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Les exploits

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4. Phase 2

4.3. Les exploits

Além da visão baumaniana sobre o consumo na modernidade líquida, ou no mundo líquido moderno, como assim definido por ele, baseamo-nos na teoria de outros autores do universo sociológico a fim de compreender o que vem a ser a cultura do consumo. Autores como Jean Baudrillard (1996) e Mary Douglas (2004) afirmam que os objetos na sociedade do consumo são dotados de signos. São dotados de uma pretensão de ascensão social e de reconhecimento a grupo. Para Baudrillard...

Podemos certamente, num primeiro tempo, considerar os objetos em si próprios e a sua soma como índice de pertença social, mas é muito mais importante considerá-los, na sua escolha, organização e prática, como o suporte de uma estrutura global do ambiente circundante, que é simultaneamente uma estrutura ativa de comportamento. (BAUDRILLARD, 1996, p. 17)

Ferreira (2010) identificou que, ao sentirem tédio, depressão, solidão, cansaço, estresse e outros sentimentos parecidos, os habitantes das grandes cidades vão aos shoppings à procura de compras, como forma de alívio a estes males. A partir da chegada nestes grandes templos de consumo, de satisfação e de pertença, aliados à aquisição de determinados produtos, há mais do que uma atitude mercadológica, algo revestido de valores. O simples prazer de estar no shopping é até mais fundamental que comprar alguma coisa. Não podemos descartar e negar que é um lugar agradável, com grandes opções e bem climatizado. Não olhar apenas com uma visão crítica sem ver as características do ambiente. Mas, além disto, é em um lugar seguro,

120 com pessoas bem vestidas, com marcas, lojas, praças de alimentação e cartazes de cinema e passa a ser a solução dos problemas - pelo menos temporariamente. Para Ferreira...

Por intermédio de objetos e das marcas, consumimos dinamismo, elegância, poder, renovação de hábitos, virilidade, feminilidade, idade, refinamento, segurança, naturalidade e tantos outros conceitos. As necessidades passam a dizer respeito mais aos valores do que aos objetos. (FERREIRA 2010, p. 01) Também podemos compreender esta problematização com auxílio do que define Frei Beto, de que as mercadorias que são fatores determinantes nas relações sociais, já que saíram da forma pessoa-mercadoria-pessoa para a forma mercadoria-pessoa-mercadoria. Podemos dizer que a posse de materiais, a forma de se vestir e o carro em que se possui passam a ser fatores mais determinantes do que outras formas de apresentação. Percebe-se o objeto dotado de fetiches (em termos bem marxistas) que definem o valor das pessoas no mundo moderno. Como se o homem não definisse mais o valor da mercadoria, e sim esta define o valor de quem a possui ou não.

Quando as pessoas entram em shopping centers, em grandes supermercados, passam em frente a vitrines das lojas, logo ficam em uma situação que tal como podemos concordar com o que diz Frei Beto:

São os templos do deus mercado. Neles não se entra com qualquer traje, e sim com roupa de missa de domingo. Percorrem-se os seus claustros marmorizados ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Ali dentro tudo evoca o paraíso: não há mendigos nem pivetes, pobreza ou miséria. Com olhar devoto, o consumidor contempla as capelas que ostentam, em ricos nichos, os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode pagar à vista se sente no céu; quem recorre ao crediário, no purgatório; quem não dispõe de recurso, no inferno. Na saída, entretanto, todos se irmanam na mesa "eucarística" do Mc Donald’s. (apud ROSSI, 2018, p. 117)

A frequência das visitas a shoppings centers é somente mais uma das escolhas das pessoas que buscam lugares tidos como bonitos, grandiosos e com diversos bens de consumo a serem oferecidos. Nas nossas entrevistas, constatamos que os fiéis das igrejas selecionadas preferiam lugares mais amplos, espaçosos e bem estruturados. A fiel Marilene (nome fictício) da Verbo da Vida, quando questionada sobre o motivo pelo qual escolheu essa igreja, declarou: “não suporto igreja pequena, não tem quem faça eu ir porque me sinto mal, gosto de lugares espaçosos, assim como a minha casa... Me sinto bem nesse espaço”. As igrejas tidas como mais simples não são preferidas por pessoas que, além da palavra divina, procuram uma estrutura

