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Relève horizontale simple

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4.1. Problème d’affectation :

4.1.2. Relève horizontale simple

Os métodos complementares que se realizaram visam explorar um pouco os efeitos clínicos e as lesões provocadas pela presença das larvas no hospedeiro. A fotografia da Figura 21, obtida

0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 Concomitantes Puras N.º m éd io d e larv as /ho s pe de ir o af eta do P. picta C. auribarbis

Figura 20 - Intensidade de cada espécie nos 2 tipos de infeção (linhas verticais representam o σ).

através de um corte sagital que se efetuou numa das cabeças que se utilizou para o estudo imagiológico, caracteriza em termos práticos esta parasitose dos veados.

Figura 21 - Corte sagital da cabeça de uma fêmea de veado com Oestrose: entrada do recesso retrofaringeo esquerdo (seta) e entrada da laringe (círculo)

Nesta fotografia pode-se verificar que as larvas ocupam a nasofaringe e a laringe desta cerva, causando uma obstrução quase completa das vias respiratórias superiores. No topo da nasofaringe pode-se vislumbrar a entrada do recesso retrofaríngeo esquerdo (seta). Na Imagem 2 da Figura 22 podemos observar o corte imagiológico desta mesma cabeça, estando sinalizada pelo círculo vermelho a obstrução da entrada da laringe, e pelo círculo verde o recesso retrofaríngeo esquerdo, estando este transformado numa verdadeira bolsa repleta de larvas.

Na Figura 22 apresentam-se algumas imagens obtidas que resultaram do estudo imagiológico. Das 4 cabeças utilizadas, verificou-se que 3 dos animais estavam parasitados e apenas 1 não

apresentava larvas nas suas cavidades nasais e nasofaringe. Ambas as espécies de larvas, P. picta e C. auribarbis, foram encontradas num dos animais positivos.

Este tipo de abordagens pode-nos ajudar a perceber de que maneira estes parasitas afetam os hospedeiros. Avaliar, por exemplo, o grau de obstrução das vias respiratórias ou mesmo descobrir falsos trajetos (Fidalgo et al., 2015). Existem alguns relatos de animais, não só veados, com sintomatologia neurológica provocada por migrações erráticas de oestrídeos para a cavidade craniana (Ruíz Martínez e Palomares, 1993; Foreyt et al., 1994).

Figura 22 - Imagens de tomografia computorizada em cabeças de veado: 1 - setas amarelas a assinalar três larvas na porção rostral da nasofaringe; 2 - larvas preenchendo o recesso retrofaringeo esquerdo (círculo verde) e obstruindo a laringe (círculo vermelho); 3 - larva no meato nasal ventral direito (seta verde); 4 - duas larvas na traqueia (setas azuis).

1 - Setas amarelas a assinalar três larvas na porção rostral da nasofaringe; 2 - Larvas preenchendo o recesso retrofaríngeo esquerdo (círculo verde) e obstruindo a laringe (círculo vermelho); 3 – Larva no meato nasal ventral direito (seta verde); 4 – Duas larvas na traqueia (setas azuis).

Para além da potencial obstrução mecânica que as larvas possam gerar, ao utilizarem as suas espículas e ganchos para se locomoverem acabam por lesionar a mucosa e causar a sua inflamação, o que também pode contribuir para agravar a obstrução do trato respiratório superior do hospedeiro. A Figura 23 exemplifica em termos macroscópicos estas lesões que as larvas podem causar.

A bibliografia não é muito coerente relativamente às estruturas onde se alojam as

larvas L2 e L3. Após disseção destas estruturas percebemos que se tratam efetivamente dos recessos retrofaríngeos, que se localizam cranialmente aos gânglios retrofaríngeos mediais. Muitos destes recessos encontram-se completamente dilatados por ação mecânica das larvas, convertidos em verdadeiras bolsas. Para melhor se perceber a ação dos parasitas decidiu-se enviar para histopatologia algumas destas estruturas.

A histopatologia concluiu que os recessos retrofaríngeos são revestidos por um epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado, por vezes hiperplásico. Em algumas áreas esse epitélio reveste estruturas linfoides, sendo compatível com uma tonsila, com criptas evidentes, observando-se linfócitos quer difusamente quer organizados em folículos linfoides, alguns com centro germinativo. Na submucosa observam-se glândulas seromucosas (Figura 24 A). Observa- se ainda hiperplasia acentuada do epitélio em algumas áreas e noutras erosão e ulceração (Figura 24 B). A ulceração, em alguns casos, é profunda e atinge a sub-mucosa, provocando alterações degenerativas e necrose das glândulas seromucosas (Figura 24 C). Na lâmina própria e sub-mucosa adjacente observa-se um intenso infiltrado inflamatório, constituído por linfócitos, plasmócitos e eosinófilos, observando-se estes últimos também no epitélio de revestimento (Figura 24 D). Os folículos linfoides tonsilares são primários e secundários, especialmente os observados em zonas próximas à ulceração e infiltrado inflamatório. Nas áreas não ulceradas adjacentes, observa-se infiltração predominante por eosinófilos no epitélio e lâmina própria, e por vezes na submucosa.

Figura 23 - Perfuração e inflamação da mucosa ao nível da nasofaringe de um veado

Figura 24 - Histopatologia dos recessos retrofaringeos: aspeto macroscópico dos recessos (A); tonsila com erosão e ulceração do epitélio de revestimento (B); ulceração da mucosa associada a infiltrado inflamatório, degenerescência e necrose glandular (C); infiltração da lâmina própria por eosinófilos, linfócitos e plasmócitos, com exocitose de eosinófilos no epitélio (D).

Os resultados deste estudo estão de acordo com o que poucos autores também reportaram. Está descrito em cervídeos que as larvas provocam a distensão e hipertrofia dos recessos retrofaríngeos transformando-os em bolsas, acompanhado de inflamação e erosão da mucosa (Foreyt et al., 1994; De la Fuente et al., 2000). O que nos questionamos é se estas bolsas criadas pelas larvas não terão qualquer efeito sobre a brama. A presença de uma bolsa ao nível caudal

A B

da nasofaringe poderá surtir alterações na vocalização por efeito de ressonância. Se efetivamente houver um comprometimento da brama, esta parasitose poderá estar a ter influência direta na capacidade dos machos em competirem pelas reprodutoras.

Por outro lado, Foreyt et al. (1994), num estudo sobre oestrose em alces (Cervus canadensis), afirma que histologicamente os locais onde se alojam as larvas revelam uma perda substancial de epitélio e glândulas mucosas, estando descrito também a presença de um exsudado eosinófilo com macrófagos e eritrócitos no lúmen das cavidades. Um resultado muito semelhante ao nosso. Efetivamente as larvas têm um efeito pejorativo sobre o hospedeiro, atentando à integridade da mucosa nos locais onde se alojam e provocam uma resposta inflamatória exacerbada ao nível dos recessos retrofaríngeos, com um infiltrado inflamatório rico em eosinófilos, típico de parasitoses.

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