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O termo inquérito remete para um procedimento de levantamento de informação, feito de uma maneira metódica. Na parte experimental deste projeto, foram levados a cabo dois inquéritos por questionário, um no pré-teste e outro no pós-teste. Estes divergem dos inquéritos por entrevista pelo grau de interação que se estabelece entre o investigador e a população no instante da inquirição, que é nulo num inquérito por questionário. Optou-se pelos mesmos por demonstrarem vantagens ao nível da sistematização e da análise, admitindo ainda que se recolham os dados de um modo sincrónico e, como tal, mais rápido (Carmo & Ferreira, 2008).

Por causa da maior diretividade das perguntas, os questionáriosadministrados, que se encontram no vol. 2, no Apêndice 1 e no Apêndice 2, são do tipo estruturado. Procurou-se ter meticulosidade na sua preparação, através da moderação do número de interrogações, das quais se considerou sempre a inteligibilidade, a objetividade, a pertinência, a neutralidade e a abrangência. Outrossim, tentou-se que as instruções fornecidas fossem concisas e explícitas, tendo-se, complementarmente, acrescentado uma introdução ao tema do estudo, na qual se declarou também em que enquadramento este estava a ser conduzido. No que respeita à apresentação física, teve-se um especial cuidado para que a mesma fosse clara, minimizando-se a soma das páginas e adequando-se a disposição gráfica ao público-alvo (Carmo & Ferreira, 2008). Os inquéritos não foram efetuados anonimamente pois, para a abordagem de algumas das questões de investigação, emparelhou-se a informação alusiva a cada indivíduo, agregando-se a granjeada no pré-teste e no pós-teste.

Devido, parcialmente, às condições supraditas, pôde-se prevenir as não-respostas. O facto de a essência da pesquisa ser julgada proveitosa e cativante pelos sujeitos parece ter contribuído de forma semelhante para um incremento da taxa de resposta.

Os dois questionários criados continham os mesmos itens de identificação, sondando qual o nome, qual a idade e qual o instrumento executado pelos inquiridos. O primeiro averiguou o historial de aprendizagem da música dos indivíduos, enquanto o último quis, por meio da inclusão de duas perguntas de resposta aberta, angariar reflexões sobre a aplicação do modelo de treino coletivo da improvisação.

Indagou-se se os sujeitos tinham frequentado, sem ser no contexto da Big Band, certas categorias de eventos ligadosao jazze/ou àimprovisação. Em concordância com o que foi já mencionado, esta interpelação, no questionário final, prendeu-se com apurar se os efeitos constatados poderiam ter sido intensificados por situações do exterior, restringindo-se por isso como intervalo de tempo aquele em que havia decorrido a experiência.No questionário inicial, não se discriminou qualquer período, uma vez que o intuito era o da familiarização com obackground musical dos indivíduos. Além de todas estas perquirições, houve mais 4, iguais tanto num como noutro questionário, que serviram estritamente para reunir dados concernentes à relação dos sujeitos com a música, com o jazz e com a improvisação. Duas das perguntas eram de resposta aberta e duas eram escalas de atitudes, nomeadamente uma escala de Likert e uma escala de autoeficácia, sendo o desígnio da sua inserção o de se poder examinar as mutações ocorridas na postura dos indivíduos entre o pré-teste e o pós-teste.

Escala de Likert

A escala de Likert elaborada enunciava 5 proposições, às quais os sujeitos tiveram de reagir, registando a posição por si assumida no que tocava às mesmas. Estas incidiam sobre a dinâmica entre os indivíduos, o jazz e a improvisação, recaindo, mais particularmente, sobre a satisfação e a motivação sentidas na realização de determinadas empreitadas atinentes a estas dimensões.

Quando as proposições possuem uma conotação positiva, como as formuladas, Carmo e Ferreira (2008) asseveram que a pontuação atribuída às respostas deverá estar de acordo com a equivalência evidenciada na Tabela 26.

Tabela 26 — Cotações das respostas a uma escala de Likert (tabela da autora)

Discordo

totalmente Discordo Não sei Concordo totalmente Concordo

Escala de autoeficácia

Esta escala teve como propósito a descoberta de qual o nível de autoeficácia para a música e para a improvisação dos sujeitos. Bandura (2006) defende que as escalas de autoeficácia fidedignas são edificadas em redor do domínio do funcionamento que se almeja inspecionar, espelhando-o com precisão. Tal exige uma análise conceptual desse domínio, para se apreender quais os elementos da eficácia pessoal que é forçoso medir, bem como a maneira segundo a qual os mesmos operam. Os itens da escala têm, adicionalmente, de ter a ver com fatores comportamentais que sejam verdadeiramente decisivos para o domínio em foco e que os indivíduos possam de algum jeito controlar. Ao se dissecar o campo da autoeficácia para a música e para a improvisação, evidenciaram-se algumas facetas que influem para o que é vulgarmente tido como um bom desempenho neste domínio do funcionamento. Foram então grafados 36 itens, esboçados como desafios que se podem deparar ao improvisador em cada uma dessas áreas, sendo que a incapacidade de cumprir as tarefas articuladas pode ser um obstáculo ao exercício da improvisação dentro do idioma jazzístico.