121 mais aconchegante para assistir aos cultos e reuniões. Quanto ao shopping center? Este de alguma forma está dentro da igreja, no discurso do pastor. Assim como também estão outras lojas, concessionárias, agências de viagens e imobiliárias. Aliados à palavra que está na Bíblia destas doutrinas. Impregnadas no discurso e em propagandas. Como se as igrejas encaminhassem as pessoas para os shoppings e estas depois fossem encaminhadas de volta. Talvez para conseguir meios para comprar mais, ou então para tentar conseguir os meios para usufruir destes bens.

Essa nova religião vista por Frei Betto é diferente de tempos atrás e está mais apta ao mundo pós-moderno. No contexto atual, as pessoas agem apenas em virtude de si mesmas e não procurando ver a sociedade em si. Não procurando ver o mundo e sim as coisas do mundo. Apenas uma religião voltada para satisfação pessoal e não social, de ter que se preocupar com os outros. Para o autor, a solidariedade e a reciprocidade são deixadas de lado. As pessoas seguem uma linha narcisista com as religiões emergentes. Neste contexto, para Frei Betto (2001), as novas religiões não são altruístas, são egoístas, e estas não fazem da vida um dom, e sim uma posse. Para o autor, neste modelo de religiosidade contemporânea, o paraíso passa a ser a Terra e o consumidor é totalmente desprovido do seu lado espiritual nesta vida.

Relacionado estas avaliações com o nosso trabalho, podemos identificar que Frei Betto critica a doutrina e as formas como os membros das igrejas neopentecostais veem Deus e o mundo. Os comentários de Frei Betto também cabem a outras correntes no universo religioso, mas as organizações que utilizam a Teologia da Prosperidade estão mais aptas ao consumismo, a uma vida não apenas voltada a shopping centers, mas a outras práticas de consumo. Acontece que identificamos em nossas pesquisas nas três denominações, muitos depoimentos nos quais os fiéis estudados repetiram várias vezes que “Deus quer o melhor para a pessoa” e de que “a pessoa tem que aproveitar de tudo que há de melhor nesta vida”.

Desta forma, podemos relacionar esta pesquisa com o que vemos em Featherstone (1995), segundo o qual, para os fiéis e cidadãos-consumidores, a frequência aos templos na dinâmica da pós-modernidade se tornou uma atividade de lazer e as suas práticas espirituais passaram a ser de caráteres individualistas e utilitárias, tendo base na oferta de contribuições financeiras em troca de pedidos de graças como soluções de problemas pessoais. Segundo sociólogos como Pierucci e Prandi (1996), essas práticas são mais recorrentes entre os fiéis de classe social e de nível de escolaridade mais baixos, sendo estes os que mais procuram igrejas que oferecem estas práticas.

122 Featherstone também concorda e utiliza em suas teorias pressupostos de outros autores que investigam a sociologia do consumo, tais como Mary Douglas e Baron Isherwood, que, em

O mundo dos bens (2007), fazem uma relação entre cultura e economia, das pesquisas feitas

por antropólogos e economistas, procurando encontrar uma definição de rede social da pobreza, em que a posse de bens não é necessariamente o fator distintivo de classes, mas sim as relações sociais do imaginário produzidos por eles. Na sociedade moderna, os bens se apresentam como construtores de identidade como signos, mas não em sua forma física e sim pela sua interação. Os objetos são importantes para dar visibilidade às categorias, produzir e reproduzir classes dentro de uma cultura dinâmica, definir e redefinir posições. Para os autores, a pobreza é uma questão de como as pessoas tratam umas às outras.

