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Dans le document of urbanization (Page 127-131)

Nesta subseção inicial, será desenvolvida uma breve discussão léxica a partir de redes sociais, visando uma estruturação preliminar que auxilie na compreensão da literatura da área, que vem apresentando transformações e apropriações de termos relacionados a redes sociais, com acentuada velocidade em um período de tempo relativamente curto.

A presença dos verbetes “rede social” e “mídia social” em dicionários não especializados, atesta, por um lado, a grande popularização destes termos e por outro proporciona algumas conceituações e alinhamento de ideias, segundo uma visão mais abrangente, que transcende a visão mais especializada da literatura acadêmica. Essas conceituações, de acordo com o dicionário Merriam-Webster (2018, online tradução nossa), remetem a:

a) rede social (social network)

1: é uma rede de indivíduos (tais como amigos, conhecidos e colegas de trabalho) conectados por relacionamentos interpessoais;

2: é um site ou serviço online por meio do qual pessoas criam e mantem relacionamentos interpessoais.

b) mídia social (social media): são formas de comunicação eletrônica, tais como sites para rede social (social networking) e microblogging (exemplo: twitter) por meio dos quais os usuários criam comunidades online para compartilhar informação, ideias, mensagens pessoais, e outros conteúdos (tais como vídeos)

Pode-se perceber facilmente que “rede social” é um termo ambíguo, que se aplica tanto a rede de relacionamentos pessoais quanto a serviços que facilitem relacionamentos no espaço virtual, e que o termo mídia social inclui os serviços voltados para rede social.

Segundo Scott (2000) as redes sociais como redes que estruturam relacionamentos interpessoais são cronologicamente anteriores aos serviços online de relacionamento. Três tradições de pesquisa evoluíram para uma estrutura teórica coerente e contribuíram para o desenvolvimento inicial da teoria da rede social na década de 1960 (SCOTT, 2000): (i) a tradição da análise sociométrica, que se baseia nos métodos da teoria dos grafos da matemática; (ii) a tradição das relações interpessoais, que se concentra na formação de cliques entre um grupo de indivíduos; e (iii) a tradição antropológica que explora a estrutura das relações comunitárias nas sociedades menos desenvolvidas.

No contexto acadêmico, as redes sociais são estruturas representadas por grafos onde os nós (ou vértices) são os atores (geralmente pessoas) e as arestas são os relacionamentos entre esses atores (FREITAS et al., 2008).

O termo rede social sem outros qualificativos, será entendido neste estudo como: (i) uma fundamentação sobre o papel dos relacionamentos sociais, da qual derivam métodos de análise de rede social e (ii) um conjunto de relacionamentos sociais (exemplo: a rede social de um projeto).

Os sites de rede social, ou redes sociais online, serão considerados neste estudo como aplicativos voltados para relacionamento interpessoal que enfatizam a construção de perfis visíveis e a manutenção de uma lista articulada de contatos que também sejam usuários do serviço, ou seja, com ênfase em rede de relacionamentos. Esse estudo não entende o termo “rede social”, sem outros qualificativos, como categoria de aplicativo ou serviço online de Internet. Redes sociais e sites de redes sociais são conceitos diferentes e a representação de atores e conexões no espaço

online, bem como a dinâmica das relações, também difere do espaço presencial, não

intermediada por tecnologia (RECUERO; BASTOS; ZAGO, 2015). Entretanto, quando a literatura trouxer entendimento diferente, este não será “convertido”, embora possa haver apontamentos.

A categorização mais restrita é corroborada por Benevenuto; Almeida e Silva (2011) e por Boyd e Ellison (2008), para os quais a rede social online é um serviço Web que permite aos indivíduos: (i) construir perfis públicos ou semi-públicos dentro de um determinado sistema; (ii) articular uma lista de outros usuários com os quais compartilha uma conexão e (iii) visualizar, percorrer e mesclar suas listas de conexões assim como outras listas criadas por outros usuários do sistema.

Entretanto, conforme apontam Recuero, Bastos e Zago (2015), Boyd e Ellison viriam a reformular a definição em 2013 para inclusão de conteúdo gerado pelo usuário, estabelecendo uma ligação com mídia social:

Um site de rede social é uma plataforma de comunicação em rede, na qual os participantes: 1) possuem perfis de identificação única que consistem em conteúdos produzidos pelo usuário, conteúdos fornecidos por outros usuários, e/ou dados fornecidos pelo sistema; 2) podem articular publicamente conexões que podem ser vistas e cruzadas por outros; e podem consumir, produzir e/ou interagir com fluxo de conteúdo gerado por usuários fornecidos por suas conexões no site. (ELLISON; BOYD, 2013, p. 158., apud BASTOS; ZAGO, 2015, p. 26).

Mídia social é “um grupo de aplicativos de Internet baseada nos fundamentos ideológicos e tecnológicos da Web 2.0, que permite a criação e compartilhamento de conteúdo gerado pelo usuário” (KAPLAN; HAENLEIN, 2010). Sendo assim, o termo mídia social é entendido nesse estudo como macro categoria de serviços online ou aplicativos de Internet que enfatizam o suporte à distribuição e interação a partir de conteúdos criados por usuários, bem como conteúdo criado por profissionais de marketing ou empresas especializadas em comunicação.

Ainda segundo Kaplan e Haenlein (2010), são seis tipos de mídia social: (i) projetos colaborativos (ex. Wikipedia); (ii) blogs (ex: Sina Boke); (iii) comunidades de conteúdo (ex: Youtube); (iv) sites de rede social (grifo nosso) (ex: Facebook); (v) mundo virtual de jogo (ex: World of Warcraft) e (vi) mundo virtual social (ex: Second Life).

Este estudo optou pelo entendimento de que as redes sociais online podem ser uma categoria restrita ou com ênfase em construção de redes de relacionamento interpessoal em espaços virtuais, mas quando esses serviços também dão suporte à geração e compartilhamento de conteúdo pelo usuário, podem pertencer também à categoria mídia social.

Finalmente, o termo plataforma social será utilizado com significado de serviço ou aplicativo de rede (aberta ou organizacional) que proporcione: (i) criação, manutenção e compartilhamento de rede de relacionamentos sociais; (ii) consumo e interação com conteúdo recebido, (iii) criação de conteúdo próprio; (iv) criação de espaços de compartilhamento, nos quais outros usuários possam se inscrever conforme seus interesses e (v) inscrição em outros espaços de compartilhamento. Exemplo: o Github é uma plataforma social para desenvolvedores de software que permite desenvolvimento colaborativo a partir de compartilhamento de código-fonte.

Apresentada a discussão léxica preliminar, sequencialmente faz-se uma análise da evolução das redes sociais e da mídia social.

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