principais espécies existentes são: Attalea burretiana Bondar, Bactris sp, Byrsonima sericea DC., Cecropia glaziovi Snethl., Coccoloba sp, Cordia sp, Cupania sp, Eschweilera

ovata (Cambess.) Miers, Genipa americana L., Gochnatia oligocephala (Gardner) Cabrera, Heliconia psittacorum

L.f., Henriettea succosa (Aubl.) DC., Himatanthus bracte-

atus (A. DC.) Woodson, Lecythis pisonis Cambess., Lundia cordata (Vell.) A. DC., Miconia sp, Sclerolobium densiflo- rum Benth., Symphonia globlifera L.f., Simarouba amara

Aubl., Stryphnodendrum pulcherrimum (Willd.) Hochr.,

Parkia pendula (Willd.) Poir., Pavonia cancellata (L.) Cav., Senna macranthera (Collad.) H.S.Irwin & Barneby, Tapirira guianensis Aubl. e Vochysia lucida Klotzsch ex M.R. Schomb.

Savana (Cerrado fora da área core)

Essa região fitogeográfica é chamada de gerais e cerrado, quando ocorre no interior, e de campos ou tabuleiros na faixa litorânea. Adotou-se o termo Savana como prioritá- rio e Cerrado como sinônimo regionalista, por apresentar uma fitofisionomia ecológica homóloga à da África e à da Ásia (IBGE, 2012).

O Cerrado, segundo Veloso, Rangel Filho e Lima (1991), ocorre preferencialmente em clima estacional (mais ou menos seis meses secos), podendo não obstante ser en- contrado em clima úmido, onde ocorre em solos lixivia- dos aluminizados.

Pode ser definida como sendo uma vegetação com fisiono- mias diversas, da Arbórea Densa (Cerradão) à Gramíneo-Lenhosa

(Campos), caracterizada de um modo geral por árvores de pequeno porte, isoladas ou agrupadas, sob um tapete graminoide, com ou sem floresta-de-ga- leria (BRASIL, 1981). Na área de estudo ocorre diferentes tipos de fisionomias de Cerrado (Apêndice 2).

O Cerrado gramíneo lenhoso, sem floresta-de-galeria é uma formação campestre entremeada de plantas lenhosas anãs, exceto nas faixas de floresta-de-galeria nos vales (BRASIL, 1981). Esta fisionomia ocorre em Aramari e Camaçari. Aparecem manchas ex- tensas deste tipo de vegetação nos tabuleiros localizados à margem di- reita do rio Inhambupe no município de Inhambupe (SUPERINTENDÊNCIA DE ESTUDOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA BAHIA, 2003).

Ocorre nos municípios de Alagoinhas e Araçás, em solos pobres em nutrien- tes e ácidos, Cerrado arbustivo pouco denso altura com 2 a 4 metros, muitos indivíduos perfilhados, galhos retorci- dos, tipo parque sem floresta-de-ga- leria. Em alguns trechos próximos a Alagoinhas, ocorre manchas de vegeta- ção considerada como Cerrado, porém é uma área antropizada de mata, sen- do que as espécies não são de cerrado nem tampouco a fisionomia.

Espécies presentes na área:

Bowdichia virgilioides Kunth, Psidium guianense Pers., Vismia guianensis

(Aubl.) Pers. Periandra mediterranea (Vell.) Taub., Gochnatia oligocephala (Gardner) Cabrera, Himatanthus brac-

teatus (A.DC.) Woodson.

Em área próxima a Araçás foram encontradas as espécies: Coccoloba sp,

Curatella americana L., Schefflera sp, Himatanthus sp, Miconia sp, Byrsonima dealbata Griseb., Byrsonima sericea

DC., Aegiphilla sp, Casearia sp, Xylopia aromática (Lam.) Mart (pindaíba), Tetracera sp, Bowdichia virgilioides Kunth,

Byrsonima coccolobifolia Kunth, Hancornia speciosa Gomes, Amburana cearensis (Arr. Cam.) A. C. Smith., esta última

uma espécie de Caatinga.

O Cerrado arbóreo aberto (Savana Arborizada) ocor- re em solos com boa profundidade nos municípios de Inhambupe, Sátiro Dias, Rio Real e Itapicuru. Brasil (1981) registrou a presença desta fisionomia em Itanagra, sendo que a maior parte dessa formação foi substituída por plan- tios de Pinus sp. e Eucalypus sp. Caracteriza-se por apre- sentar dois estratos: um graminoso e outro arbóreo de in- divíduos lenhosos e tortuosos, com altura variando de 2 e 4 m. Ocorre também espécies comuns à área de Floresta Estacional Semidecidual, porém, devido ao solo pedregoso e pobre em matéria orgânica, o crescimento fica limitado e a diversidade é menor. Caracteriza-se pela predominân- cia de espécies arbustivas com galhos tortuosos e as es- pécies são geralmente pioneiras. As espécies mais comuns são: Kielmeyera tomentosa Cambess (pau-santo) Annona

Salzmannii Mart (araticum), Byrsonima verbascifolia (L.) DC.

e B. coccolobifolia Kunth (murici), Clusia nemorosa G. Mey.,

Didymopanax sp, Humiria balsamifera Aubl., Sarcoglotis sp

e Tapirira guianensis Aubl.

Esta vegetação desaparece ou mescla-se com a Caatinga formando as áreas de tensão ecológica, reapa- recendo com a fisionomia de Cerrado na bacia de Tucano e em Cícero Dantas, sendo substituída mais ao norte pela vegetação de caatinga.