Podemos concordar com Douglas e Isherwood quando afirmam que as classes sociais estão definidas quando comparadas em relação ao consumo, isto em virtude de três conjuntos de bens, que podemos compreender como: o setor primário de produção, como a comida, por exemplo; um segundo relativo à parte secundária de produção, que é a parte tecnológica e do percurso e dos meios de aquisição do consumidor; e uma produção terciária, correspondente à educação, artes, da cultura e atividades de lazer. No caso, os ditos “pobres” não possuem meios e nem capital suficiente para chegarem ao terceiro grupo, estão limitados ao consumo básico, essencial. Para chegar ao consumo de produtos de luxo, de melhor nível, como também a atividades de lazer, viagens, conhecimento de patrimônios culturais e históricos, seria necessário que obtivessem uma maior renda, além disso, um maior nível de capital cultural e social, que não conseguiria de forma imediata. Para obtenção destes capitais seria necessário quase uma vida e deveria começar-se pela educação e pela formação dos cidadãos. Os autores também concordam com a tese de Bourdieu sobre a estruturação e a reprodução das classes sociais.

Muitas pessoas não conseguem passar do segundo para o terceiro ponto, como assim analisado, em virtude de em um primeiro momento não terem tido uma estrutura econômica e familiar, além de meios de aprendizagem adequados. Dessa forma, procuram no sagrado o caminho para a prosperidade e a necessidade exigida pelo mundo. A religião não perdeu sua importância na pós-modernidade, continua servindo de caminho para a salvação. Um dos problemas é que, por parte das instituições do sagrado, não existe uma visão de combate ao consumismo, e sim de se aproveitar da situação e invocar cada vez mais fiéis-consumidores para o mercado. Detectamos assim uma falha no sistema educacional do país, que não consegue formar cidadãos de forma adequada, prontos para entrarem no mercado de trabalho.

123 Assim como já fora divulgado em diversas pesquisas, também percebemos que as igrejas que oferecem a Teologia da prosperidade são as que mais crescem e convertem as pessoas das classes mais baixas da população. Pessoas que não querem mais ficar apenas na segunda área do consumo, como mostrado pelos autores, querem usufruir o que há de melhor neste mundo, mesmo não tendo uma preparação básica adequada para isto. Encontramos em nossa pesquisa os fiéis da Igreja Internacional como pertencentes à segunda área. Esses tiveram muitos problemas e carências em sua formação, o que lhes impede de subir, digamos assim. Possuem um capital cultural mais baixo, tanto que, em suas denominações, não necessitam de pastores com um alto índice de capital cultural, como ocorre em outras denominações. Continuam como uma classe mais baixa, mas que agora acreditam ter encontrado uma solução para estes problemas.

Para Douglas e Isherwood, mesmo a posse e o privilégio de consumir os bens do último grupo, da alta cultura (tais como o teatro, ópera, cinema, livros, entre outros), devem estar associados à forma de consumo outros bens, à forma de se vestir, de ter seus automóveis, de escolha de lugares para compras e atividades de lazer. A alta-cultura deve estar inserida no mesmo espaço social do consumo cotidiano. Como já vimos anteriormente, Bourdieu constrói um gráfico de escolha e posse de capitais das pessoas e consegue ver dentro do espaço social às atividades da alta-cultura relacionadas à posse dos capitais. Para ser distintivo, uma coisa deve estar relacionada à outra, desde o consumo cotidiano até o terceiro grupo.

Não questionamos aqui a qualidade dos bens, e sabemos de sua utilidade e necessidade. O que Douglas e Isherwood mostram, e é um dos tópicos de nossa discussão, é que os bens marcam a pobreza, mas não pela quantidade de bens que são adquiridos, mas sim pela sua interação, pela reciprocidade e pela forma como estão distribuídos simbolicamente. Esses bens marcam as classes privilegiadas economicamente e culturalmente, que diferem de outros membros pertencentes a um grupo que não tem acesso a eles nem às informações. Informações geradas e produzidas pelos maiores consumidores. Informações geradas também como manipuladores de controle e distinção social e que operam sob a lógica de mercado.

