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Reconfiguration des services du réseau

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5. Phase 3

5.4. Reconfiguration des services du réseau

O consumo sempre existiu em toda a história humana, fazendo parte da vida e das necessidades das pessoas. O que mudou foi a sua forma, juntamente com a mudança nos meios de produção e outros fatores culturais emergentes em cada época. Quanto à origem do consumismo, recorremos à Colin Campbell (2001), em A ética romântica e o espírito do

consumismo moderno. Da mesma forma que Max Weber (2004) em A ética protestante e o espírito do capitalismo, Campbell conseguiu identificar uma afinidade eletiva entre uma

conduta religiosa e uma conduta econômica, entre a teologia calvinista e o comportamento capitalista, Campbell fez uma crítica deste trabalho e procurou analisar a forma como

131 capitalismo se desenvolveu até os dias atuais, conseguindo relacionar a dinâmica de consumo atual com os padrões da sociedade contemporânea. Um capitalismo menos voltado à produção e mais ao consumo. Lembrando que, para Campbell (2001), o comportamento consumista tem muito de sua origem no romantismo, como este procura comprovar.

Esse comportamento não surge a partir deste século ou de décadas passadas, mas sim desde o século XVIII, onde a moda e artigos de luxo faziam parte do comportamento das pessoas, sendo praticamente uma forma de distinção dentro da sociedade emergente. A partir do século XIX, a classe média também passou a consumir, não sendo mais este prazer único para a nobreza, isto acelerou ainda mais o processo de consumismo na sociedade. Para Campbell, essa classe média era formada em parte por calvinistas, que já viam a possibilidade de ter algo que lhe demonstrasse alguma forma riqueza, um sinal de uma predestinação. Até roupas caras e bonitas eram sinais de salvação. Em parte, o autor concorda com Weber nas atitudes vistas como religiosas e morais pelos calvinistas, ligando o mundano ao espiritual, mas em parte não. Lembrando que, tanto para Campbell como para outros estudiosos do universo religioso e principalmente do neopentecostalismo, tais como Ricardo Mariano (2004), como exemplo, a Teologia da Prosperidade de hoje difere da ética calvinista identificada por Weber (2004), já que não condena o luxo, a perda de tempo e o gasto com coisas mundanas. Hoje estas práticas são vistas como um privilégio dos que são tidos como escolhidos por Deus.

Na nossa pesquisa verificamos que esta nova predestinação está afetando as estruturas do campo religioso. Esta realidade faz com que as igrejas se voltem para a dinâmica de consumo do mundo moderno. Junto com elas, novas formas de religiosidades. Junto destas, uma nova visão do que é uma graça, uma benção e até mesmo do que seria a “vida eterna”. Da preparação dos representantes até os cursos oferecidos pelas igrejas para os seus membros, vemos uma modernização comparada aos modelos tradicionais. Hoje através de cursos, oficinas e palestras voltadas para a administração de bens e de finanças. Não foi deixado para traz o trabalho missionário, como é tradição dentro de diversas organizações religiosas, além do fato de que, de dentro de uma concorrência mercadológica, não se pode esperar somente os consumidores irem até a instituição, é necessário também ir até eles.

Em diversos momentos das visitas às organizações religiosas, encontramos a presença de uma visão capitalista e consumista. Visitamos livraria da igreja Verbo da Vida, que fica dentro do imenso prédio no qual é instalada. Até mesmo mais do que Bíblias, encontramos livros de autores do universo religioso e da administração, sejam eles de marketing, financeira ou patrimonial. Encontramos livros de psicologia, mas a maioria não voltada simplesmente para

132 a autoajuda e sim para como crescer e prosperar nesta vida. Vimos vendas de vários outros objetos, tais como roupas e acessórios. Os livros de administração, de marketing e te autoajuda encontrados nas igrejas possuíam um valor mais alto do que os encontrados em livrarias e em

sites de vendas alheios à igreja. Existe não só no discurso e nas mensagens, como também em

todo o processo em volta, uma visão referente a fins e com números exagerados. Em um encontro organizado pela Verbo da Vida em 2016, que tinha por finalidade atender as mulheres da Igreja, foram instaladas várias tendas ao redor da igreja com vendas de diversos produtos. Não podemos deixar de ver também a necessidade das pessoas em conseguir um trabalho e em manter a sua subsistência, estamos apenas analisando em sua relação com o mercado e com o consumo.

Existe na teologia neopentecostal, um consumismo gerado pelo hedonismo autoilusivo. Neste, as pessoas são chamadas para consumir em virtude das dinâmicas de marketing. Depois de consumir, têm uma satisfação temporária, desfazem-se de seu objeto e procurar outro. O espirito do consumismo não está apenas na igreja e sim na sociedade inteira. Nas organizações e nos discursos ofertados os consumidores procuram aconselhadores e especialistas no assunto, o que também coincide com os pressupostos de Bauman sobre a religião nos dias atuais.

Nesse mesmo sentido, em seus trabalhos, Bourdieu enfatizava que não se pode compreender a construção de identidades na sociedade apenas pela estratificação social vigente, já que as pessoas também agem por interesses individuais, agindo pelo seu gosto subjetivo e seus interesses que ultrapassam a fronteira de classes. Da mesma forma a procura por religiões hoje em dia é livre. Tanto como também o direito de crer ou não crer. Não existe uma forma reguladora para a opção religiosa das pessoas, e estas procuram a oferta religiosa que mais lhe agradam ou que prometem resolver os seus problemas, estes podendo ser de ordem tanto espiritual, como também, de ordem material.

Em seus estudos sobre a cultura do consumo, Campbell critica e afasta qualquer teoria utilitarista, da mesma forma em que distingue o consumo moderno do praticado em outras épocas, por aquele agir em função de uma estrutura de pensamento hedonista. O consumo moderno é voltado para a busca do prazer na própria experiência do consumo, no imaginário e no plano sentimental. Da mesma forma que a sociedade moderna muda constantemente, o consumo também sofre alterações. Analisamos que a religião está interligada em muitos setores a na cultura da sociedade. Conforme muda a cultura, surgem novas formas de religiosidades, novas igrejas e novos deuses. Na dinâmica do mundo em que vivemos, as religiosidades relacionadas à “Teologia da Prosperidade” são vigentes do utilitarismo e do consumismo.

133 Podemos dizer que os fiéis agem, lembrando os pressupostos bourdiesianos, em virtude do seu

habitus de classe.

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