Com fundamento nos preceitos do modelo pedagógico C(L)A(S)P, do qual se fala pormenorizadamente no começo deste capítulo, os itens foram distribuídos por 5 séries, consoante o pilar da experiência musical ao qual pertenciam (Swanwick, 2002). É aconselhado por Bandura (2006) que os empreendimentos listados se tornem progressivamente mais intrincados, pelo que os itens foram ainda ordenados dentro das séries. Para o fazer, teve-se enquanto alicerce a ideia da música como metáfora, sustentada por Swanwick (2003), para quem intervêm na experiência musical 3 processos metafóricos implícitos, patentes no esquema da Figura 5.

Na imagem, o nível inferior representa os processos psicológicos intangíveis que constituem as transformações metafóricas. Verifica-se, contudo, que há camadas externas palpáveis nos dois lados de cada uma destas transformações. Tais camadas são apelidadas de materiais, expressão, forma e valor e a sua existência pode ser legitimada a partir não só daquilo que se faz nas atividades musicais, mas também do que se diz acerca da música. Swanwick (2003) profere as mesmas são cumulativas e entrosadas, porque “o material sonoro transforma-se em gesto expressivo, essas formas são tecidas em novas formas e essas estruturas ‘in-formam’ sobre esse mundo de valores” (p. 86).

Atendendo a que a compreensão musical é regida pelas 4 esferas citadas, tê-las em conta sempre que se pretenda apreciar algum aspecto vinculado à música é indispensável, pois, como proclama Swanwick (2003):

Refletindo sobre nossas experiências musicais, sabemos como nossas respostas podem crescer em direção a um forte sentimento de valor da música, uma celebração do seu significado humano. Se estamos empenhados em uma avaliação específica da compreensão musical, o problema do valor realmente não pode ser evitado. […] Na avaliação formal não podemos ignorar nenhuma das camadas. (p. 87).

Posto isto, fez-se a já acima referida hierarquização dos itens por intermédio da associação dos mesmos aos seguintes patamares:

Consciência e controle (sic) de materiais sonoros: demonstrados na distinção entre timbres, níveis de intensidades, duração ou alturas, manuseio técnico de instrumentos ou vozes;

Consciência e controle (sic) do caráter expressivo: mostrados na atmosfera, no gesto musical, no senso de movimento implícito e na forma das frases musicais; Consciência e controle (sic) da forma musical: mostrados nas relações entre formas expressivas, os caminhos pelos quais os gestos musicais são repetidos, transformados, contrastados ou conectados;

Consciência do valor da música: mostradas na autonomia, avaliação crítica independente e pelo pessoal e cultural compromisso mantido com estilos musicais específicos. 1 (Swanwick, 2003, p. 91).

Porquanto a autoeficácia tem a ver com a perceção de idoneidade, os itens devem ser interpretados em termos da habilidade para se efetivar uma entrepresa regularmente, e não da intenção de o fazer, precavendo Bandura (2006) que “a autoeficácia percecionada é um enorme determinante da intenção, mas os dois constructos são conceptualmente e empiricamente separáveis” (pp. 308-309, tradução da autora).

É importante ressaltar que a ponderação é sobre a mestria tida na atualidade, não sobre as expectativas de eficácia futura. Por conseguinte, pediu-se aos sujeitos que assinalassem qual o nível de certeza que tinham quanto a estarem aptos a concretizar,

nesse momento, as empreitadas, inscrevendo a grandeza da sua convicção em conformidade com a gradação sugerida por Bandura (2006), exibida na Figura 6.

Figura 6 — Espectro de possíveis respostas a um item de uma escala de autoeficácia (imagem da autora)

Os indivíduos tendem a não escolher as posições extremas, pelo que o uso de um molde com uma quantidade razoável de intervalos é recomendável para se lograr resultados mais relevantes e diferenciados, acreditando Bandura (2006) que:

A qualidade da avaliação proporciona a base para rigorosos testes empíricos da teoria. Dada a centralidade das crenças de eficácia na vida das pessoas, uma avaliação sã deste fator é crucial para se entender e se prever o comportamento humano. (p. 319, tradução da autora).

Perguntas de resposta aberta

A primeira das interrogações que figuraram quer no questionário inicial, quer no questionário final dizia respeito à visão que os sujeitos detinham da improvisação, sendo o seu fito o de viabilizar que fossem discutidas as alterações sucedidas neste plano, como por exemplo, se este modo de fazer música era contemplado pelos indivíduos com uma maior positividade ou com uma maior negatividade após a aplicação do modelo de treino coletivo da improvisação.

A segunda perquirição versava sobre os impedimentos que os sujeitos achavam ter quanto à improvisação. O que com esta se visou foi depreender se os indivíduos se passaram a considerar mais proficientes na prática da mesma, através da dedução de quais as modificações notadas ao nível das causas que estes designavam como as explicativas de que a sua prestação não fosse a mais ideal.

Com o nítido intento de se obter feedback sobre o trabalho desenvolvido, para se poder decretar o que se fez bem e o que poderia ter corrido melhor, solicitou-se no pós- teste aos sujeitos que dessem a sua opinião acerca do tratamento a que foram submetidos.

Indagou-se, por fim, qual ou quais as obras que os indivíduos mais tinham gostado de executar, desejando-se identificar as que mais unanimemente eram alvo de preferência, por se pensar que tal pendor pudesse ser sinalizador de que tais temas tivessem algumas características excecionais.