Como vimos no que diz Douglas e Isherwood, até mesmo nas vestimentas encontramos uma diferenciação das pessoas. A importância de se chegar bem vestido, assim como a importância de chegar em seu carro, foi bem mais vista nessas denominações. Podemos dizer que isso vai além da igreja e se reproduz para os locais frequentados pelas pessoas, até mesmo na casa de familiares. Apenas a sensação de se vestir bem, de frequentar locais, de comer em bons restaurantes, satisfaz seus desejos. Os fiéis vão para igreja e pretendem ver nela a forma

124 de como seria o mundo adequado. Uma forma não mais transcendental, não de outra vida, mas sim nesta. Pretendem se afastar do imaginário e do real da pobreza. Os que são pertencentes à classe média, seja baixa ou alta, procuram se distanciar da classe mais baixa, como bem descreveu Bourdieu. A posse de determinados bens e a frequência em determinados lugares já trazem a sensação de distinção às outras pessoas, levando em conta o imaginário da pobreza, como definido por Douglas, e as riquezas extramundanas oportunas de hoje, oferecidas nos rituais religiosos.

Não devemos analisar o consumo apenas a partir de coisas materiais, mas também na produção de sentidos no mundo pós-moderno. Este novo cenário de relações sociais e de comportamento difere de décadas atrás, caracterizado atualmente pelo dinamismo, pela fluidez e pela liberdade de escolha, entre outras características, mas além de tudo, um universo marcado pela ambivalência. Como em toda a história humana, o homem parte para a compreensão e para a busca de sentido nas coisas. Estes sentidos estão sempre relacionados à sua existência. O consumo é uma forma de se sentir, de pertencer, cobrado por si e pelos outros, pela sociedade em geral. Analisamos estes sentimentos em relação aos modos de religiosidades que surgem e crescem no universo não só religioso, mas também social. Vemos como impossível separar o campo religioso do universo cultural, econômico e social. Talvez possível apenas para religiões que procuram um afastamento da sociedade, de pregação em retiros, voltadas quase que totalmente para o lado espiritual e de meditação.

Esse conceito de consumo assemelha-se ao de Baudrillard (2008), para o qual o consumo serve de satisfação pessoal e ao mesmo tempo social, mais precisamente chamando de gadget, no qual para cada objeto real há um objeto sonhado. O indivíduo em busca destes signos também caminha em frente de vitrines de lojas e de shopping centers. Os consumidores em muitos momentos não chegam a perceber esse movimento mental e ao mesmo tempo real, de tão engajados e absolvidos pela dinâmica do mundo pós-moderno. Baudrillard entende que o consumo é o resultado coletivo de ações e intensões, já que não pode ser compreendido apenas como a roupa que se veste, o carro que usa ou a comida que se come. O ato de consumir é uma ação constituída de sentido e consequentemente uma atividade sistemática manipuladora de signos dentro da sociedade.

O consumo não parte apenas de uma atitude material, também possui diversas finalidades. Pode agir por encanto, mas muitas vezes não chega a trazer o valor esperado, ou este valor se esgota, trazendo assim a necessidade de consumir novos produtos, que venham a realizar desejos. Dentro dos objetos, estão abstratas marcas, elegância, padrões de

125 comportamento, feminilidade, opções de gosto, segurança, conforto, preferências, sentimentos. Não existe também apenas um valor social, ou de simples subsistência no consumo. Os objetos socialmente podem ser motivo de distinção e ao mesmo tempo levar ao consumidor sensações de estar na moda, de ter poder, autoridade, representação, pertencimento a determinado grupo, ou até crítica a uma cultura, de demostrar que possui determinado nível social.

Para Bourdieu o gosto, as preferências, os estilos de vida residem dentro do próprio indivíduo, mas esse termina por ser influenciado pelo habitus do grupo e da sociedade a qual pertence. Assim, para pertencer a um grupo, é necessário rejeitar o que pertence a outro, como também obter o que é relativo ao seu próprio grupo. Através do consumo, é possível se identificar os padrões de uma classe e até de uma sociedade. No trabalho de pesquisa, procuramos conhecer os sistemas de classificação e as técnicas de identificação dos símbolos de distinção do mundo social, da posse de objetos e até a frequência de determinados lugares dotados de poder de classificação e de estratificação.

Ao propormos uma discussão sobre o consumo, não poderíamos deixar de falar sobre “moda”. Podemos dizer que a moda de hoje é menos opressiva que a moda no regime de produção uniforme de tempos atrás. Hoje as modas surgem e duram pouco. Tanto modas de roupas, como de músicas, de estilos de penteado, entre outras mais. Para Wolfgang Streeck (2013), é muito mais fácil abandonar uma comunidade de consumo do que abandonar uma comunidade tradicional. As comunidades de consumo têm vínculos mais fracos, permitindo que o consumidor passe de uma para outra, sem ter nenhuma obrigação de explicar as suas escolhas. O autor vê uma socialização do consumo e essa socialização é monológica e não dialógica, individual e não coletiva, voluntária e não obrigatória.

Na observação direta realizada ao longo da pesquisa, percebemos que a moda também invadiu as igrejas. Tanto vemos roupas de moda, como estilos de cabelo e de barba, entre os fiéis e até mesmo os pastores. Em um dos cultos da Igreja Renascer, encontramos um pastor com roupas de moda, cortes e estilo bem relativos à moda utilizada por pessoas mais jovens, principalmente cantores que estão fazendo sucesso. Podemos retomar à pesquisa de Sousa Jr e Guerra (2008) para afirmar que os fiéis preferem pastores jovens e bem aparentados, além de outras características, como dinamismo e boa oratória. A escolha do representante da organização religiosa é fundamental para a procura dos fiéis.

Existe uma diferença no consumo das sociedades tradicionais para as modernas, algo já percebido por clássicos da sociologia como Durkheim (1995). Este distinguia o consumo biológico do consumo social. O primeiro era voltado para as necessidades básicas das pessoas,

126 não ultrapassava o essencial e não era imposto às pessoas. O consumo social já passa a ser um dever moral dentro de um grupo, de uma sociedade em geral. Esta forma de consumo pode ser imposta por indústrias ou grupos de pessoas. Nos termos durkheimianos o consumismo se transforma praticamente em fato social.

Para Canclini (2009), hoje os cidadãos vivem diante de uma “universalização das coisas”. Vivem diante de produtos vastos e de um mundo globalizado, e consequentemente, deixam para trás o “típico”, passando por optar pelas novas escolhas, que decorrem muito em virtude da forma como esses consumidores se veem cidadãos e de como a mídia age sobre sua visão e formação. A tese de Canclini pode ser relacionada aos pressupostos bourdiesianos, quando se fala de habitus de classe, pois define que na sociedade existem mecanismos que manipulam a consciência dos cidadãos, um processo não decorrente de agora, mas que teve início há muito tempo atrás.

Para Canclini, o maior influenciador desta nova cultura emergente são os meios de comunicação em massa, especialmente os canais de televisão e os cinemas, que foram se expandindo durante anos e décadas. Esses foram levando mensagens para várias culturas em todos os setores do mundo. Mensagens que possuíam valor simbólico cultural que se misturaram com as culturas de outros países, fator que acelerou ainda mais o processo de globalização. Hoje, pode-se ver que não é mais dada ênfase como antes ao conceito de nação, e sim, dentro desta nova forma de reorganização da vida social, maior ênfase à cidade e a aspectos regionais. Mas o autor identifica que não houve um processo total de invasão e domínio de uma cultura sobre outra, como muitas pessoas acham, já que qualquer processo de customização de produtos internacionais é submetido aos gostos e aceitação da cultura local. Canclini identifica que os consumidores começaram a pensar de forma transnacional para conquistarem os signos de status representados simbolicamente na sociedade local, para se acharem cidadãos, fato que ocorre em praticamente todo o mundo. Em muitos de seus pontos chega a concordar com Bourdieu, como na seguinte citação:

Pudimos, entonces, repensar el consumo de la cultura como un proceso diverso, no manejable desde el poder en una sola dirección. Percibimos que el consumo sirve para pensar, en un escenario de disputas por aquello que la

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